26 janeiro 2006

Cartilha sobre os Direitos dos Alunos

Todo início de ano publicamos nossa Cartilha sobre os Direitos dos Alunos, destinada ao professor e ao profissional do ensino, para que ela seja conferida e eventualmente atualizada. Leia a Cartilha abrindo o link à esquerda (EducaFórum - os textos) com data de 26/01. Ela foi criada em 2.000, é baseada no ECA, em relatos de nossos filhos e de outros pais de alunos.

Muitos professores sentem-se melindrados, pois entendem a Cartilha como uma crítica ao seu desempenho. Não é essa a nossa intenção. Certos profissionais do ensino fazem o impossível para desenvolver seu trabalho com toda responsabilidade, mas queixam-se de que alguns itens não são da sua alçada, como por exemplo garantir que o aluno tenha sempre aulas de qualidade. Por outro lado, mesmo o bom professor raramente luta pelos direitos de seus alunos em situações críticas ou nas reuniões escolares. O corporativismo costuma falar mais alto, mesmo que o assunto seja um professor que vive faltando, que dá péssimas aulas ou até maltrata os alunos... Também não se vê sindicato de professores lutar pelos direitos do aluno nas manifestações: as greves são constantes, as reivindicações são por aumento de salários, por benefícios da categoria, por menos alunos em sala de aula, mesmo que crianças e adolescentes fiquem sem escola...
Então, professor, o objetivo da Cartilha não é ofender, é sensibilizar.
Ela termina assim: Pense no aluno como se fosse seu filho. Isto é o que nós desejamos.

23 janeiro 2006

Prepare-se para o início das aulas!

Nesta época de férias, o melhor a fazer é preparar-se para o início das aulas, quando tudo (ou nada...) pode acontecer. É quando os pais podem candidatar-se a membros do Conselho de Escola ou da APM, é também o momento de conferir o calendário escolar, de checar a presença do professor em sala de aula... Sim, pois em certas escolas o início do ano escolar é um verdadeiro caos. Como garantir que seu filho estude numa escola organizada? Somente com a sua fiscalização!

Aproveite então as férias para obter o máximo de informações e se organizar, trocando figurinhas com outros pais de alunos da escola dos seus filhos. A melhor dica é entrar no site dos nossos amigos PaisOnline, veja o endereço na barra de links à esquerda. É o site mais completo para pais e alunos de escolas públicas. Consulte, por exemplo, os "pacotes" de informações para participar do Conselho de Escola ou da APM, que contêm toda a legislação e boas dicas para enfrentar a resistência da direção das escolas, que receiam a presença de pais ativos na co-gestão. Mesmo que sua escola não seja no Estado de São Paulo, você pode aproveitar as dicas para procurar a legislação própria do seu estado e preparar-se para ser mais atuante na escola dos seus filhos. Se você não tiver tempo para participar do Conselho de Escola, procure algum pai ou mãe que possa candidatar-se e que será assim seu representante.

Outro documento interessante que você vai encontrar no site dos PaisOnline é o formulário de contrôle de aulas vagas, que você poderá preencher diariamente e assim comprovar, no final do mês, quantas aulas efetivas seu filho teve, de cada matéria. Consulte periodicamente o site dos PaisOnline, você vai encontrar dicas sobre bolsas de estudo, gabaritos de provas, telefones úteis e quase toda a legislação referente à educação. Confira: como diz o nome, é um site de pais de alunos para pais de alunos.

18 janeiro 2006

Diretorias, Surdorias de Ensino & etc.

Leiam, em http://cremilda.blig.com.br, quais as Diretorias de Ensino do Estado de São Paulo que se preocupam com o aluno. Essa matéria foi publicada no dia 18/01. Não é o caso da Diretoria Regional de Ensino de São Vicente, que se omitiu completamente com respeito ao aluno perseguido na EE Prof. Aracy da Silva Freitas, em Mongaguá, num caso que vem se arrastando desde setembro. Pior ainda do que a Diretoria de Ensino, foi a atuação da Ouvidoria da Educação, genialmente apelidada de "surdoria" pela nossa amiga Glória Reis. Parabéns à Cremilda pelo corpo-a-corpo que vêm travando com as autoridades da educação em defesa dos alunos!

16 janeiro 2006

O que as crianças aprendem na escola?

Recebemos, de nossa amiga Marta Bellini, o artigo A escola como instrumento de controle e coerção, que reproduzimos integralmente na seção de textos. Trata-se de um diálogo entre os professores Noam Chomsky e Donaldo Macedo, de Massachussets, datado de 1999, mas ainda extremamente atual. É para pais que não têm medo de discutir o que seus filhos aprendem na escola, pois sabemos que não é à toa que são escolhidos determinados conteúdos e não outros. Também sabemos que as atitudes dos professores, diretores e profissionais do ensino influenciam fortemente a formação dos nossos filhos, por isto precisamos estar atentos a essas questões. Vejam apenas um pequeno trecho deste interessante diálogo e leiam a íntegra na seção de textos. Quantas vezes nossos filhos já não passaram por situações parecidas como aquela que reproduzimos?...

“Há alguns anos, fiquei intrigado com um episódio ocorrido na Boston Latin School. Um aluno de doze anos sofreu um processo disciplinar por se ter recusado a recitar o juramento de fidelidade à bandeira, que ele considerava hipócrita, uma vez que não existe "liberdade e justiça para todos". Por que será que um garoto de doze anos consegue perceber a hipocrisia do juramento de fidelidade, e o seu professor e os administradores da escola não? Eu acho desconcertante que professores não sejam capazes ou se recusem conscientemente a ver o que é tão óbvio para qualquer criança de doze anos”.

08 janeiro 2006

Ano novo, vamos mudar?

Todo ano, o EducaFórum faz algumas reflexões e sugestões para a melhoria do ensino público. Veja também nosso site, www.webamigos.net/educaforum. Tristemente, as sugestões são quase sempre as mesmas e isso mostra que nada mudou para melhor nos últimos anos. O pior de tudo é a indiferença da sociedade, o que mostra um cada vez maior entorpecimento das consciências. No Estado de São Paulo, cartão postal do País, continua firme o "projeto" de fechamento de escolas e classes, iniciado com a secretária Rose Neubauer, que se desculpava dizendo que a palavra de ordem do governador era "economizar". Gabriel Chalita tem sido o campeão da alienação, com seu discurso meloso e vazio sobre "afeto", enquanto os alunos são vítimas de toda sorte de abusos dentro das escolas. As Febens nunca estiveram tão lotadas e a solução está longe de construir novas unidades. A grande maioria dos garotos internos são alunos que foram expulsos ou evadiram da escola, por um motivo ou outro. Infelizmente, as discussões sobre este assunto costumam ser intermináveis e estéreis, assim tudo fica como está. Então, nossa primeira sugestão do ano é para o INEP, no sentido de fazer uma pesquisa para apurar a percentagem dos internos da Febem expulsos ou evadidos da escola. Poderá ser um primeiro passo para buscar uma verdadeira solução para a infância e adolescência marginalizada. Aliás, o INEP ainda está devendo para a sociedade uma pesquisa sobre a "aula vaga", essa que é a maior praga do ensino público no Brasil. Leia o artigo Aula Vaga na nossa página de textos, link à esquerda. Nós, pais de alunos de escolas públicas, sabemos que em todo o país a média de aulas vagas está entre 20 e 30%, mas essa realidade não é reconhecida por falta de "dados estatísticos". Propusemos a alguns meios de comunicação que fizessem essa pesquisa, recolhendo dados entre seus próprios funcionários com filhos na rede pública, mas o assunto não interessou, provavelmente porque filho de jornalista estuda na rede particular... Considerando que filho de político idem, inclusive filho de professor e diretor de escola pública, continuamos a bater na mesma tecla: para que a educação realmente mude neste País, é necessário que a classe mais favorecida social-, economica- e culturalmente aceite que seus filhos se sentem nos mesmos bancos escolares com aqueles que se encontram a alguns degraus de distância. De um modo geral, a classe média coloca seus filhos na rede pública somente quando não pode pagar escola particular e muitas vezes acontece um fenômeno preocupante: aliviados por escapar do pagamento de altas mensalidades, esses pais resolvem contribuir de forma consistente com a APM, pensando que assim irão ajudar a melhorar o nível da escola, mas isto acaba aumentando o apartheid social, criando as chamadas "escolas públicas de classe média", que expulsam os alunos mais pobres e mal escolarizados. Mais uma vez deixamos claro que as contribuições para a APM precisam ser espontâneas e não podem ser impostas. Além disso, as verbas destinadas ao ensino são suficientes para manter todas as escolas de forma digna, o grande problema é que muitas vezes existem desvios devidos à corrupção. Portanto, pais de alunos, vão atrás de seus direitos! A escola pública é muito bem paga com o dinheiro dos nossos impostos e ela precisa manter suas portas abertas para todos. O Brasil continua o campeão da desigualdade social e a educação é o maior exemplo disso. É também pela educação que a situação poderá começar a mudar.

Feliz 2006 e muitas conquistas para todos, principalmente para os pais do Colégio Pedro II no Rio de Janeiro! Acompanhem as discussões e comentários no blog Pais Conversando.