30 setembro 2006

Sampa: CEU ou escola de lata?...


Muito bem colocada pela Cremilda http://cremilda.blig.ig.com.br a questão da deficiência educacional nas escolas de São Paulo. Aliás, desde a saudosa gestão da Luiza Erundina, as escolas da Capital estão sofrendo nas mãos dos diversos prefeitos, sendo o resultado sempre o mesmo: péssima qualidade de ensino e nenhuma solução para os problemas. Vai aí o texto da Cremilda:

Sem fiscalização nas escolas, tanto faz colocar as crianças no "CEU", no "PARAÍSO" ou num galpão austero... Saiu o resultado da Prova Brasil e o comentário na Folha Online. Entre as 26 capitais, S. Paulo ficou no vergonhoso 21 lugar. Os CEUs (Centros Educacionais Unificados), escolas caríssimas - com piscina, teatro e quadra de esportes - e as escolas de lata tiverma o mesmo desempenho. Ou melhor: as duas foram ruim.Isso mostra que não adianta infraestrutura sem fiscalizar. Nos CEUs, as escolas onde a ex-prefeita (do PT) gastou 17 milhões cada uma, o desempenho também foi sofrível. Com a verba de cada um desses CEUs daria para construir 10 escolas normais... Sendo 21 CEUs, daria para construir 210 escolas... Minimizariam o problema da brutal falta de vagas em ensino fundamental e infantil. O salário dos professores em S. Paulo é um dos maiores do pais. Então, volto ao ponto principal: sem fiscalização nas escolas, tanto faz colocar as crianças no "CEU", "PARAÍSO" ou num galpão austero... Podemos até pagar salário milionário aos professores que não teremos aula de qualidade. Ainda vem gente dizer que é preciso investir na organização pedagógica (!?)... Ninguém responsabiliza o professor... ninguém para cobrar... A desculpa era falta de infraestrutura... o CEU tem tudo. A culpa era de todo mundo... menos do professor. Agora vem, de novo, uma desculpa abstrata: a culpa é da organização pedagógica... Sim, a culpa é de algo ou alguém inatingível... alguém sem rosto... Está muito clara a situação nas escolas de S. Paulo: enquanto não fiscalizarmos a escola, enquanto a impunidade for a tônica, não teremos escola de qualidade. A impunidade e a corrupção ditarão as regras; e essas regras, com certeza, não serão a favor de uma escola de qualidade. Essa situação beneficia a corporação.... os alunos que se danem. Enquanto a qualidade do ensino for nula, o país continuará assim: mergulhado no caos, na miséria e na desordem... Continuaremos sendo um miserável pais subdesenvolvido. Sem vontade politica e vergonha na cara, o Brasil vai continuar nessa situação de penúria e subserviência.

Cremilda Estella Teixeira

26 setembro 2006

Arre, estou farto de semideuses!


Nossa amiga Glória, http://gloria.reis.blog.uol.com.br, se saiu hoje com um texto tão inspirado que não posso deixar de copiar um trechinho:

Volta e meia, vou às escolas tentar retornar crianças evadidas. Ao chegar no "recinto sagrado", deparo sempre com a mesma postura autoritária e prepotente das educadoras (sic): as crianças é que "são indisciplinadas", "os alunos não querem nada com os estudos", "os pais não participam". Ou seja, querem anjos e não crianças. Não querem seres humanos, em fase de desenvolvimento, aprendizagem. (Se querem anjos, estão no lugar errado. Professoras, diretoras, secretárias deveriam montar uma escola no céu que, aliás, daria uma escola bem chata).

Em nenhum momento, os deuses e deusas que habitam a escola se perguntam: "onde nós erramos?", "o que podemos fazer para manter essas crianças na escola?". Não, nunca erram, como na poesia do Fernando Pessoa são "todos eles príncipes na vida".
Tenho certeza de que Fernando Pessoa repetiria diante da nossa escola povoada de deuses:

Arre, estou farto de semideuses! onde é que há gente no mundo?

24 setembro 2006

Vanguarda na escola pública


A Revista Nova Escola deste mês traz artigo do educador da USP Luiz Carlos de Menezes, que afirma existir na escola pública uma "vanguarda" que combate a desigualdade e promove a democracia. Sabemos bem disto, pois muitos de nós que tivemos filhos estudando na rede pública conhecemos algum desses professores de "vanguarda", que sabem adaptar seus conhecimentos ao entendimento do aluno e à realidade local, permitindo que a VIDA se torne objeto de estudo. No artigo, copiado abaixo, Menezes diz que "o povo sabe o que é bom para seus filhos". Sabe, sim! Até o pai analfabeto se encanta quando o filho chega em casa com os olhos brilhando e, assim do nada, começa a relatar o que aprendeu na escola. Mas, infelizmente, esses casos são MUUUUITO raros e acabam não vingando dentro das escolas, pois o maior instrumento da perversidade do sistema é o desinteresse e a rotatividade de professores e diretores dentro das "melhores" escolas, que em pouco tempo podem se tornar as "piores" ou até ser fechadas. Lembro com saudade da professora Elisa, de história, que dava aula para meu filho no Ensino Médio. Logo no início do ano letivo, eu ouvia relatos entusiasmados sobre suas aulas e me perguntava: "o que faz um adolescente, nessa idade em que eles fogem da escola como o diabo da cruz, se interessar tanto por uma aula?". Resolvi ir conhecer a Elisa pessoalmente e também me encantei. O que ela aplicava na escola era o PEI (Projeto de Enriquecimento Instrumental) e a interdisciplinaridade. Mas isso não era o mais importante, pois muitos professores aplicam teorias e mais teorias, sem despertar qualquer interesse no aluno. E os alunos da Elisa sabiam que ela estava interessada neles e em suas vidas. Mas, evidentemente, ... a escola é que não estava interessada no projeto da professora Elisa, que foi desprezado pelo corpo docente e não vingou dentro da escola, apesar do esforço pessoal da professora, que passava suas horas livres dando oficinas para os poucos colegas
E ATÉ PARA OS PAIS interessados. Participei dessas oficinas e nunca ouvi a Elisa se queixar de salário ou de condições de trabalho. Hoje essa escola, que poderia irradiar competência e conhecimento para toda a rede pública de São Paulo, foi sumariamente fechada pelo Governo do Estado. Sem ulteriores comentários.

Devido ao interesse de algumas pessoas, incluí nos Textos do EducaFórum (link do lado esquerdo da página) um artigo que escrevi sobre o PEI em 2000, quando ainda esperava que o projeto fosse adotado pela escola do meu filho. O que eu nunca poderia imaginar, naquela época, era que a escola viesse a ser fechada, alguns anos depois...

Lições de democracia
Luiz Carlos de Menezes

Nas eleições se valoriza a Educação. Digo isso sem sarcasmo, mas para lembrar que eleição tem a ver com democracia e que ela não é promovida igualmente em nossas escolas. Recebe uma Educação melhor quem já tem boa situação social e econômica, enquanto os mais carentes contam com poucas oportunidades de vida cultural e dificilmente conseguem uma formação escolar que os faça sair dessa condição. Esse círculo vicioso tem raízes históricas e enquanto não for superado continuará a aprofundar desigualdades. Entre os que ousam enfrentá-lo, há professores e escolas que, em circunstâncias difíceis, conseguem dar um ensino de qualidade a seus alunos, garantindo-lhes esse direito social. Sua ação precisa ser compreendida e valorizada, para que mais de nós nos juntemos a esse bom combate.


Ao visitar escolas por todo o país, nas quais aprendo e me emociono, reuni alguns belos exemplos: uma alfabetizadora na Amazônia que chega de barco à sala de aula, ensina os nomes das plantas e bichos do rio Negro, coleciona e registra lendas regionais com as crianças e as compara com lendas de outros povos; uma professora de Biologia no interior de Goiás que investiga com seus alunos a incidência local de doenças como câncer de pele ou mal de Chagas, e juntos ajudam a comunidade a se prevenir; um professor de Geografia no sertão nordestino que analisa com sua turma o problema das migrações com base em relatos de suas famílias; um professor de Ciências na periferia de São Paulo que é cercado no corredor pelos estudantes para discutir os desafios propostos em classe.

Há mais exemplos do que cabe neste espaço, mas todos têm o propósito de desenvolver a cultura dos estudantes, pois não lhes basta informar sobre "a cultura dos outros". Por isso, partilham saberes universais, mas também os exercitam nas condições reais e com base nos interesses dos jovens e de suas comunidades. Promovem conhecimento com diversidade e contexto, quando a cultura científica, humanística, artística e literária ultrapassa os limites do discurso e sai dos livros para os desafios da realidade vivida. Essas práticas criam um ambiente de participação, em que preferências e perspectivas de alunos e professores não se separam da vivência escolar.
Nessas boas escolas, o que acontece em classe é resultado do projeto pedagógico, um compromisso educacional explícitoe não um documento de gaveta.
Em Brasília, Contagem, Fortaleza, Osasco, Pelotas ou onde mais estejam, elas são muito procuradas, pois o povo sabe o que é bom para seus filhos. Seus diretores e diretoras não são meros burocratas, mas estão atentos à qualidade e regularidade das aulas, à disponibilidade dos recursos e ao envolvimento da comunidade nas questões escolares.

O acesso de todos à formação e à cultura, tão essencial à democracia, não surge de forma espontânea nas escolas, mas da iniciativa de colegas, professores como você e eu. Pode parecer trabalhoso, mas basta questionar o que falta para promover aprendizado com contexto e um clima de participação em classe (se isso não está disponível, reclame condições para tal). Também é muito simples discutir com os colegas e estudantes as atividades a desenvolver. Assim, as ações em sala de aula ganham sentido e promovem a diversidade, tornando mais prazeroso o trabalho - e ampliando seu alcance.

Luis Carlos de Menezes - e-mail pensenisso@abril.com.br
É físico e educador da Universidade de São Paulo e acredita que só com atividades diversificadas o professor constrói pontes para unir esse nosso mundo desigual.
"Os bons projetos partilham saberes universais, mas também os exercitam nas condições reais."

21 setembro 2006

Especial - Nota de Repúdio

Repudiamos a perseguição que está sofrendo a jornalista Alcinéa Cavalcante, do Amapá, por parte do "senador da república" José Sarney, desde que publicou em seu blog http://alcineacavalcante.blogspot.com
a figura ao lado, fotografada em um muro da cidade. Nosso total apoio, Alcinéa! O autoritarismo é uma das maiores pragas que retardam o progresso do País.

É o sinal da força dos blogs!

Xô, Sarney, viva a liberdade de expressão!

Quadrilha na cadeia!


O Estadão de 19 de setembro denuncia o "maior escândalo da história" na educação!
Aqui? Sim, é aqui!!!!!!
Mas não vá pular de alegria: infelizmente não foi aqui que o fato foi desvendado....

Até parece, né?... A gente sabe que o maior "escândalo" da história na educação é AQUI, justamente porque nunca se investigou o caminho por onde as verbas do ensino escoam para o ralo. Mas por aqui, ainda, ninguém foi punido. Do que estou falando, então??

Mais suspense... Vão tentando adivinhar aí, pois o tamanho da notícia no jornal é tão pequeno que certamente ninguém viu...

Foi nos Istêites, claro! Onde mais se investigam escândalos e se prendem quadrilhas deste lado do Atlântico? Uma ex-superintendente escolar de Mineola, Texas, foi condenada a sete anos de cadeia por roubar mais de US$ 4 milhões, gastos em carros, casas e outras mordomias. Ela era membro de uma quadrilha de 6 pessoas que ao todo "faturou" US$ 11 milhões de verbas da educação, entre 1996 e 2004. A fim de receber uma pena mais branda, a quadrilha comprometeu-se a devolver parte do dinheiro. Mas o principal é que estão todos em cana.

Se esse é o MAIOR escândalo do gênero na história dos Estados Unidos... para bom entendedor meia palavra basta: significa que outros casos, mesmo menores, já foram investigados e punidos.

E aqui? Nem unzinho! E não foi por falta de iniciativa de nossa parte. Nos idos de 1996, provocamos o então prefeito Paulo Maluf, através do Jornal da Tarde, para que informasse o que era feito das verbas destinadas ao ensino. Isso resultou numa série de reportagens sobre a manipulação das verbas da educação, que deu em... absolutamente nada.

Depois provocamos o então governador Mário Covas através do finado Diário Popular. Fomos recebidos no Palácio dos Bandeirantes para uma reunião com um batalhão de assessores financeiros de olhos puxados, que admitiram a manipulação, mas alegaram que estavam "cobertos" legalmente e mandaram reclamar com o Legislativo, que permitia os desmandos...

Em nível micro, lembro-me de uma reforma hidráulica que durou dois anos na escola dos meus filhos. Nós pais investigamos pessoalmente e descobrimos que a empresa que ganhara a licitação havia subempreitado uma segunda, que havia subempreitado uma terceira, que por sua vez subempreitara três pobres coitados que estavam executando o serviço com materiais de péssima qualidade, fornecidos pela empresa. Quando denunciamos o caso à Comissão de Educação da Câmara, a diretora da escola teve um desmaio e nunca mais voltou, foi imediatamente substituída. Eu nunca mais mexi naquele "angu", até porque um dos meus filhos acabara de sofrer um acidente estranhíssimo e inexplicado num sábado, quando depois de horas de buscas fomos encontrá-lo num dos hospitais da região, sem memória...

Acabou a história, morreu a Vitória, quem quiser que conte outra...

(Esta foi uma dica quente do PaisOnline!)

19 setembro 2006

Morder a língua? Eu não!...


Adoro um debate de idéias! Se a gente pensar que até algumas “vidas” atrás a gente se matava por qualquer motivo, como aliás ainda ocorre neste planetinha que não toma jeito, olha que progresso: hoje podemos despejar nossas idéias num blog como este ou outro qualquer, e minutos depois aparecem um ou vários comentários a respeito. A grande revolução, a meu ver, é esta: o texto não vem acompanhado de gestos eloqüentes, olhares faiscantes ou tom de voz exaltado, como acontece pessoalmente ou ao telefone. Desta maneira, pensando “um pouco” antes de escrever, a gente consegue evitar conflitos mais sérios.

Estou me referindo ao “debate” travado no blog da Rosely Sayão
http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br entre os dias 13 e 19 de setembro, a partir dos posts Páginas da Vida Escolar e Escola X Família, com um total de 108 comentários mostrando a realidade de cada um que ali se colocou, no papel de mãe ou pai de aluno, professor, profissional da educação etc. Se tivesse acontecido dentro de um auditório, o debate teria provavelmente acabado em pancadaria, mas as características da comunicação via Internet garantiram a manutenção do nível geral das colocações. O curioso é que tudo acabou sendo resumido como se fosse uma “guerra” entre pais e professores, quando o buraco é muito mais embaixo.

O resultado, a meu ver, deu um mosaico interessante que mostra como a escola pública ainda é uma grande desconhecida da sociedade brasileira: cada um conhece um pedaço, como a historinha dos cegos que tentam “entender” um elefante, sendo que um pegou o rabo, outro a tromba, o terceiro a presa e assim por diante. Uma professora atônita desabafa: “Então São Paulo está pior do que os jornais nos informam?”. E o que os jornais informam?... Educação não é assunto que dê ibope e assim cada um só sabe o que ocorre na “sua” escola, no “seu” bairro e mesmo assim sob a “sua” ótica.

Durante essa “guerra” ganhei alguns “inimigos”, o que me faz rir internamente, pois, como disse, adoro um debate! Em algumas colocações eu forcei a barra, para provocar reações e assim entender melhor o que as pessoas sabem e pensam. Afinal, opinião não tira pedaço! Muito pior, a meu ver, é a hipocrisia, a calúnia, a traição...

Para não cansar demais vocês com a minha verborragia, concluo repetindo minhas últimas frases no “debate”:

Eu não vejo uma “guerra” acontecendo entre pais e professores. O que vejo é uma rede pública abandonada à sua própria sorte através de um sistema criado para isso mesmo: para que não dê certo. E os resultados confirmam. A “culpa” é do professor? É do pai de aluno? Claro que não! Mas tem solução, como em todos os países do mundo que conseguiram sair do marasmo. Só que a solução que eu vejo é “amarga” para quem gosta de privilégios: TODO MUNDO na rede pública de ensino! O filho do professor, do diretor de escola, do empresário, do jornalista, do profissional liberal etc. Aí sim, a qualidade melhora! Pois assim a rede pública será realmente para todos e não apenas para os filhos... dos outros.

17 setembro 2006

Parou por quê???


O post de hoje da nossa amiga professora Glória Reis está demais! Estou copiando ele na íntegra, pois assino "embaixo". (Assim a Glória não pode me processar por plágio, rsrs)
As notícias na imprensa sobre educação seriam engraçadas se não fossem trágicas. Hoje a Folha de São Paulo trouxe uma matéria sobre o aumento no número de brasileiros de 15 a 17 anos fora da escola. O governo, os especialistas ficam intrigados, não conseguem entender por que grande número dos adolescentes brasileiros não estuda, embora o país esteja cheio de escolas. Quase todas as crianças brasileiras se matriculam, mas não terminam nem o Ensino Fundamental (8ª série). Mistério??? Só para eles, porque a minha empregada, com quem gosto de bater longos papos para beber da sua sabedoria, esses dias disse tudo:

"Não adianta o governo fazer tanta escola, dar livro, dar passe, facilitar, e não ver o que está acontecendo dentro da sala de aula."
Vejam alguns tópicos da notícia:

* 1,9 milhão de adolescentes de 15 a 17 anos não estudam.

* Para o presidente do IBGE, Eduardo Nunes, esse indicador mostra que é preciso discutir formas de manter o jovem na escola.

* Jorge Werthein, assessor especial da OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos), acrescenta que a escola também não está conseguindo ser um ambiente mais agradável. Essa população jovem hoje é a mais vulnerável, mas a escola não está conseguindo retê-la.

É preciso melhorar a escola.

* Sobre a evasão escolar de 15 a 17 anos, o MEC diz que um dos instrumentos que pretende usar para reverter o quadro de evasão escolar é o Fundeb, ainda em discussão no Congresso.
O Fundeb colocará novos recursos de municípios, Estados e União.

Como viram, pelo menos, começam a reconhecer que "a escola não é um ambiente agradável...". Este reconhecimento está muito longe do verdadeiro diagnóstico de uma escola autoritária, excludente, totalmente desligada da realidade das nossas classes populares, mas já é um passo. No fim da notícia, voltam a falar de recursos, sem se darem conta de que se o Fundef não resolveu o problema da evasão no Fundamental, não será o Fundeb que vai resolver a evasão na Educação Básica.


Professora Glória Reis http://gloria.reis.blog.uol.com.br

16 setembro 2006

Pratafórmica cumpreta



Caros visitantes deste blog dedicado à educação, apresentamos finalmente o programa educacional do Seu Creysson, nosso preferido para o Ministério da Educação. Este programa é o mais democrático que se possa imaginar, pois foi elaborado durante quase um ano, através de plebiscito! Aos que gostam de criticar esse valoroso brasileiro, gostaríamos de rebater que ele não é analfabeto: ele criou uma linguagem própria, o que é um feito em um País onde a maioria da população não sabe se expressar, nem oralmente, nem por escrito. Ele é um vitorioso, um autodidata que conseguiu suprir as falhas da escola. E tem mais: já está “estudando” inglês!!

Meu pôvio do Brasílico!

Eu, Creysson da Çílvia, mêmbrio do partídio Çociau, pubrico aqui minha pratafórmica cumpreta para

Minístrio da Educaçônia Anaufabética, elaborádia com a ajúdia de VOÇÊ de Maringália, VOÇÊ de Leopoudínia, VOÇÊ da Xapada dos Viadeiro...

PRATAFÓRMICA DO SEU CREYSSON: DO XÃO NÃO PÁÇIA!


SEU CREYSSON: O MINÍSTRIO QUE SE ADAPITA A QUARQUÉ PRESIDÊNTIO

1. Porgrama de apôio piscicopedofilógico do Seu Creysson

O professôrio que xama o alúnio de búrrio vai assistí o porgrama Grobo Rurálio todo dia às cinco da matina pra matá çaudade de seus parente oreiudo ali na telinha. O professôrio que xama o alúnio de bixa vai fazê um cúrçio de piscicologia na facú Santa Mariavaicasotra e aprendê que bixa é ele mermo: Froind exprica!

2. Porgrama de Justíçia Soçialógica do Seu Creysson

O unifórmio do alúnio vai ser o mais brasilerio puçíveu: xinélio havaiânico com bandierinha verdi-amarélia, as garôtias com camisêtia da Chucha e os molékios com camisêtia do Peléio. A Chucha e o Peléio vão dá as camisêtia de presêntio e o Robértio Cárlios vai dá os xinélios.


3. Porgrama de Ençínio Fórtiu Pezadérrimo do Seu Creysson

O conteúdio das áulias nas escólias do Brasiu vai çer fórtiu, principaumenti as áulias de portuguêzio e matemático. Nas áulias de portuguêzio os alúnios vai aprendê a respeitá o Felipaum, que çe mandouçe pra Portugálio quando viu que a çeleçaum tava ruim. Áulias pezadas, aja umilhaçaum! Nas áulias de matemático os alúnios vai aprendê o quanto o Brasílico já pagou de juros pros Isteites nos últimos ânius. Essas áulias vai sê mais pezadas índia, sô!

4. Porgrama de Educaçônia Sexuálica do Seu Creysson

É craro que vô mantê tudo que é feriádio, as ponte e as licênçia, açim o professôrio naum precísia fazê grévia! Nas áulias sem professôrio, os alúnios póde levá pra escólia barálio, dominó, gibi e revístia. As garôtia vaum levá Caprixo e os molékio vaum levá Preybói. Ókeyo?

5. Porgrama Multidisçiplinárico do Seu Creysson

A merêndia e as merendêrias na minha jestão vai sê mutcho gostósia! As merendêrias vai vim do Nordéstio e de Mina Gerásio de avião pra todas escólias do Brasílico, élias vão casá com os policiáricos que cuida das escólias e vão morá nas casínias de látia que vô instalá no terrênio. Açim fica garantídio a sigurânçia e a boa limentação pros alúnios. Tem mais: quando falta professôrio, a aula vai sê de culinário e de tiro ao Álvaro!

6. Porgrama de Çidadania Constituçionálica do Seu Creysson

Tudo alúnio vai reçeber um Estatucho da Criânçia e do Adolecêntio em ediçaum de lúxio, capa bem dúria, pra levar pra escólia. Em cada áulia, um alúnio de cada craçe vai ler um artíguio e todos vão repetir em voiz áltia. O professôrio vai decorar o artíguio e na áulia seguíntia vai ter que repetir para a craçe. Se o professôrio isqueçe o artíguio, leva o Estatucho na cabêçia inté decorar diretcho.

7. Porgrama de Interescambo Grobalizádio do Seu Creysson

Promêtcho que vô fazê um acôrdio com o Biu Guêitio e o Méque Dônaldio pra todo alúnio ficá infromatizádio. O Biu Guêitio vai doá um lepi-tópio pra cada alúnio e o Méque Dônaldio vai deixá os alúnio usá o internétio em suas loja de todo Brasílico. Cada escólia vai tê o Bróguio do Alúnio, ôndio os alúnio vai dá nótia pra cada professôrio. O professôrio que fô reprovádio no fim do âniu não vai sê demitídio, vai ganhá paçagem de grátis pra quarqué lugário do múndio e tê seu imprêguio garantídio em arguma loja do Méque Dônaldio.

8. Porgrama de Memórica na Educaçônia do Seu Creysson

Vô imprantá em toda Capitália de todo Estádio do Brasílico o Muzeu da Educaçônia, pra guardá a memórica do Brasílico: a parmatórica, o tápia na cabêçia, a xineládia, a reguádia, a unhádia, o puxão de orêia, o beliscão...

O destáquio, drento de uma redômia de vrido, vai çê os objétio usádio índia agórica no projétio educaçionálico da Febem: as argêma, as corrêntias de batê nas cóstias dos moléquios, as coronhádia, o caçetêtio...

Vô lançá um concúrçio pros artista prástico fazê quádrios sobre os castíguios mais “láitis”: dexá o alúnio de joêlhio no tijolo, dexá êlio ca cária na parêdis, dexá êlio fazê xixí nas cálçia drento da craçe, dexá cu fome na hória da merêndia...

Vô lançá um concúrçio pros poétias fazê vérçio sôbre os apelídio que os professôrio dá pros alúnio nas escólia: vagabúndio, filhotis-de-cruis-crédio, jumêntio, ântia-ambulântia, macáquio, queí-de-amébia, larânjia pôdria, bíxia, retardádio...

9. Porgrama de Ensínio Itinerântico, Interurbânico, Interestaduálico e Interamericânico

Todo pédrio escolárico vai sê derrubádio, não vai fica pédria sôbre pédria. Xêga de ciépio, ciáquio, ciéuzio! No lugário da escólia xata, parádia, caretcha, eu vô colocá a escólia ambulântia, a escólia de rodínias, como mutcho educadôrio já pidiu e nunca um govêrnio deu!

Vai xamá TRÊILER PEDOFILÓGICO do Seu Creysson. Cada trêiler, uma craçe. Cada dia útiu, um paçeio diferêntio. Cada craçe de alúnio vai deçidí o rotêrio, com ou çem professôrio. Pode trocá o professôrio no meio do paçeio por brinquêdio, pulsêria, aneuzínio, bomba de xocolátio, pé-de-moléquio, pé-de-pátio, isquêitis, gibí, barálio, bolínia de gúdio, canivétio suíçio...


10. Seu Creysson é Déiz

DISPOIS DO PRESIDÊNTIO OPERÁRICO, XEGÔ A VEIZ DO MINÍSTRIO ANAUFABÉTICO!

13 setembro 2006

Salário não é desculpa!!!



No dia 30 de julho, minha xipó Vera Vaz postou aqui um desabafo (com muitos e justificados pontos de exclamação!!!) a respeito do salário do professor, aquele "samba de uma nota só" que acompanha os maiores absurdos dentro das escolas. Hoje levei o maior susto: no blog da Cremilda, o Mauro comentou uma crônica do Chico Guil publicada dia 11/09 na Agência Carta Maior que achei, no mínimo, esquizofrênica. Por um lado, ele se compadece dos pobres alunos torturados por certos professores, por outro lado justifica esse comportamento, caso o professor ganhe menos de R$ 3 mil por mês. Riam, riam, dêem gargalhadas!!! Depois de me refazer do susto, eu também acabei rachando o bico, pois me dei conta que o resumo da ópera era esse mesmo: se ganhar menos de 3 mil pode torturar!!! Quáquáquáquáquá! O Mauro listou o Chico Guil entre os candidatos ao Prêmio IgNóbil de Educação 2006. Apoiado! Agora, falando sério, vou copiar aqui novamente o texto da minha xipó, pois eu sou uma palhaça, mas ela é porreta. Aliás, xipó, esqueceu que tem que completar o texto? ...

Gostaria de dar respostas definitivas do pensamento do Educafórum quanto a essa questão:

O salário não pode ser usado como desculpa para o mau desempenho de nenhuma profissão, muito menos na área de ensino!!!!!!!!! Caso isso fosse aceitável, deveríamos ter prédios caindo por aí aos milhões (olha quanto ganha um pedreiro!), nos restaurantes comidas com açúcar no lugar de sal, frias, com pedaços de osso ou até pior, com baratas ou com cuspe (da cozinha até o garçon...confiram os salários!), as babás deveriam largar os bebês sozinhos na pracinha, o padeiro... credo... nem imagino como poderia ser a massa do pão que ele acorda todo dia às 5 da manhã pra fazer... (sem três meses de férias! sem sábado e sem domingo!)... Bom, e os enfermeiros então?... com a vida sacrificada que levam... Motoristas de ônibus... de táxi... que stress! Quantas linhas, quanto transito, quanta gente pra levar pra lá e pra cá... quanto medo e insegurança... Quanto ganham?... Ah! deveriam só passar no vermelho, com esse salário aí!... E o lixo?... Os lixeiros deveriam jogar tudo pela rua!... As vendedoras das lojas deveriam se recusar a dobrar as roupas... Os porteiros de prédios deveriam convidar os ladrões pra entrar... E os pequenos agricultores? ... FOME já para todos! E assim o caos estaria instalado em tudo, como está na Educação! E quando reclamássemos diriam os garis: "Fale com o Prefeito! Ele que tem que resolver sobre o lixo! Já viram que o povo não tem educação e suja tudo? E eu que tenho que limpar? Eu não! Mande o povo se educar pra depois me chamar!"... ... E assim todos teriam o seu "culpado" pra apontar, sem perceber que a simples ação deles é que mudaria tudo... Postura e ação de cada um em sua sala de aula muda a Educação em geral!...

Não adianta vir aqui culpar o sistema. É com o professor mesmo que queremos falar e a ele vai a responsabilidade direta de EDUCAR seus alunos. "Reclamem com o Ministro dos Transportes, com a Saúde Pública, com o Ministro da Economia, com o Presidente"... Isso é falar pro vazio, pro nada... Aqui falamos pra quem está em contato direto com as crianças: os diretores e professores das escolas! Portanto, caros professores, que escolheram essa profissão e já sabiam do salário e das condições de trabalho, deixem de usar isso como desculpa para dar aula mal dada ou não dar aula, para não Educar as crianças que têm sob a sua responsabilidade TODOS OS DIAS! Ontem eu soube que uma menina que ficou cega deixou de ter assistência especial por mais de um ano numa escola, porque ninguém avisou a Secretaria da Educação do caso dela! - E bastava um telefonema! Assim que uma professora de verdade se sensibilizou e avisou, as providências foram tomadas! Em outra escola fui informada que a média de faltosos no dia é de 8 ou 9 professores!!!!!!!!!!! Isso é espantoso!!!!!!!!!! - a escola tem 20 professores...) Que escola é essa? Que educadores são esses? Que salário precisariam ganhar pra ter ao menos CORAÇÃO - já que não têm consciência? O que paga a conscientização deles? E como eles conseguem apagar a própria consciência depois de tanta irresponsabilidade? "Escola não é assistência social"... (eu escuto professores dizendo isso...), mas onde, senão na escola, o poder público tem acesso aos problemas da família tão claramente? Como se pretende formar um cidadão sem ampará-lo? "Carcando" conteúdo vestibularesco em cima dele? E se as famílias estão em crise, como a escola pode se furtar a fazer essa ponte? Isso não é uma questão de salário não... para mim é ignorância pura, é não saber ou desprezar o tamanho da influência que uma palavra de Mestre pode ter na vida de muitas "pessoinhas" em formação. Por isso, aqui no Educafórum, professor que tratar mal qualquer ser humano que tenha sob sua responsabilidade (e tratar mal não é ser severo, por favor não confundam isso!) será chamado a responder sim por suas falhas (com educação e diálogo civilizado, mas sem desculpas esfarrapadas pra encobrir seus erros), ganhe quanto ganhar, seja quem for o governador, o prefeito, o secretino ops! o secretário da Educação...

Ainda vai outro post pra não ficar tão longo... (dizem que alguns professores não gostam de ler e não quero correr o risco que eles abandonem o texto pela metade....). Os bons professores que não se ofendam porque não é com eles esse papo, os maus por favor tomem consciência antes de reclamar desta mensagem! (e segura que vem mais por aí...) Há mais de dez anos que repito tudo isso... me animo, desanimo e vejo que nada muda... Até quando?...

Vera Vaz

09 setembro 2006

Nós, os Educochatos


Aproveitando a onda a respeito do recém-divulgado Compromisso Todos pela Educação, resolvemos nos manifestar publicamente, enviando o documento anexo ao Comitê Executivo do movimento. (Ora, mas um blog já é público! – dirão vocês. Pois é, porém a blogosfera é mais um reduto de ETs, não é?...)

ETs da blogosfera, apertem os cintos!!!


E d u c a F ó r u m
Espaço permanente de denúncia, estudo e elaboração de soluções

Ao Comitê Executivo do
Compromisso Todos pela Educação

Prezadas Senhoras, prezados Senhores,

Temos acompanhado o seu movimento e esperamos que alguém desse Comitê já conheça o nosso, pois somos “Educochatos” desde o início dos anos 90. Nosso novo blog
http://educaforum.blogspot.com está no ar desde o ano passado e ainda nos manifestamos nos sites www.webamigos.net/educaforum e www.escoladosaber.xpg.com.br. Mais “Educochatos” podem ser encontrados nos sites www.homestead.com/paisonline, www.geocities.com/coepdeolho e nos blogs http://cremilda.blig.ig.com.br e http://gloria.reis.blog.uol.com.br. Somos uma rede de “Educochatos” que iniciaram juntos e se comunicam entre si há mais de quinze anos, recebendo hoje mensagens do Brasil inteiro, principalmente via Internet. Como diríamos na linguagem popular, é “Educochato prá burro”. E é nessa linguagem popular que vamos nos comunicar com esse Comitê, pois somos porta-vozes de pais e alunos de escolas públicas, que não têm a quem recorrer. Aliás, nós mesmos somos pais de ex-alunos e resolvemos continuar nossa luta pela educação, pois somente conhecendo a rede pública por dentro pode-se entender a extensão da problemática e provocar mudanças efetivas.
Um exemplo muito revelador: recebemos hoje (08/09/06) a seguinte mensagem de uma mãe cujo nome preservamos, inclusive o da escola, por motivos que ficarão claros no decorrer do texto.

Gostaria de pedir a vocês que me auxiliassem, pois não sei a quem recorrer. Minha filha estuda em uma escola estadual que funciona das 7:00 às 16:00 aqui em São Paulo. Desde o começo do ano os alunos não têm atividades prometidas como as oficinas de teatro, dança, música. Até aí estávamos aguardando que as coisas melhorassem, mas há mais ou menos dois meses mudou a direção e a nova diretora entra gritando nas salas, falando que escola não é lugar de aluno almoçar, que cada um deve trazer almoço, lanche de casa, humilhando e desrespeitando os alunos.

A mensagem desta mãe veio sem erros de português. Trata-se portanto de pessoa bem alfabetizada, diferente de outros pais de alunos. Ora, então, como é que esta mãe “não sabe a quem recorrer”? Sabe, sim, nós sempre informamos: é à Diretoria de Ensino que responde pela escola. Na omissão dessa, é à Ouvidoria da Educação. Então, ela sabe a quem recorrer, mas NÃO TEM a quem recorrer. Por que? Porque SEMPRE que os pais pedem ajuda para as autoridades, o “feitiço se volta contra o feiticeiro”. Mais uma expressão popular. Significa que, além de o problema não ser solucionado, os filhos dos “educochatos” (expressão criada pelo Sr. Antonio Jacinto Matias, do Grupo de Trabalho de Comunicação desse Comitê) correm o risco de serem discriminados dentro da escola.

Para ilustrar melhor a questão, anexamos a mensagem de outra mãe, publicada em nosso blog em 19 de agosto último, apresentando uma problemática muito semelhante. A diferença entre as duas mensagens é porém gritante: as queixas da segunda mãe são bastante detalhadas, corajosas e indignadas. Por que será?... Porque essa outra mãe não tem mais nada a temer: conseguiu bolsa para suas filhas numa escola particular e elas já não estão correndo risco de perseguição ou represália por parte de “autoridades educacionais” que costumam atacar quando se sentem “ameaçadas”.

Apenas mais um caso exemplar, entre centenas que podem ser encontrados em nossos sites:
A mãe de um aluno da EE Profª Aracy da Silva Freitas, de Mongaguá, nos procurou em agosto de 2005 com denúncias gravíssimas sobre essa escola, que chamamos de “Escola de Faroeste” em nosso post de 23/09/05. Imediatamente encaminhamos um documento à Ouvidoria da Educação do Estado de São Paulo.
A resposta dada concluiu que a denúncia não procede, com base em... relatório da Supervisão de Ensino. A mãe que nos pediu ajuda não foi procurada POR NINGUÉM da Diretoria de Ensino ou da Supervisão da escola. Portanto, a Ouvidoria deu seu veredicto sem ao menos ouvir o lado dos pais e alunos. Para quem não sabe, a Ouvidoria da Educação do Estado de São Paulo é formada por profissionais da própria rede, o que corresponde a “colocar um lobo para tomar conta do galinheiro”. Todos os documentos mencionados estão publicados em nosso blog.

Senhoras e Senhores membros desse Comitê Executivo, após termos analisado com cuidado as páginas do site Todos pela Educação, chamamos sua atenção para uma grande falha do programa: ele “não deseja intervir diretamente na escola”, como declarou publicamente Milú Villela, também membro do Comitê.

Nós, os “Educochatos” de quase duas décadas, podemos afirmar e provar através dos inúmeros casos publicados em nossos sites e blogs, que

SEM INTERVIR DIRETAMENTE NAS ESCOLAS, NADA MUDARÁ na qualidade do ensino, pois os maiores problemas da educação no Brasil são:

- O autoritarismo da rede de ensino, que se manifesta desde os professores até os Secretários da Educação.
- O descaso com a legislação, em todas as instâncias educacionais.
- A manipulação dos Conselhos de Escola e das APMs pelos diretores, impedindo a efetiva participação dos pais.
- O corporativismo da classe docente e a impunidade, que permitem todo tipo de desvio ou abuso contra o aluno.

Tudo isto se resume a uma única problemática: a falta de interesse pelo aluno e o afastamento dos pais da escola, a não ser para atividades como essa que foi desenvolvida no dia 6 de setembro na EE Mário Lopes Leão, em São Paulo: o “Dia da Faxina”.

O exemplo mais concreto do descaso pelos pais de alunos foi uma reunião pedida ao Ex-Secretário da Educação do Estado de São Paulo, Gabriel Chalita, marcada por seus assessores para o dia 19/07/02, quando tomamos um “chá de cadeira” de duas horas e não fomos atendidos, nem naquele dia, nem posteriormente.
Aliás, nossa presença na SEE já havia sido barrada pela anterior Secretária, Rose Neubauer, quando estivemos acompanhando, na qualidade de membros legítimos da Comissão de Direitos Humanos da OAB, a entrega de Ações Individuais para a matrícula de alunos sem vagas. Barrados, sim, justamente por sermos "Educochatos".

Yes, nós temos memória! E muitos fatos conseguimos registrar em nossos sites, apesar de a nossa informatização ser muito posterior ao nosso envolvimento com a educação.
Nós somos os autênticos “Educochatos”, que batalharam pela educação de seus próprios filhos e somos hoje porta-vozes de milhares de outros pais que temem o autoritarismo da rede pública contra seus filhos. Eles preferem nos procurar a enfrentar aquela que chamamos de VACA SAGRADA da educação: a classe docente pública, formada por profissionais cujos filhos estudam na rede particular e que não têm qualquer compromisso mais sério com os filhos... dos outros.

Se o Compromisso Todos pela Educação quiser realmente cumprir suas metas, ele precisa ajudar a DEFINIR CLARAMENTE A RESPONSABILIDADE E O COMPROMISSO que cada instância educacional tem com a melhoria da educação. Precisa nos ajudar a COBRAR essa responsabilidade das autoridades da educação, pois os pais de alunos da rede pública temem as perseguições e represálias que podem atingir seus filhos. As escolas brasileiras não prestam e até hoje nunca precisaram prestar contas para ninguém. Isto criou o caos educacional, que vai desde a má implantação da progressão continuada até à expulsão ilegal de alunos, feita através de Conselhos de Escola eleitos também de forma ilegal. Para as VACAS SAGRADAS da educação, a melhor escola é aquela SEM ALUNOS.

Em nossa visão, movimentos como Todos pela Educação poderão ajudar, sim, desde que percebam a necessidade de se intervir nas escolas, perfeitamente justificada, aliás, pela participação de membros do Inep e de outras instâncias educacionais públicas, no Grupo de Trabalho Técnico.

Agradecemos a atenção e futuramente comentaremos outros tópicos de seu programa em nosso blog.

Atenciosamente

EducaFórum
Espaço permanente de denúncia, estudo e elaboração de soluções
http://educaforum.blogspot.com
educaforum@hotmail.com

08 setembro 2006

Ainda expulsão... que é sem dúvida inconstitucional

Nas minhas andanças pela WEB encontrei algo muito interessante e esclarecedor para quem ainda tem dúvidas sobre a inconstitucionalidade da expulsão e até da simples proibição da frequência dos alunos às aulas. Murillo José Digiácomo, Promotor de Justiça no Estado do Paraná tem um texto que além de situar com propriedade os objetivos do ECA, analisa os procedimentos disciplinares que podem ou não ser tomados pela escola no PORTAL DO CONSELHO TUTELAR
É muito importante que pais e alunos conheçam as leis que identificam seus direitos e deveres para que possam fundamentá-los com precisão mediante a arbitrariedade de muitos "educadores".
Aí vão alguns trechos:
"Evidente que as sanções disciplinares previstas (* no estatuto da escola) não podem afrontar o princípio fundamental - e constitucional, que assegura a todo cidadão, e em especial a crianças e adolescentes, o direito de "acesso e PERMANÊNCIA na escola", conforme previsão expressa do art.53, inciso I da Lei nº 8.069/90, art.3º, inciso I da Lei nº 9.394/96 e, em especial, do art.206, inciso I da Constituição Federal[5], nem poderão contemplar qualquer das hipóteses do art.5º, inciso XLVII da Constituição Federal, onde consta a relação de penas cuja imposição é vedada mesmo para adultos condenados pela prática de crimes. De igual sorte, não poderão acarretar vexame ou constrangimento ao aluno, situações que além de afrontarem direitos constitucionais de qualquer cidadão insculpidos no art.5º, incisos III, V e X da Constituição Federal (dentre outros), em tendo por vítima criança ou adolescente, tornará o violador em tese responsável pela prática do crime previsto no art.232 da Lei nº 8.069/90.
...Também não podemos perder de vista que todo o processo disciplinar, com a cientificação da acusação ao aluno e garantia de seu direito ao contraditório e ampla defesa, possui uma fortíssima carga pedagógica, pois vendo o aluno que seus direitos fundamentais foram observados, e que foi ele tratado com respeito por parte daqueles encarregados de definir seu destino, a sanção disciplinar eventualmente aplicada ao final por certo será melhor assimilada, não dando margem para reclamos (em especial junto aos pais) de "perseguição" ou "injustiça", que não raro de fato ocorrem (ou ao menos assim acredita o aluno), e que acabam sendo fonte de revolta e reincidência ou transgressões ainda mais graves.
Em suma, se formos justos com o aluno acusado do ato de indisciplina, mostrando-lhe exatamente o que fez, dando-lhe a oportunidade de fornecer sua versão dos fatos e, se comprovada a infração, dizendo a ele porque lhe estamos aplicando a sanção disciplinar, tudo dentro de um procedimento sério, acompanhado desde o primeiro momento pelos seus pais ou responsável, teremos muito mais chances de alcançar os objetivos da medida tomada, que se espera sejam eminentemente pedagógicos (e não apenas punitivos), evitando assim a repetição de condutas semelhantes e ensinando ao jovem uma impagável lição de cidadania, como a instituição escolar, consoante alhures ventilado, tem a missão constitucional de ministrar.
...[5] razão pela qual não se admite a aplicação das sanções de suspensão pura e simples da freqüência à escola (uma eventual suspensão deve contemplar, obrigatoriamente, a realização de atividades paralelas, nas próprias dependências da escola ou em outro local, desde que sob a supervisão de educadores, de modo que o aluno não perca os conteúdos ministrados - ou mesmo provas aplicadas - no decorrer da duração da medida), e muito menos a expulsão ou a transferência compulsória do aluno, que em última análise representa um "atestado de incompetência" da escola enquanto instituição que se propõe a educar (e não apenas a ensinar) e a formar o cidadão, tal qual dela se espera."
Visitem o Portal, pois há muitas outras informações lá sobre Conselhos Tutelares.
Eu ainda não li tudo mas o que li gostei...
Vera Vaz

02 setembro 2006

Cotas para seres humanos!



Eu acho muito complicado classificar as pessoas por raças no Brasil. Suponhamos que baixassem no Brasil um decreto específico, dizendo: "Xuxa Meneghel é obrigada a reservar 50% das vagas de paquitas para afro-descendentes". Apareceriam no dia seguinte 20.000 loiras de olhos azuis mostrando o retrato de um vovô negão. Carla Perez, minha conterrânea, é uma loira artificial. Ela é mulata, filha de mulato, sem deixar de ser loira. Essa idéia das cotas embute, no fundo, uma visão equivocada: aquela que enxerga a questão da escravidão como um problema de origem racial.

João Ubaldo Ribeiro

Alguns brasileiros - infelizmente poucos - têm a coragem de vir a público divulgar raciocínios bem articulados como este. João Ubaldo Ribeiro tem toda razão: na maior parte das civilizações, os escravos eram brancos, aliás, os negros foram vendidos por outros negros, portanto o buraco é mais embaixo. João Ubaldo alarga a discussão: se uma pessoa é filha de um zulu com uma sueca, por que a "metade zulu" tem que prevalecer?...

É raro ver assuntos tão sérios serem abordados mais profundamente. Millôr Fernandes, outro cérebro do mesmo calibre, dizia que "livre pensar é só pensar...", o que é aparentemente muito difícil, visto a profusão de pronunciamentos inconsistentes, colados-e-copiados, que rolam por aí, principalmente a respeito dessa questão das cotas nas universidades, justo num país cuja maior riqueza é a diversidade racial.

O problema é que a discussão dos assuntos mais sérios não acontece nas ruas, nos bares, nas empresas, nas escolas. Ela é praticamente "fechada" pelos meios de comunicação, um contra, outro a favor de determinado assunto. No fundo, aliás, trata-se de uma guerra midiática. Assim, o que as pessoas acabam discutindo na rua não é o mérito de cada questão, mas a posição da Veja, da IstoÉ, da Época, aquilo "que o Bial falou, que o Dimenstein falou, que o Mainardi falou " etc. e tal. Hoje, os jornalistas são verdadeiros show men, nunca a mídia teve tamanho poder.

É triste que um assunto de tanta importância como este seja discutido de forma superficial, como um quesito de múltipla escolha: "você é a favor ou contra as cotas raciais?... ". Pronto, depois da resposta, já podemos mudar de assunto: falar da novela, dos crimes da semana, de futebol. Quando o assunto é política, vamos discutir - quando muito - os índices do ibope para a eleição, o botox presidencial, o desânimo geral.

Muito da superficialidade à qual se reduziu a questão da educação no Brasil se deve à falta de memória de fatos importantes, ignorados ou apenas "sepultados" pela mídia. Eu não tenho a pretensão de fazer o levantamento desses fatos, por ter chegado ao Brasil ainda adolescente durante a ditadura militar, assim não tenho conhecimentos suficientes para fazê-lo, mas permito-me colocar o dedo sobre algumas feridas. Ouvi muito falar dos Colégios Vocacionais, aqui em São Paulo, sumariamente fechados pela ditadura na década de 60. O artista plástico Evandro Carlos Jardim, de fama mundial, foi professor dos Vocacionais e relata suas experiências no livro Arte-Educação: da Pré-Escola à Universidade. Alguém se interessa por resgatar as experiências educacionais que já deram certo neste País?

Outra experiência que deu certo, sumariamente jogada no lixo no fim dos anos 90, foi o colegial técnico. Essa eu acompanhei bem de perto e lutei para que fosse preservada, junto com um grupo de pais de alunos que foi simplesmente esmagado pela "burrocracia" de Brasília. A rede Paula Souza tinha unidades que formavam alunos prontos para enfrentar o mercado de trabalho, nas mais variadas áreas técnicas. Nosso desejo era que a rede fosse ampliada e democratizada - já que o acesso era restrito - a fim de permitir oportunidades iguais a todos os alunos que não quisessem ou pudessem freqüentar uma faculdade após o ensino médio. Muito ao contrário: o governo federal decidiu extingüir o colegial técnico, obrigando os alunos a cursar primeiro o ensino médio, depois o técnico. Ou, então, a estudar em período integral - ensino médio de manhã e técnico à tarde. Mas quantos alunos brasileiros podem se dar ao luxo de estudar em período integral, numa idade em que já precisam trabalhar para ajudar a família?... E mais: quase não existem escolas de ensino médio tão próximas de escolas técnicas, que o aluno possa sair às 12h00 de uma e entrar às 13h00 na outra. E mesmo que conseguisse, ficaria sem almoço?? Todos esses argumentos foram colocados claramente para os "enviados" do MEC a São Paulo para "discutir a medida com a comunidade". Quanta hipocrisia! A medida foi baixada sem mais nem menos e hoje nem se discute mais o mérito da questão. Um país sem memória? Eu diria: sem "memória ram".

Hoje, a evasão nas escolas públicas de ensino médio é simplesmente espantosa e os 30% de alunos que conseguem se formar não receberam qualquer orientação vocacional . É claro que o ensino não deveria ter a profissionalização como fim último, no entanto não se pode fechar os olhos para o absurdo de uma escola totalmente desvinculada da realidade e da vida. E que ainda por cima não se envergonha de excluir e expulsar seus alunos! É preciso abrir o leque de opções para os jovens. Hoje eles não têm nenhuma! Em qualquer país do mundo há adolescentes que não pretendem cursar uma faculdade após o ensino médio. Por que eles precisam ser "obrigados"? Ou melhor, por que precisam ficar desencantados com a idéia de não poder freqüentar faculdade nenhuma? Esse é mais um chavão que passa de boca em boca nas ruas: "Quem não tem diploma universitário não tem futuro".

A questão das cotas nas universidades vem colocar panos quentes num problema muito mais grave: a falência do ensino fundamental e médio no Brasil. Além disso, fortalece o preconceito de que um jovem sem faculdade não consegue uma boa colocação no mercado de trabalho.
Cotas nas universidades para negros, brancos, mulatos, asiáticos?...
Não, cotas "decentes" para crianças e adolescentes em todas as escolas públicas do Brasil! E a volta do colegial técnico, que é a cara de um país onde há cinco engenheiros para cada técnico.

Enfim, cotas para todos os seres humanos deste País! Sem discriminação.