29 outubro 2008

Campo de concentração


Do blog da Glória

Nenhum estudioso da educação no Brasil descreveu com tanta precisão o inferno de Dante que se transformou a escola no correr dos tempos. Não é que antes fosse um primor (vide o livro O Ateneu, de Raul Pompéia), mas esperava-se que, com o advento da modernidade, a tendência fosse a racionalidade, o aprimoramento, a humanização. Ao contrário, "a escola é um campo de concentração com mil controles", define Lauro de Oliveira Lima. Leia trechos do seu livro ESCOLA NO FUTURO:

"A escola é um campo de concentração com mil controles, fichas, horários, torres de observação, representados pelo mecanismo desumano dos processos de verificação, pelo esoterismo lotérico e pitagórico dos processos de promoção através de médias “ponderadas” (sic!) pelo inspetor federal, o homem da moralidade escolar, pelo diretor, o déspota para quem o regulamento “c’est moi”, pelos inspetores de alunos, os “SS” eternamente redivivos, sempre prontos a atirar no trânsfuga ou no rebelde e agora mais (me Hércules!), por um psicólogo escolar encarregado da “lavagem cerebral” de conversão e ajustamento de um homem livre a um sistema de autômatos..."

"Para conturbar a quietude em que forma o pensamento reflexivo, temos ainda quatro ou cinco professores de línguas, cada um com seus métodos antidiluvianos e nomenclaturas contraditórias; cinco ou seis professores de ciências, de temperamentos contraditórios e métodos antagônicos, exigindo os 36 nomes das anfractuosidades do fêmur ... ou a decoração de 30, 40, 50 teoremas; temos alguns professores de artes , canto, desenho, trabalhos, sem atelier , sem campos de esperte, sem auditórios, sem oficinas , sem laboratórios, numa comédia pedagógica que repugna os adolescentes inteligentes.Temos novos algozes – encarregados de estudos dirigidos, promotores de atividades extracurriculares que não interessam aos alunos e não têm sintonia com a atividade escolar... verdadeiro inferno de Dante para os jovens que se empenham em “cumprir o dever”!Se daí sai a “cola” sistemática para “salvar-se do dilúvio”, se explodem atritos e revoltas; se a “gazeta” se institucionaliza, se os jovens se fecham em razoável atitude de autoproteção para pensar um pouco, para viver seus próprios sonhos, para aprender a pensar por si mesmo – há um dispositivo na máquina para expulsar o produto que não corresponde às especificações."

"Deixar uma classe passiva “ouvindo discursos” não é só uma crueldade: é um atentado às conquistas definitivas da psicogenética. Classe não é auditório para os alunos e tribuna para o professor. É oficina em que se pensa, debate, manipula, pesquisa, constrói. Meditar é a forma mais sublime da atividade, a atividade específica do ser humano. Meditar – não decorar. Refletir. Ensinamos a nossos alunos como se fossem animais. Como se não tivessem razão."

"Por que um jovem que sente na carne todo empolgamento da era atômica, dos teleguiados, da eletrônica, dos foguetes à Lua, um mundo todo de maravilhas, de cinemas espetaculares, de velocidade, de pistas sem fim de asfalto, de televisão, de construções ciclópicas, haveria de se conformar em passar horas sentado num banco terrivelmente incômodo, ouvindo discursos indigestos sobre os Medas e os Persas, sobre o binômio de Newton que ele não sabe para que serve, sobre a ordem indireta na construção latina, sobre o autor do Hino Nacional? É ou não inteligente quem escapa dessa roda viva?"

"O ser humano exige finalidade em tudo que faz. Não agimos sem objetivo claro e reconhecido como válido. Se o que ensinamos não parece ter utilidade para os adolescentes, eles fogem de nós, julgando-nos num mundo irreal que eles não encontram lá fora. Façamos uma escola ativa, de pesquisas, de debates, de projetos, com dados da realidade cotidiana, partamos do atual, proponhamos problemas interessantes que tenham relação com a vida e eles voltarão para a escola. Façamos do curso médio uma bela e empolgante aventura. Deixemos os alunos explorar, pesquisar, debater, experimentar, manipular instrumentos. Eles adoram essas atividades."

"Deixemos de recriminar a juventude por não querer ouvir discursos, se nós mesmos não os toleramos. Sejamos autênticos, realistas e leais para com a juventude. Ela não está perdida. Está sendo lograda. Fechemos as malhas da peneira, senão, amanhã não teremos dirigentes."

Saber mais sobre o educador Lauro de Oliveira Lima clique aqui http://www.jeanpiaget.com.br/fundadores.htm

23 outubro 2008

Expulsão da escola X civilidade


O pior de tudo não é a desobediência a lei. Pra mim o pior de tudo é querer desobedecer a lei por motivo fútil, por vingança, pra demonstrar força!Não querem passar por cima da lei para educar, como muitos estão defendendo aqui! Nãoooooooooooo! Primeiro porque sabem muito bem que expulsão não educa ninguém (ao contrário pode levar à perdição!). O diálogo educa, o exemplo educa, a argumentação inteligente educa.

Será que nossos educadores perderam o poder de argumentar, de usar a razão? De serem profissionais o bastante para ter a tranquilidade de agir diante dos erros dos adolescentes? Ser civilizado, dialogar, fazer entender agora é ser conivente? Nãooooooooooo. É tratar do assunto com inteligencia e com o objetivo de educar e não de se vingar e de mostrar o quão poderoso é! A expulsão é probibida exatamente porque não educa. Desestabiliza, desintegra, é violência moral!!!!!!!!!! Isso não educa!!!!!!!

Vingança não educa! Professores, mães, filhas, alunas, todos os envolvidos nesse caso têm que procurar uma solução civilizada e inteligente para resolver o assunto! Não é difícil! É só sentar e expor com calma, com raciocínio lúcido que um educador deve ter, o que não pode ser feito, os males causados pela atitude das meninas, as consequencias que esse ato pode vir a ter. CIVILIDADE! É disso que precisamos neste país!

Pelo amor de Deus, professores! Um educador não pode ser vingativo, um educador tem que ter um respaldo pedagógico em todos, eu disse TODOS, os seus atos para com os alunos!!!!!!!!!

Vera Vaz

21 outubro 2008

Ilegal, imoral, sórdido!


(hoje, 22 de outubro, reebemos resposta da professora Edna, da CEI, informando que essa escola não pertence à sua jurisdição, mas à da COGSP. Por este motivo, nossa mensagem foi reenviada ao professor José Benedito. Fazemos muitos votos de que ele tenha a mesma sensibilidade que a professora Edna já demonstrou no caso da EE Padre Josué Silveira de Mattos, quando determinou a reintegração da aluna expulsa. Professor José Benedito, agora é com você!)

Mais um caso de expulsão numa escola da rede estadual.
Desta vez, expulsão coletiva de cinco alunas!
Leia o novo documento que encaminhamos hoje à SEE.

E d u c a F ó r u m

Sra. Edna Matos
Coordenadora da CEI

Cópias para

Sr. Governador José Serra

Sra. Maria Helena de Castro
Secretária da SEE

Sr. Fernando Padula
Chefe de Gabinete da SEE

Ref. Expulsão coletiva em Ferraz de Vasconcelos

Prezada Professora Edna,

Recebemos hoje cópia de uma declaração de cinco mães da EE Carlindo Reis - DE Suzano, feita ao Conselho Tutelar, informando fatos gravíssimos que vamos resumir.
  • Cinco alunas de 13-14 anos se envolveram numa brincadeira no Orkut, comentando de formas desrespeitosa uma foto, feita na escola, que retratava a coordenadora pedagógica e sua filha, também aluna da escola.
  • No dia 01/10 as cinco mães foram convocadas pela diretora e comunicadas de que suas filhas haviam cometido um crime, que se fossem filhas dela as mataria (sic) e que seria melhor saírem da escola pois, se fosse convocado o Conselho, todas seriam expulsas com certeza, por ela ser presidente do mesmo.
  • As mães recorreram ao Conselho Tutelar, que reconheceu o erro das meninas, mas entendeu que não era caso de expulsão e aconselhou as mães a enviá-las novamente à escola.
  • No dia 07/10 as meninas voltaram às aulas e no dia seguinte levaram para casa uma convocação para reunião de Conselho no dia 09/10.
  • As mães pediram novamente ajuda para o Conselho Tutelar, mas A DIRETORA NÃO PERMITIU A UM CONSELHEIRO TUTELAR - AUTORIDADE QUE TEM, INCLUSIVE, PODER DE POLÍCIA, participar da reunião de Conselho de Escola. Professora Edna, a SEE conferiu aos seus diretores de escola tamanho poder???
  • A reunião de Conselho foi presidida pela diretora, na presença de um representante da Diretoria de Ensino, cujo nome ainda não descobrimos. Esse representante explicou que essa era a última instância dentro da escola e que SE OS PAIS NÃO CONCORDASSEM COM O VEREDICTO, QUE ENTÃO PROCURASSEM OUTRA INSTÂNCIA. Professora Edna, fica assim comprovado que mais uma Diretoria de Ensino apóia e favorece a expulsão de alunos pelo Conselho de Escola. Os pais nos pediram então que apelássemos em seu nome para a Secretaria da Educação, o que estamos fazendo através deste documento.
  • A "acusação" foi longa e sem interrupções por parte da diretora da escola.
  • A "defesa" de cada aluna, feita pelos pais das mesmas, foi limitada a dois minutos cada, com inúmeras interrupções por parte da diretora.
  • Os pais das alunas acusadas solicitaram à diretora o regimento da escola, mas ela SE RECUSOU A FORNECÊ-LO, POIS PELA PRIMEIRA FOLHA OS PAIS DEVERIAM PAGAR R$ 14,00 E PELAS FOLHAS SEGUINTES R$ 1,40 CADA, A SER RECOLHIDO EM CONTA DO ESTADO. Professora Edna, os regimentos escolares não são documentos públicos e não deveriam ser afixados nos quadros de aviso das escolas, à disposição de todos os alunos e seus pais? A SEE exige o recolhimento dessa taxa absurda e ilegal???
  • Os pais perguntaram à diretora se não haveria uma maneira de se abrandar a pena, considerando que as meninas não tinham em seu histórico escolar nada que as desabonasse, mas ela devolveu a pergunta questionando SE ALGUÉM QUE MATA PELA PRIMEIRA VEZ NÃO DEVE SER PUNIDO (sic).
  • Após essa "defesa" tumultuada e marcada pelo choro das alunas, que já haviam se retratado e estavam proibidas de entrarem na internet desde o dia 01/10, os pais foram convidados a se retirarem do recinto.
  • Os conselheiros votaram pela TRANSFERÊNCIA COMPULSÓRIA (expulsão) das cinco alunas, por 18 votos a favor e 1 contra, sendo que estava presente apenas 1 pai conselheiro à reunião.
  • APÓS O VEREDICTO, A DIRETORA INFORMOU AOS PAIS DAS ALUNAS EXPULSAS O NOME DAS ESCOLAS PARA ONDE ELAS SERIAM TRANSFERIDAS COMPULSORIAMENTE, EM UM PAPEL TIMBRADO DA DIRETORIA DE ENSINO-REGIÃO DE SUZANO, DATADO DE 06/10/08 (TRÊS DIAS ANTES DA REUNIÃO!) E ASSINADO PELA ASSISTENTE DE PLANEJAMENTO.
Professora Edna, mesmo que esse TRIBUNAL DE EXCEÇÃO organizado pelo Conselho de Escola tivesse qualquer valor legal, COMO SERIA POSSÍVEL CONHECER O VEREDICTO ANTES DO PRÓPRIO JULGAMENTO? A SEE precisa apurar imediatamente o papel da DE de Suzano nessa história inconstitucional, imoral e principalmente sórdida!

Prezada professora Edna, o original desta mensagem é destinado à sua pessoa, que já deu mostras de não compactuar com a ilegalidade no caso recente de São João da Boa Vista, quando determinou a reintegração de uma aluna também expulsa pelo Conselho de Escola. Mais uma vez contamos com a sua idoneidade e esperamos que continue apoiando os alunos das escolas pelas quais responde, pois até o momento parece-nos a única pessoa que entende e segue a legislação e a ética dentro da SEE.

Cópia desta denúncia vai para a Secretária Maria Helena de Castro, para que ela entenda passo a passo como funcionam os TRIBUNAIS DE EXCEÇÃO armados em inúmeras escolas da rede para a expulsão de alunos, alunos esses que não passam de EMPECILHOS AO BOM FUNCIONAMENTO DA BURROCRACIA ESCOLAR, alunos esses que não passam de ESTORVOS QUE TÊM A OUSADIA DE NECESSITAR DE PROCEDIMENTOS PEDAGÓGICOS, em escolas que não possuem nem pretendem buscar esses procedimentos.

Finalmente, cópia também para o Sr. Governador José Serra, mesmo que ela caia, para variar, em um "buraco negro".

20 outubro 2008

Para variar... AUTORITARISMO


Mais um documento sobre autoritarismo, desta vez pedindo uma reunião com a Secretária Maria Helena de Castro - a última instância

E d u c a F ó r u m http://educaforum.blogspot.com

Sra. Maria Helena de Castro
Secretária de Estado da Educação

Cópias para
Sr. Governador José Serra
Chefe de Gabinete da SEE
Fernando Padula
Coordenador da COGSP
José Benedito de Oliveira
Coordenadora da CEI - Edna Matos
Ref.: Autoritarismo na rede estadual de ensino

Prezada Secretária,

No dia 4 de junho deste ano tivemos uma reunião proveitosa com seu Chefe de Gabinete, o Coordenador da COGSP e a Coordenadora da CEI, sobre o autoritarismo na rede, que consideramos o maior problema educacional no Estado, ainda pior que a má qualidade do ensino, já que essa é reconhecida e se tem procurado um rumo para corrigir as falhas, enquanto o autoritarismo continua assunto tabu.

Na época, tivemos esperança de que seriam tomadas medidas efetivas para reduzir essa que é a maior causa da evasão e expulsão de alunos da escola. Desde então, nosso otimismo foi abatido pelo agravamento dos casos concretos que levamos ao conhecimento da SEE, pois a força da corporação é maior do que qualquer boa intenção, por parte das autoridades, de se reduzir o autoritarismo dos profissionais da “educação”.

Resumimos os problemas verificados nas escolas abaixo relacionadas:
  • EE Lucas Roschel Rasquinho – COGSP – DE Região Sul 3
Aluno agredido por professor em 2007 tornou-se bode expiatório dos problemas de indisciplina da escola em 2008. O assunto foi informado à SEE em maio 08 e deu origem a uma Apuração Preliminar que concluiu por responsabilizar o próprio aluno e a família denunciante. Outros pais de alunos se atreveram a também denunciar o autoritarismo da direção da escola, mas foram ameaçados e intimidados com o argumento de que a escola seria fechada devido às denúncias. Chegou-se ao cúmulo de a direção orquestrar a elaboração de um abaixo-assinado para defender sua própria atuação, colhendo – dentro da escola – assinaturas de professores, pais, alunos e pessoas da comunidade. Para perceber a veracidade desta informação, bastaria comparar o abaixo assinado a favor da direção da escola, pautado e bem escrito, com aqueles contra a direção, desalinhados e com erros de português. Essa atitude ilegal não foi investigada durante a Apuração Preliminar, como aliás as demais denúncias, sendo a conclusão da comissão um documento tendencioso e baseado em opiniões, em vez de fatos, o que contraria a lei 10.261/68.
Leia nosso resumo aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/10/o-esquema-ii.html

  • EE David Eugênio dos Santos – COGSP – DE Norte 2
O autoritarismo nessa escola atingiu proporções gigantescas em 2004, com alunos de Ensino Fundamental recebendo castigos cruéis e constrangedores, o que foi na época amplamente divulgado na mídia. A Apuração Preliminar instaurada concluiu por responsabilizar a única professora que teve a coragem de apoiar os pais, professora essa que foi compulsoriamente readaptada por problemas psiquátricos “administrativos” (sic). Essa professora nos acompanhou à COGSP no dia 02/10 e relatou o seguinte: mesmo readaptada, uniu-se à comunidade e conseguiu que fosse aberto um novo processo, desta vez contra a diretora da escola. Esse processo contra a diretora já dura três anos e não dá mostras de se concluir, enquanto o processo da readaptação da professora, que nada mais fez do que seu dever de denunciar maus tratos contra alunos, conforme o ECA, já “se resolveu” no prazo de um ano. Por este motivo, Sra. Secretária, não acreditamos na lisura de processos abertos pela SEE.

  • EE Padre Josué Silveira de Mattos – CEI – DE São João da Boa Vista
Em abril 2007, a diretora da escola reuniu o CE para expulsar uma aluna acusada de atear fogo à lixeira da classe. De acordo com a mãe da garota, indiciamento foi baseado em “telefonemas” recebidos pela diretora durante a suspensão coletiva e ilegal da classe onde ocorreu o fato. Tão logo a mãe soube que a filha havia sido acusada – sem provas, pois não havia testemunha ocular – aliás, naquele momento o professor saiu tranquilamente da sala para dar aula em outra classe – ela tentou falar com o Dirigente de Ensino, que se recusou a atendê-la. Saindo da DE, a mãe fez um BO na Delegacia da Mulher, atestando que a diretora a havia chamado para informar que expulsaria a aluna da escola e que a havia ofendido, dizendo-lhe que sua filha era “do mal”.

A expulsão da garota – que foi impedida de frequentar as aulas desde o dia da ocorrência, 03/04/07 - foi votada pelo CE em reunião de 17/04/07. Constatamos que essa reunião foi realizada inteiramente fora dos padrões legais e que a expulsão foi registrada em ata como “transferência compulsória”. Consta também da mesma ata que, durante a suspensão da garota, a direção da escola fez duas reuniões com os alunos da classe, pressionando-os até conseguir testemunhas da acusação. No entanto, essas supostas testemunhas foram imediatamente desmascaradas pelo juiz durante processo civil movido pela diretora e encerrado a favor da aluna falsamente acusada, no final do ano. Logo após a expulsão ilegal votada pelo CE, entramos em contato com a Profª Edna, da CEI, que compreendeu a ilegalidade do ato e solicitou a reintegração da aluna. Em 27/04 a mãe recebeu um documento assinado pela diretora da escola, informando que a filha poderia voltar às aulas. Este documento está em nosso poder e confirma que a expulsão foi consumada, caso contrário não haveria reintegração da aluna. Foram três semanas de suspensão, revertida somente após determinação da SEE. Até o final do ano letivo, a aluna teve que conviver com a mesma classe que a acusou, pois o pedido da família de transferi-la de período não foi atendido. Mesmo assim, ela superou bravamente o trauma e este ano está finalmente estudando em outra classe.

Prezada Secretária, a expulsão da aluna pelo CE durou três semanas (de 03/04 a 27/04/07) e não seria revertida, se este EducaFórum não tivesse questionado o ato junto à CEI. Aliás, após a reintegração da aluna, a diretora mandou colocar em frente ao prédio uma faixa, cuja foto foi na época encaminhada à CEI, solidarizando-se com o Conselho de Escola por ter sido desrespeitado em sua deliberação... (esperamos que V.Sa. perceba a absurda inversão de valores desse ato).
Pois bem: há cerca de 2 semanas, recebemos um telefonema da mãe da aluna, informando que havia sido convocada para TESTEMUNHAR em processo administrativo contra a diretora da escola, aqui em São Paulo, no dia 14 de outubro. Leia com atenção o nosso relato aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/10/churrasquinho-de-me.html, quando acompanhamos essa mãe à comissão processante, mas tivemos que desaconselhá-la a depor, pois vimos que dentro da sala onde ela foi chamada haviam entrado a diretora da escola, sua advogada e o professor que NÃO VIU quem colocou fogo na lixeira da classe. A procuradora, mesmo percebendo que essa mãe estava sem advogado, não permitiu que ela fosse acompanhada em seu depoimento pela assessoria do EducaFórum. Certamente a advogada da diretora tentaria fazer um acordo ou talvez a ameaçaria de que viraria ré, caso não pudesse provar suas acusações. Acusações mais do que comprovadas pela expulsão da aluna, registrada em ata de CE e reforçada pelo documento que solicita sua reintegração à escola, documento esse que a procuradora se recusou a protocolar e anexar ao processo, entre outros documentos.

Percebe-se claramente que também esse processo, um ano e meio após a ocorrência que o originou, vai acabar em “pizza”, exatamente como o da EE David Eugênio dos Santos. A expulsão de um aluno é orquestrada pelos diretores de escola em apenas alguns dias, enquanto a punição de diretores que cometem crimes contra os alunos é empurrada até o esquecimento do assunto.

Sra. Secretária, a apuração desses fatos tenebrosos nunca ocorre de forma isenta nos processos abertos pela Secretaria. Já comentamos em diversas reuniões na COGESP que os pais evitam fazer denúncias, para que seus filhos não se tornem duplamente vítimas, como nos casos aqui expostos.

Nos próximos dias encaminharemos mais uma denúncia que estamos apurando em Ferraz de Vasconcelos, mas, após quatro meses de reuniões e contatos com a SEE somos forçados a reconhecer que nossos esforços têm sido em vão. O autoritarismo na rede continua em alta e não dá sinais de diminuir. A Ouvidoria da Educação e o próprio Departamento Jurídico da SEE continuam defendendo que o Conselho de Escola é soberano para deliberar sobre qualquer assunto, mesmo se sobrepondo à Lei, CONTRARIANDO A CONSTITUIÇÃO FEDERAL E O ECA. Esta visão é compartilhada pela maioria das escolas da rede e só mudará quando a SEE tiver a coragem de deixar bem claro, PARA TODA A REDE, que A EXPULSÃO DE ALUNOS É PROIBIDA, além de ser um procedimento antipedagógico. O exemplo vem de cima. A atitude da Profª Edna, ao determinar a reintegração da aluna de São João da Boa Vista, constitui exceção que confirma a regra! A REDE ESTADUAL DE ENSINO PUNE DUPLAMENTE OS ALUNOS E ABSOLVE AQUELES QUE OS AGRIDEM, QUANDO DEVERIAM ZELAR POR ELES.

Em vista da gravidade da situação, solicitamos uma reunião com V.Sa., seu Chefe de Gabinete e os Coordenadores da COGSP e da CEI, para que possa ser encaminhada uma solução definitiva para esse grave problema. Mais uma vez frisamos que o maior problema da rede é o AUTORITARISMO e, apesar de não conhecê-la pessoalmente, queremos acreditar que V.Sa. não apóia ou até desconhece a gravidade da questão.

Agradecemos a atenção e permanecemos no aguardo do seu agendamento.

19 outubro 2008

Deus na escola???


Você viu durante todo este ano (e também nos anteriores), como Deus é mantido afastado do ensino público. O aluno, que deveria ser a razão de ser da escola, é considerado e tratado como mero estorvo. Seu direito a um ensino de qualidade é apenas uma longínqua esperança. Em escolas Nota Zero (não é piada, consulte o Idesp da rede estadual paulista!), o que ele costuma receber, no dia-a-dia, são aulas de má qualidade, aulas vagas, abuso moral, perseguições e represálias. Isto vale principalmente para o adolescente, que se encontra na fase da vida em que a inteligência e a sensibilidade afloram com mais intensidade. Depois dessa fase, les jeux sont faits!, ou seja, o ser humano vira "máquina" ou aprende a seguir seu rumo de forma pessoal e consciente.

Não adianta você cuidar do seu filho com carinho em casa, quando o exemplo dado pela escola é a IMPONTUALIDADE, a FALTA DE ASSIDUIDADE, o DESCOMPROMISSO, a VIOLÊNCIA MORAL, o AUTORITARISMO.

Ái do seu filho chegar dez minutos atrasado, ele é encaminhado de volta para casa. Mesmo assim, no dia seguinte ele está sujeito a esperar o professor durante meia hora na sala de aula, se é que ele vai comparecer...

Que seu filho não se atreva a chamar o professor de "doido"! Mas tudo bem que o professor chame seu filho de "bicha"! E também, tudo bem que a professora "estressada" chame a classe inteira de "merda"!

Que seu filho não se atreva a fazer brincadeira sobre o professor-mala na internet! Mas tudo bem que o professor coloque seu filho "no elástico", que o deixe mijar-se na roupa quando ele pediu para ir ao banheiro, que o largue sozinho na quadra da escola, onde ele pode se machucar.

E, principalmente, tudo bem que seu filho não seja socorrido pela escola quando é agredido ou machucado!

Você já entendeu que o problema da rede pública de ensino é o aluno - isso mesmo, seu filho!

Ele é que atrapalha a vida desses profissionais da "educação" tão idolatrados pela sociedade e pela mídia, a ponto de poderem cometer impunemente as maiores violações contra seres humanos indefesos e inseguros.

Tenha certeza de que Deus vai continuar mantendo distância de um lugar como esse, onde a criança é vítima de adultos perversos e egoístas, preocupados apenas em manter seu empreguinho e benesses. Adultos esses que têm coragem de falar de Deus, de ir à missa , ao culto, ao centro espírita... Eles não lembram da mensagem do Cristo: Deixai vir a mim os pequeninos.

A escola pública é um espaço onde se expulsa Deus todos os dias, junto com milhares de crianças e adolescentes!

É um espaço onde o adulto não cumpre seu dever.
É um espaço onde o mau profissional só pensa em vantagens pessoais.
É um espaço onde o aluno é expulso por qualquer motivo.
É um espaço de intriga, onde a maledicência e a fofoca neutralizam toda a boa vontade dos bons profissionais.

A hipocrisia nacional com respeito à violência nas escolas continua a todo vapor, em tom de verdadeiro sarcasmo. A professora Edilva Bandeira alerta sobre o projeto de lei “Deus na Escola”, de autoria da deputada Maria Lúcia Amary, líder do PSDB, que continua na Assembléia Legislativa de São Paulo. Aprovado em agosto de 2007, o projeto está à espera da sanção (ou veto) do governador José Serra.

O que acha de um projeto dessa natureza? Leia mais no BLOG http://edilvabandeira.zip.net/

Agradecemos à professora Edilva por sua coragem e colaboração!

15 outubro 2008

Churrasquinho de mãe


Hoje é dia de festa! Aliás, sábado foi o centenário do Cartola e desde então meu pensamento é: “A sorrir eu pretendo levar a vida...”.

O motivo da euforia é que conseguimos evitar mais um “churrasquinho de mãe”. Explico: as mães de alunos que se atrevem a defender seus filhos dos abusos e perseguições que sofrem na rede pública costumam virar churrasquinho, ou então... moqueca. Isto você já sabe. Mas desta vez não permitimos!

Você já está careca de lembrar da EE Padre Josué S. de Mattos, em São João da Boa Vista, da menina acusada injustamente de ter colocado fogo na lixeira da classe! Pois é... nós também pensávamos que o assunto estivesse finalmente encerrado, depois que o juiz absolveu a garota e desmascarou a armação da diretora. Mas nada de ruim termina tão cedo, na rede pública de ensino... Este ano a menina está melhor, pois foi mudada de classe, mas durante todo o ano passado ela ficou em depressão profunda. Veja o histórico:

  • No dia 03 de abril de 2007 ocorreu o fato, a aluna sofreu suspensão coletiva junto com toda a classe, mas, quando deveria voltar às aulas, foi impedida e a mãe foi informada pela diretora que seria expulsa, pois um “telefonema” a havia acusado do crime.

  • No dia 17 de abril, o Conselho de Escola votou sua “transferência compulsória” (expulsão), o que consta claramente da ata da assembléia.

  • O EducaFórum questionou a legalidade da medida e, no dia 27 de abril, um comunicado da Secretaria da Educação obrigou a escola a reintegrar a aluna. Caso contrário ela seria obrigada a procurar outra escola, onde já chegaria “fichada” como incendiária.

  • O EducaFórum solicitou que a aluna fosse mudada de classe, para não ter que conviver com a mesma turma que a escolheu para “bode expiatório”, mas o nosso pedido não foi aceito e a aluna teve que permanecer na mesma classe. Após a absolvição do juiz, no final do ano passado, ela foi finalmente mudada de período e conseguiu se equilibrar um pouco.

No mês passado, a mãe da garota recebeu uma intimação para comparecer hoje a São Paulo, a fim de testemunhar em processo administrativo aberto para apurar responsabilidades da diretora. Imediatamente, ela se dirigiu à escola para saber do que se tratava, mas foi-lhe apenas informado que ela não seria obrigada a ir a São Paulo. Ela perguntou se receberia a passagem e a resposta foi que não, pois o processo era contra a escola; que, se fosse a favor da escola, então sim, ela teria as custas pagas. Tentamos obter alguma informação aqui na CEI, onde nos confirmaram que a mãe deveria custear sua própria viagem, por não ser funcionária pública. Também não conseguimos saber do que a diretora estava sendo acusada:

  • Por ter convocado o Conselho de Escola a fim de expulsar a aluna?

  • Por ter aceito essa decisão ilegal do Conselho, do qual era presidente?

  • Por não ter conseguido resolver um problema disciplinar dentro da escola sem suspender toda a classe e expulsar alunos?

  • Por ter feito lavagem cerebral nos alunos da classe, durante duas reuniões, quando conseguiu o testemunho falso de quatro alunos contra a garota inocente?

  • Por ter mantido a aluna fora da escola, até receber a ordem da SEE de que a mesma fosse reintegrada?

Mistério...

Do ponto de vista legal, suspensão e expulsão de alunos são práticas inconstitucionais. Do ponto de vista ético, pressionar 34 alunos no sentido de acusar a colega ausente, sem ao menos apurar os fatos, é absolutamente imoral.

Essa manobra da diretora da escola foi desmascarada pelo juiz, que em cinco minutos de interrogatório percebeu as contradições dos alunos testemunhas da acusação: um disse que a colega havia usado fósforo para incendiar a lixeira, outro disse que havia usado isqueiro... etc.

Mesmo às próprias custas, a mãe da aluna fez questão de vir a São Paulo, para esclarecer os fatos de uma vez por todas. Nós nos oferecemos para acompanhá-la à Comissão Processante.

O amigo Mauro, do Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública, veio comigo conhecer pessoalmente essa mãe, com quem sempre havíamos falado apenas por telefone. Ela nos mostrou a intimação recebida e achamos muito estranho que tivesse sido convocada como TESTEMUNHA, sendo que ela estava representando a VÍTIMA de toda a história. Testemunha de quê??? No dia em que a filha foi expulsa da escola, ela tentou falar com o Dirigente de Ensino de São João da Boa Vista, que estava no prédio, mas não a atendeu. Preocupada, ela foi para a Delegacia da Mulher fazer um BO informando que a filha havia sido impedida de frequentar as aulas, que a diretora da escola a havia acusado injustamente de ter colocado fogo na lixeira da classe e ainda a havia humilhado, dizendo que sua filha “era do mal”.

Esses, os fatos. Que mais essa mãe deveria testemunhar?... Por tratar-se de pessoa com grave cardiopatia, que por esse motivo precisou viajar acompanhada de um parente, fizemos uma petição à Comissão Processante, para que pudéssemos estar presentes à sessão, dando-lhe apoio, já que ela estava sem advogado para orientá-la e não tinha conhecimento dos autos do processo.

Enquanto aguardávamos no saguão, a mãe da aluna viu entrar a diretora da escola, sua advogada e o professor que estava na classe na hora em que a lixeira foi incendiada. Esse professor, aliás, já havia testemunhado no Conselho de Escola que não vira quem praticou o ato e saiu tranquilamente da sala de aula naquela hora, para se dirigir a outra classe, pois havia tocado o sinal. Depreende-se daí que o “crime” não foi tão grave – e não foi mesmo, pois o prejuízo material foi de R$ 1,00, o preço de uma cesta plástica de lixo.

Antes do início da sessão, refletimos no que poderia resultar daquele encontro entre as partes e percebemos que havia uma desproporção: uma mãe sozinha em confronto com a diretora que expulsou sua filha, com a advogada da mesma e com o professor que lavou as mãos...

Quando a funcionária da comissão chamou as partes e nos informou que a procuradora não permitiu que acompanhássemos a mãe na audiência, vimos que ela ficou tensa e, devido aos seus problemas de saúde, a orientamos para não dar depoimento, apenas para protocolar alguns documentos que fundamentavam as denúncias. Senão, provavelmente, ela seria pressionada pela advogada da diretora no sentido de fazer um acordo. Claro! A advogada falaria que “a mãe não entendeu direito, achou que a filha havia sido suspensa, mas na verdade não foi bem isso...”. Pois é, além de serem vítimas da perversidade de certos péssimos “educadores”, os pais e alunos da rede pública costumam ser também tratados como perfeitos idiotas. E, muito provavelmente, a advogada da diretora alertaria essa mãe de que ela poderia virar ré, caso não conseguisse provar suas denúncias... Esse filme nós vimos muitas e muitas vezes! Seria apenas mais um constrangimento e uma humilhação para ela...

O que porém nos deixou absolutamente pasmos foi a recusa, por parte da procuradora, de protocolar os papéis! Um funcionário da comissão esclareceu que “esses documentos deveriam ter sido protocolados na Diretoria de Ensino. Só assim eles poderiam ser juntados ao processo”. Mas ninguém havia orientado essa mãe para se dirigir à Diretoria de Ensino! A única intimação que ela recebeu foi no sentido de se apresentar à Comissão Processante em São Paulo. E na intimação também não constava a necessidade de comparecer com advogado.

Em vista desses fatos, os documentos trazidos pela mãe serão por nós protocolados, não na Diretoria de Ensino, mas na própria Secretaria da Educação, com cópia para a CEI, para que sejam finalmente juntados ao processo. Esse processo, aliás, durará certamente ainda vários anos, como sempre acontece quando as denúncias são contra a escola. Quando porém se tratou de expulsar a aluna, bastaram alguns dias... E ainda hoje tivemos que ouvir, no próprio Departamento Jurídico da SEE, que as decisões do Conselho de Escola são soberanas, o que prova que a Constituição Federal e o ECA ainda não foram assimilados pela Secretaria Estadual da Educação. Um ligeiro atraso, rsrs.

Esse foi o resumo da vinda da mãe dessa aluna para São Paulo: viajar 300 quilômetros para virar “churrasquinho de mãe”. O nosso papel foi impedir a manobra. E conseguimos! Parece pouco, mas a satisfação é enorme.

09 outubro 2008

Um hipopótamo na Câmara Municipal?!


Nossa amiga Cremilda acertou na mosca, ops! no hipopótamo, rsrs! E o leitor "Carioca da gema" trouxe da década de 50 a musiquinha que elegeu o hipopótamo "Cacareco" o mais votado vereador do Rio de Janeiro:
"A queixa desse povo não encontra eco e desgostoso votou no carareco. É falta de arroz, é falta de feijao, criança sem escola, é triste a situação...."


Um fenômeno é algo que não se explica. O Padre Marcelo Rossi é um fenômeno de carisma inexplicável. Junta a técnica de convencimento aprendida nos cursos de teologia, vira um cabo eleitoral imbatível. Ele quis o Chalita vereador de São Paulo... e elegeria até um hipopótamo do zoológico se quisesse. Na verdade, se fosse um hipopótamo, o prejuizo para a cidade de São Paulo seria menor, mesmo que ganhasse uma secretaria.

Um padre que não é bonito, não fala bonito, não é um primor de inteligência, mas é um fenômeno que reergueu a igreja católica, já tão caidinha... A escola pública municipal pode acender suas luzes de alerta. Esse vereador, que foi o mais votado entre todos, está de olho na Secretaria de Educação. O próximo prefeito que se cuide. Na Secretaria, ele entra e não tem reza brava que o tire de lá. O posto de secretário de educação é interessante: com ele, o Chalita viaja o mundo às custas do estado, do poder público. Esse secretário arruinou a escola pública estadual. Ele fechou centenas de escolas. A qualidade do ensino caiu vertiginosamente. A violência contra alunos aumentou. Notícias de rombo aqui e ali nas verbas da educação, sem que ninguém ousasse ir a fundo... Ele lançou a moda de mandar professores para o exterior... Paris, Londres, Slamanca (Espanha)... Uma farra num trem de alegria internacional. Ele, depois, ia atrás para ver se os professores estavam gostando do passeio... Com a força do Padre Marcelo Rossi, que lidera a ala conservadora da igreja católica, eles podem decidir que o Chalita vai ser secretário de educação do Municipio de São Paulo...

A volta da igreja católica mandando nos destinos do estado? Pior: volta mandando mal. Se o Chalita for indicado pelo Padre Marcelo para ser secretário de educação na cidade de S.Paulo, só nos resta rezar: DEUS NOS ACUDA!

Cremilda Estella Teixeira

05 outubro 2008

O esquema II


No dia 02/10/08 tivemos nova reunião na COGSP, referente ao relatório da Averiguação Preliminar das denúncias referentes à EE Lucas Roschel Rasquinho.
O resultado já era esperado: os denunciantes viraram réus! Leiam com atenção nosso post anterior, O Esquema http://educaforum.blogspot.com/2008/09/o-esquema.html.

Deixamos claro à Coordenadoria da COGSP e à sua Assessoria Jurídica que não aceitamos essa “averiguação”, que não teve natureza investigativa, como determina a Lei 10.261/68, complementada pela 942/03, ou seja, não caracterizou bem os fatos irregulares e sua autoria:
• O que aconteceu?
• Onde aconteceu?
• Quando aconteceu?
• Quem participou?
• Qual a sua qualificação?
• Quais as provas existentes no Processo?
• Houve prejuízos ao erário público?

A “apuração” chegou exatamente ao mesmo resultado do relatório da DE Região sul 3, ou seja, “restou claro que houve distorção e exagero na descrição dos fatos, bem como nos desdobramentos”.

Acontece que OS FATOS não foram apurados, houve apenas a tomada de depoimentos isolados, sem utilizar a metodologia acima citada. Algumas citações chegam ao nível da fofoca, como por exemplo a seguinte: “A mãe de uma aluna abordou um aluno que saía de um salão de cabeleireiros e perguntou-o (sic) que acontecia no salão com a presença da professora “tal”: que o aluno respondeu que era para tirar a diretora e o professor coordenador, o careca”.

Alguns fatos foram “apurados” com a clara intenção de minimizá-los, como a questão da menina de sete anos que teve o dedo torcido pela própria diretora da escola, que em seguida a mandou varrer o pátio. Esse fato, contado em detalhes pela criança-vítima mais de um ano após o ocorrido, seria muito fácil de comprovar, mas a “investigação” procurou apenas testemunhas que não se lembraram de absolutamente nada! O relatório conclui que “se ocorreu varrição de pátio por alunos, a mando da diretora, isto se deu num fato isolado, em um momento de tensão e conflito”.

Já esperávamos esse resultado e por isso convidamos para a reunião na COGSP uma professora e uma mãe da EE Eugênio dos Santos, que também foi alvo de sérias denúncias a partir de 2004. Fizemos isto para refrescar a memória da COGSP e para mostrar que estávamos vendo o “mesmo filme”.
Os pais da EE Eugênio dos Santos chamaram a mídia diversas vezes para denunciar os maus tratos e abusos sofridos por seus filhos na escola, mas, pasmem! Mesmo com os fatos claramente documentados em diversos jornais e na TV (assista os vídeos aqui http://br.youtube.com/watch?v=wvECCnx0wK0), a “Averiguação Preliminar” resultou na desqualificação dos pais denunciantes e no “indiciamento” administrativo da única professora que teve coragem de apoiar as denúncias. Os pais tiveram que mudar seus filhos de escola, devido às perseguições e represálias que cansaaaaaaaaaamos de denunciar e, no período de um ano, a professora acabou sendo readaptada, devido a laudos psiquiátricos que porém não demonstraram qualquer desequilíbrio, apenas “questões administrativas”. Você já imaginou um laudo psiquiátrico baseado em “questões administrativas”??? rsrsrs...
Já o processo administrativo contra a diretora da EE David, que permitiu e cometeu os maiores abusos, dura três anos e não dá mostra de se resolver.

Fica assim claro que, se a COGSP aceitar o relatório da Averiguação Preliminar da EE Lucas, mais uma vez as vítimas serão massacradas, exatamente como ocorreu na EE David, uma escola onde se praticam castigos cruéis como o “paredão pedagógico”, a proibição de ir ao banheiro, a omissão de socorro, etc.

Por isto pedimos à coordenação da COGSP o afastamento da direção da EE Lucas, para que seja possível realizar uma investigação séria e isenta, desta vez pela própria SEE, órgão superior à COGSP. Nossa primeira reivindicação foi de contratar uma empresa de auditoria independente, mas tivemos a resposta de que existem empecilhos legais. Pois bem: se os impedimentos são de natureza legal, exigimos então que as investigações sejam feitas rigorosamente dentro do que determina a Lei acima citada.

No caso específico da EE Lucas, alguns tópicos parecem ter sido incluídos na “investigação” para desviar a atenção de assuntos muito mais graves. É o caso do crachá amarelo, azul ou cor de rosa para controle do fluxo de alunos no uso dos banheiros, questão irrelevante quando comparada àquela das repetidas suspensões de que a escola lança mão para “manter a disciplina”.
Os alunos levam constantes suspensões, mas elas não são registradas pela escola e portanto constam como inexistentes. Nem mesmo a suspensão coletiva de uma semana, dada aos alunos do 3º B no mês de abril, como “punição” por incêndio ocorrido na sala de vídeo da escola, foi sequer registrada, embora seja facílima de apurar, em uma simples conversa com os alunos da classe! Ao perceber que, em nenhum momento, o relatório da Averiguação Preliminar tocou no assunto do incêndio da sala de vídeo nem da suspensão dos alunos, buscamos maiores informações e apuramos que o incidente foi grave, aliás, após a suspensão coletiva de uma semana do 3º B, um aluno foi afastado da escola, cujo nome será devidamente relatado à COGSP. Outro aluno, que teve sua rematrícula negada, também nos informou o nome, que também será informado à COGSP. Aliás, a seríssima questão da expulsão de alunos da escola, mencionada durante a reunião de 10 de junho na própria escola, não foi alvo da averiguação.

Outro assunto menos relevante foi a não abertura da festa junina da escola ao público. Na verdade, a mãe que abordou o assunto informou que, no dia em que questionou o motivo da realização interna da festa na direção, foi distratada e chamada de “desocupada”. O próprio coordenador da COGSP estava presente na escola quando essa mãe se queixou dessa forma de tratamento por parte da vice-diretora da escola, no entanto esse “detalhe” não foi abordado na “investigação”. Aliás, em seu depoimento formal, essa mãe afirma que a vice-diretora grita com todos na escola, “que quem tem voz ativa na escola é a vice, que grita com a diretora”. No entanto, o item g) do relatório, Falta de urbanidade por parte da Direção, conclui que “em nenhum momento, em todas as falas de alunos e professores, encontra-se (sic) indícios desta irregularidade”.

A conclusão mais grave da averiguação realizada é a de que “pessoas da comunidade eram procuradas para assinarem documentos denegrindo a escola”. Chegaram às nossas mãos alguns tímidos abaixo-assinados pedindo o afastamento da direção da escola, que encaminhamos imediatamente à SEE. Esses documentos, com poucas assinaturas, eram manuscritos e elaborados por pessoas simples que se esforçaram para expressar sua indignação de forma clara e ainda pediram sigilo, por receio das represálias que seus filhos poderiam sofrer. Quando porém tivemos oportunidade de folhear todo o processo na COGSP, deparamos com um abaixo-assinado a favor da direção da escola, muito bem redigido e elaborado em papel almaço pautado, contendo a assinatura de mais de cem pessoas da comunidade, além de diversos professores e alunos da escola. Pedimos que esse documento fosse investigado, pois soubemos que muitas pessoas foram induzidas a assinar, com o argumento de que as denúncias levariam ao fechamento da escola. Leia aqui http://educaforum.blogspot.com/2008/07/escola-vai-fechar-voc-j-caiu-nessa.html. No entanto, a averiguação nem menciona esse documento, limitando-se a insinuar o movimento contrário.

Mas a maior “pérola” dessa investigação se refere ao aluno que motivou o início das denúncias, tendo sido agredido e perseguido dentro da escola. Esse garoto, calmo, mas com tendência a não se dobrar frente a provocações, costuma ficar quieto dentro da sala de aula, ouvindo música com fone de ouvido, o que aparentemente não atrapalha sua concentração, tratando-se de aluno com média 7, dentro de uma escola cujo IDESP é 0,67... No entanto, o relatório sugere “sejam tomadas providências quanto aos procedimentos irregulares do aluno, que interferem na qualidade do ensino ofertado”. Quem interfere no quê???...

Se tivéssemos que comentar cada frase desse relatório, repleto de expressões tragicômicas como “avalanche e onda de denuncismo” ou “cooptação de alunos problemáticos para insuflá-los a encaminhar denúncias”, perderíamos um precioso tempo. Por este motivo, limitamo-nos a pedir uma averiguação mais séria.

Soubemos também que a Comissão de Educação da Assembléia Legislativa resolveu tomar as dores da direção da escola. Provavelmente os nobres deputados também receberam um abaixo-assinado bonitinho e arrumadinho a favor da direção, “insuflando” pessoas da comunidade contra outras pessoas da própria comunidade, com o argumento de que a escola será fechada devido ás denúncias. Muito nos admira que os deputados da Comissão, sabidamente membros de partidos diferentes, ainda caiam nesse velho conto “da carochinha”. Está em nossa pauta também uma visita aos nobres deputados da Comissão de Educação!

04 outubro 2008

Escola sorriso


Uma delícia, os blogs que a professora Maria Elvira, do Rio de Janeiro, desenvolveu com e para seus alunos. São iniciativas como essa que nos fazem continuar nesta luta inglória. Se por um lado o sistema educacional brasileiro é perverso e injusto, contaminado por profissionais autoritários, corruptos e incompetentes em todos os níveis, a atuação isolada de alguns educadores que conseguem enxergar, valorizar e fazer desabrochar a inteligência e a sensibilidade de seus alunos nos comove e incentiva. Parabéns, professora Elvira, por nos mostrar essa escola sorriso que gostaríamos de encontrar a cada esquina. E parabéns aos seus alunos, pela criatividade e empenho!

01 outubro 2008

Escola quartel / Escola prisão




Muito interessante, o blog do nosso novo amigo professor Alexandre http://nossagora.blogspot.com/. Vale uma visita e vamos lincar, sim.