26 abril 2009

Nosso trabalho não tem preço!


Sem nada de bom a comemorar, resolvemos publicar novamente uma mensagem que postamos
na Páscoa passada, pois responde a questionamentos que nos são feitos diariamente por muitas pessoas que acompanham este blog.

Alguns “anônimos” estão batendo na tecla “de onde vêm os recursos para o nosso trabalho”.

É impressionante a pobreza mental de quem pensa que todo trabalho só tem utilidade se for remunerado em $$$, ou seja, que TODOS SE VENDEM POR DINHEIRO.

Existe também uma vertente que valoriza o trabalho voluntário somente se der “status”, como, por exemplo, participar da comissão de direitos humanos da OAB, da qual me desliguei porque se resumia em fazer lanchinhos, para depois boicotar propostas sérias como responsabilizar o poder público se uma criança é obrigada a andar 3 km para frequentar a escola.

Uma outra vertente gosta do trabalho voluntário lançado pela mídia, como por exemplo o projeto Amigos da Escola, que só serve para alimentar a malemolência do nosso poder público e apaziguar algumas consciências semi adormecidas.

Certas pessoas não conseguem acreditar que alguém possa manter um site ou um blog, que possa subir morro para visitar famílias ou se deslocar para órgãos públicos... de graça.

Então esclarecemos:

Nosso trabalho não está à venda porque... não tem preço!

A humilhação, exclusão e expulsão das nossas crianças e adolescentes da escola, isso sim, tem para nós um custo imenso.

Qual o valor de reintegrar uma criança expulsa da escola?
Qual o valor de conseguir a rematrícula de um aluno?
Qual o valor de garantir a uma criança vaga em escola próxima à sua residência?
Qual o valor de afastar da escola uma diretora autoritária ou corrupta?

Nada disso tem preço, porque se trata do direito líquido e certo à educação, garantido na Constituição.

Para finalizar, uma mensagem que recebemos mês passado e havíamos decidido não publicar, mas que agora pode esclarecer melhor nosso relacionamento com as pessoas que procuramos auxiliar:

Eu gostaria de deixar aqui expresso o meu agradecimento para o EducaFórum que com sua atenção conseguiu que minha filha não perdesse um ano letivo que é tão importante. Pessoas como vocês acima de tudo tem esforço pois são voluntárias e conseguiram resolver o meu problema que quem realmente tinha o "poder" não fez,seja lá por qual motivo. Vocês sendo voluntárias conseguiram sanar o meu problema, enquanto quem deveria me auxiliar me mandava de um lugar para outro sem nenhuma solução. Mais uma vez obrigada, é de pessoas como vocês que nosso país precisa. A funcionária da escola me questionou se a minha filha realmente estava matriculada, não acreditando que vocês tinham conseguido a vaga, pois eu já havia ido tantas vezes nessa escola que elas já me conheciam. Parábens a vocês pelo seu empenho e dedicação.

Vanderléia

19 abril 2009

São Paulo - O Brasil morreu!


Dando continuidade à nova série O Brasil morreu!, que mostra o falecimento moral da rede pública de ensino através do autoritarismo e da corrupção, segue o relato de uma aluna da rede estadual de São Paulo. Essa aluna é séria candidata à expulsão da escola, por esse motivo preservamos seu nome, o que fizemos inclusive em documento oficial enviado hoje à COGSP, porque não confiamos em certos assessores da SEE, que costumam armar "tramóias" para prejudicar os pais, alunos e professores que encaminham suas denúncias através do EducaFórum... (Dá para perceber a gravidade da situação???)

Segue a mensagem da garota, aluna do 3º ano do Ensino Médio. Além da inteligência, chama atenção a qualidade e a clareza de sua redação, superior à de muitos professores anônimos que comentam neste blog...

Governador José Serra, essa aluna lembrou direitinho sua determinação de proibir a cobrança de carteirinhas, uniformes e outras taxas ilegais. A UDEMO também deve lembrar essa determinação, mas bastou V.Exa. afrouxar a controle para tudo voltar ao que era, como demonstra o depoimento da aluna.

Ou será que a UDEMO já conseguiu convencer também V.Exa.???...
Governador, mais uma perguntinha: se V.Exa. vai continuar compactuando com essa situação na maioria das escolas da rede, que tal as escolas fornecerem NOTA FISCAL PAULISTA na compra do uniforme, certo ou errado???...

Sou aluna do 3º ano do ensino médio na EE Prof. Caran Apparecido Gonçalves, em São Paulo.
Quando surgiu aquela reportagem na tv, onde um aluno denunciava a escola por ter cobrado "R$ 1,00 pela prova", foi decidido que nenhuma escola pública podia cobrar por nada, e isto incluia o uniforme, certo? E caso fosse cobrado, não poderiam obrigar os alunos a utilizá-lo. Minha escola aderiu a isto e não foi mais "exigido" o uso do uniforme, apenas incentivavam os alunos a usarem, porém, na semana retrasada, as inspetoras começaram a passar nas salas e avisar que a partir da semana seguinte não entrariam mais alunos sem a camiseta do uniforme.

Na semana seguinte, passaram nas salas novamente, anotando os nomes dos alunos que estavam sem uniforme. Fui até à diretoria para me informar, ciente da lei que proibia que uma escola obrigasse o uso do uniforme. Falei com uma das diretoras, que usou como argumento a opinião da Udemo sobre o assunto, que está no link http://www.udemo.org.br/Destaque_182.htm.

Gostaria de saber se, realmente, os argumentos da Udemo estão corretos e a escola pode sim obrigar seus alunos a utilizar o uniforme. Ou ainda prevalece a lei que proibe que a escola exija o uniforme, caso não forneça gratuitamente o mesmo?

Minas Gerais - O Brasil morreu!


Iniciamos ontem a nova série O Brasil morreu!, relatando o triunfo do esquema de corrupção na rede pública de ensino de Araraquara. Hoje damos continuidade com o depoimento da professora mineira Fernanda Rodrigues de Figueiredo, enviado à professora Glória Reis, de Leopoldina, MG, autora do livro Escola, instituição da tortura, já bastante divulgado neste blog. O Brasil morre a cada dia, em cada cidade e escola onde o aluno é tratado com descaso, indiferença ou crueldade. Resta o consolo de que, neste espaço aberto à informação e ao debate, o crime fica registrado. Há vinte anos repetimos que faltam historiadores e sociólogos para explicar a perversidade do sistema educacional brasileiro. Não faz mal: o dia que aparecer algum, encontrará farto material neste blog.

Recebi, hoje, o livro Escola, instituição da tortura, de Maria da Glória Costa Reis. Já o li, devorei-o com toda angústia do meu espírito de educadora, com toda a dor que aprendi a sentir desde que ingressei no serviço público.

Este livro deveria circular em todas as universidades e cursos de formação de profissionais da educação, faculdades de direito, nos conselhos tutelares e nas instituições que cuidam de menores. Todos deveriam ler e saber dessas palavras ditas assim a queima roupa. Um choque. Um choque necessário. Mas um choque obrigatório. Meu Deus! Como pode haver tanto sofrimento por tanto tempo. Meu Deus! Quando políticos, autoridades, mídia e sociedade enxergarão que aí está a raiz de todos os NOSSOS problemas com a violência? Por que ninguém fala disso? Estão todos surdos e mudos? Estão cegos?

As crianças e os bons educadores pedem socorro. SOCORRO! PIEDADE! Vamos morrer todos neste mar de ignorância, autoritarismo e mediocridade que se tornou a educação. Os casos de humilhação, bullying, assédio moral, perseguições, torturas físicas. Na mídia, as vítimas são os professores, sempre os pobres professores. Na prática não é assim. No dia-a-dia, o que vemos são colegas desestimulados, azedos, sem compromisso com a educação, com a profissão, seja por comodismo, seja por desilusão.

Enquanto eu lutava para melhorar a auto-estima de meus alunos, a direção, a supervisora e alguns professores tentavam destruir com suas críticas e ações autoritárias. Fiz denúncias contra a supervisora da escola, pois ela estava agredindo os alunos (física e psicologicamente). Dentre os absurdos que a tal supervisora praticava, temos a discriminação (a filhos de pais separados e alunos com dificuldades de aprendizagem), e o hábito de chamar a patrulha escolar para levar as crianças em casa, como se fossem criminosos, por qualquer indisciplina ou mesmo uma briga entre coleguinhas, além de, ao chamar a atenção, pegar as crianças pelos bracinhos e jogá-las violentamente.

Poucos pais tiveram coragem de registrar queixa no Conselho Tutelar, pois são coagidos pela dirigente da escola, ameaçados de perderem a vaga na escola ou serem seus filhos perseguidos numa tormenta diária incessante. Tinha testemunhas e provas e a Secretaria de Educação nem quis ver, aceitaram a versão da diretora, que desmentiu tudo. Foi a segunda vez que denunciei irregularidades em escolas, pois há dois anos denunciei outra escola por reprovar alunos sem recuperação (prática comum nas escolas por onde passei).

Não houve investigação dos casos, nada foi feito.
Para abafar a situação, a SEE-MG me transferiu de escola. As crianças continuam sofrendo maus tratos e com a certeza da impunidade as autoras destes atos continuam cada vez mais violentas. Será preciso que aconteça uma fatalidade para que alguém tome providências? Quantos ainda terão que sofrer, quanta violência terá que consumir o país?

E pensando nas palavras de Bertold Brecht, me arrisco mais uma vez:

Primeiro eles maltratam os alunos, mas como não se trata dos meus filhos, eu não me importo.
Depois violentam a democracia, mas como não sou assim tão democrata, fecho os olhos.
Em seguida dizimam os bons educadores, mas como sou só um professor mal remunerado, finjo não saber de nada.
Até que um dia toda a sociedade é atingida por uma espessa escuridão de ignorância intransponível.
E como não reagi antes, já não posso operar mudança alguma.

A Prof.ª Fernanda Rodrigues de Figueiredo é mestre em Literatura Brasileira e educadora da rede pública estadual de ensino de Minas Gerais

18 abril 2009

Araraquara - O Brasil morreu!


Já virou lugar comum que no Brasil as maiores falcatruas acabam em pizza, como confirmou o jurista Hélio Bicudo, que saiu do PT por causa do "escândalo" do mensalão e revelou todos os segredos que garantem a impunidade dos maiores criminosos do país. Coloquei "escândalo" entre aspas, pois tudo se resume a um jogo de aparências em que as autoridades fingem que investigam e a mídia finge que dá cobertura, quando na verdade não existe jornalismo realmente investigativo no Brasil. Mesmo assim, os grandes escândalos políticos e corporativos não deixam de ser comentados nas esquinas, nos táxis e nos bares, muitas vezes em tom de brincadeira. Como se brinca com assuntos sérios neste país! Assim nasceram expressões como "jeitinho brasileiro", "malufar", "tirar vantagem em tudo"...

O único assunto realmente TABU neste país é o descalabro da educação, em que milhões de crianças e adolescentes são tolhidos em seu direito líquido e certo a uma educação básica no mínimo decente. Não bastando a indiferença e a malemolência da maioria dos profissionais da educação, que tentam se livrar dos alunos "difíceis" (cujos pais ousam fazer críticas) expulsando-os da escola, as polpudas verbas do ensino são manipuladas e desviadas a bel prazer, sem que a mídia se preocupe em dar qualquer notícia.

O cúmulo do absurdo, o absolutamente inconcebível e paradoxalmente real, é a existência de esquemas de desvio das verbas de APM por diretores de escolas públicas, orquestrados por dirigentes e supervisores de ensino que "resolvem" seus problemas financeiros ou até mesmo enriquecem às custas da simplicidade de pais de alunos que se esforçam para "doar" 3, 5 ou 10 reais por mês para a escola, acreditando piamente que esse dinheiro vai ser útil para que os filhos tenham um mínimo de conforto a mais. Mas não: muitas vezes esse dinheiro vai para o bolso de profissionais da "educação" que aparecem, do dia para a noite, com carro importado, casa com piscina e outros bens inexplicáveis.

Mais uma vez, este blog PENTELHO e POLÊMICO chama a atenção para a existência desses ESQUEMAS e, principalmente, para o fato de NINGUÉM, NO BRASIL, se preocupar em desvendar fatos tão graves que prejudicam O ÚNICO FATOR QUE PODE REALMENTE TIRAR O PAÍS DO MARASMO: a educação de crianças e jovens.

Em nenhuma esquina, nenhuma roda de intelectuais, nenhuma redação de jornal, nenhum bar, se discute a manipulação e o desvio das verbas do ensino, nem ao menos em tom de brincadeira!!! Não se fala na "malufagem das verbas da APM", no "jeitinho" do diretor de escola que escolhe a dedo os pais de alunos mais ingênuos para que assinem cheques em branco, não se fala na venda de uniformes dentro das escolas, negócio ilegal milionário em que diretores e seus cúmplices enriquecem sem precisar dar nota fiscal! E essas VENDAS ILEGAIS - de uniformes, carteirinhas e até picolés - OCORREM NA MAIORIA DAS ESCOLAS DO PAÍS.

Afinal, porque este blog bate tanto na tecla da corrupção na educação, esse assunto CHATÉRRIMO e ABORRECIDO? Simples: POR QUE NINGUÉM, a NÃO SER NÓS - EducaFórum, Blog da Cremilda, Coep, PaisOnline, Blog da Glória - tem coragem de colocar o dedo nessa ferida. Uma ferida que está GANGRENANDO o país, mas está mantida sob milhões de quilômetros de panos quentes, pois, se desvendada, poderá mostrar a omissão e a conivência de milhares e milhares de profissionais da educação tidos como "abnegados", "sofredores" ou "inocentes". E sabemos que em toda boa família das classes A e B existem diretores, professores e supervisores de escola, assessores e dirigentes de ensino que têm todo interesse em ABAFAR escândalos e esquemas da educação!

Hoje a nossa amargura está ainda maior: acabamos de saber que o ESQUEMA DE DESVIO DE VERBAS DA APM EM ARARAQUARA, que já dura dez anos e prejudicou milhares de alunos da rede estadual, acabou em pizza, com a absolvição da ex-dirigente de ensino Sandra Rossato, através da influência de políticos regionais que procuramos em seus gabinetes, mas não nos atenderam.

Podemos assim falar com todas as letras: o Brasil acabou de agonizar! O descaso geral por um assunto tão sério como o enriquecimento de profissionais da "educação" às custas de alunos que às vezes não podem comprar um tênis para frequentar a escola, é de doer na alma! Apenas na nossa, pois não vemos mais ninguém preocupado com isso...

De uma vez por todas, vamos dar nome aos "bois", os profissionais de mídia que têm sido constantemente informados pelo EducaFórum sobre o esquema de Araraquara e até hoje se fingem de mortos: melhor, agora finalmente morreram, junto com o Brasil e a absolvição de criminosos que vão continuar lesando os alunos da rede pública de ensino, após a "legalização" do roubo de verbas da APM nas escolas do país.

Os mais influentes desses profissionais da mídia, que sempre receberam nossos informes sobre irregularidades na educação, são Gilberto Dimenstein, Gustavo Ioschpe, Chico Pinheiro e Bettina Monteiro. A partir de agora, eles não receberão mais nossos informes, pois viraram oficialmente "cadáveres".

Leia toda a série O Esquema:

17 abril 2009

Mensagem da professora Regina Milone


Em primeiro lugar, quero agradecer muito a Giulia por ter postado meu texto aqui. Peço desculpas por alguma redundância ou erro que me tenha escapado, pois escrevi no calor da emoção - tinha acabado de assistir ao filme - e praticamente não revisei o texto. Minha intenção foi refletir e compartilhar essa reflexão com todos que se interessassem, de alguma forma, pelo assunto.
Em segundo lugar, queria dizer que estou muito triste pelo fato de vários "anônimos" aproveitarem este espaço pra continuar com as ofensas e com a guerrinha ridícula e covarde (quem nem mesmo se identifica é COVARDE sim!!!) que usam há tempos contra as criadoras deste blog. É um baixo nível que deixa qualquer um, que tenha um mínimo de educação e sensibilidade, chocado! Gostaria muito que debatêssemos o filme, seus pontos em comum e suas diferenças em relação à nossa realidade, entre outras coisas. Sou atuante nas minhas profissões, idealista e batalhadora, mas jamais corporativista, pois isso só serve pra cegar pessoas e classes profissionais, na minha opinião. Lutar pela melhoria de uma classe trabalhadora mas sem auto-crítica é algo que não me interessa nem um pouco! É injusto e neurótico demais!! Aliás, citei essa falta de auto-crítica no meu texto, pois mesmo sendo educadora, não vou tapar o sol com a peneira e achar que os professores são todos ótimos e verdadeiramente comprometidos com a profissão, porque simplesmente ISSO NÃO É VERDADE! Gostaria muito que trocássemos IDÉIAS, CONHECIMENTOS E EXPERIÊNCIAS, e não ofensas!

Quanto ao anônimo que escreveu sobre a educação antiga, exaltando-a e a todo tipo de violência que vinha com ela (autoritarismo, ameaças, castigos, humilhações, agressões, etc.), só posso lamentar a tremenda ignorância, o que é no mínimo preocupante em alguém que exerce uma profissão de tamanha responsabilidade quanto é a de educador. Dói ler/ouvir absurdos como esses em pleno ano de 2009!!!!! Tem gente que não aprende nunca, até porque acha que já sabe tudo, tema aliás que também abordei no meu texto...

Mais uma vez, obrigada Giulia pela oportunidade de me expressar aqui, na busca de diálogo e reflexões...

11 abril 2009

Um presente de Páscoa!


Se Páscoa é tempo de renovação - embora todos os dias sejam oportunidades de renovação - o texto abaixo veio como um presente oportuno. Regina Milone, uma das professoras sérias e dignas que frequentam este blog, se encantou com o filme Entre os muros da escola e resolveu colocar suas impressões no papel. Colocações muito interessantes! O texto seria perfeito, se a realidade do ensino público fosse ao menos parecida, na França e no Brasil. Não estou falando aqui de política ou de conteúdos curriculares, mas de algo "imponderável" que impede à escola pública brasileira dar o salto de qualidade necessário: o desprezo pelo aluno em todos os níveis da sociedade formadora de opinião.

Esse desprezo permite que o aluno da rede pública brasileira tenha em média 25% de aulas vagas, que seu professor demore até 20 minutos para entrar na sala de aula após o sinal, que esse aluno não seja socorrido dentro da escola nem possa ligar para a mãe pedindo ajuda, como ocorreu com o garoto que quebrou os pulsos aqui em São Paulo e a família não conseguiu advogado para processar a escola, nem mesmo após apelo nacional feito através da revista Veja.

Aluno brasileiro da rede pública não dispõe de sabonete para lavar as mãos, os banheiros são imundos e sem portas. Aluno brasileiro não é orientado para fazer pesquisa, pois 90% das escolas têm suas bibliotecas fechadas e mesmo assim o governo continua enviando milhões de livros para as "bibliotecas" das escolas públicas...

Esse mesmo desprezo permite que grupos de alunos sejam impedidos de entrar na escola por falta de uniforme e de repente venham a se afogar na represa, como ocorreu em São Paulo e a sociedade não se comoveu, porque eram crianças pobres, quem sabe, marginais em potencial...

Esse desprezo permite que alunos sejam expulsos a rodo por qualquer motivo, que lhes seja negada a frequencia na escola próxima à sua residência, pois existe um tráfico de vagas que a ninguém interessa investigar.

Graças a esse desprezo, a polícia militar é chamada imediatamente para "socorrer", por exemplo, uma professora ofendida verbalmente por um aluno e resolve espancar três que estavam passando por lá. O caso ocorreu no Paraná e só veio a público porque a polícia errou o alvo. Mesmo assim, ninguém se comoveu com o fato...

Esse desprezo permite que nossa mídia, omissa e covarde, corra aos apelos dos poderosos sindicatos da classe "docente" quando um aluno torce um cabelo a um professor, sem se preocupar em ouvir o outro lado. Hipocritamente, a imprensa brasileira gasta rios de tinta para falar de "educação" em época de eleição, mas nunca se dá ao trabalho, como já sugerimos inúmeras vezes, de checar com seus funcionários menos graduados como funciona a escola onde seus filhos estudam. Simplesmente porque não interessa. A prova é que um filme estrangeiro e premiado sobre a escola é sucesso de público e crítica, enquanto um filme nacional tão bom e muito mais oportuno do que esse passou quase despercebido, sem despertar qualquer discussão renovadora na sociedade brasileira.

Essa mesma mídia sabe que existe, em Araraquara, uma das cidades mais ricas do país, um poderoso esquema de corrupção que há dez anos desvia milhões de verbas do ensino e das APMs para os bolsos de dirigentes, supervisores e diretores de escola. Trata-se de um enorme "escândalo"... restrito à mídia local, pois não interessa a São Paulo ou ao Brasil que o ensino público avance e os filhos da população mais humilde venham a ser melhor alfabetizados. Coisas... do Brasil.

Mas, como somos MUITO teimosos e acreditamos em mudanças, lá vai o texto da professora Regina, na esperança de que possa provocar um bom e saudável debate.
Boa Páscoa para todos!


Não deixem de ver o filme "ENTRE OS MUROS DA ESCOLA", ganhador da Palma de Ouro em Cannes. É um filme francês, que mostra a realidade das salas de aula em escolas públicas e a relação professor-aluno, nas séries equivalentes ao 6º até 9ºanos do Ensino Fundamental daqui e Ensino Médio (garotada de 13, 14, 15 anos de idade). Acabei de assistir (baixei da internet) e valeu muito a pena. Em muitos pontos, aquela realidade é idêntica à nossa.

Me permitam analisar um pouco:
- As escolas públicas francesas estão recebendo uma diversidade de alunos e culturas - imigrantes de vários países - e estão encontrando muitas dificuldades em lidar com isso, assim como encontramos aqui, onde a existência de vários "brasis", também com diferentes culturas, hábitos e costumes se faz presente, principalmente no ensino público; aqui também ainda estamos lutando pra aprender a lidar com isso e nos comunicarmos de forma efetiva;
- Os adolescentes mostrados no filme encontram-se bastante descrentes da importância da escola e do estudo, só se mostram motivados na hora do recreio e dos esportes, estão cada dia mais irônicos e agressivos com os colegas e com os professores, estão debochados, desrespeitosos e indisciplinados, já que aquilo tudo parece não fazer o menor sentido pra eles, além de sentirem-se perseguidos pelos professores e pela escola em muitos momentos, não sentindo-se compreendidos e amparados por eles;
- Os professores também sentem-se desmotivados, pois dar aula para turmas onde apenas um ou dois estão interessados é super frustrante, o que os faz tentar vários recursos e dinâmicas, nem sempre bem sucedidas, para tentar mudar esse quadro, procurando cativar os alunos de alguma forma e, muitas vezes, perdendo a paciência - o que é super humano - nesse processo que parece estar andando pouco ou quase nada;
- Os diretores e coordenadores (no nosso caso, orientadores também) buscam ouvir todos os lados e "costurar" essas relações, aplicam normas, impõem limites, organizam reuniões e acabam passando boa parte do tempo tendo que cuidar de casos de indisciplina e de organização da escola, incluindo aí a estrutura física da escola, entre outras coisas;
- Os "Conselhos de Disciplina" de lá julgam e acabam sempre expulsando alunos considerados "difíceis", após suspensões e outras punições, o que também acontece aqui, nas reuniões de professores e equipe diretiva, mesmo sendo proibido por lei e mesmo sabendo-se que, dessa forma, é muito mais provável que aconteça a evasão escolar ou a entrada desses adolescentes na marginalidade ao invés de funcionar como uma "lição" que os faça melhorar de alguma forma;
- Os pais desses alunos são pessoas simples, pobres, em geral de vida sofrida e que, lá na França, nem mesmo falam a língua do país, muitas vezes, o que corresponde aqui à dificuldade que encontramos em nos comunicar com os responsáveis por nossas crianças e adolescentes também, pois parece nitidamente, na prática, que também são duas (ou mais) línguas diferentes se encontrando e, aqui como lá, sabemos que chamar os pais para conversarmos pode levar os alunos a serem surrados, castigados e humilhados em casa depois, muitas vezes.
Enfim...

Nada muito diferente da nossa realidade não!
A busca do professor no filme é louvável. Ele usa a inteligência, a criatividade, é democrático, mas não consegue despertar o interesse dos alunos, na maior parte do tempo, como também acontece aqui. E olha que ele tenta muito fazer com que os alunos participem, falem do que gostam, sejam dinâmicos, mas eles estão mais é querendo que a aula acabe logo e que as férias cheguem logo também. E, infelizmente, isso é o que grande parte dos profissionais das escolas daqui (não só os professores) também acabam querendo... Até mesmo como reação ao estresse e desgaste do dia a dia, pois ser professor, na realidade atual, não está mole pra ninguém!
No entanto vemos, no final do filme, que nos momentos de descontração - jogo de futebol -, os alunos e os profissionais da escola se integram, interagem e fazem do estar na escola algo muito prazeroso. Isso também acontece aqui. Mas, mesmo assim, insiste-se em se manter principalmente aulas expositivas em todas as matérias, aquele modelo antigo do "cuspe e giz", o que é justamente o contrário desse dinamismo necessário e super presente, tanto na criança quanto no adolescente. A escola, nesse ponto, violenta a própria natureza curiosa e criativa dos alunos, até que não reste nada dessa natureza ali, dentro dos "muros da escola"...
Os adolescentes vão sempre questionar a autoridade (de forma crítica ou não; consciente ou não; debochada ou não), vão preferir estar com os amigos do que com os adultos, vão estar super ligados em sexo, terão sempre linguagem própria (incluindo gírias, palavrões..) entre eles, pois tudo isso FAZ PARTE DA ADOLESCÊNCIA. É normal. Não podemos reagir a isso como se fôssemos tão adolescentes quanto eles! Mas no dia a dia das salas de aula lotadas é bem difícil...
Os alunos precisam de limites? Claro que sim!!! Mas não adianta a escola ser democrática no discurso e manter práticas tradicionais, conservadoras, voltadas para a pura e simples obediência. Isso só vai continuar cultivando a rebeldia dos alunos! Nunca ajudaremos a formar cidadãos com o mínimo de autonomia, espírito crítico, iniciativa e criatividade assim! E, sem essas características minimamente desenvolvidas, como poderão se virar bem nesse mundo louco que nós, adultos, estamos entregando pra eles??? De alguma forma, vejo que eles percebem isso intuitivamente e reagem assim, na defensiva, mostrando que esse não é o mundo que querem.

Ao mesmo tempo, em uma sociedade cada dia mais individualista e consumista como a nossa, com diferença de classes sócio-econômicas gritantes, fica complicado desenvolvermos outros valores junto ao aluno, já que o próprio ser humano tem sido cada vez mais tratado como algo descartável, numa sociedade em que o maior valor é realmente o dinheiro e o status, o poder e o prestígio que ele pode comprar, o que os jovens veem muito bem. Aí chegamos pra eles e falamos da importância do estudo e eles não entendem, não acreditam e só se interessam se for pra ganhar dinheiro de forma fácil e rápida, já que o imediatismo também impera.
É tudo fruto do capitalismo? Acho que só em parte. É fruto também das nossas contradições e do enorme desconhecimento que o homem ainda tem sobre o seu próprio funcionamento interno (emocional, psíquico, inconsciente...), o que o faz eleger inimigos sempre fora de si e permanecer em luta apenas contra estes, muitas vezes acabando por ser totalmente incoerente no que diz respeito ao que defende, repetindo e fortalecendo, sem perceber, a falsa dicotomia "teoria X prática", "razão X emoção", entre outras. Isso acontece frequentemente como, por exemplo, quando alguém defende a democracia e a justiça social e age de forma absolutamente intolerante e autoritária, sem conseguir ouvir ou respeitar quem pense diferente dele ou avalie as coisas de outra maneira. Sem dúvida é muito mais fácil seguir normas rígidas, ser autoritário, manipular (mesmo justificando pra si mesmo que é com a melhor das intenções...), julgar, rotular do que aprender a lidar com as diferenças, cooperar, trocar, estar aberto pra aprender sempre, fazer constantemente uma auto-crítica honesta, etc.

E outra coisa importante: o conhecimento é algo DINÂMICO, em constante renovação, fruto de novas descobertas, mas, no entanto, a escola ainda é tão arcaica que funciona na direção oposta a isso, apresentando conteúdos de forma estanque e cristalizada, sem interrelacioná-los e repelindo qualquer conhecimento novo que chegue a ela e que coloque em cheque alguns de seus paradigmas e vícios. Já senti isso na pele várias vezes (as contribuições do pedagogo na escola costumam ser repelidas e vistas como "teóricas demais", muitas vezes, pois dizem que ele "não está dentro da sala de aula pra saber das coisas", no que esquecem que TODO PEDAGOGO É PROFESSOR TAMBÉM e já deu aula)! Afinal, ainda valoriza-se mais os anos de experiência prática (mesmo que com pouco ou nenhum estudo) e o senso comum do que o que tem sido descoberto e avaliado por pesquisadores seríssimos, no mundo todo. A escola não valoriza a pesquisa, recebendo-a sempre como "algo puramente teórico que não tem nada a ver com a realidade prática da escola". Mas as pesquisas são feitas em cima de observação de práticas também! Uma coisa não está separada da outra! E muitas são feitas por professores, inclusive! E como a escola quer que o aluno valorize o estudo e o conhecimento adquirido pela humanidade ao longo dos tempos se ela é a primeira a criticar, debochar e rejeitar os novos conhecimentos e descobertas??? É absurdamente INCOERENTE!! Como cativar os alunos assim, se eles veem que grande parte dos "educadores" não lê, não gosta de estudar, não se atualiza, não se renova...??? Assim fica impossível!!! É uma dupla mensagem o tempo todo: "façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço"! "Estudem, mas quando alguém chegar pra vocês com idéias novas, digam que vocês é que sabem das coisas por causa dos seus "anos de experiência" nisso ou naquilo". "Desconfie do conhecimento sempre", é o que passamos pra eles, o que é muito diferente do que devíamos passar, que é: tenham sempre espírito crítico diante do que receberem sim, mas saibam ouvir, refletir e pesquisar antes de julgar alguma idéia, pessoa ou prática, pois a maior sabedoria é se manter aberto a novas aprendizagens na vida a cada momento, questionando, buscando e desenvolvendo saberes, ao invés de ficar na posição rígida e defensiva de negação e rejeição (Freud explica!).

O medo do novo é um dos maiores do ser humano e isso deveria ser ensinado na escola. O medo do "diferente" geralmente vem da ignorância que leva aos preconceitos, à intolerância e, no final, à todo tipo de conflitos, confrontos e guerras. Ensinar - e primeiro o educador precisa aprender mais sobre isso! - sobre como funciona o ser humano, em termos de comportamento e reações emocionais seria, sem dúvida, muito mais interessante e útil pra vida de nossos alunos, não acham???!!!!!

Regina Milone
Pedagoga, psicóloga e arteterapeuta. Atua em Psicologia Clínica (consultório) no Rio e como orientadora educacional em escola pública no município de Duque de Caxias, Baixada Fluminense.

02 abril 2009

Mensagem recebida


Muito obrigado, muito obrigado por tudo o que vocês fizeram por mim, eu nem sei o que fazer para agradecer todo esse carinho com o próximo, se eu pudesse expressar a minha gratidão publicamente faria isso, porque procurei todos os orgão de Osasco e não tive nem uma resposta na escola, delegacia de ensino, conselho tutelar, o que pude ver é que eles não passam de um grupo de panelinhas que so vêem seus interesses próprios e pouco se importando com a segurança e direito do cidadão, mas existem pessoas como vocês, pessoas maravilhosas que sem nos conhecer fazem a diferença não se importando com raça, condição financeira , mas sim com a pessoa .

Não posso escrever mais pois aqui no serviço eles são muitos rigidos. O que vocês precisarem de mim estou pra ajudar, o que vocês fizeram pom mim não tem preço. Se estiverem com algum problema, lembrem que eu sempre vou estar orando por vocês.

Que Deus abençoe muito a vida e familia de vocês. Paz.

01 abril 2009

Corregedoria já!

O Tertuliano teve a idéia e o Mauro brilhantemente criou a Corregedoria Estadual da Educação! Vejam como tudo seria fácil de executar: BASTA APENAS VONTADE POLÍTICA. Ou seja, tudo!...

Sr. Governador, vamos acordar? Chega de pagar bônus para profissionais relapsos e incompetentes. Chega de permitir a manipulação dos Conselhos de Escola e das APMs por diretores corruptos. Chega de abandonar milhões de crianças e adolescentes à própria sorte, sem futuro!

Deliciem-se com esse Decreto criado pelo nosso amigo Mauro, comemorando solenemente...
o 1º de Abril, único dia do ano em que não nos pesa brincar com a tragédia que é a educação no Brasil.

Governadoooooor! Aproveite a deixa: é di grátis!

Das Atribuições
Artigo 5º - A Corregedoria Geral da Educação - CORREGEDORIA tem as seguintes atribuições básicas, a serem exercidas em todo o território estadual:
I - promover, privativamente, a apuração das infrações penais e administrativas atribuídas a servidores e funcionários da Educação;
II - realizar visitas de inspeção e correições extraordinárias em qualquer unidade educacional, cientificado o Secretário de Educação;
III - apreciar as representações que lhe forem dirigidas relativamente à atuação irregular de professores, diretores e demais funcionários da Educação;
IV - promover investigação sobre o comportamento ético, social e funcional dos candidatos a cargos na Educação, bem como dos ocupantes de tais cargos em estágio probatório e dos indicados para o exercício de chefias e encarregaturas, observadas as normas legais e regulamentares aplicáveis;
V - avocar procedimentos de polícia judiciária, quando conveniente aos interesses da Administração Educacional".
(Decreto Estadual nº 55.171 de 1º de abril de 2009)