
28 Outubro 2009
Latas do lixo da educação

A educação no país é tão pobre que dá pra olhar com desconfiança qualquer alfarrábio ou apostila distribuída nas escolas. A sociedade anda completamente entorpecida e os cidadãos não se dão conta de que esses materiais pseudo-didáticos saem do seu próprio bolso... Por isso, mesmo que os tais alfarrábios não passem de papel de embrulho, ou até por isso mesmo, deveria haver uma cobrança ou reflexão sobre sua necessidade, utilização e/ou destruição.
Nesse sentido, é positiva a atitude da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que afastou a diretora da EE Eugênia Vilhena de Moraes, por ter jogado no lixo 1500 exemplares de material supostamente didático. A péssima notícia, porém, é que a diretora foi encostada na Diretoria de Ensino, conforme a Secretaria costuma fazer com os diretores e profissionais que cometem deslizes - VAMOS CHAMAR DE CRIMES, OU VAMOS CONTINUAR COM LUVAS DE PELICA, SEMPRE QUE SE TRATA DE SUPOSTOS "EDUCADORES"? - dentro das escolas.
Os afastamentos alimentam essas que são hoje as LATAS DO LIXO DA EDUCAÇÃO: as Diretorias de Ensino. Seria possível um escândalo como esse de Araraquara, se a diretoria de ensino local não reunisse profissionais da educação mal intencionados?
O problema é grave e tivemos oportunidade de discuti-lo na COGSP, em nossa última reunião: de que vale o afastamento de diretores autoritários e corruptos das escolas, se eles acabam infestando as diretorias de ensino?... Enquanto deixamos esta pergunta no ar, leiam o excelente comentário de Priscila, leitora do blog da Cremilda, sobre a "punição" recebida pela tal diretora afastada da EE acima:
É hilário, pois as crianças são ameaçadas de que se não devolverem os livros no final do ano terão que pagar por eles, mas, se um diretor joga fora sem sequer os livros terem sido usados, nada lhe acontece, apenas é afastado mas continua trabalhando e recebendo normalmente. Deveria pagar e sofrer alguma punição, como fizeram com aquele aluno que pintou a escola para reparar um erro. PERGUNTO EU: QUAL ATITUDE FOI MAIS VERGONHOSA E ERRÔNEA, A DO ALUNO QUE É UM PRÉ ADOLESCENTE E MUITAS VEZES FAZ COISAS PARA CHAMAR ATENÇÃO, OU A DE UM ADULTO CONSCIENTE DE SEUS ATOS E PIOR , QUE COBRA DAS CRIANÇAS ATITUDES QUE NEM ELE TEM, QUANDO DEVERIA SERVIR DE EXEMPLO?
TA AÍ A RESPOSTA PORQUE AS CRIANÇAS NÃO RESPEITAM NADA: AS CRIANÇAS SÃO OS ESPELHOS DOS ADULTOS E DE SUAS ATITUDES.
Leiam aqui o excelente post de Mauro Alves da Silva a respeito do assunto.
25 Outubro 2009
As provas do crime
Clique nas imagens para ampliá-las




Sr. Secretário Paulo Renato, seria possível saber como as Comissões Processantes da Secretaria trataram o caso das notas fiscais desse talão? Perceba que cada uma das notas fiscais acima é destinada à APM de uma escola diferente, mas todas foram emitidas em dezembro de 2004 e se referem ao pagamento de "comissões". Que comissões seriam essas, Secretário?




Temos recebido críticas de alguns leitores por sermos muito proliiiiiiiiixos, o que dificultaria o entendimento de assuntos complexos e graves como o imbroglio do desvio de verbas do ensino em Araraquara. Nós mesmos temos dificuldade para entender alguns detalhes do assunto: o que mais espanta, no entanto, é a indiferença das autoridades competentes em compreender ou aceitar a veracidade de fatos incontestáveis e de provas que foram entregues às comissões processantes da Secretaria da Educação, ao Ministério Público e à Polícia Federal.
Resolvemos então mudar de tática: em vez de intermináveis textos, vamos agir conforme o ditado "para bom entendedor, meia palavra basta", na esperança de que nossos leitores consigam nos acompanhar.
Muitas notas fiscais "frias", de que tanto falamos, foram emitidas com talões roubados ou por empresas "fantasmas" e continham em seu corpo a discriminação de serviços que não teriam lógica na educação, por exemplo, "Organização dos arquivos da Secretaria" ou "Comissões". Qual escola terceiriza a organização de seus arquivos??? Para quem uma escola pagaria comissões??? Além disso, algumas notas vinham de lojas de "rações para animais". Como assim?!
Para encurtar, veja acima a imagem de uma série de notas fiscais "frias", todas de um único talão da empresa Rodrigo Fernando Magrini. O proprietário da mesma declarou à Folha Ribeirão, em 09/12/05, que sua prestadora de serviços havia sido fechada em 2003, que ele havia mudado de ramo de atividades e que as notas apresentadas pelas escolas seriam de um antigo talão, que não havia sido destruído. "Eu nunca emiti nenhuma nota desse talão e nunca prestei nenhum serviço em escolas. Fiz boletim de ocorrência do extravio desse talão e minha conta bancária está à disposição de todos", afirmou Magrini.
Sr. Secretário Paulo Renato, seria possível saber como as Comissões Processantes da Secretaria trataram o caso das notas fiscais desse talão? Perceba que cada uma das notas fiscais acima é destinada à APM de uma escola diferente, mas todas foram emitidas em dezembro de 2004 e se referem ao pagamento de "comissões". Que comissões seriam essas, Secretário?
Para os leitores que não têm preguiça de acompanhar o caso, seguem os links para os proliiiiiiixos posts anteriores sobre o caso:
18 Outubro 2009
Mídia nota zero - A Série VI

Mais uma vez a mídia mostra seu lado pedófobo ao relatar a história da menina de 7 anos que foi levada para uma delegacia de polícia, após uma briga dentro da escola.
A reportagem mais "significativa" foi a de O Globo, que se saiu com uma manchete absolutamente hilária: Secretaria de Educação de SP diz que Ronda Escolar estava por coincidência em escola que mandou menina de 7 anos para a delegacia. Quando li a manchete, pensei que pudesse ser uma provocação (às vezes, jornalistas inteligentes fazem isso), mas logo percebi que era uma forma de justificar a presença "casual" da polícia dentro da escola, para amenizar a responsabilidade da direção. Como se todos nós, pais de alunos, não soubéssemos que a ronda escolar está à disposição dos diretores de escola durante todos os horários escolares, para amedrontar ou "enquadrar" os chamados "alunos-problema"!
Uma manchete decente para essa matéria poderia ser: Secretaria da Educação diz em nota oficial que Conselho Tutelar recomendou levar aluna de 7 anos para delegacia de polícia. Isso é sim notícia, e das piores! Por mais incompetentes que sejam os Conselhos Tutelares - e a maioria é muuuito incompetente - nenhum conselheiro se arriscaria a falar uma besteira desse tamanho. Toda burrice tem limite, menos... para a Secretaria da Educação, que caiu na conversa da diretora da escola. A infeliz deve ter dado a primeira desculpa que lhe veio à mente, por ter mandado a ronda levar a aluna para a delegacia de polícia. E assim o nariz de Pinóquio ficou para a Secretaria da Educação, já que o Conselho Tutelar soube se defender direitinho dessa mentira, dando uma explicação lógica e mostrando o erro da escola.
Além da manchete ridícula, a matéria é pobre como as demais que circulam na mídia: nenhuma entrevista com alguém que possa dar a visão exata do descalabro dessa notícia, da incompetência pedagógica e principalmente, do FAROESTE que é a rede pública de ensino, um feudo que faz suas próprias leis, passando por cima do direito líquido e certo do aluno ter uma vida escolar minimamente saudável, que lhe garanta um razoável aprendizado e o livre das perseguições e represálias que seguem qualquer crítica que seus pais se atrevam a fazer. A mãe dessa aluna não sabe o que a espera! Se ela teimar em deixá-la na mesma escola, sua vida e a da filha vão se tornar um inferno. A não ser que a Secretaria da Educação resolva se redimir das besteiras divulgadas (leia a manchete real e a que inventei), ao afastar imediatamente a diretora dessa escola, dando o exemplo de que que errar é humano e que é possível consertar os erros. Isso agora é com o professor Paulo Renato.
Apenas para concluir, já que o assunto é absolutamente intragável e indigesto: a desculpa de que a ronda escolar estava passando pela escola na hora da briga da menina com a colega (briga que não chegou às vias de fato, portanto não configuraria crime mesmo se a aluna fosse maior de idade...) pretende justificar o quê? Que os policiais resolveram espontaneamente "dar uma carona" para a menina até à delegacia de polícia? Realmente, isso seria muito cômico, se não fosse tão sério. Todo policial está careca de saber que não pode levar uma criança para a delegacia: eles levaram essa menina porque acharam que não ia sobrar para eles, já que quem mandou foi a diretora da escola e diretor de escola é "autoridade absoluta"!
O mais ridículo da situação seria pensar que os policiais levaram a aluna à força, contra a vontade da diretora da escola, que tentou desesperadamente impedi-los, segurando em suas mãos o Estatuto da Criança e do Adolescente, que toda escola é obrigada a ter em sua biblioteca, rsrsrsrsrsrs. Vocês leram o depoimento da aluna MAIOR DE IDADE que foi impedida de sair da escola pela diretora, se não assinasse uma solicitação de saída? Leia o depoimento aqui. Imagine então se a ronda escolar pode levar uma criança da escola para a delegacia sem autorização da diretora. Bom, se você acredita em papai noel...
Divirta-se (ou não) com os outros posts da série Mídia nota Zero. Muitos deles também envolvem polícia, mas não caia no erro de responsabilizar a polícia em primeiro lugar. A responsabilidade maior é sempre da escola e da Secretaria da Educação, que permite a presença de policiais dentro de seu interior. Imagine uma situação inversa, rsrsrs: a diretora da escola do bairro resolve mandar buscar um escrivão semi-analfabeto e levá-lo para aulas de reforço, durante o expediente, sem a autorização do delegado...
16 Outubro 2009
O professor nu

Há muitos anos, os sindicatos da educação são os maiores inimigos do aluno e dos bons profissionais. Seus cofres estão cheios de dinheiro que gastam em movimentos pirotécnicos, como a lamentável manifestação de ontem. Divirta-se lendo o post do Mauro e suas impagáveis ilustrações.

Há muito tempo, esses profissionais já estão "nus", não precisava a tal manifestação para comprovar seu total descompromisso com o aluno e a educação. O único consolo é que a adesão foi quase nula e, graças a Deus, não conseguiram arrastar para a praça pública nenhuma mãe ou pai de aluno para defender a sua "causa".

15 Outubro 2009
Cartilha sobre os direitos dos alunos

Há vinte anos, repetimos que a má qualidade do ensino na rede pública não é o maior problema, já que o conhecimento pode ser buscado também em bibliotecas públicas (apenas 10% das escolas têm bibliotecas em funcionamento), Lan Houses (nem ao menos 10% das escolas oferecem Internet aos seus alunos) ou outras fontes.
Ainda mais grave do que a má qualidade do ensino é o exemplo de descompromisso e descaso que o aluno recebe do poder público, dos diretores de escola e de muitos dos seus “mestres” , dos quais apenas uma ínfima parcela são verdadeiros educadores. Esse é um problema que não pode ser sanado fora da escola, causando inconformismo e revolta no aluno e seus pais, clientes da rede de ensino e geralmente tratados como estorvo.
Foi com muita tristeza que vimos ser distribuída para todas as escolas da rede estadual de São Paulo a “Cartilha dos Corvos”, assim chamada pela amiga Cremilda: um manual que vai favorecer o autoritarismo, a caguetagem e a expulsão de alunos, que já anda a mil.
Contrapomos a esse manual a nossa antiga Cartilha sobre os direitos dos alunos, que elaboramos quando foi implantado o ECA. Naquela época ainda tínhamos esperança de que a escola pública se tornaria em breve um espaço realmente educacional. Infelizmente nossa cartilha não perdeu a atualidade... Leia ela aqui e clique nos botões verdes para entender cada frase.
A reunião que tivemos hoje com o professor José Benedito, coordenador da COGSP, foi produtiva e tivemos a promessa de solução dos problemas encaminhados. Tão logo tenhamos boas notícias, vamos publicá-las. Reproduzimos a seguir trechos do depoimento de uma aluna adulta de ensino médio, que nos acompanhou à reunião. Tentem imaginar, então, o que pode ocorrer com alunos menores de idade, que ainda não sabem ou não têm coragem de denunciar o abuso moral que sofrem diariamente.
Quando “me candidatei” à vaga nessa escola, que é próxima à minha residência, tive que comprar camiseta no valor de R$ 17,00 e pagar contribuição da APM, no valor de R$ 10,00. Só pude adquirir uma camiseta, que obviamente não posso usar os 5 dias da semana. Além disso, vou direto do trabalho para a escola. Um dia frio de inverno a diretora da escola me barrou na entrada, alegando que por baixo do casaco eu estaria vestindo uma blusa decotada e me deu uma advertência. Pedi uma cópia do documento, ela respondeu que não daria e completou grosseiramente: “Lindinha, se você não está satisfeita com as normas da escola, procure uma outra em que você se enquadre, porque na minha escola é assim”.
Uma semana depois fui novamente abordada aos gritos pela diretora, pois não estava de camiseta da escola. Ela repetiu que o uso era obrigatório, disse que eu fosse na secretaria pegar uma camiseta e gritou: “Você vai ver se no próximo semestre eu renovo a sua matrícula!”. Fui até a secretaria, recebi uma camiseta e vesti. Na saída da escola fui abordada por uma funcionária que me estendeu a mão e disse: “Foi a você que dei uma camiseta? Me devolva, pois a camiseta é da escola e fica na escola.” Não devolvi a camiseta.
Ontem, 08/10/09, fui à escola, não para estudar e sim para ser novamente destratada e humilhada pela diretora. Estava em sala de aula quando o coordenador pediu que eu fosse até a secretaria falar com a diretora. A primeira pergunta foi: “Cadê a camiseta da escola?” Então respondi:”Você disse que a escola tinha camiseta para fornecer aos alunos e eu fui à secretaria para receber a camiseta, certo?” Ela respondeu: “A escola não te deu a camiseta, ela te emprestou! Agora, se você tivesse dito que precisava de esmola era só pedir, a escola dá esmolas!” Então pedi pra que ela prestasse atenção no que estava dizendo, que para exercer o cargo que ela ocupa é preciso ter educação, e que me deixasse em paz. Nesse momento fui em direção ao portão que dá acesso às salas de aula, ela correu, passou na minha frente, fechou o portão e disse que eu não subiria enquanto ela não dissesse tudo que tinha a dizer. Por duas vezes, essa cena se repetiu. Depois de ouvir mais grosserias, fui para a sala de aula, mas sem condição nenhuma de estudar. Peguei meu material e pedi para a servente que abrisse o portão, mas ela disse que eu deveria pedir autorização para o Coordenador. Fui para a secretaria e pedi que ele me deixasse sair. Nesse momento a Diretora interferiu e disse a ele que eu não sairia sem assinar solicitação de saída. Eu disse que assinaria se ela me desse uma cópia, ao que ela se recusou. O Coordenador disse para assinar pra evitar confusão, que bastava colocar uma dor de cabeça como motivo de saída e estaria tudo bem. Eu não acatei isso e escrevi no verso da autorização: ”Solicito saída por não estar em condições de assistir aula, pois mais uma vez fui destratada e humilhada pela diretora da escola.” Me dirigi ao portão de saída e novamente o coordenador pediu para eu voltar para conversar com ela, pois ele não podia abrir o portão. Resumindo: em virtude de todo o ocorrido, eu, que já havia faltado algumas vezes por problemas de saúde, continuo tendo faltas, pois termino essas discussões aos prantos e sem condições de me expor mais na sala de aula, aumentando o risco de ser retida por faltas.
Se você leu até aqui o depoimento da aluna, percebeu como age um diretor-ditador e como todos os funcionários da escola lhe obedecem cegamente.
Saiba também o que estamos cansaaaaaaados de repetir: a escola não pode exigir o uso do uniforme, muito menos vender o próprio uniforme dentro da escola e menos ainda cobrar taxas de APM. Que mais? Ah: distratar aluno, pode?
Veja então os crimes que essa escola cometeu:
Exigência e venda de uniforme: Lei Nº 3.913, de 14 de novembro de 1983
Cobrança de taxa de APM
Constrangimento e assédio moral
Ainda mais grave do que a má qualidade do ensino é o exemplo de descompromisso e descaso que o aluno recebe do poder público, dos diretores de escola e de muitos dos seus “mestres” , dos quais apenas uma ínfima parcela são verdadeiros educadores. Esse é um problema que não pode ser sanado fora da escola, causando inconformismo e revolta no aluno e seus pais, clientes da rede de ensino e geralmente tratados como estorvo.
Foi com muita tristeza que vimos ser distribuída para todas as escolas da rede estadual de São Paulo a “Cartilha dos Corvos”, assim chamada pela amiga Cremilda: um manual que vai favorecer o autoritarismo, a caguetagem e a expulsão de alunos, que já anda a mil.
Contrapomos a esse manual a nossa antiga Cartilha sobre os direitos dos alunos, que elaboramos quando foi implantado o ECA. Naquela época ainda tínhamos esperança de que a escola pública se tornaria em breve um espaço realmente educacional. Infelizmente nossa cartilha não perdeu a atualidade... Leia ela aqui e clique nos botões verdes para entender cada frase.
A reunião que tivemos hoje com o professor José Benedito, coordenador da COGSP, foi produtiva e tivemos a promessa de solução dos problemas encaminhados. Tão logo tenhamos boas notícias, vamos publicá-las. Reproduzimos a seguir trechos do depoimento de uma aluna adulta de ensino médio, que nos acompanhou à reunião. Tentem imaginar, então, o que pode ocorrer com alunos menores de idade, que ainda não sabem ou não têm coragem de denunciar o abuso moral que sofrem diariamente.
Quando “me candidatei” à vaga nessa escola, que é próxima à minha residência, tive que comprar camiseta no valor de R$ 17,00 e pagar contribuição da APM, no valor de R$ 10,00. Só pude adquirir uma camiseta, que obviamente não posso usar os 5 dias da semana. Além disso, vou direto do trabalho para a escola. Um dia frio de inverno a diretora da escola me barrou na entrada, alegando que por baixo do casaco eu estaria vestindo uma blusa decotada e me deu uma advertência. Pedi uma cópia do documento, ela respondeu que não daria e completou grosseiramente: “Lindinha, se você não está satisfeita com as normas da escola, procure uma outra em que você se enquadre, porque na minha escola é assim”.
Uma semana depois fui novamente abordada aos gritos pela diretora, pois não estava de camiseta da escola. Ela repetiu que o uso era obrigatório, disse que eu fosse na secretaria pegar uma camiseta e gritou: “Você vai ver se no próximo semestre eu renovo a sua matrícula!”. Fui até a secretaria, recebi uma camiseta e vesti. Na saída da escola fui abordada por uma funcionária que me estendeu a mão e disse: “Foi a você que dei uma camiseta? Me devolva, pois a camiseta é da escola e fica na escola.” Não devolvi a camiseta.
Ontem, 08/10/09, fui à escola, não para estudar e sim para ser novamente destratada e humilhada pela diretora. Estava em sala de aula quando o coordenador pediu que eu fosse até a secretaria falar com a diretora. A primeira pergunta foi: “Cadê a camiseta da escola?” Então respondi:”Você disse que a escola tinha camiseta para fornecer aos alunos e eu fui à secretaria para receber a camiseta, certo?” Ela respondeu: “A escola não te deu a camiseta, ela te emprestou! Agora, se você tivesse dito que precisava de esmola era só pedir, a escola dá esmolas!” Então pedi pra que ela prestasse atenção no que estava dizendo, que para exercer o cargo que ela ocupa é preciso ter educação, e que me deixasse em paz. Nesse momento fui em direção ao portão que dá acesso às salas de aula, ela correu, passou na minha frente, fechou o portão e disse que eu não subiria enquanto ela não dissesse tudo que tinha a dizer. Por duas vezes, essa cena se repetiu. Depois de ouvir mais grosserias, fui para a sala de aula, mas sem condição nenhuma de estudar. Peguei meu material e pedi para a servente que abrisse o portão, mas ela disse que eu deveria pedir autorização para o Coordenador. Fui para a secretaria e pedi que ele me deixasse sair. Nesse momento a Diretora interferiu e disse a ele que eu não sairia sem assinar solicitação de saída. Eu disse que assinaria se ela me desse uma cópia, ao que ela se recusou. O Coordenador disse para assinar pra evitar confusão, que bastava colocar uma dor de cabeça como motivo de saída e estaria tudo bem. Eu não acatei isso e escrevi no verso da autorização: ”Solicito saída por não estar em condições de assistir aula, pois mais uma vez fui destratada e humilhada pela diretora da escola.” Me dirigi ao portão de saída e novamente o coordenador pediu para eu voltar para conversar com ela, pois ele não podia abrir o portão. Resumindo: em virtude de todo o ocorrido, eu, que já havia faltado algumas vezes por problemas de saúde, continuo tendo faltas, pois termino essas discussões aos prantos e sem condições de me expor mais na sala de aula, aumentando o risco de ser retida por faltas.
Se você leu até aqui o depoimento da aluna, percebeu como age um diretor-ditador e como todos os funcionários da escola lhe obedecem cegamente.
Saiba também o que estamos cansaaaaaaados de repetir: a escola não pode exigir o uso do uniforme, muito menos vender o próprio uniforme dentro da escola e menos ainda cobrar taxas de APM. Que mais? Ah: distratar aluno, pode?
Veja então os crimes que essa escola cometeu:
Exigência e venda de uniforme: Lei Nº 3.913, de 14 de novembro de 1983
Cobrança de taxa de APM
Constrangimento e assédio moral
11 Outubro 2009
Mensagem ao Secretário Paulo Renato

Acabamos de postar no blog do Secretário Paulo Renato a mensagem abaixo:
Prezado professor Paulo Renato,
Comunicamos que na próxima semana estaremos na COGSP e na CEI, para levar denúncias graves que esperamos sejam apuradas e sanadas. Não temos muita esperança, pois acreditamos que não esteja inteirado da corrupção e do autoritarismo que dominam a rede de ensino. Tentamos várias vezes conseguir uma reunião em seu gabinete, mas, de acordo com seus assessores, "dificuldades da sua agenda" o impediram. Mesmo assim, insistimos em informá-lo, na esperança de que a ordem para não nos receber não tenha sido sua.
Segue breve relato da pauta das reuniões que teremos na COGSP e na CEI:
A EE Aparecida Donizete de Paula, em Diadema, é mais uma entre centenas de escolas onde os alunos são OBRIGADOS a adquirir o uniforme da escola e não entram sem ele, sendo que a camiseta custa R$ 17,00. Lembramos que a Lei 3913 proíbe a exigência de uniforme nas escolas, o que porém não é mais grave do que O UNIFORME SER VENDIDO DENTRO DAS PRÓPRIAS ESCOLAS, uma realidade em incontáveis unidades da sua rede. Este é um dos maiores ralos de corrupção nas escolas públicas, verdadeiros mercados persas onde se faz todo tipo de negociatas, que resultam em dinheiro sujo e desviado para os bolsos de diretores e funcionários corruptos. Como ficamos? Vamos então sugerir ao governador José Serra jogar no lixo a Nota Fiscal Paulista? Ou ela só vale para as lojas do Brás?!
Na EE Armando Gabam, em Osasco, como na maioria das escolas da sua rede, os alunos são suspensos e expulsos a rodo. Isso é orientação da própria Secretaria, de acordo com sua nova cartilha, que pune apenas os alunos e, mais uma vez, permite a impunidade de diretores e professores que fazem da escola o quintal de sua casa? Estamos muito preocupados com isso, pois infelizmente a mídia já "demonizou" o aluno da rede pública e "santificou" o profissional da educação, por mais incompetente, corrupto e perverso que seja.
Na EE Marilsa Garbossa Francisco, em São Paulo, uma menina foi submetida a constrangimento tal que seus pais tiveram que transferi-la para outra escola. Mesmo assim, eles irão contar sua história para que o abuso fique registrado, tratando-se de situação extremamente comum, mas raramente denunciada, devido às perseguições e represálias que fatalmente se seguem às denúncias de abuso por parte de diretores, professores e demais profissionais da educação.
Além desses casos pontuais - mas que confirmam a regra - vamos discutir a gravíssima questão do Esquema de desvio de verbas do ensino na região de Araraquara, que cansamos de lhe informar por e-mail e que está bem explicado em nosso blog, veja os links Como funcionava o esquema e Cronograma do esquema de Araraquara, que durante uma década envolveu todas as escolas da DE, através de cheques em branco assinados por membros de APMs ingênuos ou tão corruptos quanto a dirigente de ensino e os diretores de escola, que se valeram de empresas fantasmas e notas fiscais frias para manter o esquema funcionando durante tanto tempo.
Professor Paulo Renato, essa é a sua rede de ensino, que o Sr. parece desconhecer, pois está cercado de profissionais corruptos como os dirigentes e supervisores de ensino de Araraquara, que durante dez anos assistiram e participaram do esquema acima, esquema que está em stand by, aguardando as denúncias caírem no esquecimento para recomeçar com força total.
Professor Paulo Renato, enquanto não tivermos provas de que o Sr. está acobertando toda essa lama, como têm feito seus antecessores, vamos continuar usando este canal de comunicação. A equação é simples: o autoritarismo, os abusos e a corrupçao só proliferam na rede de ensino PORQUE A IMPUNIDADE CONTINUA. Como o Sr., também temos cabelos brancos e estamos preocupados com o país que estamos deixando de herança aos nossos filhos e netos. Se for essa também sua preocupação, agradecemos a atenção.
Atenciosamente
Prezado professor Paulo Renato,
Comunicamos que na próxima semana estaremos na COGSP e na CEI, para levar denúncias graves que esperamos sejam apuradas e sanadas. Não temos muita esperança, pois acreditamos que não esteja inteirado da corrupção e do autoritarismo que dominam a rede de ensino. Tentamos várias vezes conseguir uma reunião em seu gabinete, mas, de acordo com seus assessores, "dificuldades da sua agenda" o impediram. Mesmo assim, insistimos em informá-lo, na esperança de que a ordem para não nos receber não tenha sido sua.
Segue breve relato da pauta das reuniões que teremos na COGSP e na CEI:
A EE Aparecida Donizete de Paula, em Diadema, é mais uma entre centenas de escolas onde os alunos são OBRIGADOS a adquirir o uniforme da escola e não entram sem ele, sendo que a camiseta custa R$ 17,00. Lembramos que a Lei 3913 proíbe a exigência de uniforme nas escolas, o que porém não é mais grave do que O UNIFORME SER VENDIDO DENTRO DAS PRÓPRIAS ESCOLAS, uma realidade em incontáveis unidades da sua rede. Este é um dos maiores ralos de corrupção nas escolas públicas, verdadeiros mercados persas onde se faz todo tipo de negociatas, que resultam em dinheiro sujo e desviado para os bolsos de diretores e funcionários corruptos. Como ficamos? Vamos então sugerir ao governador José Serra jogar no lixo a Nota Fiscal Paulista? Ou ela só vale para as lojas do Brás?!
Na EE Armando Gabam, em Osasco, como na maioria das escolas da sua rede, os alunos são suspensos e expulsos a rodo. Isso é orientação da própria Secretaria, de acordo com sua nova cartilha, que pune apenas os alunos e, mais uma vez, permite a impunidade de diretores e professores que fazem da escola o quintal de sua casa? Estamos muito preocupados com isso, pois infelizmente a mídia já "demonizou" o aluno da rede pública e "santificou" o profissional da educação, por mais incompetente, corrupto e perverso que seja.
Na EE Marilsa Garbossa Francisco, em São Paulo, uma menina foi submetida a constrangimento tal que seus pais tiveram que transferi-la para outra escola. Mesmo assim, eles irão contar sua história para que o abuso fique registrado, tratando-se de situação extremamente comum, mas raramente denunciada, devido às perseguições e represálias que fatalmente se seguem às denúncias de abuso por parte de diretores, professores e demais profissionais da educação.
Além desses casos pontuais - mas que confirmam a regra - vamos discutir a gravíssima questão do Esquema de desvio de verbas do ensino na região de Araraquara, que cansamos de lhe informar por e-mail e que está bem explicado em nosso blog, veja os links Como funcionava o esquema e Cronograma do esquema de Araraquara, que durante uma década envolveu todas as escolas da DE, através de cheques em branco assinados por membros de APMs ingênuos ou tão corruptos quanto a dirigente de ensino e os diretores de escola, que se valeram de empresas fantasmas e notas fiscais frias para manter o esquema funcionando durante tanto tempo.
Professor Paulo Renato, essa é a sua rede de ensino, que o Sr. parece desconhecer, pois está cercado de profissionais corruptos como os dirigentes e supervisores de ensino de Araraquara, que durante dez anos assistiram e participaram do esquema acima, esquema que está em stand by, aguardando as denúncias caírem no esquecimento para recomeçar com força total.
Professor Paulo Renato, enquanto não tivermos provas de que o Sr. está acobertando toda essa lama, como têm feito seus antecessores, vamos continuar usando este canal de comunicação. A equação é simples: o autoritarismo, os abusos e a corrupçao só proliferam na rede de ensino PORQUE A IMPUNIDADE CONTINUA. Como o Sr., também temos cabelos brancos e estamos preocupados com o país que estamos deixando de herança aos nossos filhos e netos. Se for essa também sua preocupação, agradecemos a atenção.
Atenciosamente
EducaFórum
PAIS, ALUNOS, EDUCADORES E CIDADÃOS QUE LUTAM PELA ESCOLA PÚBLICA E PELA CIDADANIA
Giulia Pierro / Vera Vaz
08 Outubro 2009
Cronograma do esquema de Araraquara


Como já dissemos várias vezes, o esquema de desvio de verbas do ensino na região de Araraquara deve ser apenas a ponta do iceberg, neste país continental. O que mais choca é a naturalidade com que os diretores de escola e funcionários da diretoria de ensino se deixaram envolver. Para eles, tudo era "normal", como se notas frias e superfaturamento fossem a coisa mais natural do mundo. Devia ser isso mesmo, pois se tratava de prejudicar apenas os filhos da classe trabalhadora, esses são de qualquer forma apenas uns "coitadinhos". Tirar migalhas de quem já só tem migalhas: quem iria perceber? Quem se importaria?
Para quem ainda não acredita nesse esquema, veja as imagens acima: a nota fiscal número 095, no valor de R$ 75,00, com a anotação de "comissão", foi registrada no acerto de contas como sendo "serviço de limpeza", no valor de R$ 3.386,99!!!
Para quem ainda não acredita nesse esquema, veja as imagens acima: a nota fiscal número 095, no valor de R$ 75,00, com a anotação de "comissão", foi registrada no acerto de contas como sendo "serviço de limpeza", no valor de R$ 3.386,99!!!
(clique nas imagens para ampliá-las e ler os valores)
Leia mais este depoimento de uma diretora de escola, que serve de "cronograma" do esquema:
Sou diretora de escola, hoje aposentada, me efetivei em 1998 e assim começei a ter que fazer fazer parte de um esquema de notas fiscais frias já em andamento na diretoria de ensino havia muitos anos.
Logo que assumi meu cargo na escola, de cara a dirigente Sandra Rossato me chamou em seu gabinete e mandou que providênciasse 12 mil reais de notas fiscais frias para acertar a situação da escola junto à FDE. Na conta da APM nada existia, mas nos balancetes constava um débito da escola no valor de 12 mil e pouco, que deveria ser acertado com notas compradas no escritório de contabilidade Atlas. Na época eu estava fazendo um curso em SP para diretores e comentei com colegas e até com uma supervisora de ensino sobre esse procedimento estranho, a mesma disse ser normal e que todos faziam. Os diretores que conversei também disseram ser normal.
Então procurei o escritório de contabilidade Atlas e paguei com dinheiro de cantina (recursos arrecadados na própria escola) 20% pelas notas, sendo que a proprietária do escritório sabia o que devia conter no corpo de cada nota para empenho, ou seja, material de limpeza, prestação de serviços, etc. Ela mesma fazia o relatório, eu passava para pegar e os pais de alunos membros da APM assinavam os relátorios sem questionamentos. Era um procedimento normal, esses pais eram do conselho fiscal da APM em vigor naquele ano e a verba que foi amortizada com notas fiscais frias era da FDE, um convenio existente até hoje com as escolas.
Depois disso passei a usar esse procedimento em todas as verbas enviadas à escola e uma parte ia para a diretoria de ensino, em dinheiro,diretamente para a dirigente, que justificava não ter verbas para algumas necessidades da DE.
Assim agiam todos os diretores de escola. Reformas da escola, a dirigente negociava ela mesma com a construtora e parte do dinheiro ficava com ela, a escola só fazia a prestação de contas. Conserto de computadores da sala de informática, o mesmo procedimento, aquisições enviadas pelo fundo nacional do desenvolvimento de ensino, a mesma coisa, ela utilizava a verba e a escola apenas fazia o pagamento e a prestação de contas.
Sempre faltava material, até armários, mesas, computadores, e a justificativa era que ela havia repassado a outras escolas que necessitavam mais.
Me removi desta escola e fui para outra. Lá continuou o esquema, mas tomou uma dimensão muito grande, porque a dirigente usava essa escola para tudo e para conseguir mais verbas.
Foi feita a cobertura de quadras poliesportivas, a dirigente tinha contato com um engenheiro que fazia orçamento muito barato, que era aprovado pela APM, e ela ficava com parte do dinheiro, como "comissão". E assim era em todas as escolas, porque nós diretores participávamos em reuniões na diretoria de ensino tratando deste assunto. Fazíamos a vontade dela que era uma ditadora e todo mundo tinha medo de denunciá-la porque ela tinha força politica junto à Secretária Rose Neubauer, ao governandor e deputados da região, todos seus aliados. Quem ousasse enfrentá-la perdia o cargo.
Em 2005 o esquema estava no auge, muitas pessoas estavam mamando nessa teta, toda a sua assessoria comprando pesqueiros, carros importados, etc. Então decidi me remover para outra escola e a dirigente ficou uma fera, porque naquela escola tinha um esquemão antigo e ainda mais lucrativo. Resolvi enfrentar , mas a dirigente me ameaçou de exoneração por desobediência. Assim fui processada e rapidamente afastada do meu cargo em janeiro de 2005. Ela conseguiu tudo isso com o coordenador da CEI Elcio Antonio Selmi (falecido). Fui processada por emissão de notas fiscais frias e fizeram parte da comissão de averiguação preliminar os mesmos supervisores que disseram ser normal e de praxe tal procedimento. Mesmo assim ainda achei que o processo não iria dar em nada, como ela poderia fazer isso comigo se todos os diretores faziam a mesma coisa e ela própria era a diretora do esquema?
Mas Sandra tinha poder e ela subiu meu processo administrativo, PAD 55/2005, que está sendo julgado.
Então resolvi pegar o nome de todas as empresas que forneciam notas fiscais às escolas e sequenciadas e enviei à FDE, que depois de muito custo fez uma auditoria e foi averiguada a existência de empresas fantasmas, bares, lojas de calçados, casas de rações, oficinas de motos, etc. Então 18 diretores foram processados e a dirigente também foi, só que ela alegou que não mandava os diretores usarem desse expediente. Como havia políticos envolvidos, ela recebeu uma pena branda (suspensão), que nem foi aplicada, porque Sandra aposentou-se. O PAD dela, 95/2006, já era.
O certo é que todos os diretores sejam processados, e os supervisores de ensino também. Os repasses de verbas para a Diretoria de Ensino anualmente eram mais de 2 milhões de reais, isto em 12 anos dá quanto? E as outras verbas oriundas da União, reformas em escolas, aquisição de materiais etc? A Sandra Rossato também tinha um esquema de diárias de viagem "fantasmas", as viagens não eram feitas e o dinheiro repassado para ela, existem fitas gravadas com funcionários que falam sobre o assunto. Soubemos que ela usou em sua defesa o argumento do arrependimento e devolveu algum dinheiro, mas a averiguação foi ridícula, apenas uma passada de olho.
Várias cabeças do esquema de notas fiscais frias estão refugiadas em gabinetes de políticos. Muitos envolvidos queimaram sacos e mais sacos de notas fiscais frias, mas ainda existem muitas provas e a FDE se recusam a refazer a auditoria e dar continuidade à averiguação. Muito poder e dinheiro está envolvido nesse esquema, mas alguém tem que lutar por esta causa. São muitos milhões de verbas roubadas da educação estadual e todos indistintamente devem pagar pelos crimes que cometeram.
Sou diretora de escola, hoje aposentada, me efetivei em 1998 e assim começei a ter que fazer fazer parte de um esquema de notas fiscais frias já em andamento na diretoria de ensino havia muitos anos.
Logo que assumi meu cargo na escola, de cara a dirigente Sandra Rossato me chamou em seu gabinete e mandou que providênciasse 12 mil reais de notas fiscais frias para acertar a situação da escola junto à FDE. Na conta da APM nada existia, mas nos balancetes constava um débito da escola no valor de 12 mil e pouco, que deveria ser acertado com notas compradas no escritório de contabilidade Atlas. Na época eu estava fazendo um curso em SP para diretores e comentei com colegas e até com uma supervisora de ensino sobre esse procedimento estranho, a mesma disse ser normal e que todos faziam. Os diretores que conversei também disseram ser normal.
Então procurei o escritório de contabilidade Atlas e paguei com dinheiro de cantina (recursos arrecadados na própria escola) 20% pelas notas, sendo que a proprietária do escritório sabia o que devia conter no corpo de cada nota para empenho, ou seja, material de limpeza, prestação de serviços, etc. Ela mesma fazia o relatório, eu passava para pegar e os pais de alunos membros da APM assinavam os relátorios sem questionamentos. Era um procedimento normal, esses pais eram do conselho fiscal da APM em vigor naquele ano e a verba que foi amortizada com notas fiscais frias era da FDE, um convenio existente até hoje com as escolas.
Depois disso passei a usar esse procedimento em todas as verbas enviadas à escola e uma parte ia para a diretoria de ensino, em dinheiro,diretamente para a dirigente, que justificava não ter verbas para algumas necessidades da DE.
Assim agiam todos os diretores de escola. Reformas da escola, a dirigente negociava ela mesma com a construtora e parte do dinheiro ficava com ela, a escola só fazia a prestação de contas. Conserto de computadores da sala de informática, o mesmo procedimento, aquisições enviadas pelo fundo nacional do desenvolvimento de ensino, a mesma coisa, ela utilizava a verba e a escola apenas fazia o pagamento e a prestação de contas.
Sempre faltava material, até armários, mesas, computadores, e a justificativa era que ela havia repassado a outras escolas que necessitavam mais.
Me removi desta escola e fui para outra. Lá continuou o esquema, mas tomou uma dimensão muito grande, porque a dirigente usava essa escola para tudo e para conseguir mais verbas.
Foi feita a cobertura de quadras poliesportivas, a dirigente tinha contato com um engenheiro que fazia orçamento muito barato, que era aprovado pela APM, e ela ficava com parte do dinheiro, como "comissão". E assim era em todas as escolas, porque nós diretores participávamos em reuniões na diretoria de ensino tratando deste assunto. Fazíamos a vontade dela que era uma ditadora e todo mundo tinha medo de denunciá-la porque ela tinha força politica junto à Secretária Rose Neubauer, ao governandor e deputados da região, todos seus aliados. Quem ousasse enfrentá-la perdia o cargo.
Em 2005 o esquema estava no auge, muitas pessoas estavam mamando nessa teta, toda a sua assessoria comprando pesqueiros, carros importados, etc. Então decidi me remover para outra escola e a dirigente ficou uma fera, porque naquela escola tinha um esquemão antigo e ainda mais lucrativo. Resolvi enfrentar , mas a dirigente me ameaçou de exoneração por desobediência. Assim fui processada e rapidamente afastada do meu cargo em janeiro de 2005. Ela conseguiu tudo isso com o coordenador da CEI Elcio Antonio Selmi (falecido). Fui processada por emissão de notas fiscais frias e fizeram parte da comissão de averiguação preliminar os mesmos supervisores que disseram ser normal e de praxe tal procedimento. Mesmo assim ainda achei que o processo não iria dar em nada, como ela poderia fazer isso comigo se todos os diretores faziam a mesma coisa e ela própria era a diretora do esquema?
Mas Sandra tinha poder e ela subiu meu processo administrativo, PAD 55/2005, que está sendo julgado.
Então resolvi pegar o nome de todas as empresas que forneciam notas fiscais às escolas e sequenciadas e enviei à FDE, que depois de muito custo fez uma auditoria e foi averiguada a existência de empresas fantasmas, bares, lojas de calçados, casas de rações, oficinas de motos, etc. Então 18 diretores foram processados e a dirigente também foi, só que ela alegou que não mandava os diretores usarem desse expediente. Como havia políticos envolvidos, ela recebeu uma pena branda (suspensão), que nem foi aplicada, porque Sandra aposentou-se. O PAD dela, 95/2006, já era.
O certo é que todos os diretores sejam processados, e os supervisores de ensino também. Os repasses de verbas para a Diretoria de Ensino anualmente eram mais de 2 milhões de reais, isto em 12 anos dá quanto? E as outras verbas oriundas da União, reformas em escolas, aquisição de materiais etc? A Sandra Rossato também tinha um esquema de diárias de viagem "fantasmas", as viagens não eram feitas e o dinheiro repassado para ela, existem fitas gravadas com funcionários que falam sobre o assunto. Soubemos que ela usou em sua defesa o argumento do arrependimento e devolveu algum dinheiro, mas a averiguação foi ridícula, apenas uma passada de olho.
Várias cabeças do esquema de notas fiscais frias estão refugiadas em gabinetes de políticos. Muitos envolvidos queimaram sacos e mais sacos de notas fiscais frias, mas ainda existem muitas provas e a FDE se recusam a refazer a auditoria e dar continuidade à averiguação. Muito poder e dinheiro está envolvido nesse esquema, mas alguém tem que lutar por esta causa. São muitos milhões de verbas roubadas da educação estadual e todos indistintamente devem pagar pelos crimes que cometeram.
Sobre o "esquema", da caixa de comentários

Giulia, o pior disso tudo é que esse tipo de esquema não é restrito a Araraquara, acontece no estado todo (e provavelmente nos outros estados também) e todos que trabalham na área estão conscientes disso. Mas qual secretário de educação vai arriscar sua careira e apoio político para acabar com ele? Para isso, precisa de dignidade e honradez e acima de tudo respeito pelos alunos (e seus pais contribuintes de imposto), qualidades que aparentemente até o presente momento nenhum deles tem mostrado.
07 Outubro 2009
Como funcionava o esquema de Araraquara

Já falamos tão exaustivamente do esquema de desvio das verbas do ensino na rede estadual de Araraquara, que cabe uma última pergunta: por que a mídia se cala? Leiam abaixo trechos do impressionante depoimento de uma diretora de escola, que também já se cansou de espalhar informações para toda a mídia, sem provocar até hoje o interesse de algum meio de comunicação de grande porte. Afinal, a quem interessa, no Brasil, que as verbas da educação cheguem efetivamente às salas de aula das escolas públicas? A quem interessa desmascarar uma MAFIA que atua na manutenção do atraso do país? Enfim, a quem interessa divulgar ao mundo que existe, neste país "pacífico" e "feliz", uma verdadeira MÁFIA? Sim, máfia, pois a palavra "quadrilha" é muito pequena para um esquema milionário como foi esse em Araraquara e região, durante dez anos.
Leia com atenção o depoimento dessa diretora de escola:
ERAMOS ORIENTADOS, TODOS OS DIRETORES DE ESCOLA, PELA EX-DIRIGENTE E SUPERVISORES, PARA GASTAR UMA PARTE DAS VERBAS NA ESCOLA E A OUTRA PARTE PARA "GUARDAR", OU SEJA, NÃO COMPRAR NADA. POR EXEMPLO: UM DIRETOR DE ESCOLA GASTARIA UM TERÇO DA VERBA E GUARDARIA O RESTANTE, APRESENTANDO, NAS PRESTAÇÕES DE CONTAS, NOTAS FISCAIS COMPRADAS NO ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE ATLAS, QUE TINHA TALÕES DE FIRMAS FECHADAS, QUE PORÉM CONTINUAVAM CIRICULANDO. EXISTIAM TAMBÉM FIRMAS ABERTAS LEGALMENTE, MAS QUE NÃO PRESTAVAM SERVIÇOS NEM VENDIAM NADA ÀS ESCOLAS, OU SEJA , OS PROPRIETÁRIOS NEM SABIAM QUE O ESCRITÓRIO USAVA OS SEUS TALÕES. AS QUE SABIAM, O ESCRITÓRIO LHES PAGAVA UMA COMISSÃO.
O ESQUEMA FUNCIONAVA DA SEGUINTE FORMA, PARA TODAS AS ESCOLAS SEM DISTINÇÃO: O CHEQUE ERA PREENCHIDO PELO DIRETOR DA ESCOLA E ASSINADO PELOS DIRETORES FINANCEIROS E EXECUTIVOS DA APM. GERALMENTE OS CHEQUES JÁ ERAM DEIXADOS ASSINADOS EM BRANCO, OS DIRETORES APENAS PREENCHIAM E REPASSAVAM ÀS PROPRIETÁRIAS DO ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE ATLAS OU A SUAS FUNCIONÁRIAS DE CONFIANÇA. DEPOIS OS CHEQUES ERAM DEPOSITADOS NA CONTA DAS FUNCIONARIAS SAMARA OU ARIDIANE E O DINHEIRO ENTREGUE AO DIRETOR DA ESCOLA COM 20 OU 25% DESCONTADOS PELO ESCRITÓRIO. ESTA PORCENTAGEM A ESCOLA PAGAVA POR CADA NOTA FRIA RECEBIDA JUNTO COM O DINHEIRO, SEM SE IMPORTAR COM A PROCEDÊNCIA DA NOTA. A POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA AINDA ESTE ESQUEMA.
OS SERVIÇOS EFETIVAMENTE PRESTADOS ERAM PAGOS AOS FORNECEDORES, AS NOTAS VERDADEIRAS ERAM DESCARTADAS E SÓ ERAM UTILIZADAS AS FRIAS FORNECIDAS PELO ESCRITÓRIO ATLAS. A PRESTAÇÃO DE CONTAS ERA FEITA PELO ESCRITÓRIO E ASSINADA PELO DIRETOR DA ESCOLA, PELOS DIRETORES EXECUTIVOS E FINANCEIROS DA APM E CABIA À DIRETORIA DE ENSINO FAZER A CONFERÊNCIA. NA DIRETORIA DE ENSINO TODOS SABIAM QUE AS NOTAS ERAM COMPRADAS E FRIAS, PORQUE TINHA TALÕES DE NOTAS QUE FICAVAM LÁ NA PRÓPRIA DIRETORIA, ONDE ERAM FEITAS REUNIÕES COM A PROPRIETÁRIA DO ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE.
A DIRIGENTE DE ENSINO MANDAVA UMA FUNCIONÁRIA DE SUA CONFIANÇA BUSCAR UMA PARTE DO DINHEIRO NA CASA DOS DIRETORES DE ESCOLA, MAS SEMPRE DEIXAVA ALGUM PARA SE "GUARDAR". DESSE GUARDADO ELA NUNCA PERGUNTAVA NADA, SÓ EXIGIA A SUA PARTE DO DINHEIRO.
ISTO PERDUROU POR 10 LONGOS ANOS E ERA ESTRESSANTE, MAS ERA A MESMA ROTINA PARA TODOS, NÃO PODIA SER DE OUTRO JEITO COM QUALQUER VERBA QUE A ESCOLA RECEBIA. QUANDO ALGUM DIRETOR DEIXAVA DE REZAR ESSA CARTILHA E DESOBEDECIA AS ORDENS DA DIRIGENTE, ERA PUNIDO COM EXONERAÇÃO. FOI O QUE ACONTECEU COM A ANA CLAUDIA E COM O HERMILO MACHADO, QUE FORAM EXONERADOS. MAS A MAIORIA DOS DIRETORES NÃO TINHA INTERESSE ALGUM EM DENUNCIAR O ESQUEMA, POIS HAVIA FEITO SEU PÉ DE MEIA COM O DINHEIRO "GUARDADO".
SÓ EU ENTREGUEI O ESQUEMA, PORQUE FUI MUITO HUMILHADA E ACHEI INJUSTO APENAS ALGUNS DIRETORES SEREM EXONERADOS, POR OBRA DA PRÓPRIA DIRIGENTE, QUE LEVOU MUITO MAIS DINHEIRO, ALÉM DE DIÁRIAS ASSINADAS E RECEBIDAS POR ELA ILEGALMENTE.
NO DIA 28 DE JULHO DE 2009, OUTRO DENUNCIANTE DO ESQUEMA QUE NÃO É DIRETOR DE ESCOLA FOI PRESTAR DEPOIMENTO NA COORDENADORIA DE PROCEDIMENTOS DISCIPLINARES CONTRA 18 DIRETORES. HAVIA DIRETOR QUE TINHA 12 NOTAS FISCAIS FRIAS SEQUENCIADAS. ESSE DENUNCIANTE INVESTIGOU BEM O ESQUEMA E O ENTREGOU PORQUE SUA ESPOSA ESTAVA SENDO PERSEGUIDA PELA DIRIGENTE DE ENSINO.
A DIRETORIA DE ENSINO DE ARARAQUARA ERA COMPOSTA POR 56 DIRETORES DE ESCOLA, TODOS PARTICIPAVAM DO ESQUEMA E SÓ 18 FORAM PROCESSADOS PELA FDE.
EU E MAIS ALGUNS QUE SE REBELARAM CONTRA O ESQUEMA FOMOS PROCESSADOS PELA DIRIGENTE DE ENSINO DESDE 1998. ELA VINHA PERSEGUINDO UM OU OUTRO PARA MOSTRAR O SEU PODER E ASSIM CONTINUAR SUBMETENDO TODOS ÀS SUAS ORDENS.
A DIRIGENTE FOI PROCESSADA, MAS LEVOU SOMENTE PENA DE SUSPENSÃO, PORQUE TEVE APOIO POLÍTICO E OS DIRETORES NÃO A RESPONSABILIZAM, POR MEDO DE TER QUE DEVOLVER MUITO DINHEIRO - O DINHEIRO "GUARDADO" - ALÉM DO RECEIO DE PERDER APOSENTADORIA E QUALQUER OUTRO PRIVILÉGIO. OS ADVOGADOS DOS DIRETORES DENUNCIADOS QUEREM RESPONSABILIZAR O ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE POR TODOS OS DESVIOS, MAS A VERDADE É QUE O ESCRITÓRIO VENDIA AS NOTAS AOS DIRETORES DE ESCOLA POR ORDEM DA DIRIGENTE DE ENSINO, COM O CONHECIMENTO DOS SUPERVISORES DE ESCOLA, QUE PORÉM NÃO ESTÃO SENDO PROCESSADOS.
Se você leu com atenção o depoimento dessa diretora de escola, entendeu como é que a dirigente "amarrava" os diretores: ela não oferecia dinheiro para eles, apenas pedia uma parte e sugeria que eles "guardassem" outra parte . Um velho ditado diz que a ocasião faz o ladrão...
Saiba que Araraquara é um dos municípios mais ricos do país, provavelmente a dirigente de ensino e os diretores de escola da região acharam que o prejuízo para os alunos seria pequeno e que não pesaria para ninguém o desvio de "um dinheirinho" para eles poderem reformar suas casas ou trocarem de carro. O mais grave de todo esse affair é que a própria dirigente de ensino devia estar, por sua vez, "amarrada" a um esquema maior que a protege... você sabe por que? Você sabe, eu sei, mas tudo isso só virá a público no dia em que uma criança aparecer e gritar: "O rei está nu!" Cabe também mais uma perguntinha: quantos esquemas desse tipo não existem no Brasil inteiro? Eles só poderão começar a cair num efeito dominó se o primeiro for desmascarado. O esquema de Araraquara conta com um número impressionante de provas e testemunhos, mas o grande perigo é que a corda arrebente do lado mais fraco: os pais de alunos, ingênuos diretores das APMs, que foram assinando cheques em branco.
Mais uma vez faço um apelo aos jornalistas sérios do país, para que se inteirem deste assunto que, afinal, está na polícia federal. O EducaFórum pode informar os nomes e telefones de testemunhas idôneas, pessoas que têm perdido o sono e a paz devido a perseguições e ameaças.
Senhores jornalistas, principalmente aqueles que, como eu, já estão de cabelos brancos: que país pretendem deixar para seus filhos e netos?...
Leia aqui as matérias anteriores sobre o esquema de Araraquara.
04 Outubro 2009
A escola brasileira no século XIX

Os amigos PaisOnline recomendaram a leitura de mais uma entrevista com o americano Martin Conroy, especialista em educação. Novamente, ele é bem taxativo em apontar as maiores mazelas da escola pública brasileira.
Leia a entrevista clicando neste link.
Relembre a entrevista anterior clicando aqui.
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