27 março 2010

Mais um tribunal ilegal numa escola!


Como costumamos dizer, o papel dos Conselhos de Escola está completamente desvirtuado: em lugar de serem instrumentos democráticos à disposição da comunidade escolar, tornaram-se tribunais ilegais para o julgamento e a expulsão de alunos. A história contada a seguir por uma mãe só teve um final feliz por ela ser... funcionária da educação. Por esse motivo, também, não estamos publicando seu nome. Mas temos certeza de que, se ela fosse uma mãe "comum", a supervisora da escola não teria cancelado a punição injusta do filho. Aliás, dois outros alunos foram expulsos e ninguém se preocupou com isso. O "crime", como de costume, foi o de soltar as famigeradas bombinhas de São João. Antigamente, tratava-se de uma travessura punida de forma pedagógica, mas hoje ela vale uma expulsão, por diretores de escola que conseguem manipular o Conselho e assim eliminar da escola os "elementos" indesejados, incentivando os alunos a dedurar seus colegas.

Essa é a escola que DESEDUCA e EXCLUI, ao invés de orientar e acolher o aluno. Quando depois ocorre uma invasão de ex-alunos revoltados na escola, pede-se a redução da idade penal!

Segue a mensagem da mãe de aluno que felizmente conseguiu reverter a punição do filho:

Meu filho foi acusado juntamente com outros três alunos de soltar bombinhas na escola. Todos alegaram inocência, mas a escola insistiu na acusação baseada em depoimentos de outros alunos (dizem eles).

Foi realizada uma reunião de conselho de escola onde apresentei várias ocasiões em que soltaram bombas e que meu filho não estava presente, inclusive de uma outra acusação em que foi provada sua inocência. Mesmo assim, o Conselho o considerou culpado. Foi decidido que um dos garotos seria advertido, meu filho seria punido com 6 a 10 dias de suspensão e outros dois alunos foram expulsos da escola. No dia em que aconteceu a reunião do Conselho de Escola, me senti totalmente humilhada.

Procurei o Conselho Tutelar da minha cidade, que entrou em contato com a escola para tentar resolver a questão, mas a diretora se manteve irredutível. O conselheiro me orientou a protocolar uma queixa que seria encaminhada ao Ministério Público.

Como eu queria resolver o problema e não complicá-lo ainda mais, protocolei a queixa na Diretoria de Ensino e a suspensão foi cancelada, com a garantia de que meu filho não sofrerá nenhuma discriminação ou tratamento diferenciado por parte da direção da escola, professores ou funcionários. A supervisora não concordou com a forma como o caso foi conduzido pela escola nem com o fato de utilizar depoimentos de alunos como prova.
Espero que este caso possa ajudar outros pais a buscar seus direitos, pois existem muitos abusos de poder nas escolas.


25 março 2010

CQC MATA A COBRA E MOSTRA O PAU!

Você leu aqui na semana passada a nova história que trouxemos sobre Barueri. O que não sabíamos e continuamos sem saber é quem roubou a televisão de plasma. A primeira informação que recebemos foi de que teria sido a diretora da escola, mas na verdade o aparelho foi parar na casa de uma funcionária... Como é possível que uma simples funcionária tenha levado para casa um aparelho doado para a escola? A não ser que essa funcionária tenha recebido a TV de "presente" por ter prestado serviços inconfessáveis, rs...

Este post deveria se chamar MÍDIA NOTA DEZ, em contraposição à série MÍDIA NOTA ZERO, pois toda a história foi engenhosamente arquitetada pela equipe do programa CQC, da TV Band, coordenado pelo genial Marcelo Tas. Parabééééééns, CQC, e muito obrigado pelo serviço prestado!

O amigo Mauro Silva, do Movimento Coep, coletou pacientemente todos os vídeos que mostram o desenrolar da história. Em resumo: O CQC resolveu doar uma TV de plasma para uma escola do município de Barueri e a entregou na própria Secretaria da Educação. Dentro do aparelho foi colocado um GPS para monitorar o paradeiro da TV e um alerta que informava toda vez que o aparelho estava sendo usado. Durante dois meses o alerta informou que a TV era ligada várias vezes ao dia, inclusive durante as férias escolares e no horário noturno. O GPS indicou o endereço exato da localização do aparelho e revelou que... não se tratava de uma escola, mas de uma residência.

O resto da história você vai poder assistir nos vídeos que o Mauro divulgou. Vale muito a pena ver todos, pois trata-se de um retrato fiel da política brasileira, como nós do EducaFórum bem conhecemos, por nossas andanças nas Secretarias da Educação, Câmara Municipal e Assembléia Legislativa. Preste bem atenção na conversa do Secretário da Educação e do Prefeito de Barueri, que são irmãos. Lembre-se também que o Secretário da Educação de Barueri foi aquela figura que expulsou 41 alunos de uma única escola e os xingou de tudo quanto é nome, sugerindo que eles fossem estudar "nos quintos dos infernos".

Viva o CQC! Tomara que o Marcelo Tas e sua equipe continuem desmascarando as mazelas da educação.

Vídeo CQC número 1

Vídeo CQC número 2

Vídeo CQC número 3

Vídeo CQC número 4

Vídeo CQC número 5

EM TEMPO: o "Cemitério das celebridades" acaba de enterrar o prfeito de Barueri. Imperdível: leia aqui!

21 março 2010

A escola tabu nº 10 - Imagine na pública!


Recebemos a seguinte mensagem de uma mãe de aluno da rede privada em Minas Gerais:

Preciso de orientação em uma situação que tenho enfrentado em minha família:
meu filho de 7 anos de idade estava matriculado em uma escola particular na cidade onde moro. Comecei a perceber mudanças no comportamento dele, pois, durante as tarefas, ele sempre repetia: "eu não consigo aprender"; "eu sou burro"; "a professora vai brigar comigo".

Ele também relatou que a professora rasgava as páginas do caderno dele toda vez que ele errava algo. Daí, numerei as páginas do caderno para saber se a informação procedia e, infelizmente, faltavam páginas (ele não tem o hábito de arrancar folhas do caderno). Tentei conversar com a supervisora, mas o que percebi foi o famigerado corporativismo, e ela disse simplesmente que não percebia nada disso e que seria imaginação do meu filho.

Bem, mudei-o de escola nesta última terça-feira (16/03), após 2 meses de convívio com esta "professora". No ato da solicitação de declaração escolar (tinha 2 filhos nesta escola), a diretora de ensino quis conhecer os motivos da retirada de alunos e eu os narrei. Obviamente, ela elogiou bastante a professora (que é esposa de destacada figura política local) e disse que seria imaginação do meu filho e que, se eu o retirasse da escola, ele saberia que consegue me manipular e que eu deveria tomar as rédeas da educação da criança. Sinceramente, preferi nem comentar, tal a ganância capitalista desta instituição, interessada unicamente em aumentar seus erários, a custa de agressões psicológicas de crianças.

Bem, ontem minha sobrinha (que estudava com meu filho) narrou-me mais um capítulo desta história: ela disse que, sempre que meu fillho errava algo, a professora chamava as professoras das salas vizinhas para mostrar o caderno e dizia em alto e bom tom: "Olha aí, está vendo? Eu não disse?" Fiquei furiosa ao saber disso e pretendo acionar o Conselho Tutelar, o Ministério Público, a Secretaria Estadual de Educação e quem mais for de direito. Vou acionar um advogado contra o colégio por danos morais contra meu filho.
Preciso de uma palavra, conselho, sugestão, até mesmo repreensão de vocês. Me ajudem.


Nossa resposta para essa mãe:

Prezada, o que você relata é muito comum! A diferença é que a maioria das mães não tem a coragem e esperteza que você teve, ao buscar os motivos do mal-estar do seu filho. Geralmente, elas o mudam de escola e preferem esquecer o passado.

Seu relato mostra direitinho a mesquinhez e a hipocrisia da escola, sempre tentando acusar as crianças de mentirosas e encobrindo todos os abusos dos profissionais. Você não faz idéia o que se passa na rede pública, onde os profissionais são inimputáveis e os pais não têm o direito de escolher a escola!

Essa escola merece uma intervenção, mas você só vai conseguir isso se convencer outros pais a tirar seus filhos de lá e se unir a você. Infelizmente, uma andorinha não faz verão. Saiba que será difícil conseguir testemunhas, pois, como você mesma disse, o corporativismo é forte e NENHUM funcionário irá arriscar seu emprego. Entre os pais das crianças dificilmente alguém se atreveria a ir contra a escola, por temer represálias contra os filhos, com muita razão, pois nessa idade não sabem contar as formas de perseguição de que são vítimas. Por isso todos os pais denunciantes precisam primeiro mudar seus filhos de escola.

Se você conseguir convencer outros pais (no mínimo três), junte o grupo, dirijam-se primeiro ao Conselho Tutelar, em seguida ao Ministério Público. Por último, com os protocolos em mãos, dirijam-se à Secretaria da Educação e peçam intervenção na escola.

Mande notícias e boa sorte!!

20 março 2010

A escola tabu nº 9 - Só com advogado!


Um professor de uma escola municipal do Rio de Janeiro estava "tapando buraco" de uma aula vaga (substituindo a mulher), quando os alunos começaram um falatório e ele atirou o apagador na cabeça de uma aluna.

Até aí, nada demais, assunto corriqueiro que comprova o fenômeno da aula vaga, que solapa 30% do ano letivo aos alunos e que é "contornado" enfiando nas salas de aula qualquer um que esteja disponível na escola, seja professor de outra disciplina, seja merendeira ou inspetor de alunos, como você leu no post anterior. Outra forma de "contornar" as aulas vagas é passando nas salas de aula fitas de qualquer tipo e origem, mesmo piratas, como por exemplo Tropa de Elite, que foi exibido a rodo para turmas de Ensino Fundamental em 2008 e o caso só veio a público porque uma garota passou mal e alguém chamou a imprensa.

Enfim, é o que chamamos de "faroeste" na educação. O caso acima, do professor que atirou o apagador na cabeça da aluna, também só veio a público porque a mãe da menina trabalha como empregada doméstica para uma advogada, que imediatamente a orientou para fazer um BO e acusar o professor de agressão. Isso é o que a mídia considera NOTÍCIA. Entenda bem: a notícia não é a agressão do professor, isso é coisa de rotina diária que ninguém levaria a sério. A notícia é a mãe ter ido parar na delegacia, coisa que 99,99% das mães não fazem, pois têm a certeza da impunidade do professor e da perseguição que seus filhos certamente sofreriam. Quando a agressão parte do aluno, imediatamente os sindicatos dos professores correm chamar a imprensa, que nunca se recusa a atender...

Esse professor teve azar, pois a mãe da menina trabalha para uma advogada, o que também não significa que todas as advogadas se empenhariam em defender os filhos de suas empregadas que fossem agredidos na escola. Aliás, a maioria dessas mães não se atreveria em incomodar a patroa com uma questão insignificante... Em resumo, este caso é um bom exemplo da "Escola tabu". E essa advogada é um bom exemplo de cidadania, coisa extremamente rara por aqui. Lembram do apelo que Gustavo Ioschpe fez em nível nacional, buscando um advogado que quisesse acionar o Estado para indenizar o aluno que teve seus pulsos fraturados durante uma aula de educação física? Esse garoto não foi socorrido, foi impedido de ligar para a mãe buscá-lo, ainda teve que fazer uma prova escrita e voltar para casa sozinho. NENHUM ADVOGADO, no Brasil inteiro, se dispôs a assumir o caso. A escola continua uma instituição sagrada onde a culpa de tudo é do aluno.

A mãe da aluna tomou a atitude mais apropriada: mudou a filha de escola, para evitar as fatais represálias. A Secretaria da Educação vai abrir uma sindicância-piada, o sindicato dos professores vai alegar que o profissional estava "estressado" e provavelmente conseguir uma licença para o mesmo...

Veja agora e compare os dois vídeos que relatam o caso:




O vídeo acima é da TV Record, que atrapalhou um pouco as informações, já que uma aluna de 11 anos é uma criança, não uma adolescente. Em compensação, o vídeo noticia que a mãe da aluna trabalha para uma advogada, esclarecendo assim o motivo pelo qual o caso veio a público.




Este vídeo é da TV Globo e já vai "sem querer querendo" justificar o professor, pois a sala "deveria estar uma bagunça". A reportagem não informa que o fato ocorreu durante uma aula vaga e que a mãe da aluna trabalha para uma advogada, o que justificou a reportagem. Mais uma vez, a Globo ataca com sua pedofobia.

Alguém tem um palpite sobre como essa história vai acabar?...

Leia agora o comentário da professora Glória Reis:

"Se fosse a aluna que tivesse jogado um objeto no professor, a notícia sairia até no Jornal Nacional e toda a imprensa estaria pregando aqueles horrores costumeiros contra os "menores", e a menina já teria recebido a sua "pena" (que chamam de medida sócio-educativa), no mínimo, "prestação de serviço à comunidade" (art. 112 do ECA).
Mas tratando-se de professor, a agressão será justificada pelo estresse, baixo salário, falta de valorização do "mestre" e todas essas falácias de sempre. Conheço várias vítimas de lançamento de apagador em sala de aula, todas abandonaram os estudos, pois são também vítimas do abandono e da falta de fiscalização nas escolas. Até quando?"

17 março 2010

A escola tabu nº 8 - Mensagem de uma inspetora de alunos


Recebemos a seguinte mensagem de uma inspetora de alunos da rede municipal de São Paulo:

Meu nome é Rosely. Estudo pedagogia e acredito na educação como meio de transformação social... Sou inspetora de alunos de uma escola pública de São Paulo, com profissionais desgastados e indiferentes. A escola é vitima das aulas vagas... fico em média umas cinco aulas por dia nas salas por conta das faltas de professores, junto com outras funcionárias e substitutos.... Todos os dias faltam professores e nós somos jogados na sala de aula (detalhe, nosso cargo exige apenas o fundamental completo!!), sem nenhum preparo pedagógico, sem atividade, apenas para "tapar buraco". Um descaso dos coordenadores e diretores para conosco e com os alunos, apesar deles gostarem bastante de ficar sem aula...
Esse é um grande problema pra mim, que está me atingindo pessoalmente, e estou tentando encontrar soluções...

É revoltante o que se passa na escola... Toda aquela esperança de encontrar um ambiente totalmente educacional se tornou o choque de ver a realidade de que a escola é depósito de crianças...uma professora até me disse que nao há diferença entre as escolas e a Febem, agora Fundação Casa...

Gostei muito das mensagens de voces!! E gostaria de saber tambem se além do blog vocês atuam na area de educação de outra forma, achei o discurso de vocês bem consistente. Estou procurando exemplos e orientações para a minha atividade atual e futura, e vocês tem uma postura politica bastante ativa. Finalmente encontrei um movimento real pela educação na internet!

Segue a resposta que enviamos à Rosely, que se identificou mas cujo nome preservamos para evitar perseguições:

É muito raro e um prazer receber depoimentos como o seu! Se isso lhe servir de consolo, a realidade que você vive é generalizada: as escolas que "oferecem" aos seus alunos poucas aulas vagas são exceções que confirmam a regra. E NENHUMA escola pública se preocupa em dar ou repor TODAS AS AULAS para seus alunos.

Infelizmente não confiamos nem um pouco no secretário Alexandre Schneider, ele tratou com muito descaso umas mães de alunos que foram levar sérias denúncias para a Secretaria, permitiu que elas fossem "massacradas" em uma apuração preliminar que livrou a escola de toda responsabilidade e só não deixou que essas mães fossem processadas por injúria e difamação pela diretora da escola, porque sabe que colocamos a boca no trombone...

Se a Secretaria estivesse realmente interessada em ouvir as pessoas e resolver os problemas, a atitude mais sensata seria juntar pais e funcionários da escola para uma visita ao gabinete, pedindo providências. Mas depois do que passamos em nossa última visita à SME, nada nos anima a repetir a dose. Governo sem compromisso? A solução é dar o troco nas urnas!

Essa é a realidade, Rosely. Mas nós não desistimos! Quando a Secretaria da Educação não nos atende, ou atende a comunidade com descaso, vamos então à Câmara Municipal ou à Assembléia Legislativa e enfrentamos os Secretários em audiências públicas. Foi o que fizemos após nossa visita ao secretário Alexandre Schneider. Depois que percebemos que não adiantaria voltar à Secretaria, aproveitamos uma visita dele à Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, fomos até lá e participamos da audiência, fizemos perguntas e enfrentamos publicamente o Secretário, inclusive nossas denúncias foram gravadas.

Nós somos, sim, um movimento real, apesar ou talvez justamente por não termos registro, não recebermos verbas de ninguém e principalmente não termos vínculo com partidos políticos. Somos ATIVISTAS pela educação, nosso partido é o aluno, aliás iniciamos este trabalho há vinte anos como pais de alunos. A experiência que acumulamos como pais nos ajudou depois a auxiliar todos os demais pais, alunos e membros da comunidade que nos procuram pela internet ou pessoalmente.

A aula vaga é de longe o maior problema da rede pública de ensino. Leia nosso post anterior Aula Vaga clicando aqui e veja como a questão é séria. A única solução seria que TODOS, pais, alunos, funcionários e professores sérios viessem a público relatar esse descalabro. Mas essa sua atitude é muito rara: aliás você foi muito corajosa em informar seu nome, que vamos preservar, porque temos certeza de que seria perseguida. Infelizmente uma andorinha não faz verão e este é o país onde a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Na escola é o aluno, o professor e o funcionário mais sério.

Temos certeza de que você vai ser uma excelente pedagoga! Já iniciou suas atividades dentro da escola de forma crítica e inteligente e tem respeito pelo aluno. O problema da rede pública de ensino é que se trata de um imenso cabide de empregos onde cada um faz o que quer porque falta fiscalização. Mas isso não preciso te dizer, pois você mesma já percebeu.

O que podemos lhe indicar é o estudo da legislação da educação. É nela que sempre nos apoiamos e é por isso que conseguimos resultados em nosso trabalho. Não adianta apenas criticar, é preciso fundamentar as questões e apontar caminhos. Na página inicial do nosso blog você vai encontrar aguns artigos da legislação. No site dos nossos amigo PaisOnline tem um link com toda a legislação da educação. Continue em contato!

16 março 2010

A escola tabu nº 7 - Mais uma de Barueri


Os municípios mais ricos do Brasil, como Araraquara e Barueri, são os que mais desprezam suas crianças e adolescentes carentes.

Araraquara é o exemplo mais impressionante, com o escândalo do milionário desvio de verbas da educação que resultou no famoso "Podrão", inquérito policial com 20 volumes de notas fiscais frias que se encontra no 2º DP da cidade.

Barueri voltou a chamar a atenção com um caso bem típico e quase nunca denunciado: a diretora de uma escola apropriou-se de uma TV recebida em doação e o programa CQC, da Band, foi proibido por notificação judicial de exibir um quadro em que informava o fato.

Realmente, o que acontece na rede pública de ensino é mesmo tabu! Vamos relembrar também o caso clássico ocorrido em Barueri, quando o próprio Secretário Municipal da Educação reuniu 41 alunos expulsos de uma única escola, os chamou de macacos, bandidos, vagabundos e disse que deveriam ir estudar "nos quintos dos infernos".

Infelizmente os alunos não puderam usar o celular para registrar essa cena dantesca, pois - como você sabe - o uso do celular foi proibido nas escolas. Foi a palavra do Secretário contra a dos alunos, sendo que o Secretário da Educação de Barueri é irmão do prefeito e do presidente da Câmara Municipal. Havia dois excelentes vídeos no youtube, com depoimentos dos alunos sobre o fato, mas eles estranhamente sumiram...

Registrando as informações sobre este caso:
ocorrido em 06/05/08, na EMEF TARSO DE CASTRO

Esperamos que os pais de alunos se lembrem direitinho da forma como seus filhos são tratados em municípios como Araraquara e Barueri e que dêem o troco nas urnas, a única forma de fazer justiça em um país onde a própria justiça fica sempre do lado do poder.

Leia mais posts da série A escola tabu.

14 março 2010

Jogo de dados, rsrs



Ainda estamos tentando entender os números do Saresp 2009. Qualquer hora baixa o "santo" e passa uma informação correta, rsrs. Bem que um antigo chefe meu dizia que no Brasil não existem dados confiáveis...

Por enquanto, os dados disponíveis são em nível federal:

Analfabetismo: ........10%
Meta para 2010: ........4%

Repetência: ...............13%
Meta para 2010: ..........10%


A mudança é possível!


Seguem trechos de um depoimento da amiga Márcia Fernandes, que estudou no Vocacional Osvaldo Aranha, em São Paulo, antes que a ditadura militar fechasse os colégios Vocacionais, que eram 6, espalhados pelo Estado. Hoje, a EE Osvaldo Aranha é aquela escola estadual onde fomos chamados diversas vezes para garantir a vaga de alunos "indesejados" e afastar uma professora que os xingava a bel prazer...

Pelo relato da Márcia percebe-se que o projeto Vocacional era bastante viável, havia muita disciplina mas o aluno tornava-se o protagonista de sua vida escolar e desde cedo desenvolvia senso crítico e independência. Por isso mesmo os Vocacionais foram fechados pela ditadura militar, preocupada com o possível despertar de lideranças políticas entre os alunos.

Leia com atenção o último trecho, onde Márcia fala que, após a prisão dos professores e demais profissionais da escola, os próprios alunos das classes mais avançadas foram "dando aula" para os demais alunos, a fim de que não perdessem o ano escolar. Eles puderam fazer isso porque participavam da elaboração dos projetos da escola, que era deles. Após essa "brincadeira" houve intervenção no colégio, acabando de vez com o Vocacional.

Para ler o texto completo da Márcia, acesse seu blog Palavra de Músico. Ela prometeu continuar seus relatos sobre o Vocacional. Vamos acompanhar.


Quem dentre a grande maioria, pode se lembrar da escola como de um lugar no mínimo aprazível? A grande maioria das pessoas se refere aos tempos escolares com saudades, mas dos amigos, dos ex-colegas, de um tempo de juventude ou infância. Raros, raríssimos são aqueles que podem dizer que têm saudades das aulas de matemática,do diretor, do professor de química, da prova de Português. E principalmente,das conversas com a orientadora pedagógica! Eu tenho muitas saudades da Evair, grande orientadora mesmo.

Em 1967, aos 11 anos de idade, entrei na 1ª série do Vocacional Osvaldo Aranha, mais conhecido como o "Vocacional do Brooklin". O bairro de classe média alta me intimidou um pouco, eu que recém havia mudado de um bairro da periferia de Osasco para a Vila Mariana, admirava a modernidade das habitações, as casas com grandes jardins...quem seriam os alunos daquela escola?

As aulas começavam às 7:15 da manhã. E duas vezes por semana terminavam às 16:30. Esses eram os melhores dias, dias da "Opção". Como diz a palavra, opção eram as aulas que o aluno escolhia para desenvolver: Artes Plásticas (AP), Artes Industriais (AI), Economia Doméstica (ED), Práticas Comerciais (PC). Essas 4 matérias faziam parte do currículo, mas o horário de Opção aprofundava esses conhecimentos.

Nesses dias almoçávamos na escola. As equipes de alunos se alternavam na preparação, limpeza e atendimento do refeitório. Aproveitávamos para aprender algumas receitas com os cozinheiros. E havia as aulas de "Projetos". Eu participava do Projeto de Flauta-doce e do Coral. Participei também de outros projetos, de Português, entre tantos outros. E nas opções passei por AI e AP, PC e ED, alternadamente, pois você podia participar de duas a cada ano ou semestre, não me lembro bem.

Do que me lembro bem é do 1º dia de aula. O pátio cheio de crianças procurando a sua fila. O Vocacional trabalhava muito a questão da disciplina. Com um grande diferencial: alunos, professores, coordenadores, supervisores, participavam de todas as decisões. E se acaso um aluno se sentia excluído de alguma decisão, ele imediatamente organizava um grupo de discussões, levava o assunto para a sua equipe, geralmente escolhia um professor para ajudá-lo na sua argumentação, levava a questão para a Orientação Pedagógica, e começava uma tremenda briga cujos argumentos se fundamentavam no conteúdo moral desenvolvido pela própria escola, em salas de aula. Fazíamos política. Os professores ficavam realmente preocupados com as colocações que fazíamos, e ao mesmo tempo muito satisfeitos porque eram resultantes do sistema de ensino. As contradições se aglomeravam diáriamente.
Direitos, deveres e poderes eram o tema de cada momento. Tínhamos ali uma comunidade organizada, uma sociedade viva.

Não éramos "autorizados" a falar. Éramos os donos da palavra, da escola. Tínhamos a compreensão da estrutura à qual pertencíamos. A linha divisória entre professor e aluno era bem definida, ao contrário dessa discussão estéril sobre o papel do professor e o do aluno. Muitos pedagogos atuais diriam que o Vocacional era uma escola conservadora. E era mesmo. Tínhamos princípios, regras, horários, comportamentos, compromisso. Compromisso com uma idéia. Tínhamos certeza de que aquela escola era única, mas que estava a caminho de se tornar a escola brasileira, pois estava dando certo.

O que chamam hoje de "interdisciplinaridade" é algo que se aproxima do que o Vocacional chamava de "integração". Mais fácil de entender, não? Não pensávamos em "disciplinas", mas em áreas de conhecimento.Todas as áreas de conhecimento possíveis de serem abordadas na escola se integravam através dos seus conteúdos.

O que me intriga é ver como o Vocacional desapareceu da memória educacional deste país. Uma tese afirma que o Vocacional seria totalmente inviável nos dias de hoje como escola pública, pelo seu "alto custo". Ora, que desinformação absoluta! O prédio do Vocacional do Brooklin, que lá está até hoje, é muito mais modesto do que os CEUS de hoje em dia. Nem se compara, em termos de espaço e estrutura. Nosso maquinário e bancadas das oficinas de AI, nossa Cooperativa, nossa Cantina, Banco, nosso atelier de AP,eram adaptados utilizando a propria construção e dimensão das salas de aula. Quem imagina o Vocacional como essas escolas particulares de hoje, que mais se parecem com hospitais, está muito enganado.
Nossa área de música, por exemplo, era uma sala de aula com um piano e um contrabaixo,este doado pela família de um dos alunos. E carteiras, mesinhas que empurrávamos para os cantos da sala, para ter mais espaço. Me lembro de um mutirão coordenado por AI para restauração das carteiras, sábado de manhã, a escola em peso, às 7:15, lixando e envernizando carteiras. Aprendemos as técnicas de lixar com uma madeirinha, de fazer uma boneca de algodão para o verniz. Uma festa.

Em 1969 as escolas Vocacionais foram invadidas pelo exército brasileiro. Os professores foram presos, Maria Nilde foi presa, processada e tudo o mais que a gente sabe, não é?... Aquelas práticas que os sistemas totalitários gostam de utilizar. Os pais de alunos ficaram apavorados, seus filhos perderiam o ano escolar, além de tudo. Nos mobilizamos: os alunos das séries mais avançadas davam aulas para os da imediatamente anterior, e assim, sucessivamente. Tínhamos cohecimento de todo o conteúdo que iria ser desenvolvido no bimestre e durante o ano, pois participávamos do planejamento, elaborávamos a proposta de estudo. Sabíamos quais os textos que seriam utilizados. Conhecíamos a didática. A escola era nossa.

Aí foi demais.Isso provocou intervenção na escola pra acabar com essa “brincadeira”. Depois eu conto o resto.

Márcia Fernandes

13 março 2010

A democracia como prática pedagógica


O marasmo em que se encontra a educação pública brasileira não se justifica.

Assista esse vídeo sobre os Colégios Vocacionais e perceba que já existiu, em São Paulo - Brasil, um projeto educacional que fazia do aluno o centro da escola e levava a VIDA para dentro da sala de aula. Os Vocacionais foram fechados pela ditadura militar em 69, por terem a democracia como prática pedagógica.

Muito emocionante, esse achado da amiga Márcia Fernandes, que teve o privilégio de estudar no Vocacional Osvaldo Aranha. A partir da ditadura, todos os Vocacionais viraram colégios "normais" e hoje estão no mesmo nível de mediocridade das demais escolas públicas. No próprio Osvaldo Aranha, aliás, já fomos chamados diversas vezes para defender alunos contra o autoritarismo da escola...

O vídeo é antigo e bem deteriorado, mas percebe-se claramente a alegria do ambiente e a grande gama de atividades que os alunos tinham à disposição para desenvolver suas habilidades, inteligência e espírito de grupo. O que mais chama a atenção é o dinamismo e o entusiasmo dos alunos na fita, quando hoje as escolas públicas mais parecem cadeias e toda manifestação de vivacidade dos adolescentes é considerada indisciplina.

Vamos continuar pesquisando a respeito dos Vocacionais e trazer mais material para o blog, aliás já nos cadastramos no site da Associação dos Ex-Alunos do Vocacional.

Realmente, este é um país sem memória! Se houvesse, no Brasil, um único político realmente preocupado com a educação, ele resgataria essas memórias e lutaria para colocar em prática um programa de ensino que leva o mundo para dentro da escola e permite que os alunos possam desenvolver suas vocações. Um programa realmente interdisciplinar, que vai além da leitura e da escrita e utiliza o jogo, a dramatização, o debate, arte, música, atividades manuais...

Será que existe esse político? Será que seu partido concordaria em apoiar tal iniciativa? Será que a preguiça da categoria não a boicotaria? Quantas dúvidas!...

11 março 2010

Belíssimo depoimento!


O depoimento a seguir é do amigo João Barbosa, que já trabalhou na Febem feminina e faz um relato lúcido de sua estada na instituição. A Febem, que já foi RPM e hoje é Casa, é nossa velha conhecida: é para lá que costumam se encaminhados os alunos "rebeldes", os excluídos da escola e marginalizados da sociedade.

As datas comemorativas na Febem tinham peso de viaduto. Primeiro de ano, Carnaval, Dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, Natal. Era problema. Uma espécie de descontentamento geral tomava conta. E todo cuidado era pouco. Aquele caldeirão de hormônios e emoções ia lentamente aquecendo e pronto pra a qualquer hora entrar em ebulição. A diretoria inventava alguns artifícios para amenizar essa fogueira, como os amigos secretos entre alunas e funcionários, onde o presente delas era o material produzido nas oficinas educativas e dos funcionários presentes comprados. Isso dava algum equilíbrio.

Mas a Febem é feita para não dar certo. E nisso os governadores e secretários de promoção se superam. A gente conseguiu através de uma "louca" de uma diretora tornar nossa entidade uma entidade modelo. 80% da meninas estavam trabalhando fora e se ressocializando, como manda a cartilha, índice de participação nas atividades internas, 100%. Sem registro de fugas há mais de três anos. Uma vez levamos as meninas para participar de um programa na Cultura, " Matéria Prima ", que era produzido pelo Serginho Groisman e apresentado pelo Kid Vinil e Dadá Cirino, os temas eram vida e música de compositores brasileiros. Nossos temas foram Cartola e Jorge Ben, as meninas foram ensaiadas para responder e cantar. Ganhamos os prêmios. Muita culpa disso foi do Matias Capovilla, um músico cuja sensibilidade contagiou a todos, que montou uma puta banda para nos acompanhar. Ganhamos um aparelho de som da Gradiente. Vencer era importante prá elas... Participamos também de um festival de musica infantil do Sesc e da Rádio USP, Matias novamente apoiando. Ficamos em terceiro, concorrendo, por exemplo, com Mario Manga e uma menininha cantando, que depois virou a Maryana Aydar, defendendo uma música dele.

Enfim, aquele unidade pegava fogo cultural também. Mas, com a mudança de governo e sotaque (cada vez, que mudava o secretário da pasta, ele nomeava o povo de sua cidade, geralmente do interior de São Paulo), transferiram todos os profissionais da unidade. Mudança de orientação.E aí voltou às manchetes: rebeliões, fugas etc.

Podem mudar o nome, pois já foi RPM ( Recolhimento Provisório de Menores), FEBEM (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor) ou CASA (Centro de Atendimento Socioeducativo ao Adolescente). O colchão queimado é o mesmo e na sua simbologia a fumaça se perde junto com as soluções mágicas.

João Barbosa

08 março 2010

Mais uma de Minas Gerais!


Há quatro anos acompanhamos a saga da família mineira que percebeu a falência da escola e optou por educar seus filhos em casa. Em mais uma instância do processo, a família foi condenada. Mas a história ainda não acabou. Vamos ver até aonde vai a arrogância de um Estado que não oferece educação de qualidade para suas crianças e adolescentes e ainda pune os pais que têm condições de suprir suas deficiências.


Não faltam especialistas que discordam da educação dada em casa. Falta perguntar para esses especialistas se seus próprios filhos estudam na rede pública de ensino...

Tudo, na escola, é pedagógico... ou não.


Recebemos a mensagem de mais uma aluna sobre a questão do uniforme, de longe o assunto mais "importante" numa escola falida. Escolhemos esta mensagem para publicação, porque mostra claramente a boa educação da aluna e, na outra ponta, o autoritarismo e a hipocrisia da escola. Quando se fala que a obrigação de educar cabe à família, não se leva em conta que TUDO, NA ESCOLA, É PEDAGÓGICO, ou não...

A aluna é inteligente e soube pesquisar no blog: encontrou a Lei 3.913 e questionou o uso obrígatório do uniforme. A lei não se aplica ao Estado de Minas Gerais, mas ela pode se consolar: aqui também não é respeitada, rsrsrs. (Rindo para não chorar, em um país onde as leis não passam de papel de embrulho)

Essa aluna vai precisar tomar muito cuidado, pois poderá vir a ser fortemente perseguida pela direção da escola. Aluno inteligente e questionador corre o sério risco de ser expulso da escola. Isto é Brasil!

Sou estudante do ensino médio de uma escola Estadual de Minas Gerais.
Hoje ao ir a escola fui barrada pela vice diretora com a seguinte fala :" Você sabe que não pode usar blusa indecente aqui na escola". Isso foi dito porque eu estava usando uma blusa de alça, mas sem nenhum decote nem mostrando a barriga. Fui mandada embora porque não tenho o uniforme, estava com o dinheiro para comprar, mas a escola não tinha disponivel e mesmo assim fui mandada embora. Nas regras da escola diz que não pode ir de blusa de alças mas não tenho blusas como ela exige e fui com a que tenho, pois estava a espera do uniforme.
Fico intrigada com essas regras, pois o aluno a respeita e ao contrario os educadores vão de blusas decotadas e de alças. Os direitos não são iguais?

Mas na Lei nº 3.913 diz: Artigo 1º – Aos estabelecimentos oficiais de ensino do Estado fica proibido instituir o uso obrigatório de uniforme.
Então fiquei com dúvidas se estou certa ou errada. Diante desse caso gostaria de um esclarecimento dizendo se a atitude da vice diretora foi correta ou não.
Desde já, obrigada !

Aluna de Minas Gerais

02 março 2010

Tortura nunca mais?



Alunos de seis anos devem ser matriculados na primeira série. Aumentou um ano do sofrimento. Escolas colocam crianças de seis anos em carteiras de adultos… carteira dura e alta, por até cinco horas. O processo de ensino e a alegria de aprender – tão presente nessa idade – é um sofrimento covarde imposto a crianças pobres. Para alcançar o caderno elas têm que mal escorar as costas nas mochilas, que improvisam um encosto. Os pés ficam dependurados ou cruzados no pequeno espaço duro do assento das carteiras.

Uma professora conta para o Jornal a Folha de São Paulo que essas crianças coçam o olho, que ficam vermelhos de cansaço… e outras dormem exaustas da posição desconfortável, obrigadas a ficar por horas a fio. Nem precisa ser especialista para saber que nessa idade a criança é agitada e precisa aprender com trabalhos lúdicos; e mesmo assim em posição confortável. Que a atenção em um ponto só é conseguida até dez minutos… depois ela dispersa, descansa e pode até voltar se descansar. Nada de brinquedoteca. Nada de lúdico. Só uma escola dura, cruel, brutal, desconfortável. E carteiras que são instrumentos de tortura.

Criança não pode se levantar, a gente sabe que se a professora for do tipo maus bofes, ela pode bater, gritar ou cometer quaisquer violência contra a criança sem ser punida. Fica a criança também à mercê do humor da professora, que nem sempre é dos bons. Se temos educadoras, humanas e carinhosas, temos também verdadeiros animais arrogantes e estúpidos. É um jogo de azar. Quem pegar uma boa professora ainda assim é torturado por ficar em carteira de adulto até à exaustão.Esses alunos, em uma questão de tempo, vão odiar a escola. Nem chegaram e já vão odiar. Só de lembrar da escola vão se arrepiar de medo.

Assim começa a escola pública, nos tenros seis anos dos alunos. Escola que o Serra, governador do ESTADO DE SÃO PAULO, gasta rios de dinheiro em propaganda para mentir ao Brasil, apresentando como ótima. Uma campanha mentirosa e desonesta.

No país da TORTURA NUNCA MAIS, em escola pública pode…