25 abril 2010

Cabelo espetado? Colares, brincos? Expulsão neles!


Recebemos a seguinte mensagem de um pai de Minas Gerais, cujo nome não divulgamos para evitar as costumeiras perseguições/represálias que podem atingir seu filho:

"Recentemente meu filho recebeu da escola onde estuda bilhete endereçado aos pais, sobre a apresentação individual que deverá ser seguida dentro da instituição, a saber:
1- Que o corte de cabelo masculino deverá ser desbastado com máquina nº 02, proibindo os penteados chamativos (moicanos, surfista e o topete );
2- Proibição do uso do boné;
3- Proibição das tinturas exóticas que fogem aos padrões da normalidade: verde, azul, roxa, vermelha entre outras;
4- Proibição do uso de colares, brincos;
5- Proibição de tatuagens que ficam expostas fora do contorno das peças dos uniformes

Face ao exposto, solicito ajuda, para que possa enviar correspondência a aquela escola, no meu entendimento, do abuso que estão cometendo, interferindo na individualidade de cada um, pois a escola é estadual e não militar."

Resposta do EducaFórum:

Prezado, infelizmente você está muito longe geograficamente, por isso não podemos ajudar de forma direta.

Já ouviu falar que uma andorinha não faz verão?... Se você estiver sozinho, sem o apoio de outros pais dentro da escola, você poderá ser simplesmente convidado a tirar seu filho de lá. Se você bater o pé, seu filho corre o risco de ser expulso. Chocado?

A escola pode ser estadual, mas se o Conselho de Escola resolver que quer um regimento militar, é isso que vai valer! Essa é a escola pública brasileira, onde não se respeita nem mesmo a Constituição Federal. E muito menos o Estatuto da Criança e do Adolescente, que você muito sabiamente colou á sua mensagem:

Art. 53 - ll - A criança e o adolescente têm o direito de serem respeitados por seus educadores.

Mas você veio parar no lugar certo! Nós conseguimos, no ano passado, reintegrar dois alunos EXPULSOS de uma escola de São Paulo por usar corte de cabelo moicano, piercings e colares. Mas não foi fácil: eu mesma tive que passar um dia inteiro na escola, durante a segunda sessão de expulsão - sim, eles foram expulsos, os pais recorreram e na segunda sessão a EXPULSÃO FOI CONFIRMADA. Como então conseguimos a façanha?

As mães dos dois alunos eram pessoas bem informadas e inconformadas como você, dispostas a chegar às últimas consequencias para reintegrar os filhos na escola. Nossa estratégia foi a seguinte:

Após a CONFIRMAÇÃO DA EXPULSÃO pelo Conselho de Escola, do qual a diretora da escola era presidente (aqui na rede estadual de São Paulo o diretor é sempre o presidente...), levamos as mães à Secretaria da Educação, onde foram ouvidas e puderam alegar que os alunos haviam sido expulsos por motivo fútil, já que em seu histórico escolar nada constava que os desabonasse. Mas temos certeza de que não foi apenas isso que garantiu a reintegração dos garotos. Orientamos as mães a procurar também o Ministério Público, para reforçar a denúncia, pois a Secretaria da Educação poderia agir de forma corporativista, já que trata-se de um órgão lotado de professores e diretores de escola... Aqui em São Paulo, por exemplo, até a "Ouvidoria da Educação" é formada por profissionais da educação e sempre dá ganho de causa para eles, tanto que a chamamos de "Surdoria"...

Veja clicando neste link todo o trabalho que deu a reintegração desses alunos! E clique também no link interno, que mostra todo o histórico do caso.

Portanto, amigo, você está com a razão e coberto de boas intenções, mas saiba que vai mexer no maior vespeiro...

Nossa orientação:

  1. Procure outros pais que tenham a mesma filosofia e forme um grupo de pelo menos três.

  2. Peçam por escrito o Regimento Escolar na direção da escola. Provavelmente isso vai ser negado, pois a maioria dos regimentos estão em desacordo com a lei. Caso vocês consigam o documento, nos enviem o texto escaneado para o e-mail educaforum@hotmail.com Caso a escola se recuse a entregá-lo, anotem em sua solicitação o nome do funcionário, a data e o horário em que o regimento foi negado.

  3. Nos informem e aguardem nova orientação.

  4. Dependendo do item 2, poderemos encaminhar vocês à Secretaria da Educação, ao Conselho Tutelar ou ao Ministério Público.

Se isso servir de consolo, saiba que a maioria das escolas públicas brasileiras não respeita o aluno. Caso você não tenha o apoio da comunidade ou a coragem de enfrentar o "vespeiro", a dica é mudar seu filho para uma escola menos autoritária. Existem!

Muito boa sorte! Mande notícias!

24 abril 2010

Como eles conseguem encostar a cabeça no travesseiro?...


Certos profissionais da educação dizem que este blog "denigre a escola pública". Para eles, tudo está ótimo, pois tiveram vários dias de folga (além das costumeiras aulas vagas), durante uma greve que lhes valeu a conquista de suas reivindicações sindicais. Além disso, seus próprios filhos estudam na rede particular, portanto, qual o problema?...

Vamos começar pelo fim: a rede particular, no Brasil, é tão ruim quanto a pública. A única diferença é que não existe o fenômeno da "aula vaga", essa vergonha nacional que solapa aos alunos de 20 a 30% do ano letivo.

Nós, que temos ou tivemos nossos filhos na rede pública, sabemos que ela poderia ser muito melhor do que a particular, pois essa visa geralmente apenas lucro e não prepara os alunos para a vida. É por isso que continuamos lutando e não vamos desistir.

Denegrir a escola pública é o que fazem aqueles profissionais da educação que recebem para tratar seus alunos com violência física ou psicológica.

Denegrir a escola pública é o que fazem os diretores de escola que nunca estão em seu posto de trabalho, para atender a comunidade e resolver os problemas.

Denigrem a escola pública os supervisores de ensino que nada supervisionam, principalmente aqueles de Araraquara, que durante dez anos permitiram um esquema milionário de desvio de verbas da educação para o bolso da dirigente de ensino e seus diretores.

Mas os piores, aqueles que deveriam passar a noite em claro de remorso e vergonha, são as "altas autoridades" da educação, aquelas que elaboram políticas educacionais ineficientes e ineficazes. Sempre que se cobra isso dessas autoridades, a resposta é a mesma: "Estou há pouco tempo na função, já encontrei o sistema falho." Assim, ninguém assume a responsabilidade de nada. E os resultados são os seguintes:

  • Segundo o Pisa 2006, o Brasil está em 54º lugar em matemática e em 49º lugar em leitura (em 56 países).

  • A nota média do país é de 4,2 (sobre 10) até à 5ª Série e de 3,8 (sobre 10) da 6ª à 9ª (dados do Ideb).

  • 39,5% dos alunos não terminaram o Ensino Fundamental (Pnad/IBGE 2007)

  • 55,1% dos jovens brasileiros não concluíram o Ensino Médio (evadiram ou foram expulsos da escola). (Pnad/IBGE 2007)

  • 42,6% dos alunos do último ano do Ensino Médio estão acima da idade adequada (Saeb/Inep 2007)

Nós é que denegrimos a escola pública??? Não, nós é que lutamos com todas as nossas forças para que haja uma escola pública de qualidade PARA TODOS no Brasil. Uma escola onde TODOS possam ter as mesmas oportunidades.

Sem conhecer os problemas, não se pode buscar soluções. Ou vamos continuar enfiando a cabeça na areia, como de costume?...

23 abril 2010

Tropa de Elite neles!


Lembram do "surto" que ocorreu em 2008, quando foi lançado Tropa de Elite? Em muitas escolas a fita PIRATA (!) foi projetada para crianças e adolescentes durante as aulas vagas e o assunto só saiu na mídia porque numa escola do ABC uma menina passou mal durante a projeção. Mesmo assim, algumas escolas continuaram projetando a fita, tanto que, na EMEF Imperatriz Dona Amélia, alunos de 6ª Série foram contemplados com essa medida "pedagógica".

Para entender o que motiva certos profissionais da "educação" a tomar iniciativas como essa, segue uma troca de comentários no blog da Cremilda sobre o assunto do menino de 6 anos que foi machucado pela professora com uma reguada na cabeça, sendo que a professora negou o fato.

"Professora Ruth:
Tadinha da crionça! Será que a régua foi quebrada? Criança desobediente tem que apanhar, já que os pais são omissssssssssssssssssssssos, alguém tem que fazer o serviço. É melhor apanhar agora do que apanhar depois da polícia."

"Luiz Roberto:
Professora Ruth, quem disse que se espanca aluno de seis anos hoje para a policia não espancá-lo amanhã? Essa filosofia mariliense e de professoras covardes e truculentas eu já conheço. Meu filho não vai apanhar para aprender. Acabou de entrar na escola, se uma canalha fizer um galo na testa dele, vai ter que fazer um galo na minha também… Quanta canalhice! Chamar um aluno de seis anos que foi espancado covardemente pela sua colega de crionça é mesmo típico dessa gente que recebe para ensinar, e acha que ensinar é espancar…. Acho que está faltando mesmo uma atitude dos pais em relação a isso. Pais que assistem calados e não ser juntam contra esse tipo de bandidos, espancadores e insanos que infestam a escola pública… Alunos que são espancados por pessoas que recebem salário para ensinar, são amanhã vítimas da violência policial. O que se pode esperar de aluno que aprende na escola lição de covardia, de corrupção e de descaso? Hoje vocês batem nos alunos pequenos na maior cara de pau. Amanhã eles serão adultos e entenderão que têm que bater nos mais fracos. Essa é a educação que a escola pública dá para os alunos. O normal que é ensinar a ler, nem pensar, mas pancada sim, que sobretudo aí, tem a proteção do Prefeito e das autoridades locais, que pensam que em filho de pobre de escola pública tem que descer o pau logo cedo, que é para não apanhar da policia amanhã. Nossa, eu tenho nojo de professoras como você. Me dá repulsa e revolta… E crionça são os seus filhos, sobrinhos ou netos."

"Elizabeth:
Professora Ruth, agressão é um crime tipificado pelo código penal, artigo129. Isso de adulto para adulto é crime… A senhora não pode espancar aluno com a desculpa que vai prevenir que ele seja espancado pela policia, que policia também não pode espancar ninguém. Nem a senhora e nem a policia tem autorização legal para espancar ninguem. No seu caso é de revoltar mesmo. Deixo meu fiho de seis anos e você o espanca, para prevenir que amanhã ele não seja espancado pela policia? Você é o retrato do que acontece nas escolas públicas. O descaso, o desrespeito às leis, o descompromisso com a educação, tudo embalado na impunidade. Você só espanca porque são alunos. Não sou a favor de justiça feita com as próprias mãos, mas se uma professora bater em um filho meu, pode ter certeza que ela vai ter que bater em mim primeiro, e olha que sou preparada, muito bem preparada. Então, se acontecer eu vou dar um pau soberbo na professora que é para ela não ser presa amanhã, vou fazer um favor para ela. Vai que ela bate muito num aluno, perde a medida e o mata?"

21 abril 2010

Violência na escola


O amigo Victor diz que este blog culpa o "profissional do ensino" pela falência do sistema educacional.

Mais uma vez repetimos que existem profissionais - e profissionais. Os competentes e compromissados com o aluno, que infelizmente são minoria no país, merecem todo o nosso respeito. E eles sabem disso! Não é à toa que contamos, entre os nossos leitores, profissionais do ensino como a Glória Reis, a Edilva Bandeira, o Juarez Firmino, a Márcia Fernandes, a Vera Vasconcelos e muitos outros que entendem nossa língua.

O pior profissional não é o que está em sala de aula. Quanto maior a hierarquia, maior a responsabilidade. Entre um professor, coordenador pedagógico, diretor de escola, supervisor de ensino, dirigente e secretário da educação, a maior responsabilidade é do secretário. De todos os secretário de educação que conheci, o único que mereceu o S maiúsculo foi Mário Sérgio Cortella. (Não por acaso, seus filhos estudaram na rede pública...) Sua política educacional era tão bem elaborada que a rede municipal de São Paulo, naquela época, conseguiu aumentar um turno nas escolas, funcionando a contento. Além disso, a aula vaga era quase nula, os projetos pedagógicos magníficos e muito bem conduzidos. Enfim, ele tirava leite de pedra. E nada de violência nas escolas! Os pais de alunos tinham uma linha direta de contato com a supervisão de ensino e ninguém se atrevia a mexer com os nossos filhos.

Vamos agora analisar o assunto tratado no link abaixo, que ocorreu no município de Vera Cruz:
Professora é acusada de agredir aluno com régua no interior de São Paulo

É óbvio que o aluno disse a verdade e que a professora mentiu ao negar a agressão. Mas ela negou porque pôde. Ela sabe que o processo administrativo não vai dar em nada, trata-se da palavra dela contra a de um aluno de seis anos, que costuma "ter fantasias" (como as "autoridades" costumam alegar). A diretora da escola, como de costume, não se pronunciou, disse que "vai apurar os fatos".

O único problema dessa escola é que o caso foi parar na mídia, por isso VAI TER que haver uma apuração. Nós do EducaFórum sabemos como isso funciona: os coleguinhas do aluno, crianças de 6 anos de idade, vão ser "triturados" até confessarem qualquer coisa, apenas para acabar com o interrogatório. Serão até capazes de assumir a culpa, rsrs. Ou talvez serão induzidos a acreditar que o aluno caiu e bateu a cabeça na parede. Ou ainda que foi agredido por um aluno com o dobro da idade durante o intervalo... Conheço bem essas sessões de tortura psicológica de portas fechadas! Lembram do caso da menina de São João da Boa Vista, acusada injustamente de colocar fogo na lixeira da classe? A diretora fez DUAS SESSÕES de duas horas cada, até conseguir que os alunos "caguetassem" a menina, que já havia sido expulsa. E conseguiu!

Mas é bem provável que, daqui para frente, a única mídia de olho no assunto seja este modesto bloguinho, rsrs.

Nota ZERO para essa escola de Vera Cruz cujo nome nem foi divulgado na reportagem! Nota ZERO para o secretário de educação da cidade, onde esse tipo de agressão é frequente. Nota ZERO para a diretoria de ensino que, na pior das hipóteses, vai "advertir oficialmente" a professora, "caso a agressão for comprovada". Nota ZERO para a diretora da escola, que não vai apurar nada, apenas cometer violência psicológica contra uma classe de crianças de 6 anos. Nota ZERO para a professora, que agrediu uma criança indefesa e ainda deu aos seus alunos o exemplo da mentira.

Nota ABAIXO DE ZERO para a prefeita da cidade, que certamente pressionou a emissora para não divulgar o nome da escola nem dos envolvidos. E a MENÇÃO DESONROSA vai para a Rede Globo, que mais uma vez faz a cobertura covarde e omissa de um crime da escola contra aluno. Se fosse o contrário - aluno batendo em professor - o Brasil inteiro estaria comentando o assunto, que certamente iria parar no fantástico (com f minúsculo)...
PARABÉNS aos pais do menino, que fizeram BO e assim trilharam o caminho da Justiça e da Lei. Vivemos num estado de direito marcado pela omissão e pela covardia das autoridades. Só a ação consciente e cidadã poderá mudar o status quo.

Ah, como gostaríamos que a má qualidade do ensino fosse o pior problema educacional do país!

18 abril 2010

Mídia nota zero - a série X - Cidinha Campos denuncia os marmanjos que mamam


Esse vídeo da deputada estadual do Rio de Janeiro Cidinha Campos, denunciando a corrupção na política brasileira, que vai muito além de dólares na cueca, deveria estar circulando em toda a grande mídia.
Não está... Por que será?...



Desde o famoso discurso de Ruy Barbosa "De tanto ver triunfar as nulidades..." não se ouve nada tão vibrante e contundente quanto essa fala da Cidinha Campos no dia 24/03/10, acusando políticos de desviarem verbas do programa bolsa-escola e de vacinas destinadas às crianças carentes. Apesar de sua força, que em alguns países do exterior certamente faria "rolar" algumas cabeças, esse discurso passou em branco na mídia brasileira.

Veja alguns posts anteriores da série Mídia nota zero:

Parabéns, Boris Casoy!
Notas fiscais "frias" não interessam à mídia
A "cartilha dos corvos"

16 abril 2010

O aprendizado do bullying




Discutir o bullying está na moda. Trata-se de mais uma forma de demonizar o aluno, esse monstrinho que passa o dia letivo agredindo os colegas e o professor... Quanta hipocrisia! Ninguém procura ir às causas do problema.

Finalmente, dois vídeos que mostram a gênese da violência escolar.



Como sempre, a história só pôde ser confirmada por um único motivo: a escola é particular, o que ocasionou dois fenômenos que nunca aconteceriam na rede pública
  1. Duas funcionárias "entregaram" as oito que cometeram crimes de tortura contra bebês de 1 até 2 anos de idade, pois sendo escola particular as funcionárias poderiam ser demitidas e não continuariam convivendo com elas.
  2. Os donos da escola ficaram com medo do escândalo, que poderia ocasionar o fechamento do estabelecimento, assim correram colocar câmeras de vídeo nos ambientes e puderam registrar os fatos.
A escola atende 200 bebês e é particular, porém conveniada com a prefeitura, o que significa mantida com o suado dinheirinho dos nossos impostos. A boa notícia é que os crimes serão julgados e tomara que isso sirva de exemplo para outras escolas colocarem câmeras de vídeo em seu recinto.

Como disse, isso nunca aconteceria numa escola pública. Entenda bem o que eu quis dizer aqui: esses crimes ocorrem com muito mais frequência na rede pública do que na particular, o que não ocorre na escola pública é a denúncia, pois o corporativismo fala muito mais alto do que o sentimento de justiça e impede que esses casos venham a público. Quando então são os pais a denunciar, salve-se quem puder! Seus filhos serão tachados de mentirosos, mal educados, perversos, na melhor das hipóteses "manipuladores" (relembre aqui mais uma história interessante).

O pior de tudo é que casos como esses mostram claramente a origem do bullying na escola. O pior cego é o que não quer ver!

10 abril 2010

Ovadas no final da greve, bom exemplo para o aluno!


Se um aluno se atrever a atirar ovos ou qualquer outro objeto na escola, é sumariamente expulso. Para não falar das famigeradas bombinhas de São João: nesse caso, a expulsão é acompanhada de viagem do aluno à delegacia dentro de um camburão. Os casos mais "tenebrosos", esses que além da expulsão valem a execração pública em toda a comunidade, são o roubo, o bullying e colocar fogo na lata de lixo da classe.

Esses "crimes", que pela ordem natural das coisas poderiam ser desculpados nas crianças e adolescentes - seres em formação que necessitam de bons exemplos e modelos - na escola são punidos da forma mais drástica.

No entanto, aqueles que deveriam servir de exemplo aos próprios alunos, pois pela ordem natural das coisas estão suficientemente "crescidos" para comportar-se de forma civilizada, não apenas deixam de receber qualquer punição, como seus crimes não causam qualquer comoção na sociedade...

Professor não é ser humano: é santo, anjo, mártir. Ninguém, na sociedade, se atreve a criticar esse arquétipo da "abnegação".

Então acontecem fenômenos absurdos e descabidos como a greve política que acabou de penalizar o aluno da rede estadual de São Paulo, e a sociedade se faz de morta. O fim da greve foi marcado por ovadas, socos, bombas e outras "amenidades", como você pode ler abaixo na matéria publicada ontem pelo JT.

Professor pode tudo: queimar livros na rua, atirar bombas, invadir locais públicos, brigar à vontade: nada disso abala sua imagem na sociedade. Isso é fruto do extraordinário marketing dos sindicatos da "educação", que conseguiram essa fantástica inversão de valores.

Quando se fala em professor, a imagem evocada é a do coitadinho que se mata para dar conta de uma classe de pequenos demônios. Certamente, não é esse o caso dos grevistas que passaram o dia de ontem trocando ovadas e pontapés. Aliás, muitos sindicalistas nunca pisaram numa sala de aula...

O pior professor, no entanto, nem é o sindicalista: é aquele "dependurado" como um fantasma nos gabinetes da educação e dos políticos, aquele que permite o desvio de verbas das salas de aula - o que constitui ROUBO - aquele que promove tumultos na escola para desviar a atenção de suas FALCATRUAS ou abusos de poder, aquele que MANIPULA os Conselhos de Escola para obter vantagens ou esconder seus desmandos. Enfim, mais uma vez lembramos: os piores professores não estão na sala de aula! E não se esqueça: quando se fala em professor, fala-se também de diretor de escola, coordenador pedagógico, supervisor e dirigente de ensino. Esses também são professores, e sua responsabilidade é maior!


Jornal da Tarde - Sexta-feira, 9 abril de 2010

Professores trocam socos no fim da greve
Assembleia no Masp teve direito a briga, discussão e ovos atirados contra a presidente do sindicato

Luciana Alvarez, Marcela Spinosa
Em assembleia tumultuada, com bate-boca, brigas, ovadas e bombas, professores da rede estadual de ensino decidiram ontem encerrar a greve que já durava um mês. O anúncio veio depois de o governo do Estado informar anteontem que abriria a mesa de negociações caso a paralisação terminasse. Os docentes não tiveram nenhuma das reivindicações atendidas, o que foi motivo de revolta para grevistas contrários ao fim do movimento. Uma nova assembleia foi marcada para 7 de maio.
A Secretaria de Estado da Educação, apesar de não ter divulgado data, informou em nota que irá se reunir com a categoria. Mas adiantou que não aceitará mudanças em leis e programas (leia ao lado). A classe pede, entre outras coisas, 34,3% de reajuste salarial.
Cerca de mil professores, segundo a Polícia Militar, se concentraram no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, às 14 horas. “Não há recuo (do movimento). Há o reconhecimento de que alguns professores não podem passar mais de 30 dias em greve porque não terão como colocar comida na mesa”, argumentava Maria Izabel Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), sobre o carro de som para justificar a importância do fim da greve e a diminuição do número de grevistas.
Os docentes em greve tiveram o ponto cortado e não recebem pelos dias que não foram trabalhar.
Enquanto Izabel era vaiada pelos manifestantes, um grupo de professores concentrados do outro lado da via com um pequeno carro de som tentava convencer os colegas a dar continuidade ao movimento grevista. “Sou a favor da suspensão da greve se o governo negociar. Ele não negociou. Apenas discutiu a possibilidade de rever as faltas”, disse o professor de História de Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, Erlon Chaves, que alugou o veículo sozinho para fazer seu protesto porque “não deixam ele subir no carro da Apeoesp”.
Por volta das 15 horas, os dois grupos se concentraram em frente ao Masp. Professores discutiram e trocaram socos pelo menos quatro vezes durante o ato.
Quando a assembleia começou, às 16 horas, os ânimos estavam contidos. Entretanto, depois que a maioria decidiu encerrar o movimento, houve tumulto. Alguns dissidentes cogitaram virar o carro de som no qual estava a presidente da Apeoesp . “Oposição faz parte da democracia. Não posso impor para a minoria aquilo que a maioria quer”, disse Izabel ao deixar a Paulista cercada de seguranças e com seu casaco sujo por ovos atirados contra ela.
Ela explicou que a principal razão para o fim da greve foi a adesão de grevistas, que caiu. Segundo a entidade, mais de 60% da categoria chegou a aderir à paralisação, mas nesta semana começou a haver um “refluxo”, com professores voltando às salas de aula. A Secretaria da Educação diz que a greve atingiu 1% das escolas.
Segundo a Apeoesp, novas manifestações serão realizadas em frente à sede da pasta, na Praça da República, no Centro, quando houver reuniões de negociações.
Trânsito
As faixas da Paulista, no sentido Consolação, foram bloqueadas por duas horas. O congestionamento chegou a 1,6 km, às 16 horas, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego, e melhorou às 17 horas, com o fim do ato.

05 abril 2010

Sobre a greve dos professores

Finalmente, uma fala sensata sobre a greve que penaliza a rede estadual de São Paulo. O texto é do professor Juarez Firmino. Obrigada, Juarez, pela sua colaboração!

O ano letivo que ainda não começou

Eles chegaram e apresentaram uma série de argumentos, disseram que a educação está um caos e arrastaram uma grande quantidade de seguidores... Mal o ano havia começado — reunião de pais, entrega de materiais escolares, montagem de horário, entrega e preenchimento dos diários — então houve a assembléia e a paralisação, mas com a adesão apenas em parte das unidades escolares e dos quadros docentes. A razão pela baixa adesão dos professores ao movimento foi dada passando-se a justificativa de que os dados estariam sendo manipulados pela Secretaria da Educação, e que os órgãos da imprensa estariam sendo “comprados” pelo governo e por esse motivo os fatos estariam sendo acobertados e não chegando ao conhecimento do povo.

Se de um lado a política governamental está sendo dura para com os servidores da educação como pressupõem alguns, de outro existem aqueles que acusam o movimento sindicalista de estar a serviço deste ou daquele partido político ou candidatura visando denegrir e, por conseguinte, prestigiar este ou aquele candidato ao próximo pleito eleitoral, ou seja, que a greve que já dura várias semanas tem cunho pretensiosamente eleitoreiro.

Enquanto as partes vagarosamente se digladiam em seus conceitos de democracia, ética e organização educacional, grandes contingentes de alunos continuam sem o direito básico de poder frequentar a escola.

Estabelecendo um instigante paralelo entre a questão eleitoreira e as reformas que estão sendo promovidas pela Secretaria da Educação, percebe-se que, coincidentemente, têm ocorrido algumas demonstrações de simpatia pela candidatura da oposição... A presidente do sindicato confunde a cabeça da opinião pública ao afirmar que a greve não é política, mas ora conduz as manifestações liderando os docentes grevistas que atacam a política educacional do governador licenciado, ora sobe no palanque da campanha “antecipada” da concorrente deste. Isto, como se fosse um fato normal, como se não estivesse em meio a uma greve para reivindicar direitos dos profissionais da educação.

Ao demonstrar tamanha descompostura diante dos fatos, percebe-se que nem o sindicato e tampouco o senhor secretário da educação não se sensibilizam com as dificuldades existentes e com os acordos que devem ser imediatamente implementados para que estas dificuldades sejam sanadas... Assim agindo, tem-se a sensação de que o descompromisso de ambas as partes seja oriundo de uma incoerência tal, que aqueles que à sua frente estão, nem mesmo sejam capazes de optar pela personalidade de Judas Tadeu ou Judas Iscariotes... Ou pior, confundem até mesmo a trajetória de Jesus Cristo perante seu compatriota Jesus Barrabás.

O governo estadual [que por sinal, está em fase de licenciamento] se mantém cautelosamente em silêncio, enquanto que o sindicato volta e meia ameaça radicalizar e estender o movimento ao máximo, insistindo que as aulas perdidas serão repostas. Como se isso realmente venha a acontecer, cabe-nos perguntar como, visto que experiências anteriores nos mostraram que as reposições de aulas aos sábados não conseguem empolgar os discentes e os índices de frequência são baixíssimos... Além disso, deve-se atentar para a quantidade de sábados livres do calendário letivo, pode ocorrer que os sábados disponíveis não sejam suficientes para tamanha reposição.

03 abril 2010

Mensagem de Páscoa


Não sou da turma que acha que toda a verdade está nos livros. Pessoalmente, acho que a literatura é apenas uma entre inúmeras formas de conhecer o mundo.

Mas resolvi compartilhar com vocês uma mensagem de José Luiz Goldfarb, professor e curador do prêmio Jabuti de literatura, que vale uma boa reflexão:

A nossa sociedade tem um grande problema: acho que por falta de leitura, de imaginação, fica pessimista, acreditando que o Brasil é assim, nunca vai mudar. Acaba se tornando uma sociedade que não sonha, não tem imaginação. O livro é muito rico, ele transporta, leva o leitor a lugares onde nunca esteve. Ele é a chave que abre as portas para um outro mundo.

José Luiz Goldfarb
Trecho de entrevista à revista Chamois Notícias - nº 31 - 2009

Nosso trabalho não tem preço!


Sem nada de bom a comemorar, resolvemos publicar novamente uma mensagem que postamos na Páscoa passada, pois responde a questionamentos que nos são feitos diariamente por muitas pessoas que acompanham este blog:

Alguns “anônimos” estão batendo na tecla “de onde vêm os recursos para o nosso trabalho”. É impressionante a pobreza mental de quem pensa que todo trabalho só tem utilidade se for remunerado em $$$, ou seja, que TODOS SE VENDEM POR DINHEIRO.

Existe também uma vertente que valoriza o trabalho voluntário somente se der “status”, como, por exemplo, participar da comissão de direitos humanos da OAB, da qual me desliguei porque se resumia em fazer lanchinhos, para depois boicotar propostas sérias como responsabilizar o poder público se uma criança é obrigada a andar 3 km para frequentar a escola.
Uma outra vertente gosta do trabalho voluntário lançado pela mídia, como por exemplo o projeto Amigos da Escola, que só serve para alimentar a malemolência do nosso poder público e apaziguar algumas consciências semi adormecidas. Certas pessoas não conseguem acreditar que alguém possa manter um site ou um blog, que possa subir morro para visitar famílias ou se deslocar para órgãos públicos... de graça. Então esclarecemos:

Nosso trabalho não está à venda porque... não tem preço!

A humilhação, exclusão e expulsão das nossas crianças e adolescentes da escola, isso sim, tem para nós um custo imenso.

Qual o valor de reintegrar uma criança expulsa da escola? Qual o valor de conseguir a rematrícula de um aluno? Qual o valor de garantir a uma criança vaga em escola próxima à sua residência? Qual o valor de afastar da escola uma diretora autoritária ou corrupta? Nada disso tem preço, porque se trata do direito líquido e certo à educação, garantido na Constituição.

Para finalizar, uma mensagem que recebemos mês passado e havíamos decidido não publicar, mas que agora pode esclarecer melhor nosso relacionamento com as pessoas que procuramos auxiliar:

Eu gostaria de deixar aqui expresso o meu agradecimento para o EducaFórum que com sua atenção conseguiu que minha filha não perdesse um ano letivo que é tão importante. Pessoas como vocês acima de tudo tem esforço pois são voluntárias e conseguiram resolver o meu problema que quem realmente tinha o "poder" não fez,seja lá por qual motivo. Vocês sendo voluntárias conseguiram sanar o meu problema, enquanto quem deveria me auxiliar me mandava de um lugar para outro sem nenhuma solução. Mais uma vez obrigada, é de pessoas como vocês que nosso país precisa. A funcionária da escola me questionou se a minha filha realmente estava matriculada, não acreditando que vocês tinham conseguido a vaga, pois eu já havia ido tantas vezes nessa escola que elas já me conheciam. Parábens a vocês pelo seu empenho e dedicação.

Vanderléia

01 abril 2010

A verdade é o melhor disfarce, ninguém acredita nela


Este é o comentário da professora Glória Reis sobre a notícia da exclusão de 4,1 milhões de crianças e jovens da escola, publicada no Uol Educação.

Glória prossegue: "Autoridades e especialistas se perguntando o porquê, ao mesmo tempo que "chutam" inúmeras razões para o fato.
A verdade é simples, transparente e óbvia: a escola é uma tortura para as crianças e adolescentes carentes e pobres deste país, que são a maioria. Poucos resistem até o fim da escolaridade. Quem resiste a humilhações e violências diárias como xingamentos, gritaria, discriminação, ser mandado embora por falta de uniforme ou material, castigos crueis como ficar sem merenda ou sem recreio, ficar em pé de cara na parede e até mesmo violência física como empurrão, puxar orelha e cabelo, tampar objetos, tapas, bofetões, etc.???
Esta é a VERDADE. Mas autoridades e especialistas não QUEREM acreditar nela."