29 março 2011

A escola em raio X - A série nº 4 - Expulsão por motivo fútil


Esta nova série contém mensagens de pais de alunos, que nos chegam aos montes de todas as partes do Brasil. Encaminhamos o caso abaixo para a Secretaria Estadual da Educação em setembro do ano passado e foi simplesmente varrido debaixo do tapete. Trata-se de um garoto expulso de uma escola de Guarulhos e a mãe dele voltou a nos procurar este ano, pois o menino entrou em depressão. Vamos encaminhar o assunto novamente e esperamos que desta vez seja tratado com um mínimo de atenção.

Segue a mensagem recebida pelo EducaFórum da mãe desse aluno, em 12 de setembro passado e peço que prestem atenção na atitude da professora "mediadora". O assunto é muito sério, trata-se de atirar para o lixo a maior riqueza do país: nossa infância e juventude. Nesse quesito, a nossa escola é muito craque!

Por favor, peço a ajuda de vocês. Meu filho foi transferido compulsóriamente, porque anda pela sala, conversa e se recusa a copiar as lições exageradas de uma escola que só usa métodos tradicionais. A transferência se deu em uma reunião de Conselho onde só haviam 6 professores, não houve nenhum encaminhamento ao Conselho Tutelar nem direito de defesa e eu me recusei a assinar a transferência. Além disso a Professora Mediadora colocou nele o apelido de pisca-pisca e meu filho se tornou alvo de chacotas por parte de toda a escola.

Durante uma reunião com a Supervisora consegui que me entregasse a cópia das anotações e conferi que nenhum ato do meu filho foi tão grave para justificar uma atitude tão drástica por parte da escola. Além disso ele está sendo discriminado pelos colegas por ter sido expulso, teve que se de mudar de escola onde ia acompanhado por seu irmão mais velho, é em outro horário, outro bairro, ele precisa pegar ônibus e ir sózinho, pois trabalho e não tenho como acompanhá-lo. As queixas são por parte de 2 professores que pegaram antipatia por ele e acabaram por transferir isso para a escola toda. Além do meu filho, outros alunos foram coagidos a pedir transferência ou transferidos compulsoriamente, pois essa é uma atitude normal dessa escola, com o aval da diretoria de ensino de Guarulhos.

Este caso foi inclusive relatado aqui no blog em setembro, releia o post clicando aqui

27 março 2011

A escola em raio X - A série nº 3 - O diretor arrogante


Infelizmente, a maioria dos pais de alunos da rede pública se conforma com as migalhas que seus filhos recebem: uma vaga na escola (quase nunca a escolhida e nem sempre a mais próxima), aulas medíocres, falta de segurança, falta de socorro em caso de acidentes, aulas vagas aos montes etc etc. Os poucos que se atrevem a reivindicar seus direitos costumam ser discriminados e tratados por "desocupados", além de seus filhos sofrerem perseguições e represálias devido à sua "ousadia". Por tudo isso, a maioria desses pais não consegue convencer outros pais a lutar pelos direitos de seus filhos.

De vez em quando, um ou outro consegue ser respeitado por parte de alguma "autoridade" dentro da escola, mas isso só ocorre com os pais mais articulados ou escolarizados, que são a minoria na rede pública. Os demais costumam ser tratados desta forma: "Eu tenho faculdade, mestrado e doutorado, como ousa discutir comigo?"...

Leiam neste link no blog da Cremilda o depoimento do pai Vilemar, que soube enfrentar de igual para igual o diretor da escola de suas filhas. Mas, certamente, se ele não tivesse tido a "ousadia" de enfrentar essa "autoridade", suas filhas seriam expulsas da escola. Esse filme já vimos e mostramos aqui inúmeras vezes...

10 março 2011

Que tipo de monstro? - A série 8



Vídeo produzido por Mauro Alves da Silva

Lembram da "vovozinha", dona do berçário Bebê Feliz (!) em Goiânia, que durante 8 anos agrediu e torturou crianças de até 4 anos, até ser desmascarada por uma funcionária que conseguiu gravar seus crimes? Isso foi divulgado em novembro e finalmente... foi feita justiça, rsrs! Após 3 meses atrás das grades, a "vovozinha" está finalmente em liberdade, pronta para outra, pois seus advogados conseguiram habeas corpus. Simples assim, no Brasil! Mais simples ainda quando se trata de "educadores", seres angelicais que por algum motivo (será que Freud explica?...) gozam do irrestrito apoio da sociedade brasileira, mesmo que cometam crimes hediondos.

De acordo com o Correio Brasiliense do dia 5 de março, o crime da "vovozinha" foi desclassificado e passou de tortura para simples maus tratos, passíveis de detenção de um ano ou... pagamento de multa. Assista no final deste outro vídeo (paciência, ele é longo) que se trata claramente de uma psicopata, pois nega as torturas e alega que se trata do seu "jeito de educar".

Em um país pedófobo como o Brasil, onde foi necessário e mesmo assim inútil criar o Estatuto da Criança e do Adolescente, um crime como esse não comove a sociedade, sabe por que? Quem o cometeu veste o manto sagrado da "educação". Além disso, mesmo tratando-se de um berçário pago, os clientes são de baixa renda. Você já sabe como essa história sórdida vai acabar, não é?

Leia mais posts da série Que tipo de monstro?:

07 março 2011

Mídia nota zero - A série XVIII - Os 3 ratinhos cegos

Este vídeo elaborado pelo Mauro Alves da Silva é mais um exemplo do desprezo da mídia pelo aluno da escola pública, esse "pivete", esse "trombadinha em potencial", esse "criminoso" que merece o rebaixamento da idade penal. Na medida em que a mídia se nega a divulgar o que ocorre de fato na rede pública de ensino, os crimes contra as crianças e os jovens aumentam e a vítima é penalizada em dobro. Se o problema fosse apenas a omissão, ainda vá lá. Mas esses "jornalistas" costumam dar sua opinião como sendo a notícia em si, uma inversão de valores que iniciou há uns dez anos, quando o Pedro Bial tornou-se um "artista da notícia"...





Leia também outros posts da série Mídia nota zero: Barueri, a cara do Brasil,
Incompetência continuada
, Luto em Araraquara

05 março 2011

A escola em raio X - A série nº 2 - "Educador" de máscara


Este segundo post da nova série A escola em raio X traz a mensagem de uma mãe que mostra as duas caras de certos "educadores", tratando os alunos aos berros e os pais com polidez. E mais uma vez o assunto é o famigerado uniforme, cuja exigência é ilegal, como já cansamos de falar aqui.

Hoje meu filho retornou da escola dizendo que a professora do Jardim suspendeu um aluno dela pela camisa do uniforme, gritando e xingando. A diretora assistia impassível à cena. Chego a pensar se aquela escola não está promovendo uma contraeducação. No entanto, ao ouvir a campainha e abrir o portão para mim (cheguei mais cedo que as outras mães), a referida "professora" fez questão de ser simpática, falou mansamente com as crianças enquanto eu aguardava meu filho reunir seu material, e outras demonstrações de afeto e respeito pelos alunos, dignas de uma professora impecável. Pelo jeito, ela usa máscara... e ainda nem é carnaval!

04 março 2011

A escola em raio X - Nova série nº 1 - O engodo da recuperação


Esta nova série pretende mostrar a escola como ela é, no depoimento dos próprios pais e alunos, preservando-se sempre sua identidade, a fim de impedir as inevitáveis perseguições e represálias de um sistema autoritário que não admite críticas.

Neste post, a mensagem de uma mãe desmascara a má vontade da diretora da escola e o engodo que é a recuperação de alunos na rede pública, onde não há o mínimo interesse em que os alunos com dificuldades possam acompanhar as aulas ou recuperar o que não tiverem aprendido. Pau neles!


Tenho um filho de 14 anos, que reprovou ano passado a oitava série. Ele estudava de manhã, achei que continuaria nesse horário esse ano, porque as oitavas estavam nesse horário...tudo bem...assim ele pegaria o irmão mais novo do retorno da escola.

Porém, em razão da reprovação ele foi matriculado numa sala de recuperação de ciclo à tarde... fui conversar com a diretora, expliquei o meu caso e se era possível passá-lo para de manhã (já que todas as oitavas normais, sem alunos reprovados, acredito, são nesse horário) e ela me disse que não, que era lei ele estar nessa recuperação...

Então fui na supervisora de ensino, que me disse que ele tinha que estar nessa sala... Acontece que meu filho NUNCA fez reforço ou recuperação paralela, principalmente durante a oitava série. Enfim, a supervisora então resolveu transferi-lo para uma escola que fica a 40 minutos da minha casa, para uma oitava comum, pois a escola não tem a recuperação de ciclo...

Minha pergunta então foi, se ele pode estudar nessa sala comum de manhã, por que ele não pode estudar na sala comum de manhã, da escola em que ele já estudava e que fica a 5 minutos da minha casa!?

Mandei um e-mail indignada para a Secretaria e nada resolveram. Estou me sentindo uma IDIOTA, pois recentemente chegou outro aluno transferido para onde meu filho está estudando agora, porque ele trabalha..entra no serviço as 17:30 e a diretora não aceitou passá-lo para o período da manhã.
Ou seja, a diretora ao meu ver continua mandando e desmandado como bem quer...sendo que uma das alegações dela quando fui pedir a transferencia para o horário da manhã foi que o meu filho só tinha notas vermelhas e era indisciplinado. Não sabia que indisciplina era motivo de caça às bruxas... me parece que ela quer fazer uma escola modelo...excluindo aqueles que não se enquadram.

Não quero defender meu filho...mas nunca fui chamada à diretoria (apenas uma vez) e nunca tive reclamações de indisciplina dele, apenas no primeiro bimestre da oitava série a professora me disse que ele imitava animais...depois não falaram mais nada.

Me sinto uma pessoa expropriada de seus direitos, humilhada inclusive moralmente.