28 agosto 2012

A escola tabu nº 61 - O maior problema não é a qualidade do ensino!




EM TEMPO (leia depois do post, para entender o contexto): a escola Maria Tomazia Coelho entrou em reforma-relâmpago, como era de se esperar em época eleitoral, após tanta exposição na mídia. Em compensação, professores da escola e do sindicato ao qual estão filiados escreveram uma patética carta aberta, em que se dizem "acuados, ameaçados, humilhados, entristecidos e questionados sobre tudo o que fazemos, escrevemos e dizemos, sem que os espaços democráticos que a escola disponibiliza estejam sendo utilizados. Estamos temendo por nossa integridade física e moral"...

Leia também esta interessante matéria: http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-01/criticas-escolas-unem-blogueiras-mirins-do-brasil-e-da-escocia

.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-

Esses fios soltos são o símbolo da hipocrisia que domina a rede pública de ensino em todo o país. Eles foram fotografados por Isadora, uma menina de 13 anos, aluna de uma escola municipal de Florianópolis. Em julho ela criou no Facebook a página DIÁRIO DE CLASSE, onde relata o que se passa em sua escola e demonstra uma consciência de cidadania rara até entre os adultos, declarando que quer uma escola melhor não apenas para si, mas para todos os alunos.

Nada do que ela publica em sua página é novidade por aqui: descaso nas instalações físicas da escola, aulas vagas, professores relapsos etc. Essa não parece ser das "piores" escolas públicas, mas a página da Isadora revela o que sempre defendemos aqui: a qualidade do ensino não é o maior problema da educação brasileira. Em um mês de postagens, ela conseguiu mostrar o verdadeiro tabu que impede o progresso do ensino público: todas as falhas devem ser colocadas para baixo do tapete, através de manobras autoritárias de toda sorte, para não denegrir a imagem da escola, da direção, dos profissionais e, principalmente, das autoridades responsáveis por ela na diretoria da ensino, na secretaria da educação e, not least, na câmara municipal, cujos vereadores fincam  os bundões nas cadeiras e não ligam a mínima para o ensino público... onde seus filhos  e netos não estudam.

A diretoria da escola Maria Tomazia Coelho e a secretaria municipal da educação (em campanha eleitoral!) devem ter ficado de cabelos em pé, quando perceberam que a singela iniciativa da aluna estava colecionando milhares de fãs e despertando a curiosidade de toda a mídia! É claro que, a esta altura do campeonato, não seria possível proibir a menina de dar continuidade à sua página no Facebook... Começaram então as ameaças, mais ou menos veladas, que conhecemos muito bem e que costumam levar à expulsão de alunos, como você já viu aqui

Leia por exemplo este trecho da página de Isadora:

Hoje a professora de português Queila, preparou uma aula pra me ''humilhar'' na frente dos meus colegas, a aula falava sobre politica e internet, ela falava que ninguém podia falar da vida dos professores, porque nós podíamos ter feito muitas coisas erradas pra eles odiarem e etc. Eu e acho que a maioria dos meus colegas entenderam o recado ''pra mim''. Além disso quando vou até o refeitório as cozinheiras, começam a falar de mim, na minha frente e rir, eu e a Melina (minha colega) fomos reclamar com a diretora, então ela disse que eu tenho que aguentar as consequências e que a partir de agora seria assim com todos, não resolveu o problema. Confesso que fiquei muito triste ...

No caso de Isadora, sua expulsão pegaria muito mal para a escola e para a própria secretaria da educação de Floripa, pois o Brasil inteiro está de olho nela! Isto mostra o valor da coragem dessa menina, cuja mãe entendeu a importância dessa iniciativa e a apoiou. Continue firme, Isadora! O Brasil precisa de mais pessoas como você, para mostrar que a escola pública só poderá começar a melhorar quando toda essa podridão vier a público. Saiba que o uso do celular foi proibido nas salas de aula da maioria das escolas justamente para evitar iniciativas como a sua. E saiba também que muitos alunos inteligentes e valorosos como você são sumariamente expulsos da escola porque seus pais  se amedrontam com as ameaças dos diretores e não lhes dão apoio.

Isadora, se você tiver vontade ou tempo, escreva um relato para nossa seção A voz do aluno. Leia  alguns depoimentos clicando nos links:


Um abraço!

27 agosto 2012

Escola estadual paulista: sem socorro para o aluno?


Não vamos aqui comentar a morte da estudante da FMU na sexta-feira, mas o fato despertou a preocupação de muitos pais de alunos da rede pública de ensino, onde tem havido casos de omissão de socorro. Um fato ocorrido em 2008 e que foi comentado por Gustavo Ioschpe na Veja (A frescura do multifraturado) resultou numa atitude louvável da rede municipal paulistana, que aprendeu a lição: no início do ano letivo, os pais preenchem uma ficha com informações sobre a saúde do filho e assinam uma autorização para a escola chamar uma ambulância em caso de necessidade. Assim procede a maioria das escolas particulares e algumas outras redes públicas.

Custamos a acreditar, mas recebemos uma péssima notícia de pais de alunos da rede estadual paulista: se um aluno passar mal ou sofrer um acidente, não haveria socorro. A escola ligaria para algum familiar, esse familiar teria que chamar o SAMU e só assim o aluno seria levado para um hospital. Ou seja, a escola não iria socorrer o aluno, como no caso ocorrido em 2008! Os pais que nos deram essa informação  estão extremamente preocupados, pois por algum motivo poderia haver atraso no socorro.

Se isso proceder, a questão é grave! Estamos levando este questionamento à Secretaria da Educação, a fim de que tudo fique esclarecido e resolvido.

26 agosto 2012

A escola tabu nº 60 - O país que odeia seus jovens

Este é um tema que não nos cansamos de trazer, pois diariamente recebemos e-mails de jovens expulsos ou discriminados na escola por sua inteligência ou vivacidade, que atrapalha o clima de velório dominante nas salas de aula. As expulsões, diretas ou brancas, ocorrem de forma cada vez mais frequente até nas escolas "de elite", como você já viu aqui.

Na rede pública de ensino, uma formas bastante eficaz para se livrar dos alunos - já que  para certos "educadores" escola boa é escola vazia - é impedir-lhes o acesso à sala de aula. Leiam as mensagens que recebemos esta semana e tirem suas próprias conclusões:

Boa Tarde, estudo o 3° ano do Ensino Médio em uma escola pública, gostaria de saber se eles podem me proibir de entrar 5 min atrasada na escola, pois faço ensino técnico em outra escola que fica praticamente do outro lado da cidade e por causa do transito não consigo chegar a tempo na escola as 19hs, a escola onde curso o ensino técnico me libera a partir das 17:30, mas sempre chego atrasada na escola por causa do transito, estou perdendo muitas provas e atividades no ensino médio, minha mãe já foi até a coordenação da escola e conversou só que eles só deixam entrar atrasado quem esta trabalhando e não aceitam a autorização do ensino técnico, agora estão convocando minha mãe para uma reunião, falando que se ela não comparecer para justificar minhas faltas vão passar meu caso para o conselho tutelar, o que eu posso fazer em relação a isso? Existe mesmo uma lei que proíba o aluno de entrar na segunda aula?
Desde já agradeço a sua atenção.

Nota do EducaFórum: leia clicando no link nosso post A tragédia do Ensino Médio, em que falamos do absurdo que foi a extinção do Ensino Técnico integrado ao médio. Esta aluna é duplamente vítima: primeiro, dessa medida que há mais de quinze anos prejudica milhares de jovens brasileiros, segundo, da perversidade de uma escola que quer claramente se livrar dos alunos. 
Mais uma mensagem de aluno recebida esta semana:

Olá, primeiramente parabéns pelo seu blog que conseguiu me tirar muitas dúvidas e até saber de direitos educacionais que eu não conhecia. Enfim, ainda me permaneceu uma dúvida quanto à entrada no estabelecimento de ensino. Tenho 18 anos e sou um aluno de colégio público cursando o 3º ano do ensino médio e tive uns problemas em relação à entrada no colégio que me foi negada. O caso é que em algumas poucas vezes em que eu me atraso quanto ao horário estipulado pelo colégio que é de 7:00h a.m ás 7:15 a coordenadora não me permite mais a entrada, até ai aceito pelo fato de que se eu e outros mais entrássemos nesse horário acabaríamos prejudicando a aula, porém eles não me deixam entrar nas aulas seguintes mesmo sabendo que um dia de aula contém 6 aulas sendo que algumas matérias como português e matemática tem 2 (duas) aulas em uma mesmo dia, sendo assim pela lógica eu poderia entrar em uma próxima aula de outra matéria ou mesmo no horário do intervalo para não ‘atrapalhar’, mas segundo eles eu me atrasando na primeira aula é motivo para não poder frequentar todas as outras estabelecidas naquele dia. Eu estou pedindo uma solução quanto a isto para que eu não perca mais aulas já que eu não gosto de perder conteúdos e também não sou um aluo faltoso e estou ali para aprender, de preferência algo que eu pudesse argumentar como um respaldo de alguma lei ou um direito que não me possa ser negado como vi em um dos seus artigos falando sobre a não obrigação do uniforme escolar. Antecipadamente obrigado e que continuem assim.

Nota do EducaFórum: teoricamente, o aluno tem direito ao acesso à sala de aula em qualquer situação, é o mesmo caso da não obrigatoriedade do uniforme escolar. Entretanto, a escola adora por o aluno para fora, como se não bastassem as aulas vagas, que na rede pública chegam a roubar-lhe até 30% do ano letivo. 
Mais uma mensagem recebida de uma aluna:

Tenho 22 anos e estou no 3º do Ensino Médio no período noturno. No 1º dia de aula, depois das férias de julho, nos foi anunciado que não poderiamos mais ser dispensados mais cedo por falta de professor, teriamos um subistituto ou ficariamos em sala até que desse o horario de saida, além disso, em casos que a pessoa estivesse passando mal, eles não liberariam, ligariam para algum familiar, e ele teria de ligar para o SAMU para nos buscar e levar ao hospital. Quando a vice diretora foi questionada nessa parte, ela disse que só sairiamos da escola durante o periodo de aula com o SAMU, caso contrário não sairiamos. O caso é que se uma escola abre suas portas para ensinar adultos que não tiveram a oportunidade de terminar a escola no periodo certo, ela tem que saber que esses alunos trabalham o dia todo, chegam cansados na escola, e terá um dia que a pessoa estará esgotada e não consegue nem prestar atenção na aula, pede para ir embora, e esse pedido é negado. 

Além disso, o atendimento na secretaria é o pior que já vi, todas as pessoas que atendem, sem exceção, são extremamente sem educação e não nos atendem direito, qualquer informação que é pedida, não nos é dada, ou as temos com grosseria. Pessoas sem ética profissional para trabalhar em escolas, tem mesmo que continuar empregadas ali?

Nota do EducaFórum: a escola não dá mesmo a mínima para o aluno, principalmente para o trabalhador. Quanto a pessoas sem ética profissional, é na escola que elas mais se concentram, pois não há qualquer fiscalização e o autoritarismo come solto. Essa aluna, se a escola descobrir que entrou em contato conosco, será sumariamente expulsa via Conselho de Escola.


É MOLE?


10 agosto 2012

A escola tabu nº 59 - A podridão para baixo do tapete

Esta é a quinta postagem sobre a escola Afiz Gebara, símbolo da corrupção, do autoritarismo e da impunidade na rede pública de ensino. As "investigações" continuam, amedrontando, acuando e pressionando as testemunhas. Claro, em época eleitoral toda a podridão precisa ser atirada para baixo do tapete! Largo tapete, com quilômetros e mais quilômetros quadrados de extensão...

Mesmo que a apuração acabe em pizza, como é de praxe no país, nós nunca esqueceremos esses crimes, pois acreditamos que a única arma eficaz contra os abusos de poder é a divulgação da verdade. Veritas, quae sera tamen! Vamos relembrar toda essa sórdida história: