30 novembro 2012

Academia "do bem" responde às "múmias da educação"



Finalmente um grupo de intelectuais se manifesta para apoiar Claudia Costin, Secretária Municipal do Rio de Janeiro, rebatendo as "críticas" que ela recebeu das "múmias da educação". Coloquei críticas entre aspas, pois parece-me absurdo um grupo de acadêmicos encabeçarem um abaixo-assinado tão inconsistente e equivocado. As excelências não sabem a diferença entre crítica e calúnia?... Relembre o caso clicando aqui.

Segue o manifesto de apoio, copiado do Portal Aprendiz. É longo mas compensa ler, coma antes um chocolatinho, rsrs:

Um grupo de lideranças de diversas áreas criou e assina a seguinte carta de apoio ao trabalho da Secretária Claudia Costin à frente da Secretaria Municipal de Educação na cidade do Rio de Janeiro.

Depois do convite do Ministro Mercadante para que a Secretária Claudia Costin assumisse a Secretaria de Educação Básica do MEC, alguns acadêmicos decidiram publicar um texto com críticas que revelam não só desconhecerem o trabalho que vem sendo feito na Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro nos últimos anos, mas também uma postura de oposição aos esforços do governo federal e da maioria dos estados brasileiros de romper a barreira do analfabetismo funcional, da desorganização e da desmoralização da escola pública, provocando danos irreparáveis às nossas crianças e jovens e ao desenvolvimento humano, social e econômico do país. A Secretária Claudia Costin e sua equipe têm tido o apoio irrestrito do Prefeito Eduardo Paes e têm feito um trabalho técnico, de qualidade e com resultados inquestionáveis.

Ao anunciar o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa, a Presidenta Dilma Rousseff fez questão de enfatizar a importância da avaliação do processo de aprendizagem, afirmando que "não há como aferir se as crianças estão seguindo um ciclo de alfabetização efetivo sem avaliar. E não há como fazer isso sem fazer testes objetivos. Principalmente, se quisermos evitar que as crianças cheguem à 5ª série sem conseguir dominar a leitura e as operações matemáticas simples". E prossegue a Presidenta: "Por isso, se quisermos saber se as crianças estão aprendendo, se precisam de apoio em algum conteúdo específico, se o nosso material didático e os métodos são adequados, se o professor e a escola estão cumprindo suas tarefas, nós vamos precisar avaliar. Precisamos avaliar a partir de parâmetros nacionais e sistematicamente, e precisamos fazer isso logo agora, e faremos a partir de 2013. Vamos também premiar o mérito. Premiar o que está dando certo. Professores e escolas que se destacarem, que conseguirem alcançar os melhores resultados receberão prêmios".

É esta linha, exatamente, que a Secretaria Municipal do Rio de Janeiro vem seguindo na gestão de Claudia Costin. A Secretária Claudia Costin liderou a discussão para a criação de orientações curriculares mínimas claras, com a participação dos professores da rede e comunidades escolares. Essas orientações curriculares são constantemente revisadas pelos professores em reuniões nas escolas. Há vários canais de diálogo, como visitas, reuniões com conselhos de diretores, professores, pais, alunos e virtualmente, por meio das redes sociais e mensagens eletrônicas. A partir dessas orientações curriculares, materiais impressos e digitais foram criados para apoiar o trabalho do professor, que pode decidir utilizá-los ou não em seus planejamentos, complementando a utilização de outros recursos como livros didáticos e vídeos. Avaliações verificam o processo de aprendizagem e que escolas precisam ser auxiliadas por outras escolas com contextos semelhantes e que conseguem atingir bons resultados.

Como acontece em muitas redes de educação pública municipais e estaduais, a Secretaria Municipal do Rio de Janeiro conta com parcerias para realfabetizar os alunos que não foram alfabetizados na idade correta, acelerar alunos em defasagem idade-série e reforçar a aprendizagem dos alunos que precisam de mais ajuda por uma série de fatores, como o contexto socioeconômico ou a baixa escolaridade dos pais. As metodologias adotadas são as aprovadas e recomendadas pelo Ministério da Educação, com base no seu cadastro de tecnologias educacionais certificadas. Hoje a sociedade brasileira se mobiliza cada vez mais para apoiar a educação, nenhuma secretaria pode dar conta sozinha da imensa tarefa que tem pela frente de melhorar as condições de estudo de seus alunos, e a política da Secretaria Municipal tem sido a de buscar sempre todos os apoios de qualidade que consegue identificar.

Um dos pontos fortes do trabalho da equipe da SME Rio tem sido a atenção especial que tem dado a crianças e jovens historicamente abandonados e que não exerciam o direito de educação pública de qualidade. O Programa Escolas do Amanhã é hoje reconhecido nacional e internacionalmente por diminuir as taxas de reprovação e abandono e melhorar a aprendizagem em escolas situadas em áreas conflagradas. Um exemplo é que o crescimento do Ideb nos Anos Finais nessas escolas foi de 33%. A criação de vagas em creches é o maior da história da cidade. Para essas vagas, os alunos de classes econômicas mais desfavorecidas são priorizados.

Liderando a educação carioca, a Secretária Claudia Costin ousou experimentar novas formas de aprender, utilizando ferramentas digitais e a personalização do ensino para estilos e necessidades diversas, com escolas experimentais (algumas vocacionadas), apostando no papel do professor como aquele que assegura a educação de qualidade para todos e não somente para alguns. Sempre com um foco claro na melhoria da aprendizagem, as escolas estimulam o protagonismo juvenil, a educação para valores, a construção de um projeto de vida e a formação de cidadãos autônomos, solidários e competentes, de acordo com os objetivos da educação pública preconizados em nossas leis.

Os resultados do trabalho realizado demonstram que os alunos cariocas estão aprendendo mais. As notas melhoram em todos os níveis, da alfabetização ao 9º ano. Enquanto em nível nacional o Ideb para os Anos Finais avançou pouco entre 2009 e 2011, por exemplo, as escolas cariocas avançaram 22%. Alunos e famílias estão mais satisfeitos com a educação pública. Crianças e jovens do Rio de Janeiro podem avançar no desenvolvimento de suas potencialidades e estarão muito mais bem preparados para batalharem por seus sonhos. O Brasil tem muito a ganhar se conseguir se beneficiar destas experiências que precisam se multiplicar. Ainda há bastante a ser feito, mas a educação carioca é um exemplo a ser seguido. Apoiamos o trabalho que a Secretária Claudia Costin e sua equipe vêm fazendo, com o apoio do Prefeito Eduardo Paes, e estamos felizes que ela tenha decidido permanecer à frente da Secretaria Municipal de Educação para dar continuidade às ações.

Alessandra Sayão
Alexandre Schneider
Alycia Gaspar
André Nakamura
Andreas Mirow
Armínio Fraga
Beatriz Novaes
Claudio de Moura Castro
Denis Mizne
Edmar Bacha
Fernando Augusto Adeodato Veloso
Fernando Barbosa
Françoise Trapenard
Gustavo Marini
Helena Bomeny
Iza Locatelli
Jorge Werthein
Lilian Nasser
Luis Antonio de Almeida Braga
Luiz Chrysostomo
Luiz Otávio Neves de Mattos
Magda Soares
Maíra Pimentel
Maria Helena Guimaraes de Castro
Maria Ines Fini
Maria Teresa Tedesco
Mary Grace Andrioli
Monica Baumgarten de Bolle
Naercio Aquino Menezes Filho
Nilma Fontanive
Olavo Monteiro de Carvalho
Paulo Ferraz
Pedro Malan
Pedro Vilares
Pilar Lacerda
Priscila Cruz
Rafael Parente
Ricardo Henriques
Ruben Klein
Samara Werner
Sergio Besserman
Sergio Guimarães Ferreira
Simon Schwartzman 
Tomas Tomislav Antonin Zinner 
Walter de Mattos Jr
Wanda Engel
Wilson Risolia

29 novembro 2012

Múmias da academia à beira de um ataque de nervos




Finalmente encontrei na internet o texto original que rejeita a indicação de Claudia Costin para a Secretaria de Educação Básica do MEC: leia clicando aqui.

Impressionante, a falta de consistência e a tendenciosidade do documento elaborado pelas "múmias da educação". Bom mesmo que ela fique no Rio de Janeiro e continue seu lindo trabalho por lá. Infelizmente, o Brasil ainda não a merece!

E cadê o posicionamento da "academia do bem", que não contesta nem ridiculariza esse disparate?

Como disse Martin Luther King:
O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.

O texto das múmias, apesar de sua incrível tendenciosidade e falta de conteúdo, tem o mérito de ser bem escrito, rs... (sepulcros caiados). Em contraponto, vale a pena relembrar a famosa denúncia anônima de "educadores" da EE Lucas Roschel Rasquinho, orquestrados pela APEOESP: uma vergonha de texto, não apenas pelos erros de português, mas pelo linguajar chulo e calúnias absurdas. Leia esse documento clicando aqui, descubra as diferenças e as semelhanças com a carta das múmias. Por incrível que possa parecer, esse documento anônimo foi aceito pelo Dirigente de ensino da  DE Sul 3 e encaminhado para uma "apuração" vergonhosa que resultou na demissão de uma excelente diretora de escola. Assim é o sistema de ensino no país, que não avançou nada desde Rui Barbosa: De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.

23 novembro 2012

Fome e sede de conhecimentos? Leia aqui!




Para você, que é obrigado a aguentar uma escola chata (não fique triste, quase todas são, rs...) mas tem fome e sede de conhecimentos, o excelente Canal do Ensino  selecionou algumas mídias sociais (quase todas do Facebook) que ajudam a estudar as mais variadas disciplinas, além de jogos e livros virtuais. Veja os assuntos que lhe interessam, entre nos links e curta!

Não se esqueça também da sensacional Educopédia, programa completo de estudo para o Ensino Fundamental. 

Isto vem a calhar, já que a sociedade parece estar começando a compreender que  ensino é uma coisa, educação é outra. Hoje, para ensinar e divulgar conhecimentos, basta um computador! O papel da escola e do professor é o de "libertar", como você pode ler no excelente depoimento do educador Sidiney Rodrigues.

Divirta-se navegando nesses links! E se você tiver mais dicas de jogos e ferramentas digitais para o estudo, por favor mande para educaforum@hotmail.com, que vamos divulgar.

22 novembro 2012

Uma solicitação inacreditável!




Acabamos de receber uma solicitação que parecia uma "pegadinha", de tão singela... Mas não: certamente muitos jovens brasileiros precisam dessa informação. Então vamos lá! 

Carol pergunta: 
Olá , gostaria de saber se existe alguma lei que proíbe professor de xingar ou humilhar algum aluno em aula , muito obrigada.

Resposta:
Sim, Carol, veja o que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente a respeito dos direitos básicos à educação. Leia todos, em especial o marcado em vermelho.


ARTIGO 53° -


Livro I - PARTE GERAL


Título II - DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

Capítulo IV - DO DIREITO À EDUCAÇÃO, À CULTURA, AO ESPORTE E AO LAZER

Art. 53º A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:

I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;

II - direito de ser respeitado por seus educadores;

III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;

IV - direito de organização e participação em entidades estudantis;

V - acesso a escola pública e gratuita próxima de sua residência.

21 novembro 2012

O ensino decoreba tem que acabar, diz Caio Castro


O ator Caio Castro é um jovem com ideias muito claras sobre educação. Frequentou as melhores escolas e é grato por isso, mas... tem uma série de ressalvas sobre a forma tradicional de ensinar. Você pode ler sua entrevista ao Educar para Crescer clicando aqui.

Certamente Caio não se refere apenas ao ensino público, mas ao sistema educacional brasileiro como um todo, que continua arcaico, salvo raras exceções que confirmam a regra. Alguns modelos de ensino público, aliás, dão de 10 x 0 para o ensino ministrado na maioria das escolas particulares de nível "médio" no país. Veja por exemplo os links contidos no post Os bons exemplos: quem os segue?... e saiba que existem excelentes iniciativas na rede pública de ensino de todo o Brasil. O problema é que elas não são multiplicadas, pois não há... o quê?... vontade política por parte das secretarias da educação e das diretorias de ensino.

Como diz sabiamente esse jovem (e dizem que os jovens não são sábios...), o país precisa de um ensino bom e nosso papel é reivindicar. Em suas próprias palavras: "Precisa mudar o investimento. Os políticos ficam roubando dos cofres públicos ao invés de pensar em Educação, estrutura. Em muitos países do mundo há qualidade no ensino público. Aqui, acontece o contrário. O colégio público no Brasil serve como ameaça. O pai diz: se você não passar de ano vai estudar num público. A criança tem medo."

Caio sugere acabar com a decoreba (ufa!), tornar as aulas mais práticas e dinâmicas,  promover passeios culturais. A escola deve preparar para o dia a dia e não apenas para o vestibular!

Parabéns, Caio, parabéns para todos os jovens, "celebridades" ou não, que têm a coragem de se colocar com tanta clareza e sinceridade! Ah, estamos muito felizes, pois acabamos de saber que a maioria do público que frequenta este blog é composto de jovens. Viva a juventude! (de todas as idades! rs)

19 novembro 2012

Diário, meu querido Diário!


Finalmente, um educador entendeu a que veio a Isadora Faber e seu Diário de Classe no Facebook.  Trata-se apenas de um diário, como as crianças e os jovens sempre fizeram. O problema é que o diário da Isadora ficou público e a maioria dos profissionais da educação está assustada com isso!

Seguem abaixo trechos de um texto do educador Sidiney Rodrigues, extraído do blog  Pedagogia Social. Sidiney se dirige a outros educadores, de forma sincera e corajosa. Parabéns, Sidiney, você foi muito feliz em suas colocações! Pedimos desculpas por marcar em vermelho um trecho que nos sensibilizou em especial. Fique à vontade para reclamar nos comentários, ok? rsrs

É essencial compreender o fenômeno que vai só crescer, não tem jeito, os alunos estão nas redes sociais, estão se comunicando por 140 caracteres, com fotos, com figurinhas, estão escrevendo vc, vdd, estão enfim se comunicando, quebrando o ensino das quatro paredes, hoje google e facebook são seus maiores parceiros, buscam informações, leem artigos, leem piadas e toda sorte de informação disponível ao simples digitar e “enter”, em sua forma peculiar de comunicação estão trocando informações e não vai demorar, todas as escolas estarão em evidência em suas comunidades, sendo criticadas. Desta feita, cumpre à Escola entender o seu papel enquanto agente Educacional e não de instituição da Idade Média. 

Hoje irritado já com essa situação, enquanto Pedagogo e Educomunicador, entrei no Diário de Classe da Isadora Faber, não questiono de nenhum modo a produção e o Diário, fazer isso seria negar o direito a informação. Percebi que Isadora está fazendo uma coisa simples, que os professores ensinam, sim um diário, e o problema agora é outro, o diário dela é público. Enquanto o professor anota seus planos individuais, faltas e elucubrações sobre o ato de ensinar no qual ele acredita que educou, mas isso vai parar no arquivo morto da escola. Sim, a história de educar é anualmente sepultada.

Então é chegada a hora da escola colocar seus educadores em rede, é hora da escola produzir seu JORNAL ESCOLAR VIRTUAL. Dialogar na rede, conversar, expor seus problemas.
Torna-se necessário realizar interação para construção do saber e o espaço para isso é a escola, não tem outro. É tempo de se refazer, é tempo de pensar por que não ouvimos mais os educandos. A lição está vindo de forma amarga e doce. Através de uma menina de 13 anos. Ou teremos que ver a tragédia acontecer, a escola dispensada de sua função, dando lugar ao ensinar frio, sem valor e sem moral das mídias informatizadas.

E a escola em questão poderia ser a minha escola, a sua escola, sendo eu educador ou educando, pai, mãe, tio ou tia, motorista de ônibus ou a cozinheira. Todos estão se conectando, não dá mais pra deixar de fazer isso, não ache que por seu aluno não ter acesso hoje, ele não terá amanhã.

É evidente, Educador, a Guerra de informação, ela é claramente evidenciada na Internet, numa briga entre Direita e Esquerda, opressores e oprimidos, as redes sociais estão salvando cachorros, mas as escolas estão inertes nesse movimento. Inertes pois, não acompanham a evolução tecnológica na sua velocidade, a escola não quer salvar os homens. Os professores das Salas Informatizadas realizam trabalhos de intermediação didática junto aos professores e eles é que vão ter maiores condições neste momento de auxiliar na discussão deste problema. 

É essencial começar a Twittar, AMANHÃ, REUNIÃO PRA REFAZER O PPP.

Temos sim, que twittar um novo PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO compreensível e de 140 caracteres, estabelecendo que sim, a comunicação agora é por frases curtas. Ou vamos nos conformar que perderemos nossos adolescentes, e que eles estão sendo educados e se formando por humoristas e outras pessoas que não sabemos quem são. 

Meu amigo Educador, não dá mais pra ficar inerte a esse fenômeno, pois amanhã o nome que poderá estar sendo linchado nas redes sociais é o seu. Ou entramos nas redes sociais, e compreendemos que um Boletim de Ocorrência jamais restaurará sua honra e mérito de educador, ou ficaremos reféns de um sistema educacional que, como pedra, está sendo lixado pelo sistema e não sai de seu lugar, pois os Educadores se limitam sempre a dizer: falta educação do lado de lá. Desculpa-me, amigo Educador, nos formamos pra isso, pra educar sim o lado de lá, com amor, carinho, respeito e saber.

A Educação, como diz Rubem Alves, não é piruá, está sendo queimada pra virar pipoca, e isso vai acontecer. Talvez, se eu soltar uma única frase os adolescentes já entenderão, agora, para educadores são necessários grandes textos, pois não acreditamos na comunicação breve e temos que sempre nos alongar nas teses, nos livros, nos longos artigos. Para os adolescentes bastaria Twittar "Salve a Escola! É lá q homem se faz! É nela q começa 1 nova história! A Faber só qr mais cores e nós tbém. A tecnologia é pra libertar!"

Estranhamente, enquanto a Isadora escreveu em seu diário, uma educadora triste dizia em meu facebook: não sei o que fazer com a minha autoridade de ensinar!  Prezada educadora, temos que educar, ensinar o computador faz! Nosso papel é outro, é de libertar.

Vamos nos armar com nossos “mouses” e fazer educação sem hora pra começar e nem terminar. Pois, se não fizermos isso, o computador frio fará, e de nada pra nós vai adiantar manter-se a lamentar.

Sidiney Rodrigues, educador

Da caixa de comentários:
Rico Guarani Kaiowá Mäder disse:

Excelente!!!!
É preciso se ajustar à realidade educacional. E o momento é AGORA!
A cada dia fica mais patente essa necessidade, ou teremos futuros adultos na busca de outras formas de se EDUCAR.
A linha tênue entre EDUCAR e INSTRUIR precisa ser trabalhada a fundo nas escolas, pois a verdade é que a educação atual é como diz acertadamente o texto: Medieval...
portanto, velha, arcaica e ultrapassada.
É um desafio, porém merece ser encarado e superado e acredito, temos e somos capazes syn!

Eduardo Lyra, gerando valor



Superinteressante esse vídeo do Geração de Valor apresentando Eduardo Lyra, um jovem empreendedor que viajou pelo Brasil garimpando bons exemplos para todos os jovens que já foram chamados de "louco". Se você já foi chamado assim, curta, divulgue, compartilhe e não se intimide com as críticas!

O Geração de Valor no Facebook: https://www.facebook.com/CanalGeracaodeValor?fref=ts

O Gerando Falcões no Facebook: https://www.facebook.com/GerandoFalcoes?fref=ts

O EducaFórum agora também no Facebook: https://www.facebook.com/EducaForum?fref=ts


17 novembro 2012

A escola do futuro na Rocinha!




O Brasil tem uma imensa dívida com a população que se encontra espremida nas favelas dos grandes centros urbanos, quase toda vinda de regiões do país onde ela não teve oportunidades de sobreviver e criar sua família. Não precisamos lembrar que, já no início da década de 70, especialistas israelenses vieram trazer e ensinar ao Brasil suas práticas de irrigação que, bem desenvolvidas, poderiam ter mudado a realidade em nosso nordeste...




O país tem empurrado essa problemática com a barriga, mas algumas iniciativas chegam a ser comoventes de tão bem intencionadas e ao mesmo tempo assustam pelo seu arrojo. Será que o país está preparado para acolhê-las? Será que a inveja e a mediocridade geral não poderão colocar tudo a perder?

O vídeo acima mostra o programa GENTE, da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, que criou o Ginásio Experimental Carioca, na favela da Rocinha. Esse programa poderá mostrar a todo o Brasil e ao mundo como é fácil tornar a vida escolar algo realmente conectado com a realidade. A vida, hoje, é muito diferente do que há trinta anos, quando já se falava que a escola estava desvinculada da realidade. Se isso já era verdade há trinta anos, hoje então trata-se de um fosso vertiginoso!

O Ginásio Experimental Carioca repensa a instituição escola, coloca o aluno no centro do processo de aprendizagem, não como receptor, mas construtor de conhecimentos, utilizando as novas tecnologias e estimulando a cooperação e a colaboração, dentro de um projeto arrojado de gestão.

Já falamos aqui da Educopédia, um projeto que dispensa esclarecimentos, basta navegar no site como visitante para perceber como é bem estruturado, traduzindo todo o currículo escolar tradicional em material pedagógico atraente, desde o 1º até o 9º ano do Ensino Fundamental. A Educopédia está no coração do projeto GENTE. 

Também mostramos aqui o compromisso da Secretária Claudia Costin com os alunos de sua rede e até a "lançamos" como candidata a Presidente do Brasil, uma convicção que se torna cada vez mais firme para nós, pais de alunos de escolas públicas. Nenhuma outra personalidade, em todo o país, demonstra ter o mesmo foco e competência para fazer o Brasil avançar na área educacional, que finalmente parece estar no centro das atenções da sociedade. 

Este novo projeto da SME do Rio de Janeiro também possui o mérito de devolver à comunidade da Rocinha sua dignidade, o que passa muito longe da proteção policial...

Mais uma vez parabenizamos a Secretária Claudia Costin e fazemos MUITOS VOTOS de que esse programa não seja visto apenas como mais um que vai - certamente - ganhar prêmios em nível internacional, mas uma iniciativa que, além do valor educacional, coloca crianças de favela como prioridade. O GENTE poderá finalmente mostrar que crianças humildes, desnutridas e de família pobre, filhas de pessoas que não têm condições de ajudá-las na tão decantada "lição de casa" (essa coisa que ninguém sabe ao certo a que vem), são tão inteligentes e talvez até mais fáceis de educar do que os filhos dos assim chamados cidadãos "de primeira classe". Talvez é disso que o Brasil tem mais medo e esse é o choque que a nossa sociedade precisa levar...


16 novembro 2012

Uma fresta de luz


O Ministro José Eduardo Cardozo declara que é melhor morrer do que estar preso. Ele não sabe que é ainda pior do que imagina. Preso não pode escolher morrer. Não tem essa escolha na cadeia. Segundo Marcelo Freixo, um espaço permanente de horrores.

Vou chamá-lo Jesus, com certeza mais de 18 anos, mas menos de 20 provavelmente. Mais uma vítima da drogadicção que leva ao crime contra o patrimônio e encarcera os nossos jovens em massa no Estado de São Paulo. Falta política de saúde pública e prevenção a drogas, falta escola, lazer, esporte e cultura, mas sobram vagas em cadeias públicas. Vagas, um modo irônico de falar, que espremer quatro pessoas em espaço onde caberia uma não é ter vaga.

Como cadeia é um local onde se cumpre pena de morte social, a morte física é uma consequência. O preso em São Paulo pode morrer, mas não de suicídio, senão seria em massa e ia complicar a vida dos nossos governantes e acordá-los de seus berços esplêndidos.

Voltando ao jovem Jesus, ele está sendo quase arrastado pelo braço por presos que se revezam. Obrigado a andar pelo pequeno espaço do pátio onde tomam sol, num vai e vem enlouquecedor. Jesus tem que andar sem parar, os presos se revezam para arrastá-lo. Ele tem que se cansar para dormir quando for trancado na cela depois que as visitas forem embora. Segurança para os presos, que tem que mantê-lo vivo. Se Jesus se suicidar, todos serão cruelmente castigados na cela. Daí a vigilância para que ele não se enforque ou não bata a cabeça na parede até morrer. Não é misericórdia ou compaixão, esses sentimentos os presos deixam fora do Centro de Detenção Provisória logo que chegam no primeiro dia. Eles se dão conta de que estão no Inferno, onde os sentimentos bons são considerados fraqueza.

Jesus  tem sobrancelhas grossas, é branco e de lábios e nariz finos, muito pálido, magro e olha para o chão meio que anestesiado como um zumbi.

Os negros beiçudos com nariz grande e características bem africanas são raros ali. Esses, segundo o Prof. Guilherme Botelho, não resistem à abordagem policial, por conta disso são minoria nas cadeias.

O jovem que eu chamo de Jesus come pouco, a comida alí é ruim e em pequena quantidade,  mas ele não se incomoda, mergulhado na dor e depressão profunda, come o mínimo,  obrigado. A mistura da boia os outros presos comem, ele não tem nenhuma reação e nem poderia, diante dos companheiros embrutecidos pela situação onde o mais feroz sobrevive. Ali  os sentimentos de  humanidade e solidariedade se perdem  pela condição perversa da cadeia e sua inversão de valores.

Que esse Jesus vai morrer logo, como morrem centenas todo dia nas cadeias, vai. Só que não será por suicídio e sim por alguma doença comum ali, tuberculose, hepatite ou pneumonia, ou outra doença qualquer que justifique e não cause nenhum problema para a direção. Se fosse permitido ao preso se suicidar, com certeza seria em massa e já teria chamado atenção. Que estar preso em Centros de Detenção Provisória é mesmo pior que morrer.

O Ministro José Eduardo Cardozo tem razão. Tem razão seu adversário político Marcelo Freixo, que cobra uma atitude dele e do PT.

Não sei, mas se o Ministro José Eduardo Cardozo só falou que estar preso é pior que a morte, diante da possibilidade de políticos como ele “puxar cana dura”, mesmo assim valeu.

Chamou a atenção e todo mundo comenta hoje. Jogou um pequeno facho de luz nessa escuridão vergonhosa, nessa mancha que é o sistema prisional brasileiro e sobretudo paulistano. Uma pequena luz na escuridão tenebrosa é melhor que nada. Uma fresta da porta aberta é melhor que a porta fechada e escondendo a perversidade de um sistema que faria o Inferno de Dante parecer o Paraíso na Terra.

15 novembro 2012

Esperando a tragédia?

Fiquei chocada com essa notícia que vi no Diário Nacional da jornalista Isadora Faber:


E ainda dizem que a menina deveria ficar brincando de boneca... Fiquei chocada, não com a notícia em si, mas porque acabei de assistir ao Jornal da Cultura, que na minha opinião é o melhor do país, e nada da notícia... Falou-se das tragédias naturais, da condição dos índios, da insegurança - inclusive em Florianópolis, mas nem uma palavra sobre essa que poderia ter sido uma grande tragédia, se o desabamento tivesse ocorrido durante o dia. Mas, como "deus é brasileiro", isso ocorreu durante a noite, o jornal "do almoço" deu a notícia em Santa Catarina, mas nada saiu em nível nacional. Bati o olho no índice dos assuntos no site do Jornal Nacional e também não vi nada lá sobre o desabamento da escola. Será que a notícia só vai sair no Fantástico, requentada?... 

Vou parar de escrever para assistir ao Jornal da meia noite na Globo News, ok? Já volto para informar se o Grilo vai falar do assunto.
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Pronto. Assisti ao jornal de cabo a rabo e nada. Ironicamente, o Grilo (é o âncora, tá? rs) começou com a notícia dos ataques em Florianópolis e até mencionou o bairro Palhoça, mas nada sobre a escola. Depois, desgraças e mais desgraças em todo o Brasil e no mundo. Se o mundo inteiro parece estar desabando, quem vai se importar com o desabamento de uma escolinha de periferia, ainda por cima sem vítimas?...

Pela primeira vez, em vinte anos de ativismo em apoio aos pais e alunos de escolas públicas, vou responsabilizar OS PAIS pelo ocorrido, dando esse imenso prazer às autoridades governamentais e aos sindicatos da "educação", que sempre tentam  culpar as famílias por qualquer falha da escola. 

Desta vez os pais são culpados, sim! Como é que se deixa os próprios filhos correrem risco de vida dentro de uma escola prestes a desabar!!! Só porque há cinco meses o caso saiu na imprensa? Acham que basta denunciar e ficar esperando sentados acontecer uma tragédia? E que denúncia é essa, por acaso?? Denúncia é coisa séria, é ir na polícia fazer Boletim de Ocorrência!! Denúncia é abraçar a escola com as mãos ou fazer greve de fome até a situação ser resolvida! Denúncia é 1.200 pais + vizinhos interditando o trânsito e batendo panelas na frente da Secretaria da Educação, da Câmara Municipal, da Assembléia Legislativa, do Ministério Público! Nunca, por nenhum motivo, permitam que a vida de seus filhos seja colocada em risco!

Cabe aqui uma especial cobrança à Secretaria da Educação: não existem, em Florianópolis, supervisores de ensino??? Não deveriam eles visitar as escolas pelo menos uma vez por mês e fazer relatórios sobre dificuldades, problemas e ocorrências, pedindo e cobrando soluções???

E o diretor da escola, ficou fazendo o quê: "esperando Godot"? E os professores, ficaram olhando as rachaduras das paredes e do teto com cara de lesma, esperando a escola cair em suas cabeças?... Quanto às autoridades "superiores", não fizeram nada diferente do habitual, ou seja, buRRocracia.

Mas nosso papel, aqui, é apoiar os pais, apesar da bronca. Então, prestem bem atenção, senhores pais de escolas cujos prédios estejam colocando em risco a segurança de seus filhos. Fiquem de olho em fios expostos (o que a Isadora Faber soube tão bem noticiar em sua página), portões enferrujados, vidros quebrados, brinquedos avariados no parquinho, carteiras e móveis velhos jogados atrás do prédio (juntando bichos ou mofo), caixa d´água suja, pátio ou quadra com rachaduras etc. Com respeito à quadra, quero relembrar um caso que você pode ler clicando aqui: numa escola de Araraquara, uma menina se pendurou numa trave de futebol que estava solta, a trave caiu e a atingiu na barriga, ela foi imediatamente hospitalizada, mas precisou sofrer duas cirurgias. Sua agonia durou 40 dias, antes de falecer. Não preciso dizer que esse caso não passou no Jornal Nacional e muito menos no Fantástico...

Outro caso grave, que mostra a indiferença do poder público para com os alunos, aconteceu em São Paulo, na região de Parelheiros: o para-raios de uma escola ficou avariado e o prédio pegou fogo. Numa escola vizinha, o para-raios avariou e a comunidade denunciou o caso para a Secretaria da Educação, mas nada aconteceu. O que os pais devem fazer numa situação como essa? NUNCA esperar sentados que a direção da escola "aguarde as providências". Caso ela não traga a solução dentro de alguns dias, a primeira medida é fazer BO e divulgá-lo na mídia. Outras sugestões estão acima. E não se intimidem com as resmungações do diretor e dos professores, de que a escola vai "ficar exposta", com a imagem "denegrida" etc etc. Seu filho é seu bem mais precioso, se a escola não zelar por ele, olho nela!

E parabéns para a jornalista Isadora Faber, por mais esta notícia em nível nacional!

13 novembro 2012

Quem não deve não teme

Como era de esperar, a manifestação realizada ontem na porta da escola Maria Tomázia  Coelho, em Florianópolis, onde estuda a menina Isadora, mostrou que a sociedade ainda não está preparada para discutir educação em profundidade. Clique no link para ler matéria da Uol sobre o ato: Estudantes fazem ato pela paz em escola de menina que criou o diário de classe

É claro que a iniciativa não foi dos alunos e é triste uma escola inteira ter parado as aulas para uma resmungação coletiva que apenas fortalece a posição de Isadora. Patética a fala do prefeito:

“O governo construiu nove quadras esportivas e dez ginásios em sete, mas bastou esta menina dizer que a fechadura do banheiro estava quebrada para o caso sair de proporção, hoje só se fala que o sistema está sucateado, diz. Pelo amor de Deus, vão lá ver que escola bonita ela tem. Agora ela disse que precisa ser toda pintada, mas não é bem assim. A quadra está mal riscada? Está, mas não é tão ruim assim".

Geralmente, prefeitos e secretários da educação se justificam assim mesmo, falando que a rede tem um número enorme de escolas, que já realizaram isso e aquilo, que não podem cuidar de todas elas com o mesmo zelo, que afinal a escola não está tão ruim assim...

Mais uma vez, toda uma comunidade foi manipulada por um sistema que procura nivelar tudo por baixo. Já dissemos aqui que a escola da Isadora está entre as primeiras no "ranking" e com certeza o prefeito deve ficar muito aborrecido por ela ter virado alvo de críticas. Não se pode, na educação brasileira, sonhar alto! 

Assista agora à entrevista que a Isadora deu hoje para o Estadão, clicando no link. Ela diz que um dos motivos que a levaram a escrever o Diário de Classe foi que havia percebido a diferença entre sua escola - pública - e a da irmã - particular. Na verdade, há muitas escolas particulares em condições bem piores que a Maria Tomazia Coelho, mas e daí? Não se pode reparar nas falhas e querer solução? Quem não deve não teme.

Com certeza, as crianças da família do prefeito de Floripa e de 99,99% dos políticos brasileiros não frequentam a rede pública. Esse é um assunto polêmico e tabu na sociedade  brasileira, até porque filho e neto de jornalista também estudam na rede  particular e até agora  nenhuma mídia se interessou em levantar essa lebre...

Para dar início e continuidade a uma página tão bem escrita e estruturada como o diário da Isadora, só uma criança plenamente alfabetizada e acostumada a debater ideias, coisa muito rara no Brasil, principalmente na rede pública, onde dá-se graças a deus se todos os alunos de uma 5ª série dominam o beabá e entendem um bilhete. Por isso mesmo o fenômeno Isadora chama tanto a atenção.

Ficou bem claro que ela não vai parar com seu diário, já tem a mente muito aberta para aceitar um cala a boca a esta altura dos acontecimentos. Se o Brasil adulto se assusta diante de uma criança questionadora, está na hora de repensarmos as metas do país e visarmos alvos mais ambiciosos. 

O que Isadora e certamente todas as crianças do Brasil desejariam, se tivessem a coragem de sonhar, é uma escola de primeiro mundo, o que vai muito além da estrutura física do prédio e tem principalmente a ver com o tratamento dado aos alunos. Uma atitude como essa tomada pela escola Maria Tomazia Coelho, de parar um dia inteiro pedindo "paz", tem a clara intenção de desencorajar as crianças a desenvolverem senso crítico. Lamentável.

12 novembro 2012

Você sabe para que serve o Plano Municipal de Educação?


Está sendo realizada, neste exato momento, na Câmara Municipal de São Paulo, a primeira   audiência publica para discussão do Plano Municipal de Educação, engavetado durante quase dois anos na Secretaria Municipal da Educação...

Para que serve o Plano Municipal de Educação? Para evitar que cada governo faça "sua" política educacional, apenas para mostrar serviço. E é exatamente por isso que, geralmente, nada muda significativamente para melhor na educação pública brasileira. Governo-vai, governo-vem, cada um se preocupa em mudar siglas e equipes, sem dar continuidade a eventuais bons projetos. Assim mudam as moscas, mas o bolo continua cru e indigesto.

Não fazemos muita fé de que essa discussão venha a trazer grandes mudanças, pois estamos em final de mandato, tanto dos vereadores, quanto do prefeito, mas o resgate do assunto e a discussão do Plano é um ponto importante, que não pode ficar num único debate. Tomara que não aconteça com o Plano Municipal da Educação o mesmo que ocorreu com a LDB, que demorou 10 anos para ser aprovada, rsrs...

Uma iniciativa importante foi chamar crianças e adolescentes para dar sua opinião sobre o novo plano, uma ação que iniciou em 2011 e que rendeu este interessante vídeo:




Os alunos que participaram da ação souberam resumir com muita propriedade os direitos que desejam sejam resguardados:
  • Direito a uma educação de qualidade, com aulas diferenciadas e fora da sala, "tipo oficinas" (palavras de uma representante do grupo).
  • Direito a brincar e interagir com outras crianças na escola.
  • Direito a voz, organização e participação na escola.
  • Direito a proteção e segurança, o que inclui instalações escolares mais seguras.
  • Direito ao respeito, ou seja, não ser discriminado, humilhado e maltratado.
  • Direito a uma cidade cuidada e cuidadora do meio ambiente.
O caso da menina Isadora e a repercussão de seu Diário de Classe mostram que, finalmente, os alunos de escola pública estão começando a ter mais coragem de expressar seus desejos e enfrentar o autoritarismo da escola, essa instituição que, no Brasil, serve basicamente à corporação e ao lobby da rede particular. 

Parabéns para todos os alunos que participaram dessa discussão, que esperamos avance bastante no ano que vem. Esperamos também que a nova Comissão de Educação da Câmara e o novo prefeito de São Paulo se mobilizem para que o Plano Municipal de Educação possa se tornar uma realidade em pouco tempo. Mas, como é mesmo, criançada?... Nada vai acontecer antes do Carnaval, não é? rsrs Olé, olé, olé, olá!

10 novembro 2012

Isadora, o patinho feio?...

Volto ao assunto Diário de Classe, já tratado aqui e aqui.

Em lugar de uma discussão acalorada mas produtiva, o Brasil está simplesmente se dividindo em duas facções: uma a favor, outra contra Isadora, uma menina de 13 anos que tem a única infelicidade de ser "diferente".  

A maioria dos brasileiros é a favor e gosta de colaborar com aqueles que estão numa condição de inferioridade, como por exemplo os deficientes, as vítimas de catástrofes, de enchentes etc. Quem pode está sempre disposto a fazer uma doação, uma visita, a dar uma palavra amiga. Entretanto, raros são aqueles que se dispõem a compreender e a apoiar quem demonstra estar numa condição de superioridade, seja intelectual, moral, filosófica, espiritual. A compreensão de pessoas que pensam diferente de nós dá muito trabalho e pode inclusive nos colocar em conflito com os nossos pares, aqueles com quem comungamos ideias, objetivos e atividades. O diferente "superior" assusta, principalmente quando se trata de uma criança...

O Brasil está "em pé de guerra" por causa da Isadora, um peso enorme para uma criança de 13 anos carregar.

Os defensores da menina estão simplesmente "indignados" com a resistência dos opositores, sem se preocupar em compreender os fatos mais profundamente. Os opositores entendem que uma menina de 13 anos não tem maturidade para criticar essa instituição "sagrada" que é a escola e acusam a família de apoiar ou até estimular a superexposição da filha. De ambos os lados, comentários superficiais, impropérios, palavras chulas...

Para quem acompanha o Diário de Classe desde o início, impressiona o amadurecimento gradual da Isadora. Se ela já demonstrava uma inteligência acima do normal, com o tempo suas colocações foram se tornando cada vez mais lúcidas, sensatas, objetivas. Ela aparenta ter a mente muito aberta e uma determinação que não condiz com sua condição de quase adolescente. Seus opositores alegam que ela perdeu o "foco inicial" e insinuam que os últimos textos não seriam de autoria dela. Na minha, como já disse, modesta opinião, ela foi tendo um amadurecimento-relâmpago nestes 4 meses de diário, devido à leitura da "overdose" de comentários em sua página, além de inúmeras matérias  publicadas a seu respeito em toda a mídia. Se ela não tivesse a inteligência e a maturidade que demonstra, já teria desistido da página e até largado a Maria Tomazia Coelho, pois com certeza muitas escolas particulares estão "babando" para tê-la entre seus alunos, sem cobrar mensalidade ou até dispostas a pagar por isso. rsrs

Se a Isadora fosse apenas uma criança exibida, ela não aparentaria a timidez que revela esta matéria do Fantástico. Ao mesmo tempo, porém, ela demonstra um nível de determinação que não deixa dúvidas: Isadora não vai desistir de sua empreitada. A menina, tímida quando entrevistada, torna-se extremamente segura ao palestrar para uma plateia de 300 pessoas, desde que bem acolhida e respeitada. Ela tem sede de conhecimentos, vivências e experiências, que certamente nenhuma escola pode lhe oferecer, no nível que ela quer e precisa.

Segunda-feira será um dia muito especial: em Florianópolis, em frente à escola Maria Tomazia Coelho, haverá uma manifestação de pais, professores e alunos para mostrar os "prejuízos" que o Diário de Classe provoca. Em São Paulo, Isadora estará participando da Conferência do GP 2012, como palestrante. 

Estou fazendo figuinhas em vários sentidos: 
  • Tomara que a manifestação na escola não tenha a participação de sindicatos e que não tenha sido agendada nessa data justamente em contraponto à palestra de Isadora...
  • Tomara que a Isadora não esteja aceitando tantos convites para fugir das perseguições e represálias que está sofrendo na escola...
  • Tomara que a mídia não aproveite esse dia para fazer excessivo sensacionalismo a respeito do assunto...
  • Tomara que o peso da repercussão não seja demasiado para essa menina de 13 anos, que absolutamente não imaginava colher frutos amargos de sua iniciativa...
Já comparei Isadora à criança da fábula A roupa nova do rei e ao Pequeno herói da Holanda. Li que alguém a comparou ao "patinho feio", dizendo que certamente se tornará um belo cisne. Muito diferente do patinho feio, Isadora possui uma autoconfiança que em nada justifica essa comparação. No máximo, poderíamos dizer que ela é um "filhote de cisne" no meio de uma "lagoa de patos". Que foi? A comparação doeu? rsrs...

08 novembro 2012

Isadora Faber e o pequeno herói da Holanda

O fenômeno Isadora Faber, que criou e mantém o famoso Diário de Classe no Facebook, já está tão divulgado em todas as mídias que dispensa explicações, mas merece muita reflexão.

Uma reflexão importante é que finalmente alguém escancarou a caixa preta do ensino público, mostrando a escola por dentro - e tinha que ser uma criança!

Outra reflexão interessante é a respeito da "qualidade" da escola onde Isadora estuda, a Maria Tomazia Coelho, em Florianópolis, que recebeu em 2011 a nota IDEB de 6.1, bem superior à média nacional.

Finalmente, chama a atenção o motivo de tanta notoriedade desse fenômeno: o número de fãs da página de Isadora no Facebook, que hoje atinge quase 400 mil. 

Será que são os números que importam, seja para avaliar a qualidade de sua escola, seja para  medir a importância do trabalho (sim, trabalho!) que a Isadora está desenvolvendo?

Quanto aos fãs da página no Facebook, a maioria dos comentários publicados aparenta sincera mas superficial admiração, de quem fica muito surpreso pelo fato de uma criança demonstrar  tanta maturidade, senso crítico, coragem e persistência, qualidades raras em um único ser humano, mesmo adulto. No entanto, os comentários mais reveladores são  de pessoas que criticam sua iniciativa, de várias formas: tem aqueles que apequenam a causa, dizendo que a menina deveria se dar por satisfeita de estar na escola onde estuda, os que demonstram raiva por achar que ela é muito criança para criticar essa instituição "sagrada", e também os que partem para a ignorância, como é comum nas redes sociais, onde as pessoas se sentem protegidas pelo anonimato. Aliás, até muitos que "apoiam" a Isadora o fazem apenas usando palavras de baixo calão contra... nem eles sabem quem. rs 

Parece que a Isadora está provocando uma catarse nacional - e pagando um alto preço por isso. À medida em que sua página no Facebook foi ganhando notoriedade, a escola foi criando contra ela uma hostilidade cada vez maior, que contaminou a própria comunidade, ou seja, os demais pais e alunos que deveriam  ser-lhe gratos por comprar uma causa que é também deles.

No início, Isadora foi criticando apenas as falhas na manutenção da escola e a merenda escolar. Até aí, nada muito sério, até porque, sinceramente, impossível comparar as condições dessa escola com muitas que se encontram nas periferias dos grandes centros de todo o país.  As reformas necessárias foram quase todas prontamente realizadas, o que  aliás  sempre recebeu elogios da Isadora em sua página.Quando ela porém começou a colocar o dedo em feridas mais profundas, como a AULA VAGA (expressão proibida na rede pública, por configurar oferta irregular de ensino, que é crime), o comportamento de alguns professores e irregularidades administrativas, isso lhe valeu, além da hostilidade geral, um processo na justiça, agressões verbais por parte de colegas e finalmente o apedrejamento de sua casa, que provocou ferimentos em sua avó.

O caso "Seu Francisco", que teria embolsado o dinheiro pago pela pintura da quadra sem realizar o serviço, foi a gota d´água. Essa história está muito "mal contada", deve-se tratar aí  de irregularidade administrativa por parte da direção da escola, do Conselho e da APM, que deveriam atuar em conjunto e dar transparência de seus atos, não apenas à Isadora, mas a toda a comunidade. Devido à sua pouca idade, a menina foi cobrando sistematicamente do tal "Seu Francisco", provavelmente o último elo de uma corrente podre. Aconteceu algo parecido na escola municipal dos meus filhos, na década de 90: a reforma dos banheiros foi se esticando durante   todo o ano e nunca terminava. A equipe de pedreiros foi minguando e de repente sumiu da escola... Eu e outros pais vivíamos questionando a diretora, que não dava satisfação, e resolvemos colocá-la contra a parede, ameaçando que chamaríamos a Comissão de Educação da Câmara Municipal para investigar o caso. A diretora - juro - desmaiou na nossa frente e no dia seguinte sumiu da escola, já no final do ano letivo. Descobrimos assim que a empresa que havia ganho a licitação subempreitou o serviço para uma segunda, que o subempreitou para uma terceira, que finalmente contratou dois pobres coitados para "finalizar" o serviço, com materiais de péssima qualidade...

Essa história da pintura da quadra deve ter algo em comum com a da escola dos meus filhos, para a direção ser tão omissa em esclarecer os fatos, após tanta repercussão. Quanto à exposição da escola na mídia, essa é talvez a maior ferida que o dedo da Isadora tocou. As escolas, em todo o território nacional, são proibidas de aparecer na mídia, o que pode "denegrir" a imagem dos políticos que as gerem e deveriam fiscalizar, sejam do poder executivo ou do legislativo. Ironicamente, a Maria Tomazia Coelho é um dos "cartões postais" de Floripa, como você pode ver aqui. Qualquer chamuscadinha fere o orgulho do corpo docente, da direção da escola e das instâncias maiores, como a diretoria de ensino e a secretaria da educação. Isso pode também prejudicar eventuais bônus e demais benesses, além de obrigar a escola como um todo a entrar na linha. Em sua ingenuidade - e sem imaginar que acaba de ganhar mais uma inimiga - Isadora conta que uma funcionária, acostumada a levar seu bebezinho no trabalho, agora tem que pegar no batente pesado, mostrando assiduidade e pontualidade. 

Na minha modesta opinião, a grande contribuição de Isadora, com seu Diário de Classe, é mostrar que o maior problema da rede pública não é a qualidade do ensino, mas a falta de EDUCAÇÃO, no sentido ético e filosófico. Isadora acaba de mostrar que o aluno, na escola pública, não é sujeito, ele está em segundo ou até terceiro plano. Na hora que ele resolve ficar na linha de frente, como ela fez, é criticado, hostilizado e, na maioria das vezes, expulso. Em seu caso específico, o que impede a expulsão da Isadora é apenas sua notoriedade. E o que se tenta, agora, é provocar sua evasão, infernizando-lhe a vida!

A rede pública de ensino, em todo o país, não existe em função do aluno, mas do sistema: primeiro, vem toda a discussão "pedagógica" que, por exemplo, fez a LDB tramitar dez anos antes de ser aprovada e que até hoje, 15 anos após sua publicação, não ajudou o país  a avançar um palmo na área educacional. Depois, vem o "cabidão de empregos" e, por último o aluno, esse apêndice que recebe, dentro da escola, péssimos exemplos de ética e cidadania.

Enfim, Isadora conseguiu sem querer mostrar a falta de ética da maioria dos adultos que participam de sua escola, sejam profissionais ou membros da comunidade: no mínimo, omissos. Cadê o Conselho dessa escola? Cadê a APM? Que exemplo essa escola está dando para seus alunos, ao hostilizar uma menina que só aponta o óbvio? Diante de uma situação como essa, como pode ainda vingar o antigo chavão repetido exaustivamente nas escolas: "a educação vem de casa"? Para que aulas de ética e filosofia nas escolas??? Para que aulas de sociologia, se ninguém explica ao aluno qual é a de uma sociedade que não se preocupa em lhe oferecer o que a lei "garante"? Art. 53º do ECA -  A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho.

Isadora poderia ser comparada com a criança da fábula A roupa nova do rei ou com O  pequeno herói da Holanda, que colocou seu dedo em um furo no dique, protegendo a cidade da inundação. O que sua escola e, certamente, a maioria da classe docente não entende, é que o dedo da Isadora aponta para a necessidade de melhorias e não para a crítica negativa. 

Ora bolas! Apenas por sua escola estar "no topo do ranking", uma criança deve deixar de perceber, por exemplo, que há fios descascados em alguma sala de aula? Que há assentos quebrados que podem causar acidentes? Deve deixar de se preocupar com a pintura da quadra, sendo que a falta de marcação impede realizar exercícios de educação física?... só porque na maioria das outras escolas do país a "educação física" não passa de um bate-bola numa quadra descascada, onde muitos professores largam os alunos sozinhos e vão tomar cafezinho na cantina?... Por que, no Brasil, tudo deve ser nivelado por baixo? E justo na educação, que é a principal alavanca do país??



04 novembro 2012

Código da desinteligência?

A leitura de O código da inteligência, de Augusto Cury, esse grande humanista esnobado por muitos intelectualóides brasileiros, ajuda a entender a razão do autoritarismo da escola pública no Brasil. Ela é, sim, autoritária de norte a sul do país, salvo raríssimas exceções que confirmam a regra, e de nada adianta insistir em criticar o sistema, sem tentar compreender o que de fato existe na base desse autoritarismo.

Já trazemos aqui inúmeros casos em que diretores, coordenadores "pedagógicos", professores e outros funcionários esbanjam seus títulos de estudo para calarem a boca de pais e alunos que questionam certas condutas inadequadas de sua parte. Outros casos, mais graves, mostram essas "autoridades" apelando para a agressão verbal e a humilhação, como você já viu aqui, aqui e aqui

Sem querermos justificar esse tipo de atitudes por parte de profissionais pagos para realizar um trabalho que se deseja construtivo dentro do sistema educacional, trazemos trechos do livro que ajudam a esclarecer os motivos de tanta arrogância:

Nas relações desiguais, o vírus do orgulho contagia em frações de segundos o cérebro daquele que se considera superior, levando-o a silenciar a voz do que está em uma posição inferior. Quem usa a relação de poder para impor suas ideias não é digno do poder de que está investido.

Quantos professores não cometeram acidentes na formação da personalidade dos seus alunos, ainda que sem o perceber, porque nunca tiveram coragem de pedir desculpas quando levantaram a voz desnecessariamente ou julgaram precipitadamente?

Certa vez, um professor fez um aluno repetir várias vezes uma palavra que não conseguia articular diante de seus colegas, até acertar. Quanto mais tentava, mais errava, até que começou a chorar e o professor se arrefeceu. Poucos segundos pautam uma história. Sua atitude desastrosa aprisionou esse jovem aluno no lugar que deveria ser espontâneo e livre. O resultado? Nunca mais, mesmo quando adulto, conseguiu falar em grupo. Ao tentar se expressar, tinha falta de ar, excesso de suor, seu coração parecia que ia sair pela boca. Seu cérebro o preparava para fugir do monstro do vexame, da humilhação,  cravado em sua psique.

De O código da inteligência, de Augusto Cury
Trechos do capítulo 8 - Terceira armadilha da mente humana: o medo de reconhecer os erros.

Nunca tivemos o prazer de ver pais e alunos receberem um pedido de desculpas de algum profissional da educação, até mesmo quando seu erro foi comprovado e ele se viu obrigado a repará-lo. Nesses casos, aliás, parece que o "vírus do orgulho" ataca até com mais vigor,  por exemplo, quando uma diretora de escola foi obrigada a reintegrar uma aluna expulsa injustamente e tentou se vingar dela arrastando-a para o tribunal, veja clicando aqui

Aparentemente, a maioria dos profissionais da educação, no Brasil, segue o código da "desinteligência". Está na hora de todos lerem e meditarem sobre o livro de Augusto Cury, um dos autores brasileiros mais publicados e lidos do mundo, por isso mesmo alvo de inveja e esnobado pela academia tupiniquim.