29 abril 2013

Provocando a classe docente



Toda vez que começa alguma greve de professores, me dá frio na barriga e imediatamente lembro daquele famigerado 1992, quando o aluno da rede estadual paulista foi vitimado por uma greve de 83 (ou mais...) dias. Outras greves, tão ou mais longas, houve desde então em outras partes do Brasil e uma escola que foi muito marcada, embora não se fale mais das greves, foi o renomado colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Alunos que têm, em seu "currículo", greves tão longas, dificilmente conseguem recuperar o aprendizado, a não ser que a família ajude muito, contratando bons professores particulares ou metendo a própria mão na massa, o que é muito difícil em se tratando de alunos da rede pública.

Dado o marasmo em que patina a educação brasileira, considerando também que "ninguém" quer ser professor e que os sindicatos continuam sempre manipulando a sociedade, urge encontrar soluções alternativas.

O texto deste link contém uma frase muito reveladora:

Todos que admitiram ter vontade de lecionar passaram por experiências positivas de ensino. Isso nos leva a concluir que se o aluno tiver um bom professor, ele pode querer ser um.

Pode ser que eu não passe de uma provocadora, mas devo confessar que, em toda a minha vida escolar (estudei na Itália, onde o ensino é tido por "muito melhor" do que aqui...), não tive nenhum professor tão bom quanto sugere essa frase. Pergunto-me então qual seria a porcentagem dos "bons professores" para a maioria dos alunos brasileiros: 5%, 10%, 15%? Mais do que isso?...

Bom professor, a ponto de estimular no aluno a vontade de seguir sua carreira, tem que ter PAIXÃO PELO CONHECIMENTO, pelo menos na sua área de ensino. Se ele não tiver, que tenha pelo menos PAIXÃO POR CRIANÇAS, o que pode ajudar a compensar o pouco interesse pela matéria que ensina. Quem sabe, assim, ele se deixe contagiar pelo interesse dos alunos!

Mas o quadro é "negro", como diz o título da matéria lincada. Poucos, no Brasil, professores ou não, têm paixão pelo conhecimento, haja vista a pobreza das produções culturais, salvo raras e honrosas exceções que confirmam a regra e não caem no gosto popular. Menos ainda são os que têm paixão por crianças e - vixe! - por adolescentes, haja vista a corrida para a redução da maioridade penal.

Resumindo esta minha provocação, talvez o Brasil precise mesmo se livrar da classe docente e investir no ensino através da tecnologia. Se você não tem um bom e carismático professor, se o seu professor se sente à vontade para faltar 83 dias ao trabalho, é porque ele não dá a mínima para você, aluno! Qual é, então, a alternativa?...

25 abril 2013

O sistema educacional e o uniforme escolar

Ao receber a milésimaquatrocentésimaoitentésimanona mensagem informando que alunos foram impedidos de entrar na sala de aula por falta de uniforme, desabafei:

A pobreza do nosso sistema educacional coloca o uniforme no topo das prioridades! Por isso os colégios impedem a entrada dos alunos sem uniforme na sala de aula. É um sistema educacional BURRO e INCOMPETENTE, que valoriza mais o vestuário do que o conhecimento e o aprendizado. Um sistema educacional que quer UNIFORMIZAR todos os alunos, para que fiquem tão BURROS e INCOMPETENTES quanto ele próprio.

Pronto, falei!

22 abril 2013

Pelo aumento da MAIORIDADE MORAL!





Segue o link para um artigo que traduz exatamente nossa posição a respeito da maioridade penal. Eliane Brum consegue juntar razão e sensibilidade. A ser assimilado e meditado!

http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2013/04/pela-ampliacao-da-maioridade-moral.html


EM TEMPO: O Movimento COEP escolheu Eliane Brum Educadora Nota Dez do ano. Apoiado!!! Nem precisa terminar o ano para perceber que dificilmente alguém vai ter melhor compreensão de um assunto tão delicado!




A voz do educador 2 - Tudo o que esperamos de um professor!

A querida amiga Regina Milone, uma educadora que nos segue há anos e nos dá o prazer de interagir  conosco, revela ser, em seu depoimento, tudo o que esperamos de um professor: que não seja santo, mártir, sofredor, mas humano, sensível, aberto e compromissado, com seus sonhos, anseios e frustrações, mas vivo e voltado para o aluno!

Leia o lindo depoimento da Regina clicando aqui.

Mais uma vez obrigado, Regina, por ser essa professora inquieta e antenada! Você faz a diferença neste meio em que é tão difícil os pais de alunos poderem trocar ideias com os educadores de seus filhos. 

21 abril 2013

Biblioteca na escola: túmulo do conhecimento




Finalmente uma boa entrevista sobre a precariedade das bibliotecas nas escolas, coisa que denunciamos há anos. Leia por exemplo este post de 2008 clicando aqui e este outro de 2010, clicando aqui.

A entrevista é com a pesquisadora Aparecida Paiva, da Universidade Federal de Minas Gerais. Ela revela com quase todas as letras que a esmagadora maioria das bibliotecas escolares não funciona, pelos motivos que sempre relatamos aqui. O que falta denunciar com mais ênfase é a falta de compromisso, ou seja, a omissão dos diretores de escola a respeito de um assunto tão sério. Eles simplesmente "deixam rolar" a questão da falta de funcionários para a organização e a manutenção da biblioteca da escola e não se incomodam com o fato de os livros ficarem encaixotados durante anos seguidos, para não falar daqueles que "desovam" esse material para os depósitos de ferro-velho... Já denunciamos aqui, também, casos em que pais de alunos se prontificaram a reativar ou manter a biblioteca da escola e foram simplesmente ignorados pela direção! Leia sobre isto clicando aqui.

Mas o nosso objetivo não é ficar na lamúria, coisa que aliás nos irrita profundamente. Por isso estamos divulgando a entrevista com a Dra. Aparecida Paiva, que você pode ler clicando aqui, na esperança de que, finalmente, a sociedade acorde para a necessidade de cobrar das escolas mais seriedade no projeto pedagógico, que não pode prescindir de uma biblioteca rica e ativa. Como diz a Dra. Aparecida, jeito tem, basta querer! A biblioteca escolar precisa tornar-se um espaço vivo e estimulante. Hoje, não passa de um túmulo do conhecimento.

10 abril 2013

A voz dos pais nº 6 - O aluno tem direito a opinião?


Acabamos de receber a seguinte mensagem, de uma mãe de Minas Gerais:


Minha filha foi chamada atenção por não querer emprestar o caderno para uma colega, a professora disse que ela tinha que ser mais solidária. Já em outra situação, quando ela o emprestou a outra colega, a professora falou que ela não poderia emprestar o caderno para ninguém e ainda fez ela e a colega assinarem uma ocorrência. Na escola onde ela estuda nenhum aluno tem direito de argumentar com os professores. Qualquer aluno que tenta argumentar com os professores é obrigado a assinar uma advertência. Pode isso? O aluno não poder ter uma opinião própria?

NOSSO COMENTÁRIO:
Essa mãe percebeu o autoritarismo da instituição escola, abafado por uma cortina de fumaça que mostra apenas o que a corporação e a mídia querem ressaltar, ou seja, o aluno "sem limite", o aluno "vagabundo", vândalo, agressor, etc etc. Acorda, Brasil!

06 abril 2013

Você já teve um professor artista?




Nenhum professor precisa ser "artista", mas, se ele for, palmas para ele! Esse do vídeo encontrou um jeito genuinamente brasileiro de ensinar. E não vale falar que você não gosta de funk! Eu também detesto, mas esse professor merece 10 com louvor, ou seja, ele é absolutamente hors concours. Tomara que não seja boicotado pelos mediocres!

05 abril 2013

Mais alunos expulsos da escola particular. Afinal, ela é ou não é um negó$$$io?...




Recebemos hoje mais duas mensagens estarrecedoras, de mães de alunos de escolas particulares. Elas, juntamente com várias outras já publicadas, mostram que aparentemente muitas escolas particulares não passam de um negócio. Então, qualquer aluno que atrapalhe esse negócio corre o risco de ser expulso... As mensagens foram respondidas através de e-mail e as respostas são tão óbvias que nem vamos comentá-las aqui. O ideal é os pais tirarem imediatamente seus filhos de lá e procurarem escolas que respeitem seus alunos enquanto cidadãos.

1ª mensagem
Tenho um menino de 6 anos que cursa a 1ª serie numa escola particular. Pago período integral, porque trabalho e não tenho com quem deixá-lo.   Ele está em tratamento para depressão, é uma criança inteligente e gosta de liderar a turma, o que gera alguns conflitos. Vejam abaixo que ele foi suspenso por 7 dias, sendo proibido de entrar na escola neste período. Quando questionei a escola sobre as matérias perdidas, me disseram que eu teria que ensinar meu filho em casa durante o período de suspensão.  Comentaram que ele pode retornar à escola somente com laudos médicos e, mesmo assim, se o comportamento retornar ele será transferido para outra instituição. Ouvi coisas da coordenadora do tipo: “A escola é um negócio” ou “não temos pessoas para ficar só monitorando o seu filho”.

A suspensão me foi comunicada por  e-mail, e meu filho foi obrigado a assinar um livro negro por 3 x.  Estou há 2 semanas tentando conversar com as responsáveis pela escola, e consegui somente ontem uma reunião. 

Gostaria de saber se é legal a suspensão de uma criança de apenas 6 anos, sendo proibida sua entrada na escola por esse período. Uma escola pode obrigar uma criança de 6 anos a assinar um livro negro? Eu não deveria ter assinado esta suspensão ou ela simplesmente pode ser comunicada via e-mail, como ocorreu? 

Quando matriculei meu filho nessa escola não me informaram sobre esses procedimentos, e quando pedi que me enviassem cópia do regimento escolar me negaram. Informaram que eu poderia ter acesso diretamente na escola sob supervisão da coordenadora. 

2ª mensagem
Tive minha filha de 16 anos, estudando no 3º ano do ensino médio em uma escola de referencia da minha cidade, expulsa por ter chamado o diretor de meu amor de forma irônica, sendo o seu terceiro ano na mesma e nunca tendo nenhuma advertência ou suspensão, ou seja nada que a desabone, pois eu como mãe nunca fui convidada a ir à escola, nem mesmo quando ele a expulsou. Eu estava viajando e quando cheguei fui falar com o mesmo, que me disse que naquele momento não podia ter tomado outra atitude a não ser expulsá-la por ter chamado-o de meu amor de forma irônica. Pode isso? Se é ilegal por favor me mostrem a lei para que eu possa tomar minhas providencias perante este senhor.