Educação Física - Professora Cristina Elizabeth Valero

Relatório e requerimento destinados à Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

Aos cuidados da OUVIDORIA

RELATÓRIO


Eu, Cristina Elizabeth Valero, professora de Educação Física (PEB II), sob o registro do CREF4/SP:003977-G, RG: 18.841.574-9, residente e domiciliada a Av. José Belarmino, 1207 – Centro de Itápolis - SP, quero tornar de caráter público e notório o ocorrido a partir de 09 de março de 2005, quando da atribuição de aulas na Escola Estadual Júlio Ascânio Mallet, da cidade de Itápolis/SP, qual segue:
1º - Durante a atribuição foram-me atribuídas duas turmas (o 1.º E e o 3.º B) do Ensino Médio na Escola Estadual Prof. Valentim Gentil de Itápolis/SP em razão da substituição da licença prêmio do professor senhor “Ademir Portanti” – CREF4/SP: 010517-G ,efetivo da casa.
Ao questionar sobre o planejamento com a vice-diretora, a senhora Maria Ravagnani, recebi a orientação de que deveria entrar em contato com o professor das turmas, pois não havia planejamento, ação que não fiz por entender que estando em licença, o profissional não deve ser incomodado. Indaguei, então, sobre os diários de classe, os quais ela me entregou, mas estavam completamente em branco desde a capa. Tomei a atitude de preenchê-los com a relação nominal dos alunos, deixar o espaço necessário para o professor da classe relacionar as atividades já efetuadas e elaborei o planejamento de um (1) mês, após ter tido o primeiro contato com tais turmas.
Neste primeiro dia (10/03/2005), ao adentrar na sala (1.º E) surpreendi-me com as colocações dos alunos, quais sejam: a de que naquele dia “era aula dos meninos”; que o professor iria “dar” basquete durante o 1.º semestre e voleibol no segundo semestre.
Pensando que talvez os alunos quisessem tirar algum proveito de um professor substituto expliquei-lhes a importância da Educação Física e o comprometimento que a mesma tem com a formação e a qualidade de vida dos alunos, pois tal disciplina também trabalha a inclusão, a socialização, o espírito de cooperação, a responsabilidade, o respeito da idiossincrasia de cada ser humano e a importância que cada indivíduo tem perante a sociedade. Esclareci também que a Educação Física não é apenas “jogar” bola e, eles ficaram muito surpresos com a minha afirmação.
No dia seguinte (11/03/2005) tive meu primeiro contato com o 3.º B e os alunos colocaram-me a mesma situação e frisaram que aquele profissional, e os demais de Educação Física da escola, sempre trabalharam desta forma. Enfocaram também que o professor “sempre” utiliza a quadra coberta (a de fora) e a outra professora senhora “Vera Lúcia Mercandali – CREF4/SP: 015434-G sempre utiliza a quadra de dentro (descoberta, ou seja, sob o sol, pois segundo os alunos, a mesma prefere “ministrar aulas” neste local, sem ao menos sequer pensar no conforto e bem estar dos alunos, com isto pensa apenas na 1ª pessoa do singular e não na 3ª pessoa do plural) e aqueles que não fazem aula, ficam sentados conversando ou em uma sala que pertence à quadra de fora jogando ping-pong. Afora isso, quando não há atividade nas duas quadras, o professor fica com as meninas na quadra de fora e os meninos ficam jogando sozinhos na quadra de dentro.
Diante dos fatos, dialoguei com os alunos e implantei minha metodologia de ensino utilizando a modalidade handebol, como meio de aprendizagem e não como modalidade esportiva. Todos os alunos participaram e gostaram de ter a atividade física orientada e planejada, e interagiram muito bem mediante as diferenças próprias de cada um (biotipo, sexo, raça.....) passando a trabalhar a classe como um todo. Com o passar das aulas, fizemos debates, utilizamos recursos áudio-visuais, atividades lúdicas e recreativas.
Mediante a identificação dos alunos comigo, eles sentiram-se seguros em poder ter a liberdade de questionar-me sobre o porquê de na escola não haver turmas de treinamento de handebol, basquete, futsal (tanto o masculino quanto o feminino), mas eu não soube explicar. Presenciando o fato de os alunos que não gostavam de Educação Física manifestaram interesse em aprofundar seus conhecimentos em tais modalidades, pedi-lhes que se organizassem, passando uma lista de interessados para que eu desse encaminhamento junto a Direção da escola, a fim de formar turmas de ACD. Foi o que fiz no último dia em que atuei em substituição (04/03/2005).
Entreguei a vice-diretora Maria Ravagnani uma lista de alunos interessados em aprofundar seus conhecimentos na modalidade de handebol, porém não a protocolei. Os alunos informaram-me que foram questionar a Direção a respeito da abertura desta turma, mas ela alegou que eu não poderia abrir nem pleitear a abertura de turma de ACD por eu ser professora substituta, pois somente os professores titulares da escola poderiam fazê-la.
Os alunos ficaram indignados com a resposta e me procuraram, principalmente porque após a primeira aula com o professor efetivo os alunos pediram-lhe para que as aulas continuassem a serem conduzidas, como havia ocorrido no último mês. Porém, ele sustentou que suas atividades continuariam da mesma forma (basquete no 1.º semestre e vôlei no 2.º), e que ao questionarem sobre montar turmas de treinamento, ele relatou e confirmou que não havia interesse por parte da escola em abrir nenhum tipo de turma de ACD. Por fim, neste mesmo dia, me foi entregue pelo meu filho, que estuda no 1.º C, uma lista protocolada na escola no dia 07/04/2005), de alunos interessados em continuar treinando ( em 2004 havia turma de ACD de Basquete) e outros em aprofundar seus conhecimentos no basquetebol. Ao tentar protocolar pela 1ª vez o documento citado, o aluno Bruno Júlio Penna dirigiu-se à Diretoria e conversou com a senhora Janair e a mesma informou-lhe que não poderia protocolar tal documento, por ser horário de aula. Indignado, no dia seguinte voltou na escola no período da tarde e dirigiu-se à secretaria. Quem o atendeu, “não lhe informou o nome”, levou o documento para a Senhora Janair protocolar. De imediato, respondeu para a atendente: - Você mesma pode receber e protocolar. Protocolo Nº 16/2005, datado em 07/04/2005.
Em 13/04/2005, entrei em contato com a escola por telefone e a senhora “Aida” atendeu.Expliquei que um documento havia sido protocolado, informei-lhe o Nº do protocolo e a data e pedi que verificasse o nome da pessoa que o recebeu, pois, no mesmo havia apenas uma rubrica. A resposta que recebi foi: - A senhora deve vir pessoalmente à escola. Foi então que mencionei precisava do nome desta pessoa para encaminhar tal documento à Diretoria de Ensino, então transferiu a ligação para a senhora Janair. Ao mencionar o fato, ela relatou que não poderia verificar naquele momento, pois estava atendendo uma pessoa. Então indaguei: O pessoal da secretaria não pode fazer isso? A mesma respondeu:- Você não falou comigo nenhuma vez sobre este assunto, e o Bruno já treina basquete, respondi: - A senhora estava de férias e eu falei com a pessoa responsável na vossa ausência, a senhora Maria Ravagnani, onde entreguei em mãos uma lista de alunos interessados em aprofundar seus conhecimentos em Handebol e mencionei também sobre o Basquetebol, que os alunos estariam entregando em breve. Nesta ocasião a responsável falou-me que as coisas não eram bem assim, que se os alunos realmente tivessem interesse os professores “da casa” já haveriam montado tais turmas. Agora com relação ao Bruno ele realmente está treinando, porém em uma equipe particular o “Orange Basketball Team”, só que por este time os “alunos da escola” não podem participar dos jogos escolares. E para os alunos da escola Valentim Gentil, é um absurdo somente a escola “Moraes Barros” participar e eles não. E que as turmas de ACDs das escolas estaduais, foram implantadas para dar condições de igualmente, para que todos os alunos tenham a oportunidade de conhecer melhor a modalidade esportiva que mais se identificam. O Bruno é um caso isolado. E os demais alunos, como ficam?
Após esta colocação, disse-lhe que retornaria a ligação em cinco minutos para saber quem havia protocolado o documento, e, a resposta que obtive foi: - faça o que você quiser, vá a Diretoria de Ensino e fique sabendo que você está expondo o seu filho e que ele também está ficando “insolente”, está agindo como você e simplesmente desligou o telefone.
Em seguida telefonei para a Diretoria de Ensino a fim de informar-me a quem deveria endereçar e até que horas eu poderia protocolar este Relatório/Requerimento.
Transferiram a ligação para a supervisora senhora “Zezé” que me disse para endereçar à Dirigente Regional de Ensino, que o protocolo funciona até às 17 horas e que fica um supervisor de plantão todos os dias até às 18 horas.
Muito gentil, ela orientou-me que tal procedimento, “denúncia”, iria mexer com a escola toda, pois seria aberta uma sindicância e que “eu” poderia estar prejudicando dois professores efetivos. E que também esta conduta poderia gerar um processo administrativo sobre mim, prejudicando-me no futuro, em atribuições de aulas e concursos. Respondi-lhe: - A minha maior preocupação está na imagem negativa que os alunos estão tendo da “Educação Física”, que ao invés de ensinar ao aluno a importância e a necessidade de praticar uma atividade física, estão afastando os mesmos, de tal atividade e hábito saudável. O preço que posso vir a pagar é muito baixo (o que não acredito que possa acontecer, pois, minha intenção não é prejudicar ninguém, mas, alertar os órgãos competentes de tais situações) comparado com o que estes jovens já vêem pagando há muito tempo e que não tem volta.


2º - No dia 11/04/2005 fui questionada por alguns alunos que encontrei na cidade o porquê de eu não ter ido substituir a aula de Educação Física, pois um dos professores havia faltado. Eu lhes respondi que a Direção da escola não havia me chamado para a aula eventual.
Também em conversa via telefone no dia 13/04/2005, com a Supervisora senhora “Zezé”, questionei se havia algum critério sobre a escolha dos professores para atuarem como eventual, e ela gentil como sempre respondeu: - As escolas têm que seguir a listagem que está disponível na Internet, ou seja, pela classificação dos professores. E que se algum professor estivesse se sentindo prejudicado, deveria denunciar porque os próprios professores são os fiscais. No entanto, não consegui entender a parte em que ela disse que esta atitude que eu estava tomando em relatar o acontecimento do item de nº 1 poderia me prejudicar. Alegando que nenhum diretor iria me chamar como eventual, porque eles não querem em suas escolas professores que causam problema (questionam direitos) e sim aqueles que resolvam (arrumem). Respondi: - Se for para eu entregar a bola aos alunos e sentar-me, prefiro que nem me chamem, pois sou profissional e respeito a ética e o comprometimento que o educador tem que ter para com seus educandos.
Então é melhor ficar em casa, do que ser conivente e calar-me vendo os erros acontecendo, prejudicando toda uma geração, inclusive meus filhos, além de denegrir a imagem dos bons profissionais de Educação Física, ao qual pertenço.
Questionei-lhe também sobre uma lei que trata sobre parentes de primeiro grau atuando na mesma escola e fui informada que esta lei só serve para cargos de confiança.

OBS: Com todos esses problemas, e, residindo distante da Diretoria de Ensino, que se encontra sediada na cidade de Taquaritinga / SP (distante 50 Km), antes de tomar qualquer decisão, entrei em contato telefônico com a mesma e, fui informada que não poderia relatar os fatos supramencionados por e-mail, mas sim, e somente por escrito, e pessoalmente. Portanto, fica aqui mais uma indignação registrada, o que me leva a pensar que fazem de tudo para dificultar que os professores e alunos se manifestem

Comentários

Vera Vaz disse…
Desde já agradeço a atenção, mas preciso que alguma atitude seja tomada com urgência.
>
>OS ALUNOS PRECISAM FALAR!
>SE ESCUTARMOS MAIS OS NOSSOS JOVENS ALUNOS, COM CERTEZA TEREMOS UM FUTURO PROMISSOR E UM PAÍS
>MAIS JUSTO E SOBERANO.
>COMO COBRAR RESULTADOS SE NÃO DAMOS CHANCES IGUAIS P/ TODOS.
>NINGUÉM MELHOR QUE OS PRÓPRIOS ALUNOS, PARA EXPRESSAREM A QUALIDADE DO ENSINO,A DESATUALIZAÇÃO, A FALTA DE PACIÊNCIA E MUITAS VEZES A FALTA DE EDUCAÇÃO DOS "DITOS" PROFESSORES.
>
>Por favor, não virem as costas para o futuro do nosso Brasil.
>
>Tel p/ contato: (16) 8131-1001 ou (16) 3262-3396
>
>Aguardo resposta,
>
>Profª Cristina Valero
Giulia disse…
Cara Cristina, seu depoimento é de uma sinceridade impressionante. Somente uma professora com filhos na escola pública teria coragem de mostrar os bastidores de um sistema que promove - com licença-prêmio e demais mordomias - um professor de educação física que se limita a largar os alunos no pátio com uma bola, para "treinar" sabe-se-lá o quê. O pior é que eles sempre arrumam uma explicação "teórica" para esses disparates. Lembro-me muito bem de uma professora que minha filha teve na Quinta Série. Ao ser questionada porque não praticava o aquecimento, já que os alunos viviam tendo distensões durante os "treinos" de bola, enquanto ela ficava tomando cafezinho na secretaria, saiu-se com essa: que o aquecimento era uma prática totalmente superada, de acordo com os últimos congressos freqüentados por ela... Certamente o professor titular das aulas que você assumiu como substituta também teria excelentes argumentos para justificar seus treinos livres. Afinal, isso poderia desenvolver a "liderança espontânea" - apenas para dar um primeiro chute...
Quanto às ameaças feitas a você e ao seu filho, aluno da escola, elas são muito comuns justamente porque uma minoria absoluta de pais costuma questionar os atos do professor. No dia em que todos engrossarem a voz, as "autoridades" do ensino vão ter que passar a utilizar o elemento...hipocrisia. Sim, porque uma real preocupação com os nossos filhos elas vão continuar não tendo mesmo. Para quê?... Seus filhos estudam na rede particular - tão ruim ou até pior, mas, afinal, uma questão de status, em um país onde a "elite" só se preocupa com as aparências. O princípio de igualdade, contido na Constituição, permanece letra morta.
Giulia disse…
Cristina, leia o que a Glória Reis escreveu a respeito dos "surdores". Você também foi vítima de um deles, fazer o quê. Pelo menos, vamos dar umas risadas...

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