
07 Novembro 2009
Mídia nota dez!

Ocorreu um fato inédito! Reinaldo Gotino, titular do programa da TV Record que pediu a expulsão de um aluno de oito anos, voltou atrás e reconheceu o erro da afirmação. É uma vitória do bom senso e do sentimento de justiça, por parte de uma mídia que costuma assumir a posição de juiz. Já se foram os tempos em que os jornalistas, educadamente, agradeciam por nossa contribuição e diziam: "Sem vocês, a notícia não existiria". Hoje, o jornalista virou maior do que a notícia e muitas vezes assume a postura de um show man. Parabéns à Record por ter reconsiderado seu erro. Como diz a amiga Cremilda, não deixa de ser um ato de grandeza. Leia o comentário que ela postou na caixa:
O repórter da Record disse que estava enganado ao pedir a expulsão do aluno de oito anos. Que por conta de receber vários e-mails protestando ele reconhece que expulsar aluno não é o caminho, que aluno que agride muito é tão vitima quanto o agredido. Foi muito importante essa conduta. Até hoje eu nunca tinha visto nada igual. Jornalista é normalmente tão arrogante e dono da verdade...
Temos elogiado a Rede Record. Quando aparece situação de conflito na escola ela não corre apressada em defesa da professora como a Rede Globo faz sempre. Do mesmo modo como combatemos a PEDOFOBIA sistemática da Globo, a gente combate e critica na Record a sua PEDOFOBIA ocasional. Não dá para assistir calados um repórter policial pedir que se expulse um aluno de oito anos da escola porque ele bate nos colegas. A agressividade exagerada em criança pequena é sempre um sintoma preocupante que deve ser tratada a causa, não expulsar o aluno da escola. O que agride sistematicamente merece atenção, as agressões comuns também, se queremos ser agentes de uma cultura de paz. Quem tem mais de uma criança em casa sabe que as brigas e competições são comuns e têm que ser gerenciadas e orientadas, mas que são comuns. Imagina se cada vez que dois irmãos brigassem os pais expulsassem um de casa? Aluno não pode, nem deve, apanhar nem bater na escola, nem do colega e nem da professora. O que falta ainda ficar claro é que todo aluno agredido por uma professora vira réu, tem que ser agredido e ficar quietinho. Agora a Secretária de Educação distribui uma cartilha nas escolas avaliando toda agressão e autorizando os crimes de suspensão e expulsão de alunos. Não é porque é autorizado pela Secretaria de Estado da Educação que deixa de ser crime…. De qualquer maneira é sempre bom poder elogiar a Rede Record de novo. A Rede Globo devia seguir esse belissimo exemplo.
Cremilda Estella Teixeira
06 Novembro 2009
Mídia nota zero - A Série VII

Nossa amiga Cremilda, que tem estômago para acompanhar a forma boçal com que a mídia brasileira trata o assunto educação, estava elogiando a forma isenta de algumas reportagens da Record. Ontem, porém, a emissora voltou a pisar na bola. Normal... Vejam os comentários da Cremilda:
Temos elogiado as últimas reportagens policiais da Record, especialmente no programa do GOTINO. Hoje o PERCIVAL DE SOUZA fala um absurdo: quando dois alunos de oito anos brigam dentro da sala de aula, a solução é expulsar da escola o aluno que agrediu o outro….
Para reforçar, ele invoca a "Cartilha dos Corvos", que a Secretaria Estadual distribuiu nas escolas. Nessa cartilha, a SEE de São Paulo aprova as medidas ilegais e imorais que as escolas tomam sempre.
A escola não é apenas para o aluno bonzinho, é direito de todos. O aluno mais dificil ou agressivo é para ser educado, ajudado. Quase sempre criança que agride é aquela que sofre agressão e reproduz esse comportamento com colega mais fraco.
Acesso e permanência na escola é direito garantido pela Constituição, um direito inalienável. Certo que existe essa cartilha, mas ela é uma aberração sob o ponto de vista moral, pedagógico. Um crime !!!
Vem um repórter e pede a expulsão de um aluno de oito anos que agride o colega da mesma idade….? Só faltou pedir rebaixamento da idade penal para sete anos e sugerir que o aluno seja preso. Expulsar um aluno da escola com oito anos é saber que ele vai se matricular na escola do crime, onde sempre tem vaga…. Quando pedem e se esgoelam pedindo pena máxima e rebaixamento penal para adolescente já é absurdo, para um aluno de 8 anos é covardia de uma imprensa PEDÓFOBA…
Considerando que só um por cento dos crimes violentos são cometidos por menores de 18 anos, não se justifica a redução da idade penal com objetivo de reduzir a violência. Pedir expulsão de aluno de oito anos para resolver o problema de uma escola pública corrupta, violenta e que não ensina a ler e escrever, é querer responzabilizar a vítima, na cara dura…
Temos elogiado as últimas reportagens policiais da Record, especialmente no programa do GOTINO. Hoje o PERCIVAL DE SOUZA fala um absurdo: quando dois alunos de oito anos brigam dentro da sala de aula, a solução é expulsar da escola o aluno que agrediu o outro….
Para reforçar, ele invoca a "Cartilha dos Corvos", que a Secretaria Estadual distribuiu nas escolas. Nessa cartilha, a SEE de São Paulo aprova as medidas ilegais e imorais que as escolas tomam sempre.
A escola não é apenas para o aluno bonzinho, é direito de todos. O aluno mais dificil ou agressivo é para ser educado, ajudado. Quase sempre criança que agride é aquela que sofre agressão e reproduz esse comportamento com colega mais fraco.
Acesso e permanência na escola é direito garantido pela Constituição, um direito inalienável. Certo que existe essa cartilha, mas ela é uma aberração sob o ponto de vista moral, pedagógico. Um crime !!!
Vem um repórter e pede a expulsão de um aluno de oito anos que agride o colega da mesma idade….? Só faltou pedir rebaixamento da idade penal para sete anos e sugerir que o aluno seja preso. Expulsar um aluno da escola com oito anos é saber que ele vai se matricular na escola do crime, onde sempre tem vaga…. Quando pedem e se esgoelam pedindo pena máxima e rebaixamento penal para adolescente já é absurdo, para um aluno de 8 anos é covardia de uma imprensa PEDÓFOBA…
Considerando que só um por cento dos crimes violentos são cometidos por menores de 18 anos, não se justifica a redução da idade penal com objetivo de reduzir a violência. Pedir expulsão de aluno de oito anos para resolver o problema de uma escola pública corrupta, violenta e que não ensina a ler e escrever, é querer responzabilizar a vítima, na cara dura…
Leia aqui os demais textos da Série Mídia nota zero:
http://educaforum.blogspot.com/2009/10/midia-nota-zero-serie-vi.html
http://educaforum.blogspot.com/2009/10/midia-nota-zero-serie-vi.html
Repetimos:
APENAS UM POR CENTO DOS CRIMES VIOLENTOS SÃO COMETIDOS POR MENORES DE 18 ANOS. A REDUÇÃO DA IDADE PENAL É DELÍRIO DE UMA SOCIEDADE PEDÓFOBA, QUE PENSA EM DERROTAR O INIMIGO MATANDO A PRÓPRIA CRIA.
03 Novembro 2009
Nosso partido é o aluno!

Este blog foi taxado de partidário. É partidário, sim! Nós estamos do lado do aluno, a única vítima de um sistema que privilegia a corporação e a estrutura burocrática que todo ano manipula e desvia milhões das salas de aula, em todos os estados e municípios do país, seja o governo de "direita", de "esquerda" ou qualquer outra "coisa" que valha esse faroeste de corrupção e impunidade que vivemos há décadas.
Estamos do lado de quem deveria ser considerado cliente e é hoje tratado como estorvo, pois a escola pública, no Brasil, serve apenas para sustentar a rede particular de ensino, graças ao seu baixíssimo nível e à falta de segurança que os alunos correm diariamente em seu recinto e adjacências, quando são dispensados devido às aulas vagas, que chegam a 40% do ano letivo, nas piores escolas do país.
Estamos do lado de quem deveria ser considerado cliente e é hoje tratado como estorvo, pois a escola pública, no Brasil, serve apenas para sustentar a rede particular de ensino, graças ao seu baixíssimo nível e à falta de segurança que os alunos correm diariamente em seu recinto e adjacências, quando são dispensados devido às aulas vagas, que chegam a 40% do ano letivo, nas piores escolas do país.
O Brasil chegou ao fundo do poço na educação e é com profunda tristeza que repetimos a seguinte citação de Everett Reimer em seu livro A escola está morta, de 1975:
A escola dos tempos modernos tornou-se mais poderosa do que a igreja da idade média. O homem moderno se sujeita mais à influência da escola do que o homem medieval se sujeitava à influência da igreja.
A escola dos tempos modernos tornou-se mais poderosa do que a igreja da idade média. O homem moderno se sujeita mais à influência da escola do que o homem medieval se sujeitava à influência da igreja.
Essa comparação se aplica perfeitamente à condição da escola pública no Brasil, de norte a sul: como vivemos denunciando, os Conselhos de Escola tornaram-se TRIBUNAIS DA INQUISIÇÃO PARA A EXPULSÃO DE ALUNOS.
Escola "boa", para os políticos e a classe "docente" brasileira, é escola sem alunos. Por isso nadamos contra corrente, pois somos pais de alunos e queremos reverter uma situação à qual cabe o famoso discurso de Ruy Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades..."
Escola "boa", para os políticos e a classe "docente" brasileira, é escola sem alunos. Por isso nadamos contra corrente, pois somos pais de alunos e queremos reverter uma situação à qual cabe o famoso discurso de Ruy Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades..."
02 Novembro 2009
Glória querida, continue conosco!
De todos nós, que há mais de vinte anos batalhamos por uma escola pública de qualidade para todos, uma pessoa tem o brilho mais especial, a prática mais digna, a sensibilidade mais profunda, a inteligência mais aguçada e os maiores conhecimentos sobre educação. É a professora Glória Reis, autora do livro Escola, instituição da tortura. Com muita tristeza, acabamos de ler a mensagem a seguir em seu blog e esperamos que sua decisão não seja definitiva.
Quando as palavras não podem ser mais dignas que o silêncio, é melhor a gente calar-se e esperar. Denunciar diante de quem? Para quem? (Eduardo Galeano)
Quando iniciei este blog em julho de 2005, foi imbuída da certeza de que, com o uso da mais moderna ferramenta de comunicação, a internet, unida a companheiros e companheiras com o mesmo objetivo, conseguiríamos, até que enfim, atingir a estrutura carcomida da instituição “escola”.
Meu objetivo era unicamente tratar de temas que se referissem à vida de nossas crianças e adolescentes, em especial educação e escola. Enfrentei autoritarismo, cinismo, indiferença, crueldade, burrice, enfim, toda essa cultura de descaso e violência que cerca a (des)educação de nossas crianças.
Em 1975, Everett Reimer escreveu o famoso livro “A escola está morta”, no qual afirma que “a menos que os atuais padrões escolares sejam completamente abandonados, não se poderá jamais conservar as crianças pobres nas escolas pelo mesmo tempo que as ricas”.
Ele completou:
“A escola dos tempos modernos tornou-se mais poderosa do que a igreja da idade média. O homem moderno se sujeita mais à influência da escola do que o homem medieval se sujeitava à influência da igreja.”
Achei que o Everett Reimer exagerava. Havia esperança. Os tempos mudando, a escola mudaria.
Ledo engano. Mudou sim, para pior. Com o passar do tempo, tenho assistido a mais horrores dos que os que descrevi em meu livro “Escola, instituição da tortura”, em 2004.
Fui tomada pela mágoa quando descobri que nos meus próprios projetos que coordenei durante anos, faltavam afeto e responsabilidade no atendimento a nossas crianças.
Com a desesperança (o tempo, a saúde...), encerrei meus projetos e minha missão neste blog.
Agradeço a todos os leitores desses anos e comunico que continuo com o projeto Recomeço (o jornal dos detentos) trabalhando no jornal impresso e no blog.
Glória Costa Reis
01 Novembro 2009
O esquema IX - Vitória do aluno!

Voltamos com a série O esquema, trazendo hoje a vitória de um aluno que foi capaz de solucionar seu problema: perseguição na escola, que culminou com a sua expulsão. Ele redigiu e encaminhou à Secretaria da Educação um excelente documento que publicamos aqui, para que possa servir de modelo a todos que passarem por situação semelhante.
Fica bem clara, nesse documento, a omissão da direção da escola e da diretoria de ensino, que se mexeu só quando o aluno ameaçou buscar seus direitos na Justiça! Reparem também na falta de compromisso e na arrogância da professora e, acreditem, esse comportamento é o que há de mais comum por parte desses supostos "educadores". O que não é comum, nessa história, é a atitude do aluno, que soube reivindicar seu direito líquido e certo de voltar às aulas. Colocamos nele um nome fictício, a fim de protegê-lo de nova perseguição, mas o nome da escola é verídico. Estamos de olho nela há muito tempo! Trata-se de uma daquelas escolas de "faroeste" de que tanto falamos aqui: uma escola nota zero, tanto na qualidade do ensino, quanto na lida com o aluno e com a Lei. Mais uma escola, aliás, que trata como ralé os alunos trabalhadores, justamente aqueles que se esforçam para recuperar o tempo perdido e contribuem com seu esforço para a economia do país.
Mais uma vez chamamos a atenção da Secretaria da Educação para a FARSA DA ELEIÇÃO DOS CONSELHOS DE ESCOLA, que se tornaram verdadeiros TRIBUNAIS DA INQUISIÇÃO, com o principal objetivo de expulsar os alunos inteligentes e questionadores, esses que poderiam fazer a diferença e por isso são covardemente afastados. Caros alunos, aproveitem o conteúdo da carta de seu colega e saibam se defender dos abusos da escola!
13 de outubro de 2009
Eu José Carlos, 20 anos, aluno do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Professor Armando Gabam, venho através desta solicitar ao supervisor de ensino da referida escola que obtenha minha transferência para outro estabelecimento de ensino da mesma diretoria, ou me encaminhe novamente às aulas nessa mesma escola.
Esclareço que já estive nessa Diretoria de Ensino no dia 05 de outubro, solicitando ao supervisor da escola que resolvesse minha situação. Esse disse–me que eu não precisava formular um documento escrito, pois ele solucionaria o problema o mais rápido possível. Entretanto, passaram oito dias desde o referido encontro, e aquele ainda não encaminhou solução para o problema.
Informo ainda que solicitei ajuda ao supervisor porque fui impedido de frequentar as aulas na referida escola pela direção e vice–direção, devido a problemas de relacionamento que tive com a professora das disciplinas de História e Apoio de História.
A seguir transcrevo os fatos que levaram à minha dispensa das aulas pelos dirigentes da escola:
No dia 24 de setembro realizou–se um simulado do Enem na escola Armando Gabam e alguns alunos chegaram na 2° aula, inclusive eu. A professora citada não quis deixar os alunos entrarem e ordenou que nos retirássemos da sala. Pedimos a ela nossa prova, mas ela nos informou que não se encontrava com ela e sim com a coordenadora da escola e perguntamos se ela avisaria a coordenadora que realizaríamos a prova, pois já tínhamos chegado. Ela disse que sim, contudo o tempo foi passando e a prova não chegava. Então perguntei se poderia ir buscar ou avisar sobre os alunos que entraram na segunda aula e que estavam esperando para realizar a prova, a docente respondeu que não. Logo em seguida, uma aluna da sala começou a gritar e perguntou à sala, em voz alta, a reposta da quarta pergunta. Nesse momento a professora falou gritando com a já mencionada aluna que respondeu:
“Cala a boca aí que você não explicou nada, então fica quieta”. A sala nesse momento começou a zombar da professora e eu em seguida pedi a ela, para sair da classe, pois, já que estava sem a prova, não fazia sentido continuar ali dentro. A professora respondeu que não. Nisto a sala continuou a baderna e voltei a insistir com a professora para que me deixasse ir buscar a prova e avisar a coordenadora. Ela novamente disse não e informou–me que eu estava incomodando. Respondi a ela que se assim era, me deixasse sair ou chamar a vice–diretora. Vários alunos começaram a sair da sala sem permissão prévia. Minutos depois a vice– diretora chegou na sala e a professora logo acusou apenas um pequeno grupo de alunos, de serem os causadores da desordem. Entretanto, a vice–diretora pediu apenas que quatro alunos se retirassem da sala, incluindo eu. Explicamos a ela o que estava acontecendo, mas ela mandou que nos retirássemos da escola, exceto um de nós, o único que não questionou a vice. Logo me impus, dizendo que eu tinha o direito de permanecer na escola, mas ela nos informou que se não fôssemos embora ela chamaria a guarda escolar. Disse a ela que assim o fizesse , pois o guarda não podia nos impedir de participar da aula. Ela então, nos deu uma suspensão porque não nos retiramos da escola. Ela mandou abrir o portão para irmos embora. Retornamos à sala da vice para tentar uma solução para o caso, mas ela reiterou o que havia mandado e solicitou que saíssemos. Expliquei a ela que a professora envolvida no conflito vinha me prejudicando há algum tempo. Mesmo assim, ela não nos atendeu e pedimos que chamasse a professora para conversarmos. A vice respondeu que não, pois a docente estava aplicando prova. Quando nesse dia o período de aulas chegou ao fim, pudemos então conversar com a professora. Mas nada conseguimos resolver.
“Cala a boca aí que você não explicou nada, então fica quieta”. A sala nesse momento começou a zombar da professora e eu em seguida pedi a ela, para sair da classe, pois, já que estava sem a prova, não fazia sentido continuar ali dentro. A professora respondeu que não. Nisto a sala continuou a baderna e voltei a insistir com a professora para que me deixasse ir buscar a prova e avisar a coordenadora. Ela novamente disse não e informou–me que eu estava incomodando. Respondi a ela que se assim era, me deixasse sair ou chamar a vice–diretora. Vários alunos começaram a sair da sala sem permissão prévia. Minutos depois a vice– diretora chegou na sala e a professora logo acusou apenas um pequeno grupo de alunos, de serem os causadores da desordem. Entretanto, a vice–diretora pediu apenas que quatro alunos se retirassem da sala, incluindo eu. Explicamos a ela o que estava acontecendo, mas ela mandou que nos retirássemos da escola, exceto um de nós, o único que não questionou a vice. Logo me impus, dizendo que eu tinha o direito de permanecer na escola, mas ela nos informou que se não fôssemos embora ela chamaria a guarda escolar. Disse a ela que assim o fizesse , pois o guarda não podia nos impedir de participar da aula. Ela então, nos deu uma suspensão porque não nos retiramos da escola. Ela mandou abrir o portão para irmos embora. Retornamos à sala da vice para tentar uma solução para o caso, mas ela reiterou o que havia mandado e solicitou que saíssemos. Expliquei a ela que a professora envolvida no conflito vinha me prejudicando há algum tempo. Mesmo assim, ela não nos atendeu e pedimos que chamasse a professora para conversarmos. A vice respondeu que não, pois a docente estava aplicando prova. Quando nesse dia o período de aulas chegou ao fim, pudemos então conversar com a professora. Mas nada conseguimos resolver.
Cumpri a suspensão em casa e quando retornei à escola, no dia 1º de outubro, fui impedido de assistir a primeira aula, pois a vice–diretora acreditava que não tínhamos cumprido os cinco dias previstos. Conversamos, ela percebeu que já havia acabado o período de suspensão e nos deixou assistir as aulas. Fomos para a sala, e na última aula, que era de uma das disciplinas lecionadas pela professora citada, ocorreu o conflito que resultou na minha expulsão: faltando vinte minutos para o fim dessa aula, a última do dia, as carteirinhas usadas pelos alunos para entrarem na escola, como é de praxe, foram devolvidas aos alunos. Contudo, a minha carteirinha não estava junto com as outras. Pedi então, educadamente à professora que me deixasse ir buscá–la, mas ela não deixou. Voltei a insistir e novamente ela negou meu pedido. Nesse mesmo momento, uma aluna saiu da sala sem a permissão da professora, então questionei à docente porque a outra aluna podia sair e eu não. Ela me respondeu que não sabia. Depois, disse que era por que ela queria assim. Então, num acesso de descontrole emocional, apoiei minhas mãos sobre as costas da professora, afastei–a com força da porta e me retirei da sala. A professora bateu a porta com força e gritou:
- Este delinquente me agrediu!
- Este delinquente me agrediu!
Fui embora para casa sem a carteirinha. No dia seguinte, haveria uma reunião do Conselho de Escola para decidir minha situação. Entretanto, não fui informado com antecedência da data da reunião, e quando cheguei à escola, no dia seguinte, participei da reunião do Conselho de Escola que deliberou pela minha expulsão. Entretanto, questiono a validade dessa reunião, pois:
1º - No dia da reunião, não foi feita a ata do conselho, e por isso mesmo, ninguém assinou a ata ao término dela;
2º - Não havia representantes dos pais dos alunos, nem dos alunos. Só havia a presença de todos os professores que estavam na escola no dia. Isto é importante, pois a direção da escola não propiciou condições para serem eleitos os membros do Conselho de Escola neste ano.
Não assinei minha transferência e desde então estou sem freqüentar as aulas. Como já disse, procurei o supervisor da escola na diretoria e ele disse que resolveria a situação. Passaram-se os dias e nada foi resolvido.
2º - Não havia representantes dos pais dos alunos, nem dos alunos. Só havia a presença de todos os professores que estavam na escola no dia. Isto é importante, pois a direção da escola não propiciou condições para serem eleitos os membros do Conselho de Escola neste ano.
Não assinei minha transferência e desde então estou sem freqüentar as aulas. Como já disse, procurei o supervisor da escola na diretoria e ele disse que resolveria a situação. Passaram-se os dias e nada foi resolvido.
Informo ainda que quando minha mãe e eu procuramos a diretora da escola, essa me disse que ainda não sabia do ocorrido. Portanto, como pode uma escola convocar o Conselho de Escola, sem o prévio conhecimento de sua dirigente??
No aguardo, espero que esta situação possa ser resolvida o mais rápido possível, pois estou sendo prejudicado. Tenho o direito de freqüentar as aulas, direito este garantido pela legislação do País. Caso meu problema não seja solucionado, entrarei na justiça, para garantir meu direito de estudar, direito garantido pela Constituição a todos os cidadãos brasileiros.
Para o leitor interessado, indicamos os links dos demais posts da série O Esquema:
O Esquema VIII http://educaforum.blogspot.com/2008/12/o-esquema-vii.html
O Esquema VII - Secretária ciente http://educaforum.blogspot.com/2008/12/o-esquema-vii-secretria-ciente.html
O Esquema VI - Cobrar da Comissão de Educaçãohttp://educaforum.blogspot.com/2008/12/o-esquema-vi-cobrar-da-comisso-de.html
O Esquema V - Tudo por dinheiro e poder http://educaforum.blogspot.com/2008/11/o-esquema-v-tudo-por-dinheiro-e-poder.html
O Esquema IV - Araraquara, a ponta do iceberg http://educaforum.blogspot.com/2008/11/o-esquema-iv-araraquara-apenas-ponta-do.html
O Esquema III - Contendo os links para os posts anteriores http://educaforum.blogspot.com/2008/11/o-esquema-iii.html
O Esquema VI - Cobrar da Comissão de Educaçãohttp://educaforum.blogspot.com/2008/12/o-esquema-vi-cobrar-da-comisso-de.html
O Esquema V - Tudo por dinheiro e poder http://educaforum.blogspot.com/2008/11/o-esquema-v-tudo-por-dinheiro-e-poder.html
O Esquema IV - Araraquara, a ponta do iceberg http://educaforum.blogspot.com/2008/11/o-esquema-iv-araraquara-apenas-ponta-do.html
O Esquema III - Contendo os links para os posts anteriores http://educaforum.blogspot.com/2008/11/o-esquema-iii.html
28 Outubro 2009
Latas do lixo da educação

A educação no país é tão pobre que dá pra olhar com desconfiança qualquer alfarrábio ou apostila distribuída nas escolas. A sociedade anda completamente entorpecida e os cidadãos não se dão conta de que esses materiais pseudo-didáticos saem do seu próprio bolso... Por isso, mesmo que os tais alfarrábios não passem de papel de embrulho, ou até por isso mesmo, deveria haver uma cobrança ou reflexão sobre sua necessidade, utilização e/ou destruição.
Nesse sentido, é positiva a atitude da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, que afastou a diretora da EE Eugênia Vilhena de Moraes, por ter jogado no lixo 1500 exemplares de material supostamente didático. A péssima notícia, porém, é que a diretora foi encostada na Diretoria de Ensino, conforme a Secretaria costuma fazer com os diretores e profissionais que cometem deslizes - VAMOS CHAMAR DE CRIMES, OU VAMOS CONTINUAR COM LUVAS DE PELICA, SEMPRE QUE SE TRATA DE SUPOSTOS "EDUCADORES"? - dentro das escolas.
Os afastamentos alimentam essas que são hoje as LATAS DO LIXO DA EDUCAÇÃO: as Diretorias de Ensino. Seria possível um escândalo como esse de Araraquara, se a diretoria de ensino local não reunisse profissionais da educação mal intencionados?
O problema é grave e tivemos oportunidade de discuti-lo na COGSP, em nossa última reunião: de que vale o afastamento de diretores autoritários e corruptos das escolas, se eles acabam infestando as diretorias de ensino?... Enquanto deixamos esta pergunta no ar, leiam o excelente comentário de Priscila, leitora do blog da Cremilda, sobre a "punição" recebida pela tal diretora afastada da EE acima:
É hilário, pois as crianças são ameaçadas de que se não devolverem os livros no final do ano terão que pagar por eles, mas, se um diretor joga fora sem sequer os livros terem sido usados, nada lhe acontece, apenas é afastado mas continua trabalhando e recebendo normalmente. Deveria pagar e sofrer alguma punição, como fizeram com aquele aluno que pintou a escola para reparar um erro. PERGUNTO EU: QUAL ATITUDE FOI MAIS VERGONHOSA E ERRÔNEA, A DO ALUNO QUE É UM PRÉ ADOLESCENTE E MUITAS VEZES FAZ COISAS PARA CHAMAR ATENÇÃO, OU A DE UM ADULTO CONSCIENTE DE SEUS ATOS E PIOR , QUE COBRA DAS CRIANÇAS ATITUDES QUE NEM ELE TEM, QUANDO DEVERIA SERVIR DE EXEMPLO?
TA AÍ A RESPOSTA PORQUE AS CRIANÇAS NÃO RESPEITAM NADA: AS CRIANÇAS SÃO OS ESPELHOS DOS ADULTOS E DE SUAS ATITUDES.
Leiam aqui o excelente post de Mauro Alves da Silva a respeito do assunto.
25 Outubro 2009
As provas do crime
Clique nas imagens para ampliá-las




Sr. Secretário Paulo Renato, seria possível saber como as Comissões Processantes da Secretaria trataram o caso das notas fiscais desse talão? Perceba que cada uma das notas fiscais acima é destinada à APM de uma escola diferente, mas todas foram emitidas em dezembro de 2004 e se referem ao pagamento de "comissões". Que comissões seriam essas, Secretário?




Temos recebido críticas de alguns leitores por sermos muito proliiiiiiiiixos, o que dificultaria o entendimento de assuntos complexos e graves como o imbroglio do desvio de verbas do ensino em Araraquara. Nós mesmos temos dificuldade para entender alguns detalhes do assunto: o que mais espanta, no entanto, é a indiferença das autoridades competentes em compreender ou aceitar a veracidade de fatos incontestáveis e de provas que foram entregues às comissões processantes da Secretaria da Educação, ao Ministério Público e à Polícia Federal.
Resolvemos então mudar de tática: em vez de intermináveis textos, vamos agir conforme o ditado "para bom entendedor, meia palavra basta", na esperança de que nossos leitores consigam nos acompanhar.
Muitas notas fiscais "frias", de que tanto falamos, foram emitidas com talões roubados ou por empresas "fantasmas" e continham em seu corpo a discriminação de serviços que não teriam lógica na educação, por exemplo, "Organização dos arquivos da Secretaria" ou "Comissões". Qual escola terceiriza a organização de seus arquivos??? Para quem uma escola pagaria comissões??? Além disso, algumas notas vinham de lojas de "rações para animais". Como assim?!
Para encurtar, veja acima a imagem de uma série de notas fiscais "frias", todas de um único talão da empresa Rodrigo Fernando Magrini. O proprietário da mesma declarou à Folha Ribeirão, em 09/12/05, que sua prestadora de serviços havia sido fechada em 2003, que ele havia mudado de ramo de atividades e que as notas apresentadas pelas escolas seriam de um antigo talão, que não havia sido destruído. "Eu nunca emiti nenhuma nota desse talão e nunca prestei nenhum serviço em escolas. Fiz boletim de ocorrência do extravio desse talão e minha conta bancária está à disposição de todos", afirmou Magrini.
Sr. Secretário Paulo Renato, seria possível saber como as Comissões Processantes da Secretaria trataram o caso das notas fiscais desse talão? Perceba que cada uma das notas fiscais acima é destinada à APM de uma escola diferente, mas todas foram emitidas em dezembro de 2004 e se referem ao pagamento de "comissões". Que comissões seriam essas, Secretário?
Para os leitores que não têm preguiça de acompanhar o caso, seguem os links para os proliiiiiiixos posts anteriores sobre o caso:
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