21 fevereiro 2017

"Democramole" na educação

Já que este blog é muito antigo, e que a cada 7 anos termina um ciclo, separamos alguns posts de 2010, para avaliarmos o caminho andado na educação. O que será que mudou?...

Há décadas, o Brasil é considerado campeão da injustiça social. Não porque a exploração ou a repressão sejam ostensivas, pelo contrário. Onde a exploração e a repressão são evidentes, a solução é clara e só depende de coragem para o confronto.

No Brasil a injustiça social é velada e covarde. O apartheid inicia na escola, num consenso que já vem de gerações: onde se viu a patroa misturar seus filhos com os da empregada, nos mesmos bancos escolares?... Ou mesmo numa escola pública de outro bairro?...

90% das escolas brasileiras são públicas.
10% das escolas brasileiras são particulares.

Em média, as escolas brasileiras são ruins, sejam públicas ou particulares. Os índices nacionais e internacionais estão bem claros. Mas não se trata apenas da tão propalada "qualidade do ensino" (o que será isso mesmo?...), mas do respeito ao aluno, que em ambos os sistemas costuma ser tolhido em sua curiosidade e vivacidade natural. Ou a criança é massacrada com excesso de tarefas que abafam seu potencial criativo, ou é largada ao Deus dará, sem estímulos que permitam o desabrochar de seus talentos.

Quantas escolas brasileiras, entre públicas e particulares, estão preparadas para dar ao aluno a orientação e a formação que ele merece e precisa, para poder se desenvolver como pessoa e contribuir para o progresso da nação?

Em resumo, a esmagadora maioria das escolas brasileiras "forma" alunos sem motivação ou interesse, cujo analfabetismo funcional se revela nas faculdades, onde não sabem redigir ou interpretar textos, nem fazer pesquisas. Quantas teses de mestrado e doutorado, muitas feitas com o suado dinheiro público, contribuem para a nação?...

O maior problema do país começa e se fecha nos bancos escolares.

A escola do filho da patroa, mesmo sendo tão ruim quanto a do filho da empregada, apresenta uma diferença: quando a patroa vê que ele é atordoado por uma avalanche de informações que não sabe administrar, dá-lhe professor particular para poder... passar de ano. Ou então ela muda o filho de escola. De tapa em tapa, o diploma está garantido.

Já a empregada é obrigada a aceitar a escola que o governo "oferece" para seu filho, muitas vezes longe de casa, obrigando-a a pagar transporte, uma escola administrada por profissionais cujos filhos estudam na escola... dos filhos da patroa. E não tem a quem apelar, pois toda a mídia deixa bem claro que A RESPONSABILIDADE PELA VIDA ESCOLAR DOS FILHOS É DOS PAIS, eles que estejam "presentes", que ajudem nas lições de casa, que participem como "amigos da escola", que não faltem às insuportáveis reuniões de pais onde vão ouvir falar mal de seus filhos ou de seus colegas "do mal". Enfim, a culpa do fracasso escolar é atribuída às próprias vítimas. E dá-lhe perseguições e represálias contra quem se atrever a reclamar!

EM TEMPO: filho de jornalista também estuda na escola dos filhos da patroa! Será que isso também não ajuda a entender a equação?...

É claro que a maioria dos pais da rede pública não vai poder ajudar muito nas lições, nem pagar professor particular. Então, chegar ao diploma pode ser um desafio impossível. Tanto é que em todo o país os níveis de repetência são altíssimos, os de desistência idem, os de expulsão não entram nas estatísticas, pois são "legitimados" através dos Conselhos de Escola, tribunais de exceção comandados pela direção, que decidem quem permanece na escola: aluno "bonzinho", "quietinho", bem vestido ('magina aceitar quem vai de chinelo!) e de família"estruturada"... Problemas disciplinares corriqueiros são hoje "resolvidos" chamando a polícia na escola - até criança de 7 anos já foi parar na delegacia!

O aluno da rede pública só aparece na mídia, dominada pelos sindicatos da classe "docente", quando se sobressai como prodígio, ou então quando pratica algum vandalismo, tornando-se elemento suspeito que põe em risco a segurança dos professores e dos colegas. O que se passa nas escolas públicas, já a partir dos primeiros anos da vida escolar, só os alunos sabem - e obviamente não conseguem explicar, como é normal nas crianças...

A escola pública é uma "caixa preta", uma "Instituição da tortura", como diz o livro da professora Glória Reis, é "o lugar onde a criança chora e a mãe não vê", como a Cremilda ouviu seu próprio filho dizer.

Isto não terá solução! Não, enquanto a sociedade brasileira continuar resolvendo pagar duas escolas, uma para seus próprios filhos e outra para os filhos... dos outros.

Mas existe, no sistema educacional brasileiro, um problema ainda maior que o apartheid: é a exclusão. Por ruim que seja, a escola é um mal necessário. Até ela se tornar digna desse nome, muitas águas vão rolar mas, por enquanto, ruim com ela, pior sem ela. Aluno expulso ou excluído não tem chance alguma, em um país onde até o lixeiro ("o mais baixo na escala do trabalho", nas palavras do "jornalista" Boris Casoy) precisa de um diploma.

O Brasil de hoje não é ditadura nem democracia, nem mesmo "democradura", como tem sido chamado. A meu ver, trata-se de uma "democramole", uma sociedade amorfa que pouco se preocupa com seu futuro, representado pelas novas gerações. Se a patroa se preocupasse com o futuro dos próprios filhos, lançaria um olhar para as favelas, assim não precisaria levantar muros tão altos para isolar sua família. Se as autoridades de todos os poderes e escalões realmente tivessem intenção de melhorar a educação, arregaçariam as mangas e TRABALHARIAM, não ficariam encasteladas em seus gabinetes, despachando uma papelada inútil, enquanto as escolas ficam à mercê de diretores e profissionais mal preparados e viciados pela falta de cobrança e fiscalização, faltando a bel prazer e achando o trabalho um peso insuportável.

Este quadro dantesco tem se confirmado nos últimos anos, quando uma das maiores esperanças para a educação brasileira andou sendo enterrada pela preguiça do sistema educacional: a progressão continuada. Chamada de "empurração automática" pelos profissionais que não entendem (ou não querem entender) seu mecanismo, ela acabou sendo rejeitada pela sociedade e pela mídia. Como já cansamos de repetir aqui, e ainda não desistimos, a Progressão Continuada pode ser explicada numa equação simples:

PROGRESSÃO CONTINUADA = AVALIAÇÃO CONTÍNUA + RECUPERAÇÃO CONTÍNUA.

Ela é rejeitada porque exige trabalho do professor, do coordenador pedagógico, do diretor da escola, do supervisor, do dirigente de ensino e do secretário da educação. Ninguém quer essa trabalheira, melhor ficar carimbando papel!

A Progressão Continuada foi muito bem implantada no início da década de 90,  aqui na rede municipal de São Paulo, por Paulo Freire (já ouviu falar?...) e Mário Sérgio Cortella, na gestão Erundina, mas quem deu continuidade?... Paulo Maluf?, Celso Pitta? rs Nem a Marta se preocupou com isso... Na rede estadual o fracasso também foi geral e a volta à repetência é aclamada como solução para um problema gerado pela falta de competência e/ou pela preguiça. Pouquíssimas vozes têm se levantado a favor da progressão continuada e contra a repetência. Uma delas é a da filósofa Viviane Mosé em seu artigo Educação: a briga no Rio está errada, leia clicando aqui.

No fundo, porém, a questão do método de ensino continua sendo secundária, em um país onde a REPETÊNCIA, a EXPULSÃO e a EXCLUSÃO são as ferramentas utilizadas propositalmente para sucatear o sistema público e assim privilegiar uma rede privada que só visa lucro e também não se preocupa com a EDUCAÇÃO.

Para transformar essa "Democramole" em real democracia, a sociedade tem que abrir mão de querer privilégios para seus próprios filhos, aceitando que eles sentem, em paridade de condições, nos mesmos bancos escolares com os filhos... dos outros.

Ou então, que se criem escolas sem bancos, com salas e espaços abertos onde o conhecimento e a cultura possam circular livremente, escolas onde as crianças e os jovens possam sentir-se integrados à vida! Utopia? Sim, para que não deixemos de caminhar...

30 novembro 2016

Quando a direção da escola faz a diferença!




O movimento das Escolas de Luta em 2015, aqui no Estado de São Paulo, envolveu alunos de mais de mil escolas e conseguiu, no mínimo, desmascarar os verdadeiros intuitos da pretensa nova reestruturação da rede estadual paulista. Nova, porque já houve uma primeira, na década de 90, que resultou no fechamento de centenas de escolas, turnos e classes, além de desestruturar famílias e produzir o famigerado sorteio de vagas, uma das piores pragas do ensino público em todo o país.

A nova reestruturação pretendia conseguir o que não foi possível durante a primeira, ou seja, acabar de esvaziar a rede estadual e entregá-la de mão beijada à iniciativa privada. Mas a atuação dos alunos das escolas de luta abortou a manobra, embora muitos estabelecimentos estejam sendo esvaziados na surdina, com o fechamento de turmas e turnos.

Infelizmente, a atuação truculenta da polícia durante as ocupações, e as manobras que fizeram os diretores mal intencionados, jogando pais e alunos uns contra os outros, enfraqueceram demais o movimento. Este ano letivo iniciou numa paz apenas aparente, pois na maioria das escolas de luta começaram as perseguições e represálias contra os alunos protagonistas das ocupações. Se geralmente já basta qualquer motivo fútil para promover a perseguição de alunos nas escolas estaduais de São Paulo, este ano a dose aumentou dramaticamente. Não vamos aqui apontar esses casos e atirar mais lenha na fogueira, pois a perversidade das escolas no combate aos alunos que ousam contrariar o sistema é simplesmente maquiavélica. Isto, porém, não tira em absoluto o mérito daqueles alunos que tiveram a coragem de encabeçar e participar do movimento, numa atitude de protagonismo inédito dentro de uma rede que visa e muitas vezes consegue imbecilizar nossas crianças e jovens.






Numa das escolas da capital paulista, os desdobramentos da ocupação foram altamente positivos e é um enorme prazer constatar esse progresso. Trata-se da EE Saboia de Medeiros, que havia sido condenada ao fechamento e este ano teve inclusive aumento do número de alunos.

O Saboia, como é conhecido na Chácara Santo Antonio, contou com um diferencial praticamente único nas escolas de luta da capital: sua diretora, Profª Denise, apoiou claramente a ocupação, sem se preocupar com as retaliações da Secretaria da Educação, nem com possíveis prejuízos na carreira ou na aposentadoria, que fazem parte das chantagens do sistema contra os profissionais que ousam apoiar os alunos contra o autoritarismo da rede, que é praticamente geral.

A Profª Denise continua à frente da escola e os muros externos exibem este ano a prova da sua criatividade: reaproveitar as carteiras antigas, que na maioria das escolas costumam ser simplesmente jogadas fora, para o estudo da arte e da geometria.

Um dos maiores problemas da rede pública, em todo o país, são diretores de escola buRRocráticos e preocupados apenas em manter seus privilégios, sem qualquer compromisso com a qualidade do ensino e com o aluno. Se eu tiver que dar um único conselho aos alunos das escolas públicas, seria o seguinte: espelhem-se no exemplo do Saboia, uma escola que seus alunos conseguiram manter de pé e cuja diretora os apoiou durante e após a ocupação. Unam-se e exijam das Secretarias da Educação a demissão dos diretores que só servem para fazer número e intrigas contra os alunos. Cobrem a eleição direta dos diretores de escola!

Em tempo: não podia deixar de postar este vídeo divulgado pelo deputado Marcelo Freixo. Trata-se de um depoimento corajoso e maduro da aluna Elaine Melchiades, do CIEP Glauber Rocha, em Nova Friburgo, um dos colégios ocupados no estado do Rio de Janeiro. Elaine falou em nome dos estudantes do CIEP e foi buscar a instância certa para fazer suas reivindicações: a Comissão de Educação. Se alunos de todas as escolas brasileiras lotassem as comissões de Educação das Câmaras e Assembleias Legislativas de suas cidades e estados, "nossos" representantes seriam, no mínimo, obrigados a trabalhar!... Parabéns, alunos do CIEP Glauber Rocha, e principalmente para a Elaine, que soube representá-los de forma brilhante. Esses vereadores e deputados, que infestam as casas onde deveriam acolher o povo, não perdem por esperar. Como prevê Bemvindo Sequeira, quando estiverem a sete palmos do chão, quem finalmente governará o país serão os alunos das escolas ocupadas, as Elaines e Ana Júlias!


26 outubro 2016

Uma gente que ri quando deve chorar e não vive, apenas aguenta.

Versos de Maria, Maria, de Milton Nascimento.


A miscigenação fez do nosso povo algo inédito no mundo: ele possui uma tolerância à prova de qualquer dificuldade. Se há um povo que poderá sobreviver às piores crises que a humanidade ainda há de provocar, é o brasileiro.

Há porém uma parcela da nossa população que é absolutamente intolerante, arrogante e preconceituosa. É aquela que há séculos mantém a maioria no cabresto e que soube inculcar nos seus descendentes esses mesmos sentimentos, a fim de continuar mandando e desmandando neste país abençoado por Deus (sem ironia!), mas desprezado por aqueles seus filhos que se deram as melhores oportunidades e que sonham viver no exterior, em países “de primeiro mundo” ou em paraísos fiscais para onde enviam seu dinheiro.

Mas por que não vão para lá??? Porque nesses lugares não teriam a quem espoliar, a quem desprezar ou espezinhar. É o ódio que move esses nossos concidadãos “de bem”, esses que nunca subiriam em um ônibus ou num metrô lotado, esses que se incomodam com a presença de pessoas mais “humildes” nos aviões de carreira, esses que fazem questão de deixar seus empregados domésticos à disposição em qualquer horário. Mas, principalmente, esses que nunca matriculariam seus filhos numa escola pública, onde seriam obrigados a conviver com cidadãos muitas vezes mais inteligentes do que eles. Esse é o real perigo, que a miscigenação “de inteligências” chegue ao país!

Este texto não é “fora Temer”, “contra a PEC 241”, “contra a reforma do Ensino Médio”, ou coisa que o valha. Ele pretende mostrar minha tristeza ao ver nossos adolescentes mais inteligentes e determinados, esses que teriam condições de virar a mesa e fazer deste país uma nação democrática e igualitária, ocupar suas escolas públicas na esperança de serem vistos e compreendidos. Mas não! Eles são agredidos e escorraçados por uma polícia comandada por esses que se dizem mantenedores de “ordem e progresso”. Eles são perseguidos, um a um, por diretores de escola e de ensino ignorantes, tapados e preocupados apenas em manter seu emprego, benesses e licenças “premio”.

Este texto é uma constatação da nossa tremenda COVARDIA - nossa, de quem entende o que estou falando – em deixar jovens e adolescentes que não tiveram nossas mesmas oportunidades de frequentar boas escolas, de viver o suficiente para entender que mundo é esse, tomar a frente de uma luta que é NOSSA, mas que deixamos pra lá, por preguiça ou conveniência.

Se esses jovens e adolescentes se trancam dentro de suas escolas, numa atitude de quem finalmente se apropria de sua consciência e cidadania, é porque nós, adultos e “estudados”, nos trancamos em nossas casas, sem lotar as ruas, sem gritar por eles e por seu futuro! Porque enviamos os modernos “capitães do mato” para prendê-los e reprimir suas atitudes. Porque nossa “vidinha” vai muito bem, obrigado. E as periferias?... Onde é que ficam, mesmo?

O Brasil vai superar esta e muitas outras crises, porque possui um povo maravilhoso, inteligente e tolerante a ponto de entender que não adianta pegar em armas, mas só vai se tornar uma verdadeira nação quando a maioria da população conseguir levar uma vida digna. Metade das residências brasileiras não possuem água encanada ou esgoto; sobre os serviços de saúde e educação nem precisamos falar, não é mesmo? Isso não é vida, a mentira de que tudo vai melhorar “nos próximos 20 anos” está no ar e a lavagem cerebral está pegando direitinho...

Essa virada depende de todos nós, que despertemos nossa coragem de tomar a frente de uma luta que é NOSSA e que deixamos para aqueles que não tiveram as mesmas oportunidades. Jovens e adolescentes muito mais corajosos do que nós, pois estão entendendo a realidade em que vivemos e tomam atitudes! Enquanto isso, nós acreditamos que “eles” são manipulados e que melhor seria se prepararem para o Enem, sem provocar esse “transtorno” que são as ocupações de escolas, tomando precioso espaço de nosso jornal preferido e azedando nosso café da manhã...

Né?

Parabéns, meninos e meninas que tomaram a frente dessa luta que é de todos nós e que não temos coragem de enfrentar! Vocês saíram às ruas e não fomos atrás, então se sentiram obrigados a ocupar o único espaço que lhes restou, suas escolas. Que possamos aprender a lição que estão nos dando, sair de nossos refúgios e ocupar essas ruas que são nossas, mas que por covardia deixamos aos donos do poder e aos “capitães do mato”.

Em tempo: não podia deixar de publicar o link para o depoimento da estudante Ana Júlia, que descobri no Facebook após ter postado este artigo. Ela humilhou os deputados da Assembleia Legislativa do Paraná durante o lindo discurso que fez a respeito das ocupações das escolas. Parabéns, Ana Júlia, parabéns jovens e adolescentes que nos fazem acreditar no futuro do país e nos humilham com o brilho da sua inteligência e sua força de vontade!


21 outubro 2016

Resumo das leis que regulam a Educação



De vez em quando postamos aqui novamente o resumo da legislação da Educação, pois está difícil responder uma por uma todas as solicitações que recebemos via e-mail. Mas felizmente a solicitação mais frequente é justamente a respeito das leis que os pais e alunos possam reivindicar! Isto significa que a comunidade está aprendendo a se defender dos desmandos da escola e do poder público. Aliás, hoje tivemos a grande satisfação de receber e-mail da Ana Claudia, uma mãe de alunos de escola municipal do Rio de Janeiro, dizendo que esses artigos das leis estão lhe ajudando bastante! Este resumo é básico, se as informações não forem suficientes, procure o link "Legislação" na barra superior do blog. A legislação de cada estado (pois pode haver diferenças) você encontra no Google. Boa sorte e mande notícias! (por favor, pelo e-mail: educaforum@hotmail.com. Não faça consultas ou denúncias nos comentários, as páginas já estão estouradas e não conseguiremos responder!)

LEGISLAÇÃO BÁSICA DA EDUCAÇÃO - ANOTE AÍ!

Anote aí as leis que protegem os alunos da omissão e dos abusos de autoridade na escola!


Sobre expulsão, suspensão de alunos e negação de acesso à sala de aula, mesmo com alguns minutos de atraso ou por falta de uniforme, por falta de material, por usar corte de cabelo moicano ou qualquer outro motivo fútil:

A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA, SEJA NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL (Art. 206) , NO ECA (Art. 53) E NA LDB - LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO (Art 3º), GARANTE AO ALUNO

ACESSO E PERMANÊNCIA NA ESCOLA!

Quando o aluno é vítima de uma dessas corriqueiras, lamentáveis e ilegais práticas, a escola incorre em CRIME DE RESPONSABILIDADECobre seu direito de PERMANECER NA ESCOLA ONDE ESTÁ MATRICULADO E DE ASSISTIR ÀS AULAS, TODOS OS DIAS, mesmo entrando na segunda aula

E mais: cobre PADRÃO DE QUALIDADE, como garante Art. 3º da LDB! Cobre também o fim da AULA VAGA, essa vergonha na qual o Brasil é certamente campeão mundial. Segundo o Art. 54 § 2º do ECAa AULA VAGA constitui oferta irregular de ensino.

Preste bem atenção às responsabilidades da escola, pois nem tudo é culpa do governo, embora ele também possa ser responsabilizado por omissão quando faz que não enxerga as falhas! 
A LDB é muito clara sobre o que você pode e deve cobrar da escola, veja aqui:

LDB - Art. 12 Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de:
I - elaborar e executar sua proposta pedagógica;
II - administrar seu pessoal e seus recursos materiais e financeiros;
III - assegurar o cumprimento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas;
IV - velar pelo cumprimento do plano de trabalho de cada docente

E se você tiver dificuldades de aprendizado, cobre da escola sua recuperação! Veja mais o
par. V do Art. 12 da LDB: Prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento

Tem mais: você tem DIREITO A UMA ESCOLA PRÓXIMA DE SUA RESIDÊNCIA, conforme par. V do Art 53 do ECA.

E, principalmente, você tem DIREITO DE SER RESPEITADO POR SEUS EDUCADORES E DE CONTESTAR CRITÉRIOS AVALIATIVOS, conforme par. II e III do Art. 53 do ECA.

O Art 4º  do ECA, Parágrafo Único, garante à criança e ao adolescente PRIMAZIA DE RECEBER PROTEÇÃO E SOCORRO em quaisquer circunstâncias, também na escola, seja no caso de acidentes ou doença. Se ocorrer alguma dessas situações na escola e não houver atendimento, ou os pais não forem avisados, a escola incorre em crime de responsabilidade. O mesmo ocorre SE O ALUNO FOR DISPENSADO DA AULA e deixado na rua, sem que os pais sejam avisados.

Veja também o Art 232 do ECA - É crime SUBMETER CRIANÇA OU ADOLESCENTE SOB SUA AUTORIDADE A VEXAME OU CONSTRANGIMENTO.
(Detenção de seis meses a dois anos).

Saiba também que no Estado de São Paulo (se você mora em outro estado, cheque a legislação local) as escolas estão proibidas de cobrar material para provas e exames, carteirinhas de acesso à escola e quaisquer taxas. É proibido também o uso obrigatório de uniforme. Lei 3.913/83

Mães, pais e alunos! Exijam participar da gestão escolar, isto é garantido pelos Artigos 205 e 206 da Constituição Federal! A maioria dos diretores de escola não promovem a eleição democrática dos Conselhos de Escola, eles escolhem a dedo os "representantes" dos pais e alunos, para encobrir suas falhas e as más intenções de muitas Secretarias da Educação estaduais e municipais.
Enfim: cobrem RESPEITO por parte do poder público e de todos os profissionais da escola!

COMO REIVINDICAR SEUS DIREITOS Saiba que acima de cada escola, pública ou particular, existe uma Diretoria de Ensino, que nomeia um Supervisor para cada escola. Se a Diretoria de Ensino não lhe atender adequadamente, procure a própria Secretaria da Educação. Cada escola pública pertence a uma rede, que pode ser municipal ou estadual, então você deve procurar a Secretaria da Educação responsável pela sua escola, ou seja, do município ou do estado. Se nenhum desses órgãos lhe atender, procure o Conselho Tutelar, que resolve problemas escolares de alunos menores de idade. Na falta de Conselho Tutelar, procure o Ministério Público.

Na dúvida, imprima esta página e leve para a direção da sua escola, para a Secretaria da Educação, para o Conselho Tutelar, para o Ministério Público ou qualquer outro órgão.

Mais informações sobre a legislação da educação você encontra no link Legislação, na barra superior.

20 setembro 2016

Escola pública ou particular. Qual a sua opção?...




De vez em quando a gente atende uns pais de alunos bem descontrolados, difícil manter a linha. Faço questão de reproduzir aqui toda a troca de mensagens com um cidadão que quase me tirou do sério... rs

Dia 4 de setembro
"Por um acaso deparei com seu site. Gostaria de que me informassem se é LÍCITO aluno de escola pública ser agraciado; com merenda substanciosa ; material escolar, transporte, uniforme e até tablets, pelos quais pouco se exige de cuidados e/ou devolução; pelos PODERES PÚBLICOS, enquanto que alunos de escolas particulares, cujo custo é elevado e que foi assumidos pelos pais como opção, para que tenham uma escola  de melhor qualidade; não é fornecida merenda, material, livros, transporte,nem tablets em pé de IGUALDADE?
Será que os cursos das escolas particulares são regidos por diretrizes, normas, conteúdos, ou programas de entidades estranhas ao Ministério da Educação do Governo Federal? Será que as crianças das escolas particulares não são Cidadãos Brasileiros? Será que os pais desses Cidadãos não pagam impostos? Será que as crianças por terem pais que, por seu trabalho, conseguem pagar um ensino particular, devem comprar lanche, trazê-lo de casa ou passarem fome porque não tem direito a merenda escolar subsidiada????    
O QUE DIZ A CONSTITUIÇÃO????   Somos iguais perante a LEI ? SERÁ???"

Achei que o cidadão meio que delirou ao falar de tudo com que ele pensa que o estado "agracia" o aluno da escola pública, também não quis iniciar uma discussão sobre a finalidade do ensino público, então respondi brevemente: "Veja, escolas particulares existem por uma opção dos pais... Elas visam lucro, por isso tudo é pago, além da própria mensalidade."

Dia 11 de setembro

"Não me respondeste ao que perguntei. Escola particular é opção mesmo e isso eu disse... Procure ler com mais atenção e me responda ao QUE ESTOU QUESTIONANDO!!!"

Bem petulante, não? Eu podia ter deixado de responder, mas algum bicho me mordeu... rs "Olha, eu não sou obrigada a te responder. Meu objetivo aqui é ajudar os pais e alunos que até gostariam, mas não podem se matricular numa escola particular. E vou te falar uma coisa: 90% das escolas particulares no Brasil são até piores do que as públicas, sabe por que? Por que foram criadas APENAS para dar lucro. Se você quiser continuar nesse esquema podre, azar o seu! Eu acredito que é possível uma escola pública de qualidade para todos. Isso só não se realiza por causa de um governo corrupto e de pessoas hipócritas como você."

Dia 13 de setembro
"Mostraste as unhas! Tu és uma pessoa alinhada com teorias utópicas, dementes e espúrias. Pelo visto, és defensora da quadrilha LULA , DILMA e Cia ilimitada. Que pena!
Noventa por cento podres??? De onde tirastes tal disparate?"

Melhor parar por aqui, né? Pelo estilo, o cidadão parece ser um oficial do exército, melhor não me meter com tal laia. rsrs

Brincadeiras a parte, e sem querer responder ao sujeito, que certamente me daria trabalho até o ano que vem, acho muito oportuna a velha discussão escola pública X particular. Mas o tema já foi tão abordado aqui que não vou recomeçar um blablabla. Seguem alguns links pra refrescar o assunto e fico à vontade para reacender a discussão, se for de maneira educada, claro... rs




22 agosto 2016

Respeito ao aluno 5ª Parte - O abuso moral na escola


Este é um assunto espinhoso que teve muitos altos e baixos nestes nossos 20 e tantos anos de trabalho na defesa de alunos, mães e pais. Sim, porque muitas vezes os alunos sofrem abusos justamente por causa da família a que pertencem...

Na década de 90, um dos maiores problemas da educação pública era a falta de vagas, que aqui no Estado de São Paulo pudemos documentar quando sugerimos à Comissão de Direitos Humanos da OAB – da qual participávamos - que entrasse com ações individuais para garantir a matrícula de todos os alunos excluídos. Foi a época da maldita “reestruturação” do ensino e havia nas escolas paulistas o famigerado “sorteio de vagas”. No final, a OAB deu pra trás, e nós ficamos com listas e mais listas de alunos fora da escola. Os pais que lutavam pela vaga dos filhos costumavam ser discriminados dentro da escola, ganhando a pecha de pais “arruaceiros”, e seus filhos eram sumariamente perseguidos, tratados aos berros e humilhados. As represálias chegavam ao ponto de os diretores inventarem mentiras e calúnias sobre o aluno e a família, com a finalidade de conseguir a evasão escolar e livrar-se do “aluno problema”.

Outra questão muito grave naquela época, que até hoje ocorre em muitas escolas, era a cobrança “institucionalizada” da mensalidade para a Associação de Pais e Mestres, dada como devida, quando na verdade ela é absurda e só pode existir como doação espontânea. Muitas escolas públicas acabaram se tornando escolas “de classe média”, pois os diretores tentavam excluir os alunos que “não podiam pagar” a taxa e quando os pais reclamavam havia perseguições e represálias contra os filhos.

Já a partir do ano 2000 a Constituição passou a ser mais respeitada e os maiores problemas mudaram de figura. (Entretanto, no Estado de São Paulo, há um forte risco de a falta de vagas voltar com força total, se a nova "reestruturação" não for barrada com urgência!) Hoje, a luta de pais e alunos é pela permanência na escola e pelo direito a um mínimo de alfabetização em letras e números, que lhes permita chegar ao final do Ensino Médio sem a pecha de “analfabetos funcionais”. As críticas e denúncias de pais e alunos sobre as falhas e carências da escola podem levar à pior modalidade de abuso moral praticada na rede de ensino: a expulsão da unidade, como você pode ler aqui, aqui e aqui.

Sobre as modalidades mais comuns de abuso moral contra os alunos, que são a agressão verbal, a humilhação, o constrangimento, o que menos se discute é o fenômeno do "bullying docente”, ou seja, quando o diretor, o professor ou outro profissional da escola agride ou incita alunos para a prática do bullying contra seus colegas. Leia sobre isto aqui, aquiaqui.

Por sorte, graças à instalação de câmeras nas escolas, exigidas pelos pais principalmente nas escolas de educação infantil, têm diminuído drasticamente os casos de agressões físicas contra alunos, casos mais frequentes na primeira década do novo milênio. Leia sobre isso aqui, aqui e aqui.

01 agosto 2016

Respeito ao aluno, 4ª Parte. A escola negligente



A negligência, ou omissão, nasce da falta de preocupação com as necessidades básicas do aluno, ser em desenvolvimento confiado aos cuidados da escola. Diferente da falta de socorro médico, que ocorre frequentemente nas escolas públicas e pouco nas particulares, a negligência ocorre em ambas as redes e de forma muito ampla, desde a falta de cuidados com o aprendizado do aluno, a falta de acompanhamento psicológico nos conflitos entre os próprios alunos e entre alunos e professores, a falta de supervisão da disciplina na sala de aula e nas dependências da escola, a falta de cuidado na organização de uma excursão etc. etc.

Estes assuntos são principalmente espinhosos quando se referem a escolas particulares, pois a corporação é forte e a mídia muito omissa, assim tem-se a impressão de que a negligência só ocorre na rede pública, onde - sim - o aluno tem aulas vagas aos montes, pode ficar durante horas dentro de uma sala de aula sem supervisão, estando sujeito a brigas e acidentes, pode ser largado na rua a qualquer hora sem que a família seja avisada, além de poder passar de ano em ano sem aprender o mínimo, que é ler, escrever e fazer contas. 

Já falamos de forma exaustiva da negligência em escolas públicas de todo o Brasil, mas, se você ainda tiver alguma dúvida, veja os links ao pé da página. Hoje vamos tocar na ferida que é a negligência na rede particular, assunto que todos os pais de alunos conhecem muito bem, mas apenas um número mínimo se atreve a denunciar, pois a hipocrisia geral da classe média lhe impede de expor publicamente problemas familiares... Além disso existe um fenômeno típico da instituição escolar: quando os pais fazem alguma queixa mais séria, a escola costuma responsabilizar a própria família, alegando que o problema é a separação dos pais, a falta de interesse ou de limites da criança, deficiência mental do aluno, vida familiar desregrada etc. 

Em situações extremas, os pais mudam os filhos de escola e colocam uma pedra em cima do problema. Seria muito mais útil que colocassem a boca no trombone, para que a sociedade fosse informada também a respeito da negligência das escolas particulares. Isso mostraria que o problema é geral e não apenas da rede pública, inclusive permitiria fazer um "ranking" das escolas a serem evitadas, em contraposição ao ranking do Enem, que aliás é um engodo, como já demonstramos aqui.

Uma informação que não circula é justamente sobre as escolas de "alto padrão", essas que cobram mensalidades absurdas. Um caso exemplar é o da Maria Ligia, que pagava caro em todos os sentidos para manter o filho numa escola infantil "conceituada", mas tão negligente a ponto de não oferecer acompanhamento psicológico para resolver problemas pedagógicos e de colocar 24 alunos em classes de crianças de 4 anos!!! Leia com atenção a troca de mensagens com essa mãe, no post Escola de elite emburrece as crianças!

Outro caso muito revelador nos foi denunciado pelo pai de uma aluna do Colégio Magnum, considerado um dos "melhores" de Belo Horizonte, dentro dos rankings divulgados pela mídia. Esse colégio "de elite" faz jus ao apelido por ser elitista, como aliás a maioria das escolas de "alto padrão": se o aluno não corresponde aos requisitos desejados pelo colégio, ele é expulso - ou melhor, convidado a se retirar, uma expressão bastante conhecida por aqui... A escola pressiona a família de toda forma, exigindo que contrate professores particulares, psicopedagogos, psiquiatrias ou neuropediatras, para depois jogar a toalha e abandonar o aluno ao deus dará. Leia sobre este caso no post Viva a inteligência dos pais, dedicado ao pai de uma aluna que não deixou o barco correr e entrou com ação contra a escola. 

E agora leia o depoimento do aluno Thalles, do Colégio Santo Agostinho de Contagem, MG, considerado o "melhor" da cidade. Raramente recebemos mensagens de alunos tão brilhantes, mas não foi surpreendente saber que ele era taxado de "vagabundo" e que estava sendo ameaçado de expulsão. Entenda por que clicando aqui.

Como foi dito acima, os pais de alunos da rede particular não costumam denunciar abertamente a negligência e os abusos de que seus filhos são vítimas, preferem simplesmente mudá-los de escola. Entretanto, em casos extremos e por desespero de causa resolvem fazer a denúncia, mas sofrem muito com isso, pois a Justiça brasileira e até os Conselhos Tutelares costumam defender a instituição, em prejuízo do aluno. A instituição escola parece ser intocável!

Uma escola que tem recebido graves denúncias nos últimos anos é a Rudolf Steiner, em São Paulo, da linha antroposófica. Aos 12 anos, o aluno Christian, que estudava na instituição desde a educação infantil, foi "convidado" a se retirar, pois a escola alegou a impossibilidade de conseguir sua plena alfabetização. Deprimido, o aluno refugiou-se em jogos virtuais como o Minecraft, tentou outra escola onde ficou infeliz e finalmente mudou para a Lumiar, que soube resgatar sua inteligência, mas não conseguiu apagar o trauma da escola que o abandonou e onde estavam seus amigos de infância. Leia a história do Christian clicando aqui e saiba que outros pais de alunos denunciaram à Justiça a expulsão de seus filhos da Rudolf Steiner, mas não foram levados a sério...

Há algumas semanas o Fantástico mostrou a história absurda da aluna Victoria, coincidentemente colega de Christian desde a educação infantil, que em setembro do ano passado foi assassinada durante uma excursão da escola Rudolf Steiner a uma fazenda em Itatiba. Desde o início, o caso foi tratado como tendo sido um simples acidente, sem questionar a falta de supervisão dos profissionais da escola e a proibição de usar celular durante a viagem, o que poderia ter permitido à menina pedir socorro na situação em que se encontrava, aparentemente desorientada ou perdida pelos campos. Enfim, total negligência por parte da instituição... O inquérito foi reaberto por pressão da família, que nunca se conformou com as respostas dadas, e finalmente um novo laudo comprovou o crime: morte por asfixia mecânica. Em sua imensa dor, a família criou no Facebook a página Victoria Natalini Justiça, através da qual está recebendo o apoio de milhares de pessoas. Leia a história clicando aqui.

Uma coisa que nunca se comenta é que as escolas ditas "confessionais", ou seja, que defendem uma filosofia ou religião, são geralmente originárias de outros países, como as católicas, antroposóficas etc. Em seus países de origem, essas escolas costumam cobrar mensalidades simbólicas, pois o objetivo é a difusão de sua filosofia e não o lucro. Quando porém chegam ao Brasil, tudo muda de figura, como no caso do Colégio Santo Agostinho, da escola Rudolf Steiner (citados acima), e de outras "confessionais" que fazem da educação um mero negócio, sem dar aos alunos o respeito que merecem, além de infringir o próprio código do consumidor, pois não entregam o que prometem.

Se assustou ao saber desses casos ocorridos em escolas particulares? Então converse com pais de alunos e levará cada vez mais sustos...

Agora reveja alguns casos de escolas públicas que mostraram sua negligência: