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Mostrando postagens de Junho, 2006

Carta para o editor de O Globo

A notícia publicada hoje no Globo Online sobre a greve no Colégio Pedro II nos levou a enviar esta carta ao jornal:

Prezado Editor,

Somos pais de alunos que há mais de quinze anos batalham pela melhoria do ensino público no Brasil. Começamos em São Paulo, mas através do nosso site www.webamigos.net/educaforum e principalmente do blog http://educaforum.blogspot.com mantemos contato com pais de alunos de todo o Brasil, que nos pedem informações e ajuda para resolver os inúmeros problemas do ensino público.

Estamos bastante decepcionados com a cobertura dada por seu jornal à greve que desde o ano passado está flagelando o Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Em 2005, a greve durou 94 dias e a reposição de aulas foi ridícula, de acordo com os próprios pais. Este ano foi deflagrada nova greve, por motivos claramente políticos, que o leitor de seu jornal dificilmente poderá detectar, pois as informações dadas são tão pobres que nos fazem duvidar da competência desse tão prestigiado meio de com…

A bandalheira do Fundef

A mãe de aluno Marília Dias escreve de Salvador perguntando sobre o Fundef. Parabéns, Marília! Em geral os pais pensam que o Fundef é “bicho de 7 cabeças” e não se interessam em saber. Vou tentar ser JT: o Fundef é uma verba repassada pelo Governo Federal a todos os Estados e Municípios, para manter o Ensino Fundamental, ou seja, as escolas da Primeira à Oitava Série. Essa verba é repassada anualmente de acordo com o número de alunos de cada município. Onde é que a porca torce o rabo? É na fiscalização dessas verbas, que deveriam ser aplicadas na reforma das escolas, merenda escolar, formação de professores etc. Mas grande parte dessa dinheirama vai parar nas mãos de políticos corruptos. Veja alguns casos, relatados pela Revista IstoÉ de 07/06/06, em municípios fiscalizados pelo Governo Federal, na base de sorteio.

Estes exemplos são para você, Marília: no município baiano de Muquém de S. Francisco, os fiscais descobriram que R$ 37.700 do Fundef foram para a conta de um posto de gasoli…

Para as ruas, senhores pais!

Pois é, os pais de alunos do Colégio Pedro II, cujos filhos estão amargando dois anos seguidos de greve, falam, falam, mas não se entendem. Eles falam bonito, com propriedade, cada um sabe colocar suas idéias, mas infelizmente não conseguem encontrar o DENOMINADOR COMUM, ou seja, o ponto de união para onde poderiam convergir suas idéias. Não é preciso que todos eles concordem sobre tudo, aliás, isso é impossível! A diversidade é um dos componentes da natureza humana, mas precisa existir um mínimo de consenso sobre o que fazer em determinada hora e lugar, para que um grupo se torne uma comunidade. Precisa existir uma VONTADE comum a todos. Essa vontade, supostamente, é que seus filhos voltem a ter aulas. Mas percebe-se pelos comentários do blog que existe uma timidez, um "respeito à autoridade", uma atitude de, na dúvida, deixar como está. O mais triste de toda essa situação é ver alunos adolescentes sendo manipulados por sindicalistas! E, ainda, muitos pais declarando que os…

Colégio Pedro II - A greve continua

Desde o ano passado temos informado a respeito da greve dos professores do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Primeiro, a greve dos 94 dias. Agora, nova greve desde o "início" deste ano letivo, que demorou a começar devido à "reposição" das aulas do ano passado. Todas as aspas cabem perfeitamente a uma situação que seria ridícula, se não fosse séria demais, pois milhares de alunos estão sendo prejudicados em sua formação.

Os pais do Colégio Pedro II, bem mobilizados, chegaram à conclusão de que a greve é política. Sem dúvida alguma! Mas existe um fator agravante que eles, "marinheiros de primeira viagem", ainda não descobriram. Eles estão sendo penalizados por sua luta e persistência. Os outros colégios federais do Rio de Janeiro estão tendo aulas normalmente. Por que então justo somente os professores do Colégio Pedro II se renderam à manipulação do sindicato?...

É porque esses pais INCOMODAM e MUITO, em todas as esferas!

É uma pena que eles não perceba…

R$ 5.127.013 para cada aluno!

Deu no blog da Cremilda, http://cremilda.blig.ig.com.br que o aluno chamado de bicha na EE Octacílio de Carvalho Lopes, em Sampa, vai entrar na Justiça e pedir uma indenização de R$ 5.127.013. Esse era o número dos alunos da rede pública estadual de São Paulo em 2004, assim o aluno receberia um Real por cada aluno da rede. Um Real por cada aluno humilhado, desrespeitado, agredido física ou moralmente dentro da escola. Qual o aluno da rede pública que ainda não foi chamado por algum dos seus professores, coordenadores ou diretores, de burro, vagal, retardado, vagabundo, laranja podre, pivete ou qualquer outra expressão “carinhosa”, caracterizada como “brincadeira” no relatório da Diretoria de Ensino Leste 4, responsável pela EE Octacílio de Carvalho Lopes.

QUERO ASSISTIR DE CAMAROTEtodos os professores, coordenadores, supervisores e o diretor dessa escola declarar para o juiz, sob juramento, que chamar aluno de bicha é uma expressão carinhosa!

Caso o juiz tenha uma mulher, irmã ou tia pr…

Do tamanho de um ovo

Nossa amiga Glória, http://gloria.reis.blog.uol.com.br, faz mais uma denúncia de violência contra um aluno de escola pública. Isto em Leopoldina, MG, cidade do tamanho de um ovo, comparada com as maiores Capitais do País. Glória não se limita a receber as denúncias: ela as encaminha e acompanha, tendo sido inclusive perseguida e ameaçada por todo tipo de "autoridade". Este é o principal motivo pelo qual tão poucas pessoas, no Brasil, se dispõem a receber e encaminhar esse tipo de denúncia. Nem toda "Leopoldina" tem uma "Glória" para defender suas crianças e adolescentes. Fica porém fácil imaginar que, em comunidades menores, esses abusos adquirem uma visibilidade bem maior do que em cidades como São Paulo, Rio ou Belo Horizonte, onde o "sistema" de exclusão é muito mais perverso e estruturado, pois conta com delegacias de ensino e "surdorias" da educação bem descoladas. Algum matemático se dispõe a calcular a proporção de casos de abu…

A maior parada do mundo

Amanhã deverão sair às ruas mais de dois milhões de pessoas para acompanhar a 10ª parada do Orgulho Gay. Essa tem sido a maior manifestação de rua do mundo, no gênero. Mais uma vez, o Brasil estará na frente!

Nada contra, os direitos dos gays são direitos humanos. Fica porém uma pergunta: por que é tão difícil, neste país, mobilizar mais de mil pessoas para defender os direitos dos alunos da rede pública? Não precisa responder, tá, Seu Creysson!...

Prendas ou aula?

Maria Clara, mãe de aluno de Ensino Médio, nos escreve perguntando se está correto uma diretora de escola dispensar as classes para pedir prendas para festa junina.

A resposta é: NÃO e NÃO! Os alunos podem sim ir pedir prendas, mas FORA DO HORÁRIO DE AULA, quando estão sob a responsabilidade dos pais e responsáveis. Em horário de aula eles precisam estar DENTRO DA ESCOLA, que é responsável por eles. Lembram do caso da garotinha cuja mãe processou a escola (e ganhou!) porque foi dispensada mais cedo da aula e estuprada pelo caminho? Será que é preciso ter muitos casos desses para que a educação seja levada mais a sério neste País?

Nas escolas públicas, tudo é motivo para não ter aula! Aliás, atividades "extra-pedagógicas" como pedir prendas para festas são sempre benvindas na maioria das escolas, para tapar os buracos das aulas vagas...

Os únicos casos em que os alunos podem ficar fora da escola em horário de aula são excursões pedagógicas ou culturais, PREVIAMENTE AGENDADAS E C…

Pratafórmica do Seu Creysson 5

Eça foi sujestaum da Véria Vaiz, élia é porretcha!

Proméçia 6

Tudo alúnio vai reçeber um Estatucho da Criânçia e do Adolescêntio em ediçaum de lúxio, capa bem dúria, pra levar pra escólia. Em cada áulia, um alúnio de cada craçe vai ler um artíguio e todos vaum repetir em voiz áltia. O professôrio vai decorar o artíguio e na áulia seguíntia vai ter que repetir para a craçe. Se o professôrio isqueçe o artíguio, leva o Estatucho na cabêçia inté decorar diretcho.

Isso é o pograma de çidadania do Seu Creysson, ókeyo?

DISPOIS DO PRESIDÊNTIO OPERÁRICO, XEGOU A VEIZ DO MINÍSTRIO ANAUFABÉTICO!

O ESTATUTO - este desconhecido

Na revista Educação edição 99 - 07/2005 achei um artigo interessante sobre o desconhecimento dos professores com relação ao ECA.
Seguem alguns trechos:
"A má interpretação, a falta de conhecimento e o senso comum são os fatores que fazem com que o ECA seja apontado como a lei que dá direitos e não deveres", afirma José Fernando da Silva, presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). "Os professores, assim como a maioria da população, não conhecem o Estatuto." O desconhecimento leva à idéia de que a lei serve como uma arma para os adolescentes, quando na verdade se trata de um escudo.
A principal reclamação de educadores é de que a lei veio para tirar a autoridade docente. "Os alunos se sentem no direito de fazer o que bem entenderem, sem o mínimo de respeito pelo professor", afirma Gláucia Piovezan, professora de matemática que dá aulas em colégios particulares de Campinas, Indaiatuba e Jaguariúna, no interior de São Pau…

Mais Júlio Groppa

Ainda sobre a entrevista de Júlio Groppa Aquino na Carta Capital, quero comentar mais uma colocação do professor: de que, no Brasil, a saúde funciona bem melhor do que a educação. Right! Se médicos e enfermeiros faltassem tanto quanto os professores, os hospitais seriam incendiados. Então,

a criança que vai à escola e não se alfabetiza deveria ser vista como o doente que morre na fila do hospital.

Mas ninguém se escandaliza com essa aberração. E a educação brasileira continua “matando seus pacientes”, as crianças e adolescentes que saem da escola sem saber ler e escrever direito. Isto é de uma gravidade tamanha, que merece um minuto de silêncio!

Escola pública X particular

Muito legal o comentário da professora Marta Bellini de Maringá, http://martabellini.blog.uol.com.brsobre a entrevista de Júlio Groppa na Carta Capital, que está dando o que falar nos quatro cantos do País. A entrevista é muito longa e cada leitor se identifica com algum trecho. Concordo com as colocações e com a seleção da Marta, que estou reproduzindo aqui, para esquentar um "velho assunto" que é dos meus preferidos, escola pública x particular.

Júlio Groppa Aquino, professor da USP, São Paulo, dá entrevista polêmica na Carta Capital. Chama Chalita e Gilberto Dimenstein de repetidores midiáticos (opinião que partilho). Diz que os professores faltam muito e que 70% deles não gostam do que faz (também partilho desta opinião). Leia a entrevista na íntegra:

http://www.cartacapital.com.br/index.php?funcao=exibirMateria&id_materia=3198

Alguns trechos:

CC: Segundo levantamento citado no livro A Escola Vista por Dentro, de Simon Schwartzman e João Batista Oliveira, 77% dos profess…

Estado de graça

Não dá pra falar só de coisa ruim, neste País abençoado por Deus! Este País que escolhi para viver é de uma riqueza espiritual tamanha que ofusca toda a miséria, a corrupção, as maracutaias e tudo de ruim que permeia (e permeia!) nossas vidas. Ontem fui no Sesc Pinheiros assistir um show de Renato Borghetti e Yamandu Costa, acordeón e violão, recriando a música gaúcha, um verdadeiro espetáculo em "TCHE MAIOR". É por essas e outras que não dá pra desistir do Brasil! Viva o Brasil! Viva este País de tantas cores, de tantas diversidades, de tanta criatividade, de tanta vontade de viver! Viva todos os brasileiros que não deixam o País afundar!!!

Serjão comenta a greve

Sensacional comentário sobre a greve no Colégio Pedro II, postado do "além" em http://serjaocomentadoceu.blogspot.com

No ano passado eu publiquei uma carta de um grande amigo cujo filho estuda no Colégio Pedro II, então em greve. Na última terça encontrei este mesmo amigo por acaso com sua esposa num Shopping e ele estava revoltado. Sentamos para um café e ele me disse que o Colégio estava novamente em greve. Para mim que acompanho política, nenhuma novidade. Conheço esta raça. Eu continuei ouvindo. Segundo ele, os professores reclamavam um tal acordo que demorou a ser assinado mas finalmente o foi e mesmo assim o “indicativo” era manter a greve. Tive que ter paciência para explicar que a não assinatura do tal acordo foi apenas um pretexto. Se não fosse isso seria o papel higiênico do banheiro que não é perfumado ou os bancos do refeitório que não são acolchoados. Estamos num ano eleitoral. A maioria dos sindicatos, inclusive provavelmente o SINDSCOPE dos (des)servidores do P…