Para as ruas, senhores pais!


Pois é, os pais de alunos do Colégio Pedro II, cujos filhos estão amargando dois anos seguidos de greve, falam, falam, mas não se entendem. Eles falam bonito, com propriedade, cada um sabe colocar suas idéias, mas infelizmente não conseguem encontrar o DENOMINADOR COMUM, ou seja, o ponto de união para onde poderiam convergir suas idéias. Não é preciso que todos eles concordem sobre tudo, aliás, isso é impossível! A diversidade é um dos componentes da natureza humana, mas precisa existir um mínimo de consenso sobre o que fazer em determinada hora e lugar, para que um grupo se torne uma comunidade. Precisa existir uma VONTADE comum a todos. Essa vontade, supostamente, é que seus filhos voltem a ter aulas. Mas percebe-se pelos comentários do blog que existe uma timidez, um "respeito à autoridade", uma atitude de, na dúvida, deixar como está. O mais triste de toda essa situação é ver alunos adolescentes sendo manipulados por sindicalistas! E, ainda, muitos pais declarando que os professores não têm culpa no cartório, pois estariam sendo "manipulados". Ora, quem é que elege o sindicato?! Se pensarmos dessa forma, então também o eleitor não tem responsabilidade nenhuma sobre a eleição de um ou outro político que o "manipulam"...

É uma pena deixar tudo como está e só uma forte VONTADE poderá levar esses pais para o único lugar onde seus problemas e seus pontos de vista poderão ser realmente vistos e entendidos: para a rua!

Comentários

Paulo disse…
Enviado por Paulo
Texto publicado no pais conversando do CP2

*
INTERVENÇÃO FEDERAL NO COLÉGIO PEDRO II

SRS. MINISTRO DA EDUCAÇÃO, SENADORES, DEPUTADOS
E PROMOTORES QUE ACOMPANHAM ESSE BLOG DEMOCRÁTICO.

QUAL NAU SEM RUMO SEGUE A DERIVA O COLÉGIO PEDRO II.

SINDICALISTAS INVADIRAM O CONGRESSO NACIONAL, AFRONTANDO
O GOVERNO E AS INSTITUIÇÕES CONSTITUÍDAS.

NO COLÉGIO PEDRO II, SINDICALISTAS TOMARAM ASSENTO NOS DESTINOS
DA INSTITUIÇÃO SECULAR. INVADEM A BEL PRAZER, A QUALQUER HORA
AS SALAS DE AULAS PARA DISSEMINAREM SUAS IDÉIAS AOS JOVENS ALUNOS
COM O BENEPLÁCITO DOS PROFESSORES E A PASSIVIDADE DIRECIONAL.
- DETERMINAM PARALISAÇÕES DESCABIDAS E PERÍODICAS-
ASSEMBLÉIAS REALIZADAS DENTRO DO PRÓPRIO COLÉGIO, COM 30 PARTICIPANTES PARALISAM CERCA DE 3000 FUNCIONÁRIOS, INTERFERINDO NA VIDA ESTUDANTIL E PROFISSIONAL DE CERCA DE 12.000 ALUNOS.
TRANSITAM LIVREMENTE ENTRE ALUNOS E COM SEDE DENTRO DO PRÓPRIO
COLÉGIO.

PROFESSORES AFIRMAM O PROPÓSITO DE NÃO RETORNAREM AS SALAS DE
AULA EM 2006, PORÉM, DIARIAMENTE ENCONTRAM-SE NO COLÉGIO PARA GARANTIREM O SEU PONTO COM O BENEPLÁCITO DIRECIONAL.

DETERMINAÇÕES JUDICIAIS SÃO DESRESPEITADAS PARA O RETORNO ÀS AULAS.

GRÊMIOS DE CABRESTOS SOSSOBRAM NO ANO LETIVO E CERTAMENTE NOS VESTIBULARES.

URGE! INTERVENÇÃO FEDERAL, PARA GARANTIR O DIREIRO CONSTITUCIONAL DE ESTUDAR, COM QUEM DESEJAR ENSINAR E APRENDER.

É DEVER DO ESTADO CONSTITUÍDO ASSEGURAR AOS JOVENS O DIREITO DE ESTUDAR!.

MÃE DE ALUNO - INDIGNADA COM O DESCOMPROMISSO PROFISSIONAL DOS
PROFESSORES, FUNCIONÁRIOS E COM A PASSIVIDADE DIRECIONAL NO SAUDOSO COLÉGIO PEDRO II.
Glória disse…
Nosso medo e tibieza diante dos professores me faz lembrar do Carcará do Chico Buarque, do bicho que tem mais coragem que homem:

Carcará
Pega, mata e come
Carcará
Num vai morrer de fome
Carcará
Mais coragem do que home
Carcará
Pega, mata e come

Gilberto Freyre explica o tempo presente através do nosso passado, em Casa-grande e Senzala: "O mestre era um senhor todo poderoso. Do alto de sua cadeira, que depois da Independência tornou-se uma cadeira quase de rei, com a coroa imperial esculpida em relevo no espaldar, distribuia castigos com o ar terrível de um senhor de engenho castigando negros fujões."
De lá pra cá, o que mudou? Deu hoje na imprensa: "Escolas latino-americanas perdem um aluno a cada 28 segundos", e todo mundo faz cara de espanto... Espanto por quê? Espanto se eles ficassem...
Giulia disse…
Intervenção federal seria o ideal, mas para isso precisaria haver uma tremenda pressão popular. Aqui em Sampa nunca conseguimos intervenção estadual ou municipal na rede pública, mas em compensação as reportagens na frente de escolas renderam bastante, SEMPRE QUE HOUVE BOM NÚMERO DE PAIS (no mínimo cem)para mostrar a realidade. Como já disse, acho muito triste um grupo de pais tão mais conscientes dos seus direitos do que a média dos pais da rede pública não conseguirem se organizar e dar um grito de basta para essa situação insustentável. Outro fator é também impressionante: a maioria dos pais não manda seus filhos à escola, as classes ficam com três ou quatro alunos, o professor esperto marca seu ponto e vai embora! Isso é a mesma coisa que aceitar a greve como fato consumado. Será que esses pais pararam para refletir sobre isso? Muitos pais, principalmente de adolescentes, preferem deixar os filhos em casa na frente da TV do que arriscar que vão à escola e, por não ter aula, acabem vagabundeando por aí. Se o assunto fosse discutido mais amplamente, eles poderiam mudar de idéia.