
A suspensão de alunos é algo que agrada à sociedade brasileira. Mais ainda do que a suspensão, a expulsão goza de grande simpatia junto àquela parcela de cidadãos que preferem enfiar a cabeça na areia, como o avestruz, do que perceber a gravidade de atirar uma criança ou um jovem da escola para a marginalidade. A expulsão é um fenômeno contra o qual temos tido bastante êxito, pois trata-se de uma violação grave demais para passar em brancas nuvens – desde que os alunos e/ou seus pais tenham a coragem de enfrentar um tribunal de exceção e lutar contra a perseguição de certos “educadores”. Ao contrário, a suspensão de alunos, mesmo coletiva, é considerada um procedimento corriqueiro e “justo”, na suposição de que ele tenha o poder de manter a ordem e a disciplina na escola.
De nada adianta afirmar que a suspensão é ilegal, que o aluno tem o direito de acesso à sala de aula em qualquer situação e nada pode impedi-lo, seja a falta de material, de uniforme etc. A suspensão, instrumento jurássico de punição, infelizmente caiu no gosto popular. Por que será?
A quem serve a suspensão de alunos?...
Os únicos que se “beneficiam” dela são os maus profissionais da educação:
- O professor relapso, que, por exemplo, vê um cesto de lixo pegar fogo e sai tranqüilamente para dar aula em outra classe...
- O coordenador pedagógico “estressado” que costuma ralhar com o mesmo aluno toda semana e, portanto, agradece sua suspensão...
- O diretor de escola, cansado de receber esse aluno em sua sala, com queixas do professor relapso e do coordenador estressado.
Profissionais desse tipo têm um único desejo: se livrar dos alunos, principalmente dos mais inteligentes e corajosos, aqueles que revidam ao serem humilhados, constrangidos ou agredidos. Para esses indivíduos, bom mesmo é uma escola vazia, onde possam ficar sentados papeando, tomando café e esperando o bônus de “produtividade” cair em sua conta bancária, rsrs (rir para não chorar, não é?).
A imagem do “bom” profissional da educação, no Brasil, ainda é tão antiquada quanto a idéia da necessidade da suspensão, da expulsão de alunos e da repetência, essa praga responsável pela exclusão de milhares de crianças e adolescentes. O profissional que continua no gosto popular é sisudo, autoritário, fala grosso, manda e desmanda. Em resumo, o professor, o coordenador e o diretor de escola “respeitados”, no Brasil, ainda são os que berram, suspendem, expulsam e largam o problema para outro professor, no ano seguinte. Na minha opinião, a suspensão e os demais instrumentos de punição só “servem" aos maus profissionais da educação (se é que é possível alguém conseguir se satisfazer prejudicando outra pessoa...).
Comentários
Professores não querem salas vazias, mas sim com alunos que venham a escola para [b]aprender[/b]. Se há algum que pensa o contrário, ele provavelmente não está trabalhando, pois não existe professor sem alunos.
Foram citados exemplos de maus educadores, como o professor que ignora um cesta de lixo pegando fogo, o coordenador pedagógico estressado e o Diretor da escola cansado e que somente estes se beneficiam com o mecanismo da suspensão. Se estes são os únicos que se beneficiam com a suspensão, o que levaria então os bons profissionais como o professor atento (o que não ignoraria um cesto de lixo pegando fogo), o coordenador pedagógico não-estresado e o Diretor firme e forte na sua função a suspenderem alunos?
A suspensão é um ato extremo, que poderia ser usado após a análise dos erros da instituição e as tentativas de se fazer com o aluno um verdadeiro trabalho educativo.
Professor, compreendo bem o seu sentimento de desânimo, parabéns pelos seus esforços de fazer uma turma agressiva e indiciplinada ser interessada em debates. Na escola onde trabalho nós da coordenação pedagógica colocamos uma regra para os professores: um aluno ao ser retirado da sala de aula por estar atrapalhando o bom andamento da aula só poderá ser retirado com uma tarefa escolar a ser realizada. Esta tarefa deverá ser mais difícil do que aquela que esta sendo dada em sala.
Algumas vezes percebemos que o aluno que esta desinteressado na aula ou que não gosta do professor, faz de um tudo para ser retirado da sala. Quando descobriram que ser retirado era na verdade pior do que ficar eles começaram a melhorar um pouco o comportamento.
Alguns professores que também usavam a retirada do aluno para não ter o trabalho de resolver o problema também pararam de retirar o aluno pois dava muito trabalho fazer um exercício e corrigí-lo depois.
Pode não ser a melhor das soluções, mas por enquanto é o que tem nos ajudado a diminuir conflitos.
mas vindo mais ao caso da suspenção acho incorreto pois a escola trabalha com a base de educar os jovens para uma boa carreira e, suspendendo um aluno da sala de aula a escola estrá se negando a oferecer seu próposito que é educar, os jovens principalmente os que estudam no noturno vão para escola para estudar mas quando chegam na sala de aula e encontram um professor desacreditado da turma que em vez de incentivar a turma, só sabe criticala e ofender de certo modo alguns alunos! e ainda querem ter a razão!
"Pelo amor professores" vamos incentivar os jovens de hoje pois eles são o futuro de amanhã!
antes um jovem na escola, que na rua fazendo o que não deve!
F.P.S.
Converse com a autoridade maior de sua escola e coloque-a(o) a par do ocorrido!
Boa Sorte
Vc acredita que o seu professor foi arrogante ou vc que é arrogante?
Pense ele pediu por favor e se ele desligou o ventilador tinha os seus motivos.
Sou professora e não aguento mais alunos agressivos, indisciplinados e alem de td não acreditam que a educação é um dos meios para que haja uma melhora em nossa sociedade.
Pense e reflita primeiro nas suas atitudes para depois julgar o professor.
professor é um só para 40 alunos...
O QUE FAZER COM ALUNOS QUE É ABANDONADO NA ESCOLA PELOS PAIS E QUE SE NEGA A DIALOGAR COM OS PROFESSORES??? Essa é a realidade que enfrento!!
Sempre que tenho que colocar um aluno para fora da sala de aula dou atividades para que ele desenvolva. Porém sou redicularizado! Ele ri e diz abertamente que não fará! Ninguém tem o poder de fazer com que ele faça!! No outro dia, lá está ele com o mesmo comportamento e a atividade por fazer. Ainda diz: "não dá nada não professor!!!!".
O QUE PODEMOS FAZER!!!
A realidade com a qual estamos lidando é muito complexa. Não podemos nos basear somente em nossa realidade, no sucesso que temos obtido, para fazer afirmações que dizem respeito à realidade de uma quantidade enorme de professores, que distoam da nossa. Precisamos ter bom senso!!!
Se houvessem condições de seguir o modelo grego de um mestre, um aluno. Foi o modelo católico (que conhecemos, por salas de aula, diretor, etc) que faliu. Quais são as alternativas para atuar com salas de aula com 40 alunos?
O que vc faria nesse caso? Chamaria a família? E se esse aluno for adulto, independente? ou adolescente independente? O que vc faria?
e não me considero um ser jurássico.Apresente uma solução cabível aos estão ao menos tentando lutar contra a imoralidade.
Somos pais de alunos e repreendemos severamente nossos filhos quando não se comportam adequadamente. O que falta na classe docente brasileira é o prazer de ensinar e de conviver com o aluno. Por isso esse tom sombrio, essa má vontade e ranço! Isso não tem solução: quem escolheu a carreira errada não vai mesmo se tornar educador.