Do tamanho de um ovo


Nossa amiga Glória, http://gloria.reis.blog.uol.com.br, faz mais uma denúncia de violência contra um aluno de escola pública. Isto em Leopoldina, MG, cidade do tamanho de um ovo, comparada com as maiores Capitais do País. Glória não se limita a receber as denúncias: ela as encaminha e acompanha, tendo sido inclusive perseguida e ameaçada por todo tipo de "autoridade". Este é o principal motivo pelo qual tão poucas pessoas, no Brasil, se dispõem a receber e encaminhar esse tipo de denúncia. Nem toda "Leopoldina" tem uma "Glória" para defender suas crianças e adolescentes. Fica porém fácil imaginar que, em comunidades menores, esses abusos adquirem uma visibilidade bem maior do que em cidades como São Paulo, Rio ou Belo Horizonte, onde o "sistema" de exclusão é muito mais perverso e estruturado, pois conta com delegacias de ensino e "surdorias" da educação bem descoladas. Algum matemático se dispõe a calcular a proporção de casos de abusos contra alunos da rede pública, abafados por milhares e milhares de quilômetros de panos quentes por todo o território nacional?...

Vamos à denúncia recém-postada por Glória:

Professora da E. E. Enéas França arremessa vidro de cola em aluno

Recebi mais uma denúncia de uma professora da Escola Estadual Enéas França que arremessou um vidro de cola no aluno de uma 4ª série. A mãe foi à escola reclamar e a professora disse que não tampou no filho dela e sim em outro aluno. Não é o cúmulo do cinismo? A diretora estava junto e apoiou a agressora.
Entrei em contato com a diretora Ana Rita Costa Souza que nem se deu ao trabalho de dizer que iria averiguar, foi logo dizendo que isso não acontece em sua escola, que suas professoras são "maravilhosas", que as crianças e pais inventam...
Esta é a deslavada desculpa que vem amparando as agressões contra nossas crianças nas escolas: as professoras agridem e sabem que, se as crianças contarem os fatos, é só dizer que não é verdade, que elas "inventam".
A mãe, sem outra alternativa, ao perceber que a professora não seria mesmo corrigida, pediu transferência do filho para a escola Ribeiro Junqueira, longe da residência do aluno. São esses transtornos que fazem com que, muitas vezes, nossas crianças abandonem os estudos.
Quando diretoras e secretárias negam os casos de agressão acontecidos em suas escolas demonstram o quanto esses cargos são apenas burocráticos, exercidos por pessoas sem nenhum compromisso com a realidade de nossas crianças pobres. O compromisso delas é sempre de defender a corporação, nunca em defesa dos alunos. Cabe acrescentar que, de dentro das suas salas, sem contato com as crianças, não têm mesmo como saber do que se passa.

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