06 março 2017

Dislexia já tem solução no sistema educacional brasileiro?


A retrospectiva do último setênio, iniciada em fevereiro, mostra os espantosos "buracos" do nosso sistema educacional! Um deles é a dislexia, um assunto que pesquisamos há uns quinze anos, desde que colaboramos com o Fantástico (quem diria, hein?, o EducaFórum colaborando com o Fantástico... rs) em sua primeira reportagem sobre o assunto. Na verdade, aquela foi a primeira reportagem sobre dislexia exibida na televisão brasileira, por isso nos interessamos em colaborar e apresentamos ao Fantástico uma moça disléxica para dar seu depoimento. Pasmem! Hoje, aquela moça é uma mãe que passou com o próprio filho os mesmos problemas que precisou enfrentar por causa da terrível falta de preparo das escolas brasileiras em tratar os alunos disléxicos e portadores de TDAH. Nossa última postagem sobre dislexia é do ano 2011 e a reproduzimos abaixo, mas ainda hoje recebemos enxurradas de mensagens de pais de alunos desesperados, por não saberem o que se passa com seus filhos que apresentam dificuldades de aprendizagem. Certamente, nem todos esses alunos são disléxicos, porém a maioria das escolas nem se preocupa em tirar essa dúvida, simplesmente recomenda a contratação de uma psicopedagoga ou neuropsiquiatra e lava suas mãos. Não é preciso dizer que dificilmente os pais de alunos da rede pública têm recursos para contratar qualquer profissional de apoio... Alguns fazem das tripas coração e tiram o dinheiro suado da alimentação para contentar a escola. Mas, infelizmente, a maioria desses profissionais também não sabe lidar com o assunto, e assim forma-se um circulo vicioso! Para quem não tem qualquer noção sobre dislexia, recomendamos assistir o belíssimo filme Como estrelas na terra, que pode até ser visto no Youtube. Uma produção competente e de grande sensibilidade, muito indicada para todos aqueles que tendem a tachar os alunos "difíceis" de burros, vagabundos, QI de ameba ou coisa que o valha (certamente, ninguém que acompanha este blog, certo? rs)


Junho de 2011

DISLEXIA - O Brasil não sabe NADA!

Lançamos um amplo apelo em toda a net pedindo informações sobre pesquisas sérias a respeito da dislexia e, mais ainda, sobre formas eficazes de alfabetização para crianças disléxicas e com DDA. Simplesmente, não houve qualquer resposta...

Iniciamos este questionamento há uma década, quando contribuímos com uma matéria do Fantástico, que pela primeira vez entrevistou pessoas com essa disfunção. De lá para cá, não paramos de receber mensagens inconformadas de pais que não encontram escolas preparadas para atender seus filhos disléxicos. Hoje, em vez de melhorar, a situação piorou, pois a moda é expulsar os alunos disléxicos da escola.

O apelo que lançamos no mês passado foi devido à expulsão da escola de duas crianças em fase de alfabetização, notícias que recebemos em menos de duas semanas. Isso vale como um atestado de incompetência dessas duas escolas. E a falta de retorno sobre pesquisas e projetos de inclusão de crianças disléxicas confirma que as escolas não progridem nem fazem questão de avançar nesse sentido. Este bloguinho, embora humilde e despretensioso, recebe milhares de visitas por mês e conta com centenas de seguidores, todos direta ou indiretamente ligados à educação. Será mesmo possível que ninguém possa apontar uma luz no final do túnel?...

Varremos todas as publicações sobre educação em busca de informações. Nada! Explicações vagas sobre o que é a dislexia, mas nenhum rumo. No meio de tanta desinformação, chamou a atenção a entrevista com o fonoaudiólogo Jaime Luiz Zorzi na revista Nova Escola: "A escola ignora quem não consegue aprender". Ele fala da tendência perversa do sistema de ensino, que leva os educadores a não distinguir entre as próprias limitações e as dos estudantes. Essa tendência nós conhecemos muito bem: é a de tratar o aluno por incapaz ou "burro"... A entrevista mostra que apenas 15% dos alunos com dificuldades de aprendizagem têm disfunções reais como a dislexia. Por isso, fica claro que a quase metade dos alunos brasileiros, que não são alfabetizados na idade certa ou permanecem no analfabetismo funcional, não é burra. Esses alunos são ignorados pela escola, que é sim incapaz de ensinar.

A entrevista com Jaime Luiz Zorzi faz uma revelação interessante: o aprendizado da fala é algo natural, mas o da escrita é um condicionamento social. Ou seja: nascemos para falar, mas não necessariamente para escrever. Para escrever, a criança precisa associar o som a um símbolo, que é a letra ou o ideograma, em outras culturas. Isso não é fácil em nenhum idioma! Por isso são necessárias técnicas e métodos de aprendizado eficazes, principalmente na língua portuguesa, onde a correspondência entre sons e letras é complexa.

A dislexia e o DDA são disfunções detectadas através de testes complexos, ao alcance de uma parcela da população que pode pagar por eles. Mesmo assim, esses testes de nada adiantam, pois apenas confirmam (ou não) o diagnóstico. E muitas escolas expulsam os alunos até quando elas mesmas os encaminham ao neuropsiquiatra ou outro profissional!

Mas o nosso apelo em toda a net não foi em vão: foi assim que conhecemos o lindo ABCD da Angela Lago, que também sofreu com a dislexia e criou, com sua sensibilidade poética, essa ferramenta que pode auxiliar as crianças, disléxicas ou não, a familiarizar-se com o mundo da escrita.

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