A escola em raio X - A série nº 6 - Expulsão por TDAH


Como já mostramos aqui inúmeras vezes, o Brasil é o campeão mundial da expulsão escolar. Já ficou bem claro o motivo pelo qual mais da metade dos alunos que deveriam cursar o ensino médio estão na rua...

Engana-se porém quem pensa que essa praga atinge apenas a rede pública de ensino. Existe uma situação em que a campeã da expulsão é a escola particular: trata-se das crianças e adolescentes portadores de dislexia, DDA e TDAH. Como sempre, a série A escola em raio X traz depoimentos autênticos recebidos de pais de alunos. Acabou de chegar essa mensagem de uma mãe desesperada:

Boa noite, meu filho tem 6 anos e está no 1º ano do fundamental, ele tem TDAH, coloquei-o no colegio em frente de casa por ser "renomado, tendo 86 anos de tradição". Enfim, a escola inicialmente indicou um neuropisquiatra para atendê-lo mediante a sua estada na escola. Concluído o diagnóstico, foram uma série de reclamações e acusações feitas no decorrer deste 1 ano e meio de convívio escolar pelo seu baixo desempenho e agitação. Ontem fui chamada para uma reunião e ao chegar lá fui recebida por uma equipe de coordenadores me recomendando a transferência do aluno para uma outra instituição. Me senti completamente sem chão com tal situação, o garoto sendo tratado pelo médico indicado por eles a mais de um ano. Com todo este envolvimento familiar e despesas médicas, no meio do ano eles fazem isso? Gostaria de saber se é legal tal fato.

Nossa resposta:
Cara Marcela, não existe qualquer legalidade em expulsar um aluno da escola! A Constituição Federal e o ECA garantem a todo cidadão acesso e permanência na escola. Entretanto, o hábito da expulsão é tão comum e arraigado no Brasil há décadas, que a sociedade já perdeu o senso comum! Na rede pública expulsa-se por qualquer motivo, mesmo o mais fútil, pois, para a classe "docente" brasileira, escola boa é escola vazia... Na rede particular, expulsa-se o aluno que não atinge as médias e o nível que a escola exige para atrair seus futuros clientes. Seu filho está nesse segmento: o das crianças com dificuldades de aprendizagem. E, dentro desse segmento, as mais visadas são as portadoras de dislexia, DDA e TDAH, ou seja, os alunos que também costumam ser mais inquietos, "atrapalhando" as aulas. A escola brasileira não está preparada para receber crianças com dificuldades de aprendizagem. Pior, não as quer! Durma-se com um barulho desses, prezada Marcela...

Infelizmente, os pais brasileiros não costumam reivindicar os direitos dos próprios filhos e limitam-se a sofrer em silêncio, sem perceber que os estão prejudicando, além de toda a sociedade. Sim, o exercício da própria cidadania abre caminhos para outras pessoas que poderão se beneficiar desses direitos! Você pode, sim, processar a escola, mas saiba que dificilmente vai ganhar a ação e, pior, dificilmente vai encontrar uma escola preparada para trabalhar com seu filho e outras crianças com dificuldades de aprendizagem. A "moda" é essa mesma: expulsar o aluno, disfarçando essa medida como "mera transferência".

Leia clicando aqui sobre o pai de Belo Horizonte que processou a escola onde a filha estudava.
E ajude seu filho na alfabetização com esse lindo site criado pela ilustradora Angela Lago: Dislexia, um presente para as crianças.

Ainda estamos aguardando informações sobre pesquisas sérias realizadas no Brasil sobre dislexia, DDA e TDAH. Nos entristece demais não termos recebido até agora qualquer informação a esse respeito... Pobres crianças brasileiras, pobre Brasil!

Comentários

Maria Elvira disse…
Giulia,
Aos pais e todos os que se interessarem o livro "Mentes inquietas" da Psiquiatra Ana Beatriz B.Silva traz muita luz para quem tem alunos DDAs, não se usa mais o termo transtorno, pois trata-se de um distúrbio = Distúrbio do Déficit de Atenção que lógicamente leva a hiperatividade. Em determinado trecho do livro ela escreve "... distraído, enrolado, esquecido, desorganizado, impulsivo, agitado, inquieto, preguiçoso,irresponsável e rebelde..." alguns dos adjetivos atribuídos aos DDAs. Tem muita informação boa, mas uma péssima notícia DDAs não tem cura, a gente aprende a viver assim.
Anônimo disse…
Que trágico, muito trágico...
LIa disse…
O livro infantil JOÃO AGITADÃO da editora Caravansarai é uma leitura divertida e contribui para elevar a autoestima das crianças portadoras de TDAH.
LIa disse…
O livro infantil JOÃO AGITADÃO da editora Caravansarai é uma leitura divertida e contribui para elevar a autoestima das crianças portadoras de TDAH.

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