Tem gente que quer expulsar o aluno!

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As seguintes informações foram enviadas por: A...
Quarta, 7 de setembro de 2005 às 13:41:10
Nome: A...
email: b... @bol.com.br

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Mensagem: Gostaria de saber oque pode ser feito a um aluno que serve de mal exemplo para os outros, tendo em vista que já foi solicitado visita e aconselhamento do conselho tutelar entre outras atitudes que não deram certo. O aluno desacata os fúncionários. Por se tratar de escola´pública, gostaria de saber se há como expulsar esse aluno.

Comentários

Vera Vaz disse…
Bom A..., em primeiro lugar NÃO SE PODE EXPULSAR OS ALUNOS QUE A ESCOLA TEM COMO INDESEJÁVEIS! É contra a lei!
Em segundo, até admiro a sua coragem de colocar as coisas tão claramente pois geralmente esse desejo é bem mais camuflado.
Vou responder com um texto de José Pacheco (já ouviu falar? acho que não... procure conhecer...)http://www.a-pagina-da-educacao.pt/arquivo/FichaDeAutor.asp?ID=133
Indisciplina, a filha dilecta do autoritarismo e da permissividade

A disciplina a que me refiro é a liberdade que, conscientemente exercida, conduz à ordem; não é a ordem imposta que nega a liberdade. Enquanto não compreendermos isto, não compreenderemos mais nada. O problema da disciplina só pode ser equacionado globalmente e não restrito à escola. Mas não estou a referir-me ao triste espectáculo da 'disciplina' partidária, do reflexo condicionado que provoca um erguer de braço sempre que o lider ordene. Nem me refiro à disciplina ausente de certas reuniões e assembleias, nas quais o caos e o falar mais alto que o próximo se sobrepõem ao civismo e à razão. A disciplina poderá ser alcançada e mantida com recurso a mais castigos, normas, multas, punições? Duvido. Talvez dependa mais da criação de condições para o exercício de uma liberdade responsável, na escola e fora dela. Será o exercício da cidadania, dentro e fora da escola, que viabilizará a formação pessoal e social de alunos-pessoas responsáveis pelos seus actos, individuais ou colectivos, e dispensará quaisquer imposições normativas de códigos de conduta. Mas como conseguir tal desiderato, se as escolas raramente se constituem em espaços democraticamente organizados? Dizei-me: quem institui as regras, os direitos, os deveres? Quem estabelece e gere horários e calendários? Quem define objectivos e projectos? Onde pára uma pedagogia da participação e da democraticidade que atenue o sobrepovoamento dos depósitos de alunos em que muitas das nossas escolas se converteram? É o aluno que está doente, ou estará doente a escola e a sociedade que a engendrou e alimenta? Será com mais represálias que se eliminarão as causas do desconforto das violências? Será que o respeito, que muitos dizem estar em déficite, é uma réplica do medo que tínhamos na escola de antigamente? Qual o espaço social de intervenção que cabe aos pais dos alunos? E a outros agentes educativos? Quantas escolas agem cooperativamente na apresentação, discussão, aprovação e aplicação das normas que integram o seu regulamento? Qual o grau de participação activa dos alunos na sua elaboração? Se os alunos (e os pais dos alunos) não sentem a escola como
coisa sua, por que hão-de respeitá-la? Porque hão-de respeitar regulamentos de cuja elaboração não participaram? Em quantas das nossas escolas os representantes dos alunos nos órgãos de administração e gestão e de coordenação pedagógica exercem em pleno as suas funções e fazem valer os seus direitos? Por que será que a maioria dos regulamentos que conheço são repositórios de proibições, de sentenças inevitavelmente iniciadas pela palavra NÃO? (E nem sequer se trata de colocar a ênfase nos deveres: trata-se de ostracizar os direitos) Por que razão plausível não hão-de os jovenzinhos contrariar prescrições a que são alheios? Na determinação 'não é permitido fumar nas casas de banho', qualquer normal aluno (ainda que não-fumador fundamentalista) lerá, em desafio: 'vamos tirar umas passas p'rá retrete, só p'ra chatear os setôres'. Se fosse possível isolar os factores que concorrem para a generalização da indisciplina, avultariam, quer a falta de formação dos professores no domínio relacional, quer a racionalidade que preside ao modo como a escola se organiza. Por muito que nos perturbe a afirmação, as escolas ainda são, como outras organizações, redutos de micro-poderes, mais ou menos ocultos, resistentes a processos de mudança e de democratização. As manifestações de indisciplina não serão também reflexos da impotência que advém da perda de prestígio e credibilidade das instituições? Por quanto tempo mais nos iremos manter no precário oscilar entre duas posições estéreis, entre um pessimismo reaccionário e inconsequentes boas-vontades? Como poderemos pensar em controlar as águas revoltas de um rio, se nos esquecemos das margens que as comprimem?

José Pacheco

Espero ter respondido sua questão e que vocês encontrem um caminho para conquistar esse aluno na pedagogia do amor e do abraço... Como esse que lhe envio agora
Vera Vaz

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