Uma escola "de faroeste" em Mongaguá!

O EducaFórum tem procurado apoiar uma mãe de Mongaguá, cujo filho está sofrendo perseguição já há alguns anos.
Professores e diretores da escola já tentaram de tudo para expulsar o aluno, mas os pais resistem e merecem nosso aplauso, pois nós, também pais de alunos de escolas públicas, sabemos como édifícil enfrentar o corporativismo da classe "docente", quando resolve utilizar meios ilegais e imorais para livrar-se de alunos inteligentes e conscientes de seus direitos. Infelizmente, todos os meios que utilizamos não surtiram efeito, a perseguição continua e os pais desse aluno têm precisado apelar para a Procuradoria da Infância e Juventude para defender seu filho.
Esperamos que esta providência surta finalmente algum efeito, pois o documento que o EducaFórum entregou na Ouvidoria da Educação em SãoPaulo, em 17 de agosto, não recebeu qualquer tipo de atenção. O Ouvidor, Sr.Salmon Elias Campos da Silva, disse que mandaria apurar os fatos e tomaria providências, mas até agora não houve qualquer retorno.
Com a autorizaçãodos pais do aluno, o EducaFórum está reproduzindo a seguir o documento entregue na Ouvidoria da Educação.
Além do problema específico desse aluno, nessa escola é comum os alunos serem chamados de "moleque", "vagabundo", "anta" etc, por professores e diretores. A escola também apresenta um quadro grave de aulas vagas, que chegam a duas ou três por dia, a sala de informática e a biblioteca ficam fechadas etc. etc. etc.
Fazemos votos que apareçam mais pais com a mesma coragem dessa mãe de Mongaguá, que resolveu mostrar às autoridades e a todo o Brasil uma realidade que é tão comum neste País.
Leiam o documento a seguir e enviem seus comentários.
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E d u c a F ó r u m
Pais, alunos e ex-alunos em defesa da Educação Pública

São Paulo, 17 de agosto de 2005

Exmo. Sr.
Salmon Elias Campos da Silva
Ouvidor de Estado da Educação
Em mãos

Ref.: E.E. Profª Aracy da Silva Freitas – Mongaguá

Exmo. Sr. Ouvidor,

Anexamos à presente cópia de documentação recebida da Sra. Cássia Ap. Dalcim Marques, contendo denúncias gravíssimas referentes à EE acima citada. O dossiê anexo foi protocolado na DE de São Vicente em 07/07/05, após várias tentativas de a Sra. Cássia evitar a expulsão ilegal de seu filho Wesley da escola, sendo que os primeiros documentos desse dossiê remontam a setembro de 2004. A análise dos papéis mostra diversas irregularidades na EE Aracy da Silva Freitas, a maior de todas sendo a tentativa de expulsar o aluno através de um Conselho de Escola eleito de forma claramente ilegal, expulsão camuflada como “transferência para o próprio bem do aluno”, que está sofrendo perseguições e represálias há anos dentro da escola. Por favor, atente com muito cuidado a todas as expressões ofensivas e chulas proferidas pelos profissionais atuantes dentro da escola, registradas nos documentos anexos, pois entendemos que o exemplo vem de cima. Como exigir respeito de um aluno, se ele é chamado de “vagabundo” e “moleque” durante anos, tendo sido inclusive informado de que sua expulsão estava sendo “armada”?

A Sra. Cássia nos contatou há alguns meses e a orientamos para que tentasse resolver todos os problemas da forma mais pacífica possível, antes de tomar medidas mais drásticas. Infelizmente, porém, ela não teve qualquer retorno da DE, mesmo ela tendo informado que não estava permitindo a ida de seu filho à escola, por ter sido ameaçado pelo próprio diretor, como consta no relato da reunião de Conselho “armada” para sua expulsão da escola. Ela tentou diversos contatos telefônicos com a Dirigente, Sra. Serli Carvalho Rodrigues, mas nunca foi atendida. Uma única vez conseguiu falar com a supervisora da escola, que disse não poder pronunciar-se oficialmente a respeito. Entendemos que a Diretoria está tentando “varrer o assunto para baixo do tapete”, na esperança de que seja esquecido. Esta omissão é inaceitável, inclusive a mãe está sendo chamada ao Conselho Tutelar, provavelmente a pedido da escola, manobra que conhecemos há muitos anos como uma tentativa de convencer os pais a transferir seus filhos para outra UE.

Além disso, a mãe informa que a escola está tendo de 2 a 3 aulas vagas por dia, já neste segundo semestre, que os alunos são obrigados a ficar no pátio do colégio e às vezes são dispensados. Como se vê nos documentos, essa escola parece utilizar como “instrumento pedagógico” o BO e a ameaça de chamar a Polícia Militar, na tentativa de, talvez, acalmar adolescentes revoltados ou aborrecidos por estarem sem ocupação dentro da escola, em horários que deveriam ser de aula!

Aliás, durante recente audiência no caso da professora autora do BO anexo ao dossiê, a juíza recomendou ao próprio aluno que tomasse cuidado para não ser prejudicado, pois a escola tem o hábito de expulsar irregularmente alunos, sendo que a própria juíza chamaria a atenção do diretor com respeito a essas ilegalidades.

Sr. Ouvidor, esperamos que, finalmente, sejam tomadas algumas providências a partir da própria Secretaria da Educação, pois entendemos que a EE acima citada necessita de urgente intervenção. Quanto à Diretora de Ensino, Profª Serli, sua omissão é inaceitável. Parece-nos que essa escola foge totalmente à orientação dada pelo Sr. Secretário da Educação, no sentido de implementar uma pedagogia de respeito e incentivo ao aluno.

Como sempre declaramos e esclarecemos, somos apenas pais e ex-pais de alunos de escolas públicas, cidadãos que sentem e/ou sentiram na pele a dificuldade de querer que seus filhos freqüentem uma escola igual para todos. Não temos ONG nem estamos atrelados a partidos políticos, nossa única força é o site e o Blog que conseguimos manter no ar com muita dificuldade e que nos permitem contatos com pais e alunos de escolas públicas do País inteiro. Muitos deles, como a Sra. Cássia, nos pedem ajuda e, sempre que possível, procuramos orientar conforme a Lei, para que os problemas possam ser efetivamente resolvidos e não adiados ou complicados. Devido à nossa independência e por sermos, efetivamente, pais de alunos e ex-alunos de escolas públicas, somos muito procurados pela imprensa, inclusive colaboramos com o Caderno de Educação publicado pela Folha de São Paulo no mês de julho. Mas sempre orientamos os pais a procurar a imprensa somente em última hipótese, quando os recursos legais já estiverem totalmente esgotados. Esperamos que, neste caso de Mongaguá, a Sra. Cássia não precise chegar a esse ponto, o que dependerá, principalmente, da agilidade das providências a serem tomadas pela Ouvidoria e/ou Secretaria da Educação, pois a DE já se mostrou completamente omissa. Aliás, seria extremamente desagradável que a Profª Serli entrasse em contato com a Sra. Cássia somente agora, por interferência da Ouvidoria, ou seja, por “espontânea pressão”...

Na esperança de que, finalmente, a Secretaria da Educação procure implementar, na EE Profª Aracy da Silva Freitas, a pedagogia defendida pelo Sr. Secretário Estadual da Educação, ficamos no aguardo de suas notícias. Por favor, não nos decepcione!

E d u c a F ó r u m
Pais, alunos e ex-alunos em defesa da Educação Pública



Giulia Pierro Vera Vaz

www.webamigos.net/educaforum
http://educaforum.blogspot.com

Comentários

Glória disse…
O nosso grande estudioso da educação, Lauro de Oliveira Lima, vem há anos denunciando neste país esta escola absurda. Ele fala da patologia dos "mestres"... Iamginem o perigo que as crianças correm lá onde mais deviam estar protegidas: na escola.
“Jamais se põe em dúvida a competência e integridade dos mestres, dos diretores de escolas, dos supervisores, etc., apesar de o sistema escolar ser um campo propício à manifestação de tendências patológicas. O magistério está repleto de narcisistas e de indivíduos imaturos, para não dizer cheios de raiva, capazes de agredir, até fisicamente, as crianças. “(Lauro de Oliveira Lima)
Anônimo disse…
Minha filha também estuda nesta "escola de faroeste", cursa o último ano do ensino médio, já foi ofendida por profissionais desta, mandando ela "se danar", as aulas vagas são frequentes, fora outras irregularidades, como a cobrança de R$15 reais pela camiseta do uniforme que é "obrigatorio" vendida na secretaria da escola.
Que as autoridades competentes tomem providencias o mais rápido possivel.
Até provas de alunos somem nesta escola!
Principalmente alunos que tem algum tipo de contato com a denuncia desta mãe
Vera Lucia disse…
Esta escola realmente e um lixo gracas a Deus que meu primo foi embora!!!!!!!
Ele nunca utilizou a sala de informatica e a biblioteca, dispensavam ele com apenas 13 anos de idade por nao ter aula - aula vaga - existe uma PANELA formada por professores e direcao e a mafia do uniforme esta cobrando dentro da secretaria da propria escola, o valor de R$ 11,00 a regata e R$ 15,00 camiseta m/m, e minha mae pagou sendo que nao poderia ser exigido e a cobranca e ilegal. Fora inumeras irregularidades, espero que esta mae consiga realmente a justica porque temos que defender o que e nosso, e nao deixar que pessoas incapazes continue trabalhando com o que o Brasil tem de mais valioso - OS JOVENS -
Anônimo disse…
Por que será que lá eles têm tanta aula vaga? Vão embora?
Pelo que vejo, lá deve ser um paraíso (inferno ou similar) que nem os próprios professores aguentam dar aulas. Parece ser um ambiente doente...
Por outro lado, qdo falam da cobrança das camisetas que os alunos devem usar... parece confuso isso. A sociedade é confusa, o aluno é confuso. Minha prima que estuda numa escola da prefeitura de São Paulo, ganha uniforme completo e não quer usar...não quer usar tb o caderno que ganha... então, a gente fica sem compreender o que os pais, os alunos querem.
Minha prima e os alunos da sua turma, me falaram que se fosse um agasalho com "grife" NIKE, eles usariam. Além de tudo, são consumistas. É o fim!!!
Os professores que já não tão aguentando, surtam e fazem besteiras como essas que estamos vendo. Não sei qual será a solução.
Giulia disse…
Anônimo, você quer dizer que dar aula é "padecer no paraíso"?...(como se dizia antigamente das mães?). Olha, o professor responsável e compromissado não passa sua aula reclamando e ofendendo os alunos, nem fazendo besteiras nem muito menos "surtando". Aliás, nenhum profissional competente, em nenhuma profissão, age dessa forma. O que falta, então, para dar uma aula de qualidade em vez de ficar choramingando ou pedindo a ajuda da polícia? Leia a denúncia da professora Cristina Valero, arquivada no mês de junho, e entenda as verdadeiras dificuldades de um bom profissinal do ensino dentro de uma escola pública, devido ao boicote de colegas não qualificados e premiados por sua incompetência. Escolas "de faroeste", são essas que fazem o Brasil perder o bonde da história!
Anônimo disse…
Meu filho estuda nesta escola de faroeste, a Coordenadora Bete me chamou atencao pois meu filho estava a alguns dias entrando no colegio sem o uniforme, dizendo que chamaria o conselho tutelar para ele pois segundo ela o uso do uniforme eh obrigatorio.
Sera que esta funcionaria que esta em um cargo de coordenacao nao sabe da ilegalidade do uso obrigatorio do uniforme, tambem paguei R$15,00 e R$11,00 pelas camisetas vendidas pela propria coordenadora e nem o recibo quiz me fornecer.
Esta coordenadora trata os alunos como cao, os maltrata diariamente.
A denuncia desta Mae do aluno W. eh verdadeira, pois sabemos o que ele e os outros alunos passam, meu filho nao estuda no mesmo periodo que ele mas soube porque usam ele como exemplo para outras criancas, esta maneira de dar exemplos eh terrivel, profissionais da educacao nao usem estes profissionais desta escola como exemplo, a nao ser que seja para nunca cometerem tal atrocidade.
Indignada termino esta denuncia......
Anônimo disse…
Sou aluna do periodo da noite,e confirmo as aulas vagas que sao frequentes, ONDE ESTAO OS PROFESSORES , EU QUERO ESTUDAR!
Os professores dizem que nao querem dar aulas, e dispensam os alunos, quando raramente entra um eventual os professores nao deixam a materia para o eventual ministrar, ficamos na mesma situacao como se este eventual nao estivesse ali ....
Os MESTRES como a professora Andressa Maria Zanelli, que faltam mais do que vao disse que professor tambem tem problemas..... mesmo estando dentro da sala ela nao ministra nada soh fala sobre a vida dela...... ou vive cantando o inspetor de aluno Moacir ....
As avaliacoes desta professora foi uma catastrofe pois nao caiu nada sobre a sua biografia e sim sobre a materia que ela deveria ter lecionado...... vamos esperar a nota galera.........
Essa escola eh um verdadeiro lixo!
E eu quero estudar
Cade as autoridades....
Cade..........
Giulia disse…
Caros "anônimos", cadê vocês?? Quando protocolamos a denúncia na Ouvidoria, nos responderam que não havia outras queixas da mesma escola. É por isso que nada se resolve! Anônimo não existe, gente! Vocês têm que fazer abaixo-assinado e pedir providências na escola. Uma andorinha não faz verão, um cidadão não faz democracia! Se vocês realmente quiserem que sua escola melhore, têm que sair do anonimato e fazer valer seus direitos.

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