Entrevista polêmica!

A nossa amiga Cristina Valero (leia sua denúncia arquivada no mês de junho) nos indicou a leitura de entrevista com o economista Gustavo Ioschpe, publicada na revista IstoÉ. Trata-se de uma visão de como a política educacional brasileira privilegia a elite e prejudica o resto da população, a ponto de comprometer o desenvolvimento de todo o País, que está "perdendo o bonde da história". Todo ano, milhões de jovens não conseguem completar o ensino básico, enquanto os filhos da classe média alta recebem um carro de presente ao passarem no vestibular das universidades públicas, como reconhecimento da família pela economia durante os anos de faculdade... Esta seria, de acordo com o entrevistado, a maior prova da desigualdade promovida pelo sistema educacional. Algumas colocações do entrevistado são bastante polêmicas e convidam à reflexão. Confira a entrevista no site da IstoÉ www.terra.com.br/istoe/ edição nº 1877, de 05/10. O título é EDUCAÇÃO E DESIGUALDADE.

Comentários

Glória disse…
Excelente a entrevista com Gustavo Ioschpe. É animador a gente saber que ainda tem gente questionando a nossa educação. Pena que, como sempre, isso não é visível na imprensa.
"Os professores da rede pública falham em testes básicos de competência pedagógica. Mas eles se recusam a admitir essa ignorância", disse ele numa outra entrevista. Pensar que temos tanto caminho pela frente para acontecer alguma mudança...
Pais Online disse…
Concordo plenamente, Gloria, é coisa rara ver opiniões tão lúcidas expostas por pessoa tão jovem (28 anos)até parece um de nós...hehehe. Gostei especialmente desse trecho:
Ioschpe – Na área de educação, o que é de esquerda, na verdade, é de direita e o que é de direita, na verdade, é de esquerda. Ou seja, a elite intelectual de esquerda defende programa educacional que é concentracionista, elitizante e que privilegia o aumento da desigualdade de renda. As pessoas fazem de conta que não há uma ligação entre dinheiro gasto em uma universidade e dinheiro gasto no ensino básico. Mas recurso público é um só, vem todo dos impostos. Historicamente, seja qual for a tendência ideológica, governos privilegiam os níveis educacionais que favorecem a elite (a universidade pública), já que é onde está o poder político e econômico. Por isso, a solução da questão educacional tem de ser uma iniciativa da sociedade.
bjs para vc, Giulia e Vera
Giulia disse…
Olá, Caroline, que bom você por aqui! Realmente, somos ETs nadando contra uma maré que tentou nos afogar durante anos e anos, mas não conseguiu. Nossos filhos conseguiram "se formar", ou melhor, suportar uma escola pública que lhes ofereceu, no mínimo, muitos desafios. O maior de todos, na minha opinião, foi o de sentir na pele, anos a fio, o descaso e o desprezo de autoridades e "profissionais da educação" sem qualquer compromisso com eles, alunos. Mas não me arrependo: no mínimo eles aprenderam a conhecer o país onde vivem, a reconhecer a hipocrisia do discurso vazio, a enfrentar a arrogância de professores e diretores incompetentes. É essa geração que poderá começar a mudança, a partir do que vivenciou. O que surpreende no Gustavo Ioschpe é a consciência de uma situação que não sentiu na pele, enquanto filho da classe privilegiada. Mas o que ele com certeza não pode adivinhar é a forma mesquinha e vil com que são tratados os alunos mais carentes da rede pública. Os nossos filhos, de alguma forma - talvez até pelo medo da repercussão na imprensa - nós conseguimos proteger, mas quantos alunos não ficam abandonados à própria sorte! Isso, só vivendo o dia-a-dia da rede pública para saber, pois o assunto continua tabu. Um grande beijo também ao Robert. Apareça sempre!