São Paulo é o campeão

Estudo do IBGE mostra que o Estado de São Paulo tinha, em 2004, 2,7 milhões de crianças e adolescentes fora da escola, de um total de 11,9 milhões. Isto representa QUASE UM QUARTO da infância e juventude do maior e mais rico Estado do País, que é também o campeão da evasão escolar.

A pesquisa, divulgada hoje pelo Diário de São Paulo, revela que quase metade dos fora-da-escola estariam na rua "por vontade própria ou da família". Ora, ora, ora! Não será mais agradável ficar chafurdando nos córregos das favelas do que agüentar um professor histérico que chama o aluno de burro ou "bicha", como na "famosa" EE Octacílio de Carvalho Lopes?...

Parabéns aos sucessivos governos do Estado e municipais, responsáveis por essa calamidade que vem de longe, desde que íamos chacoalhando no carro do saudoso Diário Popular, da Band ou da TV Cultura, visitar as favelas da Freguesia, do Morro Grande ou do Grajaú, reparando em crianças e adolescentes expulsos ou abandonados pela escola e sem qualquer saudade para voltar. É um fato: se houver vontade política para colocar e manter a criança e o jovem dentro da escola, eles irão e permanecerão. Essa vontade política começa na Secretaria da Educação, tornando a escola um ambiente digno, limpo, acolhedor e bem equipado, suprindo as eventuais faltas de material do aluno, e termina no professor, que pode ser o responsável direto pela desistência ou expulsão do aluno.

O que será feito dessa pesquisa? Quem vai analisar esses dados? Alguém está interessado nisso?

Comentários

Sylvia disse…
Ha, ha, imagino quantas vezes o secretário estadual da educação foi visitar as escolas da rede pra ver como funcionam! É claro que ele voi visitar só as escolas modelos, e ainda por cima as diretoras devem ter deixado tudo brilhando pra chegada do secretário. E os alunos sem uniforme elas já vão jogando pra fora da escola, então ele não deve ter visto nenhum. É isso mesmo, seu Creysson, sua candidatura tá apoiada!
Vera Vaz disse…
Assustador!
Glória disse…
Essas pesquisas são viciadas até pela incapacidade dos entrevistados de enxergar a realidade da escola e ousar questioná-la. Quem vai tocar na "instituiçao sagrada"?