A "Anta do Ano"




Inspirados em nosso amigo Serjão, que instituiu o impagável Bundão da Semana http://serjaocomentadoceu.blogspot.com, resolvemos criar a Anta do Ano, na educação, é claro. Do ano, porque infelizmente educação é assunto de menos importância na imprensa brasileira. Mesmo assim, nas poucas entrevistas concedidas, as autoridades “competentes” se saem com cada uma!!!...

A Anta do Ano (mesmo estando apenas no meio!) é certamente Carmem Vitória Annunziato, Secretária Adjunta da Educação do Estado de São Paulo, que declarou ao SPTV, em 28 de junho, o seguinte: para resolver o problema da falta de vagas em São Paulo, o ideal era que as escolas tivessem rodinhas, porque em algumas regiões existem escolas praticamente vazias, ociosas, e nós não podemos pegar estas crianças e transportar para lá.

Deu pra entender por que apoiamos a nomeação do Seu Creysson a Ministro da Educação?...

Vamos lá, Dona Carmem: a senhora caiu de paraquedas na Secretaria, portanto não sabe e provavelmente não quer saber tudo o que já foi proposto pela comunidade para resolver o problema de falta de vagas em São Paulo, extremamente grave, porque até hoje os pais de alunos não recebem sequer um comprovante ao solicitarem matrícula para seus filhos. O que mais eles ouvem é: “Não tem vaga. Talvez mês que vem, se houver alguma desistência”. Transparência zero! É muito fácil para os diretores de escola manipular os dados: tem vaga, sim, para quem eles querem! Aliás, todos sabemos que vereadores e políticos em geral têm prioridade na matrícula dos filhos de seus cabos eleitorais...

Quanto às escolas “terem rodinhas”, a Secretária nunca ouviu falar em transporte escolar? Um método barato e muito civilizado.

A Secretária também coloca que as Secretarias de Educação Estadual e Municipal de São Paulo estão sentadas em conjunto para estudar o problema da falta de vagas, numa “parceria inédita”. Demorou!! Já no ano de 1999 (século passado, hein?), nós sentamos em reunião aberta e gravada da Comissão de Educação da Câmara Municipal com representantes das duas Secretarias e com diretores da PRODAM e da PRODESP para discutir a matrícula unificada das escolas municipais e estaduais, a fim de garantir que os pais pudessem finalmente comprovar sua procura de vagas e obter a matrícula para seus filhos. Sentindo que havíamos sentado em vão com aqueles “parceiros”, no dia 03/02/2000 o Fórum Municipal de Educação encaminhou a todos os Deputados e Vereadores das Comissões de Educação da Assembléia Legislativa e da Câmara Municipal o documento postado hoje em nossa seção de “Textos”, alertando para o caos futuro e pedindo providências imediatas para amenizar a situação. Também foi em vão!

Hoje, as Secretarias de Educação do Estado e do Município de SP têm a ousadia de gabar-se de ter conseguido maior inclusão escolar! Mentira deslavada e perversa, já que não há transparência nos dados. A Secretaria Estadual da Educação não merece qualquer desculpa, pois está “no poder” há doze anos!! Tivemos que amargar a Dona Rose e seu fiel escudeiro Hubert Alquères, depois o “Bonitinho mas Ordinário” e agora, em fim de feira, a Dona Carmem, que resolveu "sentar" com a Secretaria Municipal da Educação para...construir novas escolas com rodinhas!

Quanto às escolas ociosas, saiba o paulista que, nesses doze anos de “governo”, a Secretaria Estadual da Educação fechou mais de 200 escolas por “falta de rodinhas”, entre outras, aquela onde meus filhos estudaram...

Pais da anta:
Os Governadores do Estado de São Paulo, todos os Secretários e Secretários Adjuntos da SEE, inclusive os Deputados da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa, que deixaram São Paulo se tornar o campeão da exclusão escolar no Brasil e lotaram as Febens de garotos sem futuro.

Filhotes da anta: (e da ditadura!)
Todos os Supervisores de Ensino e Diretores das escolas do Estado de São Paulo, que não dão entrevista para a imprensa, por ordem expressa da Secretaria, desde que nós iniciamos este trabalho, em 1990.

Comentários

Glória disse…
Que vergonha, gente!!! E depois as crianças e os pais é que são "culpados" pelo fracasso da educação... é o que mais ouço nas escolas.
Vera Vaz disse…
Vixe, Giulia, eles falam pouco mas quando falam nos dão muitos candidatos a "Anta"... Acho que até "Anta diária" seria fácil encontrar na Educação... Imagine semanal... Tem de montão...
Serjão disse…
Oi Giulia; Obrigado pela citação. Mas a minha comenda é uma coisa meio de brincadeira. A sua é muito mais séria. A declaração é lamentável, inconcebível e mostra toda a incompetência e insensibilidade de uma burocrata no exercício de sua função. Eu não estou muito a par. Mas eu soube que aqui no Rio este problema se não foi resolvido pelo menos foi minorizado por uma central telefônica de vagas que fazia uma pre-matricula e regulava o processo. Isso depois do triste episódio do estupro de mães que passavam a noite na porta de uma escola para matricular os filhos. Claro que o advento do Rio card, que possibilita o tranporte gratuito de alunos da rede pública em ônibus urbanos, contribuiu para diminuir a insatisfação daqueles que não foram contemplados com a escola de preferência. Claro que a tranparência desta processo é nenhuma e deve ter muito apadrinhamento. Mas pelo menos não vejo, como antes, uma insatisfação generalizada, pelo menos no noticiário. Pergunto: Existe algo parecido com o RIOCARD aí em São paulo? Um abração
Giulia disse…
Vera, sua anta ficou o máximo, você é mesmo uma artista! Da minha parte, chega de antas por este ano, a não ser que alguém se habilite. Fiquei com muita raiva daquela conversa da escola sem rodinhas, porque escuto isso há anos e anos. É a escola sem rodinhas, é a educação que já vem de casa, é a laranja podre que contamina as outras... Essas antas burocráticas nem ao menos se preocupam em mudar o estilo, já que o conteúdo a gente já sabe qual é. Agora, você, Serjão, não acredita como repercutiu por aqui aquela história das mães estupradas na fila da matrícula. Será que é só assim que esses burocratas tiram a bunda da cadeira e resolvem fazer alguma coisa?
Giulia disse…
Serjão, é muito importante esta troca de informações entre municípios e estados diferentes. Até pouco tempo atrás, por exemplo, eu não sabia dessa história do Riocard. Quem me contou foram os pais do Pedro II, porque aqui em Sampa a gente sempre batalhou pelo passe grátis, pelo menos para os alunos do noturno, aqueles que trabalham de dia e correm à noite para a escola, na maioria das vezes com fome, porque merenda para o período noturno também não tem. São Paulo é um estado "rico" (metido a besta) e elitista. O aluno do Ensino Médio que estiver trabalhando de dia passa um sufoco para terminar os estudos, o que aliás não é de interesse de ninguém além dele próprio. Nas maioria dos casos ele não encontra vaga perto do trabalho e é obrigado a tomar ônibus, pagando a metade da tarifa - é o passe escolar, que aqui em Sampa custa R$ 2,00 ida e volta. Geralmente chega na escola atrasado e as antas burocráticas não deixam ele entrar depois de dez minutos, pois isto "faz parte da educação", é claro. Você leu Falcão - Meninos do Tráfico? Todo mundo deveria ler para entender o que se passa neste Brasil e discutir mais profundamente a questão da educação. As pessoas falam muito da boca pra fora, sem conhecimento de causa e também não vão atrás de informação. Em Leopoldina, por exemplo, soubemos pela Glória que o passe escolar é grátis, mas ele é "regulado" de acordo com interesses escusos e em certos casos acaba indo para alunos da rede particular... Sempre peço que as pessoas nos informem sobre a realidade escolar de outros municípios ou estados, mas é difícil aparecer notícias. Inclusive não dá pra acreditar no que a imprensa divulga. Veja Leopoldina, por exemplo: o prefeito pode se gabar de dar o passe grátis, mas aí ninguém fica sabendo dos bastidores. O grande problema, a meu ver, é a inexistência de padrões em nível nacional, que sejam mantidos apesar daquele jogo de governo-entra-governo-sai. O que mantém o sistema perverso e excludente que está aí é justamente essa falta de continuidade dos bons projetos. O Brasil ainda não é uma nação, do ponto de vista da educação.
TAIS disse…
Preciso saber se há alguma lei que proibe a matricula de criança em município que não seja onde esta reside.
ex:
as escolas da Cidade de Carapicuíba tem um ensino precário, já as de Barueri tem qualidade que pode ser equiparada a de um a escola particular, mesmo sendo pública, porém não consigo matricular meu filho em uma escola pública de Barueri, pelo motivo de não residir em nesta cidade.Seria isto correto, sendo que os recursos para educação pública são fornecidos por impostos e educação é direito de todos.