Diálogo de surdos no JN


Nosso amigo Serjão http://serjaocomentadoceu.blogspot.com elogia o EducaFórum como “pauteiro” do Jornal Nacional, na entrevista do “casal telejornal” com o candidato Alckmin. Ê, caro Serjão, até parece que alguém nos ouve... Ainda não foi dessa vez que algum assunto sobre Educação mereceu competência e transparência na mídia nacional! Os entrevistadores pisaram bem no tomate seco (que é mais escorregadio) e o candidato ficou com seu nariz meio metro mais comprido. Explico:

Como você bem leu em nosso post Provar o quê?, de 11/07, o Estado de São Paulo tirou o seu da reta ao não participar da Prova Brasil, deixando todo o vexame para a Rede Municipal. A Fatinha devia estar com a cabeça no affair das roupitchas da Dona Lu, ao mencionar os maus resultados das escolas (municipais?!). Mas tudo bem, são apenas “detalhes”. O candidato aproveitou o escorregão e se saiu com essa: mas o Estado de São Paulo está em primeiro lugar no Saeb... Bela mentira! Mesmo que fosse verdade, o Saeb é uma prova feita por amostragem, bem diferente da Prova Brasil (da qual a rede estadual se safou) e do Saresp, cujos resultados por escola o Estado até hoje nunca quis divulgar. Aliás, uma excelente perguntinha para algum jornalista competente fazer ao candidato ex-governador: por que o site da Secretaria Estadual da Educação tem a maioria das páginas bloqueadas ao internauta “não-docente” da rede? Procure entrar lá para ver!

Moral da história: Saeb, Saresp, Anresc, Aneb, quanto palavrão, hein?... Para quê? Claro, é pra confundir e engambelar o cidadão, mas essas siglas deveriam ser compreendidas pela mídia, a fim de alertar o eleitor quando está sendo feito de palhaço. Confira a incompetência do “casal telejornal” e a mentira do Pinóquio no post “JN está reprovado no Saeb e na Prova Brasil”, publicado por Mauro Alves da Silva em
http://cremilda.blig.ig.com.br.

Uma última colocação sobre política educacional: os projetos melhor avaliados em nível nacional, como Apucarana (PR), Sertãozinho (SP) e Pernambuco são de período integral e custam por aluno entre R$ 140,00 e 180,00/mês. O pior projeto “educacional” do Brasil é em regime de internato e custa por “aluno” R$ 1.700,00/mês (adivinhou qual?). Algum jornalista especializado em economia está disposto a estudar esses números?...

Comentários

Serjão disse…
Oi Giulia. Sou muito fan deste Blog e é sempre um prazer referenciá-lo. Acho que a resposta do Alckmim sobre o questionamento do Prova Brasil pareceu coisa decorada. Um sujeito que não está muito a par das coisas, Pareceu que algum Aspone soprou a resposta; Mas estou intrigado com a baixa receptividade de Cristóvão Buarque, um educador respeitável. Tenho notado que recentemente os educadores não têm tido votações expressivas nas eleições majoritárias. Pode ser coincidência. Mas existem algumas características dos educadores que podem estar impedindo votações expressivas. Qualquer hora abordo isso.
Um abração
Giulia disse…
Serjão, te mandei o texto integral da entrevista, para você ler nas entrelinhas desse verdadeiro "diálogo de surdos". Político não responde exatamente ao que ouviu, acho que nem escuta direito, ele faz uma miscelânea do que a assessoria dele recomendou falar antes da entrevista ou do debate. São palavras-chaves, frases soltas, "impactantes". Os jornalistas também não vão atrás de minúcias, né, que isso dá muito trabalho e muito menos ibope.
Pois é, a classe política é tão uma "lesma lerda" (rápida só em obter privilégios para si própria), que causam estranheza políticos como Cristóvam Buarque ou Fernando Gabeira, falando coisas simples, lógicas e prementes. Políticos que já assumiram posturas corajosas: podemos contá-los nas pontas de quantos dedos? Alguém consegue vê-los numa presidência da república? Com o apoio de quem?... De uma "crasse politiqueira" viciada em privilégios? De uma população que ainda também prefere privilégios para si e para sua própria família? Que não enxerga seus próprios filhos, presos atrás de grades domésticas e ameaçados por jovens da mesma idade, expulsos da escola para a marginalidade?... Quanto à classe docente, no Brasil, é a mais reacionária, acomodada em privilégios há décadas. E a menos interessada numa educação pública de qualidade, já que seus filhos estudam na rede particular.