
Nesta nova onda da eterna discussão sobre repetência e progressão continuada, uma questão que estaria encerrada há anos, não fossem a incompetência e a preguiça de nossos políticos e educadores, encontrei em nosso "baú de casos" uma atualíssima carta de 2002, recebida de Alcione, uma mãe de Contagem, MG. Ela conta sobre a implementação da progressão continuada na escola de seu filho, que foi aluno da nossa amiga "Professora Maluquinha". O relato mostra que, quando o professor é competente e compromissado, o método funciona. Aliás, aqui em Sampa o Paulo Freire implantou a progressão continuada já em 1989 e funcionava tão bem que nem o Paulo Maluf conseguiu acabar com o método! Hoje, políticos ainda mais rasteiros querem praticar a dança do caranguejo.
Alcione nos dá uma visão da educação linda e solar, lembrando a origem da palavra escola, que vem do grego e significa "lugar de lazer"...
10/07/2002
Tenho um filho numa escola pública aqui de Contagem, Minas Gerais. Gostaria de falar sobre uma professora do meu filho que é um luxo de profissional. É a Rosemeire, e aqui nas escolas pelas quais passou é conhecida como Professora Maluquinha, apelido carinhoso dado por um de seus alunos em ocasião da leitura do livro com o mesmo título, do Ziraldo. O site com o mesmo nome ela criou para nos ajudar nas pesquisas de nossos filhos. Aliás, gostaria de divulgar o site dela, pois penso que poderia ajudar pais de outras cidades. O endereço é www.professoramaluquinha.hpg.com.br. Rosemeire leciona Ciências e, como sempre estou "dentro" da escola, vejo que o trabalho dela é realmente diferente, o tratamento com os alunos (e os pais dos alunos, principalmente!) é de respeito e solidariedade e ainda por cima nos orienta muito no que diz respeito aos nossos direitos dentro da escola. Ela está sempre ao lado dos pais na busca por uma escola pública de qualidade, porque inclusive ela tem filhos numa escola municipal aqui de Contagem. Quanto a mim, sou Socióloga, viúva e crio meu filho no papel de pai e mãe. Luiz tem 10 anos e é uma criança politizada que também sabe que precisa lutar pelos seus direitos. Pela profissão que tenho, poderia folgadamente colocá-lo numa escola particular, mas acredito que não é bem por aí. Não concordo com aquelas pessoas que pregam uma coisa e fazem e agem de uma outra forma. Acredito, sim, na escola pública livre, dinâmica, autônoma e consciente de seus deveres para com a sociedade de um modo geral. Um dos assuntos que eu acho importante discutir é a progressão continuada, porque estou envolvida nela até os cabelos, pois na escola do meu filho é esse o sistema implantado (não só lá como em todas as escolas de MG). A princípio penamos um pouco e ainda temos muitas dúvidas a respeito do assunto, mas, hoje, tenho a convicção de que, apesar de tantos problemas, ainda é o melhor modelo para nossos filhos. O que falta realmente é seriedade por parte de alguns professores e principalmente por parte de nossos administradores públicos. Além da clareza que os pais precisam ter para estarem juntos, entendendo e articulando meios de tornar o ciclo e, por conseguinte, a progressão continuada, uma verdade viável e que dê certo. Quero ressaltar também que, falar em futuro da escola e da educação não é fazer futurologia. Trata-se de, à luz da história anterior da educação, antever os próximos passos associando as teorias pedagógicas à prática educacional. Precisamos, todos nós, entender que a educação no Brasil deve tornar-se um instrumento de luta e emancipação. Precisamos sim, não apenas de uma escola única e uniformizadora, mas uma escola onde a pedagogia da imaginação venha somar e não dividir, como tem acontecido. Escola significa "lazer", "alegria" e esse é o ideal da escola, a alegria de construir o saber elaborado, superando o conteudismo e o politicismo, uma escola oniforme (não uniforme) onde o ensino não se confunda com o consumo de idéias. Contem comigo para brigar pelo direito dos nossos filhos. Afinal, sem eles não há escola, não é verdade?
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