
Candidato preocupado com a educação se vê pelo seu discurso. Se ele repetir os
chavões de sempre, já mostrou que não tem compromisso. Mas a maior decepção é quando revela total desconhecimento do assunto. No debate de ontem na Band, o Geraldo e o Lula escorregaram na casca da mesma banana, semquererquerendo.
O assunto é a Prova Brasil, que avalia os alunos das quartas e oitavas séries do Ensino Fundamental. Ela foi realizada em novembro de 2005 em todo o território nacional e ainda está sendo avaliada, pois sabe como é o Brasil... Mas não foi essa a questão. O problema é que o Estado de São Paulo foi o único que se negou a participar e o Lula perguntou ao Geraldo o motivo. O Geraldo, que já havia confundido a Prova Brasil com o Saeb quando foi entrevistado pelo Casal Telejornal, desta vez a confundiu com o Enem, a prova de conclusão do Ensino Médio!!! E fez todo um discurso atrapalhado de que o Enem é facultativo e blá-blá-blá. O Lula começou sua resposta dizendo que não precisava ficar nervoso... Pensei: é agora!...
Agora nada!!! O Lula deixou passar batido. Ele deve ter ficado nervoso também (Pô: me passaram a informação errada...).
Moral da história: continuamos no mato sem cachorro!
E, definitivamente, o nível dos debates eleitorais continua abaixo do sofrível.
Por isso continuo a apostar no Seu Creysson para
Minístrio da Educaçônia Anaufabética. (Com ele, do chão não passa!)
Mais sobre a Prova Brasil em nossos posts anteriores
Diálogo de surdos no JN, de 09/08 e Provar o quê?, de 11/07.
Comentários
abraços
Rodrigo
ps: colei o texto e agora citei você no meu blog.
É sempre um prazer estar por aqui e emito agora a opinião que vc pediu. Primeiramente eu digo que estou muito à vontade para escrever o que escreverei pq eu detestava o Brizola em Gênero, número e grau. Era um bosta de um socialista e eu não suporto este tipo de político. Mas o fato é que os CIEPs, para a realidade do Rio de Janeiro onde quase metade da população é favelada, era um projeto interessante e eu lamento que não tenha dado certo. Idealizado por Darci Ribeiro (outro socialistoide), o projeto pretendia a instalação de Colégios por todo o estado do Rio que funcionariam em tempo integral com o fornecimento de 3 refeições diárias aos alunos. Metade da carga horária seria destinada ao conteúdo tradicional enquanto à outra metade seria ocupada com atividades tipo curso de inglês, atividades artísticas, esportivas entre outras. No projeto, também estava prevista a lotação de profissionais de saúde como médicos, dentistas e nutricionistas para dar suporte aos alunos. Lembro que houve um grande interesse dos profissionais de educação em aderirem ao projeto já que a remuneração era acima da média das escolas tradicionais. Em resumo, um projeto que pretendia não só a melhora da educação como também a atenuação da dívida social já que fixando as crianças na escola, elas não têm a oportunidade de cair na vida errada.
Por que não deu certo:
1) Era um projeto caro. Como vc viu eram muitas atividade para o estado bancar. Logo, Brizola passou praticamente o seu governo fazendo CIEPs e esqueceu o resto do estado. Este período foi um divisor de águas em termos de segurança pública. Depois de Brizola a segurança neste estado nunca mais foi a mesma.
2) Na área pública, quase sempre a execução é diferente do planejamento por mais este seja sério. Se uma Professora de Artes entra de licença hoje (e elas são freqüentes na área pública) só aparece outra daqui dois meses. E isso serve para tudo inclusive para a merenda das crianças; A velha burocracia que vc conhece.
3) Brizola não elegeu o sucessor. Darci Ribeiro perdeu a eleição para Moreira Franco que simplesmente abandonou o projeto que só tinha 4 anos, insuficientes para uma avaliação. Não querendo botar a azeitona na empada de Brizola, Moreira não só abandonou como não deu nenhuma alternativa.
No meu mundo ideal, onde as famílias são bem estruturadas, as crianças são bem alimentadas, os valores são bem consolidados eu também não conceberia um CIEP. Mas no contexto fluminense penso que seria um ator importante para a educação dos mais pobres, principalmente. Recentemente, O Globo fez uma reportagem excelente quando conseguiu rastrear os alunos da primeira turma de um CIEP no Catete. Acho dos alunos nenhum conseguiu chegar à universidade (sinceramente não me lembro bem), Infelizmente o resultado profissional foi bem aquém do esperado. Mas não me admira. Mesmo se os CIEPS estivessem funcionando em ponto de bala, sem crescimento econômico não adianta nada. Uma boa escola não é solução para nada em termos coletivos sem a abertura de oportunidades.
É isso. Tomara que vc fique satisfeita. Um abração.
Sobre o debate: Giulia, eu achava mesmo que não ia mudar nada. A maioria dos eleitores estava ligada no Fantástico... Infelizmente.
Um abraço
- "Mesmo com dinheiro na cueca, mesmo com mensalão e sanguessuga, eu voto no Lula. Mesmo com tudo isto eu voto nele sempre...".
É assim que pensa a maioria dos eleitores brasieiros. Getúlio foi ditador absoluto de 30 a 45, e foi eleito em 1950! Acho que o nosso povo está pouco se importando com as bobagens que dizem os candidatos.
Independente disso, é muito bom ouvir de pessoas "experts" no assunto - como é o seu caso - explicações claras sobre aquilo que os candidatos só conseguiram enrolar.
O meu obrigado feliz por ter descoberto um blog tão inteligente, onde só tenho a aprender. E opinar de vez em quando... claro
Um abraço
Empresário petista: ja falei, nada de lição de moral! O Serjão é um cara espontâneo, gente boa, que fala o que pensa. Tem outros, por aí, que guardam o veneno e o soltam de forma muito mais perigosa. Você prefere a hipocrisia? Aliás, qual é seu nome?...
Quem sabe assim vc entenda porque "apesar de.." vamos votar no Lula.
O velho e lúcido Boal dá seu recado..............bjos a todos.
Meu caro Albert Einstein
Estava eu lendo um dos seus livros - sim, acontece... - quando tropecei nesta bela frase: "O mundo é um lugar perigoso para se viver; não porque existam pessoas más, mas porque, aquelas que não são más, não fazem nada contra a maldade!"
Acho que você exagerou nessa divisão de bom e mau que, aqui no Brasil, soa um pouco maniqueísta, mas compreendemos que você se expresse melhor quando fala de Ciência do que de temas mais complexos como a política brasileira, por exemplo - ninguém é perfeito.
Muitos de nós, bons, fazemos alguma coisa; alguns, até mais do que imaginávamos ser capazes. Isto posto, temos que admitir que este Outubro será longo, intenso, e terá, no seu bojo, 48 meses.
Para evitar 48 meses de tristezas e desastres, temos que trabalhar duro nestas três semanas para dizer, querido Einstein, que você pode entender muito de Física - Quântica ou não - mas, de brasileiros, entendemos nós.
Somos, na maioria, gente boa: nossas vidas, e nossos fichários no Dops e noutras organizações do Terrorismo de Estado, atestam e confirmam. Somos bons, mas o que significa ser bom ou mau nestas eleições?
É sabido que muitos eleitores votam em si mesmos, isto é, votam nos candidatos dos quais algum benefício recebem, seja uma dentadura postiça - como suas consciências, postiças e à venda -, ou um cargo em algum órgão oficial. Nem todos são maus, alguns são desesperados, poucos são recuperáveis.
Muitos há que votam mal porque acreditam que a mídia seja imparcial e justa, não percebem as manipulações feitas pelos entrevistadores nos programas de debates e nas manchetes dos jornais. São bons... E votam mal. Eu sei, tudo é relativo, meu caro, mas pode-se votar mal sendo-se bom?
Ser bom é votar a favor da população como um todo, incluindo carentes: em uma Sociedade, somos todos Sócios! Não devemos buscar apenas o próprio ganho, dentadura ou cargo, mas o bem coletivo.
Ser bom é votar em brasileiros e não nas corporações multinacionais e seus coadjuvantes nativos; votar na Independência e Vida! E não entregar seu voto aos países hegemônicos que governam o mundo pela violência militar, econômica e mediática!
Ser bom é votar naquele que criou a Bolsa Família que tirou 11 milhões de famílias brasileiras da miséria absoluta e da fome; não se trata de dar esmola, mas de exigir crianças na escola, vacinação e trabalho.
Ser bom é votar naquele que recusou a tutela estrangeira da Alca, e desenvolveu laços comerciais e culturais com os países irmãos do Mercosul, África e Ásia, sem deixar de consolidar os que já existiam com outros países do mundo;
Ser bom é votar naquele que teve altos e baixos nesta primeira Presidência: baixou a inflação de 14 para menos de 3%, alteou o salário mínimo de 50 para o equivalente a 150 dólares. Ser bom é votar naquele que criou mais de 500 Pontos de Cultura no Brasil inteiro, apoiando democraticamente embriões culturais que já existiam, jamais impondo um modelo único.
Ser bom é votar no governo que, através da Polícia Federal, prendeu, em três anos e meio, mais quadrilhas de colarinho branco do que todos os governantes anteriores, desde Pedro Álvares Cabral, cortando inclusive na própria carne do partido que fundou. Fala-se pouco disso, mas devemos lembrar que os escândalos que estão vindo à tona foram descobertos pela PF, que é parte do Estado administrado por este governo - o governo que revelou o crime não pode ser acusado de criminoso.
Ser mau, muito mau, horrendo, é votar em quem aplaudiu a privatização das nossas galinhas dos ovos de ouro, prata e bronze, Usiminas, Vale do Rio Doce, Embratel, Telebrás... Ser mau é votar em quem ameaça privatizar a Petrobrás, Banco do Brasil, Correios, a terra e o ar, o céu e o mar... Isto não é "ouvi dizer": é entrevista que o candidato adversário deu ao Globo no dia 15 de Janeiro. Este insalubre, malsão e malvado desígnio foi obliquamente reiterado na pg. 9 do Globo de 8 de Outubro, pela manhã, e negado à noite na TV. Como acreditar que um candidato pretenda fazer algo contrário ao que fizeram seus partidos quando no poder?
Ser mau é votar em quem bloqueou mais de 60 CPIs na Assembléia Estadual, permitiu o florescimento de PCCs, e ameaça uma reforma da Previdência (Globo, idem, ibidem). Alguém que vive usando palavras vazias como “choques de gestão”, como se fosse programa de governo: palavras polissêmicas que permitem qualquer interpretação, a torto e a direito.
Temos três semanas para convencer os bons que votaram mal, a votarem certo e bem - Lula, 13! - e não outro número, como alguns safados andaram espalhando em santinhos pelo Nordeste. Este é o conselho que você nos dá, meu caro Einstein: agir e reagir . Sim, somos capazes! Estamos em campo!
O combate político não se faz apenas mostrando o certo e execrando o torto: faz-se pela pressão na rua e em casa, no trabalho e no lazer, em toda parte, inclusive na Internet que, no seu tempo, caríssimo Albert, não existia. Nem sei como você conseguiu descobrir que a luz faz curvas, sem o auxílio de PC ou MacIntosh.
Temos que pressionar o governo para continuar fazendo o bem que está fazendo, e a Reforma Agrária, ainda esquecida.
Lembrando a História recente: o mal da nossa esquerda sempre foi a sua suicida fragmentação. Claro que temos que nos juntar ou separar segundo nossas opções ideológicas, e defender, sem renúncias, nossas idéias! Nos momentos decisivos, porém, temos que nos unir diante do adversário compacto. Por maiores que sejam as diferenças, temos em comum o mais importante: queremos um país que pense e aja por si mesmo, sem cabresto.
A partir de 64, formaram-se tantas siglas combatentes, tantas divisões e dissidências, dissidências das divisões e divisões das dissidências, tantas estratégias corretas que, por serem tantas, estavam todas erradas. Eu não quero cometer o mesmo erro porque me lembro das suas nefastas conseqüências, físicas e morais.
Votar nulo é votar no pior - isto não é opinião, é matemática! Albert, meu amigo, você tinha razão: sempre haverá gente ruim. Mas ninguém pode dizer que ser “bom” é ficar quieto, calado, enquanto o Brasil decide se continuará soberano ou se vamos ter, outra vez, que pedir a benção ao Enxofre.
Caro Albert, obrigado pela inspiração póstuma que você nos deu - sempre é tempo. Você é um gênio mesmo: eu já sabia disso, mas agora ficou provado!
Bom descanso, enquanto eu acabo de ler o seu livro. Está bastante bom, sabe? Tem uma coisinha aqui, outra ali que talvez não seja bem assim como você pensa, mas, globalmente... Desculpe: a gente conversa depois das eleições. Vamos trabalhar!
Parabéns, sinceros e eloqüentes.
Augusto Boal