
Nosso amigo Serjão enviou o link http://oglobo.globo.com/educacao/mat/2006/11/07/286566020.asp, com matéria de O Globo informando que as escolas privadas do Rio “perdem” alunos do ensino médio para a rede pública.
Mais uma vez a mídia coloca o “problema” como sendo uma questão de poder aquisitivo: “Sem escolha, os jovens tiveram que trocar de colégio por falta de dinheiro”.
Como costumo dizer desde o início dos anos 90 (fui inclusive “copiada” pelo meu xará Júlio Groppa Aquino, hehe), a divisão do ensino brasileiro em rede pública e particular é o mais eficaz instrumento de manutenção das distâncias sociais. Então eu não me canso de falar: enquanto os formadores de opinião – empresários, profissionais liberais, artistas e, óbvio, professores – matricularem seus filhos na rede pública apenas por falta de $ e entenderem que os estão enviando para o patíbulo, a educação neste País não vai melhorar. Trata-se de um “apartheid consensual”, outra expressão que estou forjando aqui (mas não vou me dar ao trabalho de registrá-la, hehe, inclusive porque adoooro ser copiada...).
Mas existe uma antiga colocação minha que ainda costuma ser levada como uma "bordoada" pela maioria das pessoas: acredito que a democracia neste País só estará consolidada no dia em que a patroa não se incomodar de matricular seus filhos na mesma escola onde estudam aqueles da empregada. É ver para crer!
Quanto à qualidade do ensino, sinto informar que é praticamente a mesma nas duas redes, salvo naquelas escolas “de elite” que somam um por cento do total e que adestram seus alunos na arte da competição top de linha, para formar a cúpula que mantém o status quo per saecula saeculorum, amen. É pra isso que nessas escolas se estuda latim, cara pálida!
Comentários
"Ao que vai chegar" (06/01/2004)
“Escola pública é lugar onde o filho chora e a mãe não ouve nem vê” (Cremilda Estella Teixeira)
A cada 4 ou 5 anos, a crise econômica obriga milhares de alunos da classe média a migrarem para as escolas públicas. Para os “marinheiros de primeira viagem”, o COEP apresenta algumas regras que vigoram nestes autênticos sistemas feudais da Idade Média:
1. Não acredite na existência de “350 Escolas Modelos”. Esta “propaganda enganosa” é feita pela própria corporação. Elas são consideradas "modelos" mais pela "exclusão" de alunos do que pela proposta educacional ou pelo respeito aos alunos. Note-se que o próprio secretario de Educação reconhece que 20% das escolas são ruins. 1200 escolas!
Leia na íntegra:
http://www.geocities.com/coepdeolho/COE00104.htm
S. Paulo, 09/11/2006
Mauro A. Silva
Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública
http://www.geocities.com/coepdeolho/
Volto à questão:
Todo mundo sabe que a escola pública oferce uma péssima educação, mas "os filhos da classe média" quase se matam nos "concursos públicos" para "encostar o burro" nestes cabidões de empregos.
A escola pública oferece um ensino indigente para a população pobre.
A "classe média brasileira" não aceita colocar seus filhos na escola pública.
Mas, esta mesma escola, oferece um "emprego público" altamente disputados para os "filhos desta mesma classe média".
A vergonha da escolas públicas brasileiras deve ser também uma vergonha pública para seus funcionários.
Só vai existir escola pública de boa qualidade quando os professores, "filhos da classe média", se recusarem a participar da farsa educacional que acontece nas escolas públicas brasileiras.
S. Paulo, 10/11/2006
Mauro A. Silva
Movimento Comunidade de Olho a Escola Pública
www.geocitie.com/cooepdeolho
Movimento Comunidade de Olho a Escola Pública
http://www.geocities.com/cooepdeolho
Sou professor da rede pública estadual por opção e acredito naquilo que faço (estou longe de ser um grande professor, mas me esforço constantemente em encontrar um caminho).
Há, claro, graves problemas econômicos, políticos e administrativos, por parte do Estado; mas, também, há muito descaso por parte dos docentes.
É, sem dúvida uma questão capital, mas, lamentavelmente, não encontra o espaço e a importância merecidos nas discussões do Estado ou da sociedade como um todo.
Discordo parcialmente, posso? AH! Estou desarmado. rsrsrs
A escola particular e a pública podem conviver perfeitamente, sem problemas. Este argumento de que a "zelite raivosa" não quer seus filhos em escola pública é real, apenas porque existe uma falta de educação generalizada na escola pública, incentivada pela política "libertaria", que preconiza a liberdade sobre a desordem. Isso não funciona bem.
Afirmo isso, sem colocar sobre os ombros dos professores nunhuma carga. Os professores não tem culpa alguma sobre esta situação.
No dia que o disciplina voltar á escola e a autoridade do professor ficar restabelecida, e a classe política desejar a ordem.
Então você verá que a educação pública será tão boa que as únicas escolas públicas que sobrarão de pé, são as que falam latim.
Estas são muito boas porque seguem diretivas tradicionais e a classe política não consegue estragar o trabalho dos professores. Nestas escolas a autoridade do professor é preservada, sem torturar qualquer criança.
Isto pode voltar a acontecer também na escola pública. Só que não depende dos professores, mas da vontade política dos que ocupam o poder.
Viu como eu estava desarmado. Fui fôfo? rsrsrs
Excelente este seu blog. Educação é um tema que me encanta, e você trata o assunto com a seriedade que o tema merece.
Esta correção é importante para o correto entendimento da opinião.
Inde se lê:
"Então você verá que a educação pública será tão boa que as únicas escolas públicas que sobrarão de pé, são as que falam latim."
Leia-se:
Então você verá que a educação pública será tão boa que as únicas escolas privadas que sobrarão de pé, são as que falam latim.
Não sou nenhum Alzhaimer, mas vou te deixar louca com a minha resposta á aquela sua questão. Também não sou nenhum "coiffer" ou canibal, mas adoro fazer cabeças. Gosto de discutir nossas certezas, porque discutir as dúvidas não tem a menor graça. Concorda?
Toda a metodologia que cosidera as artes, expressão corporal, criatividade, humanidade, civilidade como cerne do método deve ser considerada como positiva. Mas toda metodologia que considera a sociedade como cerne do método não serve nem ao aluno e tampouco a sociedade.
Promete não ter um "piripaco"? Dentre todas as metodologias pedagógicas que conheço, e nem são todas, eu prefiro as tradicionais. A cartilha do "Vovô viu a uva" e "Vovó vem com Vavá", livro permanente, é eficiente e funciona muito bem. Eu fui alfabetizado com este método, provávelmente você também. Não! Você certamente, não! Quando foi alfabetizada já existiam métodos mais modernos. Mas acredite, o tradicional funciona e muito bem.
Bem, lá no meu blog, eu respondo a sua questão com uma carga mais.. política. Porém, desarmado como convém nas relações afetuosas. rsrs