
Hoje recebi duas denúncias de perseguição em escola. Uma delas é especialmente tocante, pois foi bem detalhada pela mãe do aluno, mostrando requintes de crueldade nas atitudes da professora e da diretora. É impressionante como as crianças são rotuladas de "marginais" cada vez mais cedo na escola e uma simples brincadeira é tratada como crime. O caso deste garoto é especialmente sério, pois ele é provavelmente disléxico, e, além de não receber ajuda na escola, está sendo alvo de perseguição. Um dos motivos, certamente, é o fato de o aluno não ter uma família convencional, como apreciam os educadores preconceituosos. Esse menino é certamente bem cuidado pela avó e amado pela mãe, como aliás mostra o depoimento, mas aos olhos de certas múmias da "burrocracia" oficial, é um sem-família que só merece desprezo. Certos profissionais gostam de espezinhar justamente as crianças que mais precisam de apoio. Mas talvez haja um outro viés a ser considerado: se esse menino tivesse um pai com dois metros de altura, será que o tratamento seria o mesmo?...
Orientamos a mãe no sentido de agir rapidamente em defesa do filho, senão o próximo passo será provavelmente a expulsão da escola, como já vimos inúmeras vezes.
Sou mãe de um garoto de 10 anos, ele não mora comigo e esta sendo criado pela minha mãe. Faz tratamento de Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade, estuda em escola publica e esta sendo excluído pela diretora, sendo rotulado como marginal, burro etc. No começo do ano ele começou a negar de ir para escola, perguntei a ele porque não queria ir e ele me disse com todas as palavras que iria para escutar a professora gritando e chamando ele de burro, pois não sabia fazer nada e ficava nervoso, rasgando a folha das lições. A diretora passou o caso para o Conselho Tutelar, que esta fazendo um acompanhamento com ele com uma psicopedagoga. Ele esses dias entrou na biblioteca da escola e pegou umas bolinhas de isopor com os amigos e levou embora, ela ligou para minha mãe e disse que ele havia roubado, que ela já havia "xingado os outros garotos" e estava esperando ele, que naquele dia amanheceu com febre e minha mãe o tinha levado para o médico, falando que minha mãe estava acobertando o que ele tinha "roubado", e minha mãe disse que ela ia voltar ao médico e pedir atestado para mostrar para ela. A perseguição é constante, e o unico problema é que uma criança é aquilo que passam para ela, sendo constatado cientificamente isso na área de psicologia. Tenho medo que de tanta perseguição ele acabe perdendo o interesse pela escola (que já não tem ) e acabe entrando em um mundo errado.
Comentários
Tenho relido a Adélia e cada vez mais constatado o quanto ela era indignada com a escola, com o massacre das crianças, com a insensiblidade das prof. e diretoras, do ambiente opressor, e penso que em tudo que falam dela, que elogiam seus livros, nunca ninguém tocou nisso. Eu me pergunto: será possível que sou só eu que observei isso ou, mais uma vez, "ninguém quer ver"?? Ninguém quer enxergar a escola como ela é? Fico com a segunda hipótese. Enfim, pobre menino, pobre mãe, imagino o sofrimento deles e a inutilidade de seus esforços. E dos nossos...
Pergunto, porque aqui no PR, não há praticamente nada que limite a presença do aluno na escola e expulsão é uma palavra que até já caiu no esquecimento...
Nas salas de aula temos alunos com dislexia, graus leves e moderados de esquizofrenia, deficiência auditiva (há intérpretes de Libras) e outros mais. Há uma tentativa louvável de inclusão.
Não que os colegas professores ou a escola sejam maravilhosos; mas, acho, é uma questão de vontade política e de conscientização. Existe inúmeros problemas, é verdade, mas, com o tempo e com a vontade, acredito, as coisas vão tomando seu rumo.
Eu conheço inúmeros alunos "expulsos" de escolas no Paraná ou pior que isso veladamente expulsos pelos professores ou através do Conselho de Escola...
Qualquer hora (junto com a minha história, Xipó) vou desfiar aqui um rosário de causos, mas acredite e fique atento, Leandro, que aí no Paraná também tem disso sim, infelizmente!!!!!!!!!!!
E, Ricardo, não pense que se livra do lixo colocando na escola particular: ele fede lá também! (experiência própria!)
[]s
Vera Vaz
Trabalho na rede pública estadual há cinco anos e já passei por muitas escolas (como substituto, ou PSS, pra quem sabe o que significa...), todas em bairros de periferia, com "clientela" (na verdade não gosto muito desse termo) muito carente e sujeita a todo tipo de problemas econômicos e sociais. Como eu disse, aqui não é o paraíso, mas percebo nos colegas (principalmente por parte da direção e da maior parte do corpo docente, em especial os professores mais novos), uma vontade de mudar esse quadro lastimável. Ao menos nas escolas por onde passei. Mas, talvez, seja mais uma questão de sorte mesmo.
Só para ter idéia, o diretor de uma das escolas, em Campo Largo (município da região metropolitana de Curitiba), antes do início do ano letivo, meteu-nos todos num ônibus e nos levou para conhecer a realidade daqueles que seriam nossos alunos.
Concordo em gênero, número e grau com tudo o que foi exposto aqui; mas, quero registrar que há, sim, um movimento, ainda muito tímido, é verdade, no sentido de alterar esse quadro.
Acredito que essa esperança também seja compartilhada por vocês. Caso contrário, esta discussão e este blog não fariam sentido algum, concordam?
Abraço
Saiba que é um prazer e uma honra ter vc aqui conosco discutindo esses assuntos. Obrigada
Abraços
Vera