
Este blog trata de educação e entendemos por isto muito mais do que ensino ou conhecimento. Em seu sentido profundo, trata-se da elevação do ser humano acima de sua condição primária, seja intelectual, emocional ou moral. Por isto, ficamos extremamente chocados quando pessoas que tiveram a oportunidade de estudar e ocupam posições de destaque na sociedade se comportam de forma primitiva ou desumana. É o caso do juiz de Leopoldina que está processando nossa amiga professora Glória Reis por suas críticas ao sistema carcerário. Glória desenvolve um projeto muito interessante, dando voz aos presos de Leopoldina no jornal Recomeço, que foi transformado em blog e pode ser acessado no endereço http://jrecomeco.blog.uol.com.br. É um trabalho voluntário e certamente gratificante, não fosse o absurdo de uma situação como a que estamos relatando. Leiam o texto do jornal Recomeço que motivou o juiz a entrar na “justiça” (???) contra Glória, o editorial do nº 117:
Não é aceitável a conivência de magistrados, fiscais da lei, advogados, enfim, operadores do Direito, com tamanha barbárie. O regime atual é um desrespeito à Constituição, à lei, aos cidadãos deste País, enfim, à nossa inteligência.
O editorial se refere ao regime em que viviam os detentos na época, tendo ficado durante onze meses em castigo coletivo, 24 horas em celas de 2x2, sem banho de sol, sem nenhuma atividade, sem material de higiene e limpeza, com visitas de 15 minutos na grade. Eram em média 100 presos, a maioria doentes.
A conclusão à que chegamos é que esse juiz se sentiu à vontade para processar Glória porque está com o respaldo da sociedade. Sim, a nossa sociedade entende que o papel da prisão deve ir além da punição e promover o extermínio. É pior do que olho por olho, dente por dente. A sociedade olha com indiferença para pessoas que já estão pagando com a privação da liberdade, como se merecessem a pena de morte, independentemente de sua dívida ser pequena ou grande. Desta forma até um juiz acaba se sentindo à vontade para reprimir uma opinião contrária. É mais uma inversão de valores, em uma sociedade que não se incomoda de continuar rastejando na injustiça e na falta de humanidade.
Comentários
Que figura!
Você é demais, Xipó!
Primeiramente, grato pela visita.
Quanto ao texto...não sei realmente como e se devo opinar. Não sou a favor de presídios como os que temos hoje em grande maioria aqui no Brasil. Por outro lado, sou completamente contra a soltura de determinadas "faltas". Não sou a favor de pena de morte por ser pouco o castigo, entende?
Ou seja: estou, por enquanto, em cima do muro. Vou pensar cá com meus botões depois escrevo algo a respeito.
Fiz um link lá na Santa para o teu post. Sou terminantemente contra qualquer manifestação de mordaça. Isso vale para todos os lados em questão. Bjs
Trabalho na área de saúde há mais de 20 anos. Hoje não mais, por ter saído da rede pública, mas até pouco tempo atrás, os serviços radiológicos necessários em atendimento a presos eram realizados por mim e minha equipe, aqui na cidade onde moro. Conheço vários e dos que sobreviveram ao inferno e retornaram a uma vida relativamente normal, apesar das cicatrizes, ainda me reconhecem e até meio que me "protegem", por isso tenho um certo passe livre. Um bom sinal, que deve pesar a favoravelmente a meu respeito, concorda?
Por outro lado, inúmeras vezes atendi as vítimas. tens idéis do que rediografar uma belíssima mulher violada e espancada? muitas vezes tive que segurar e engolir o ódio para, ao atender o praticante desses atos, não lhe enfiar a devida bolacha nas fuças.
Eu continuo sendo repetitivo, como você que já andou por meu broguinho pode verificar, que educação é a única redenção deste país. Após educar, se incorrer em atos que necessitem de correção, que seja executada a pena capital entre mais livros e muito trabalho, como em institutos penais agrícolas, por exemplo.
Hmmm..parece que já consegui descer do muro.
Ou seja, me enfiaste em um grande dilema moral.