A mesma lenga-lenga de sempre



Não posso ler essa lenga lenga de professorazinhas sem me revoltar!

Folha de São Paulo, seção "Cartas dos leitores", 12/01/2007)
Educação "Os professores da rede estadual de São Paulo estão submetidos a um verdadeiro massacre. Recebem um salário aviltante, não têm condição de trabalho e sua rotina é insalubre. Lecionam em salas com 50 alunos adolescentes e têm apenas giz e lousa como instrumentos. Xerox de textos? Imagens? São pagos do próprio bolso. Tempo para se reciclar? Nenhum.Nesse cotidiano violento, "adoecedor" e frustrante, falar em "motivar o aluno", em "aulas interessantes" e em "disciplinas estanques" soa mais como piada.
Os bons alunos, que não são poucos, estão sendo desperdiçados. Os bons profissionais, que são muitos, estão abandonando o magistério por questão de sanidade."
FABIANA LOPES, professora (São Paulo, SP)"


Alguns números pra professora Fabiana parar de usar estereótipos pra justificar as aulas mal dadas por milhares de professores da rede pública:
fonte INEP censo2005
A média de alunos por classe no Estado de São Paulo na rede estadual de 5.a a 8.a série é de 35,32 alunos e não de 50

número de alunos inscritos 5 a 8 estadual: 1.879.603
alunos afastados por transferencia: 187.375 - imagine quantos contra vontade!
afastados por abandono: 56.127 - esses não aguentaram mesmo!
alunos reprovados: 141 392
alunos aprovados: 1.627 .311
Total de alunos reprovados no Brasil em 2004 no Ensino Fundamental: 4 125 329 !!!!!!!!
E dizem que não ensinam porque não podem reprovar!!!!!!!!!
Pena que não existam estatisticas sérias de aulas vagas e das falta acumuladas de professores!
O professor tem sim hora atividade onde pode estudar e preparar suas aulas. E pode fazer de suas próprias aulas momentos de aprendizagem para si mesmo...
Dizem que por o professor ganhar pouco não pode se informar sobre as novidades da sua área... Aí penso na gente aqui que não ganhamos nada pra desenvolver esse trabalho extra (temos nosso trabalho e profissão tb com todos os problemas que isso acarreta!) e nem por isso...
SALÁRIO NÃO É O PROBLEMA FUNDAMENTAL DESSA HISTÓRIA!!!!!
Recomendo a professora Fabiana que mude de profissão pois a idéia que tem de insalubridade de uma classe cheia de alunos a torna incapaz de exercer a profissão de EDUCADORA! Ela pode ser comediante talvez já que acha tudo uma piada!

O problema, professora, não são materiais disponiveis que faltam... (essa história mentirosa de lousa e giz já encheu também né? Usar uma biblioteca, videoteca, brinquedoteca nem pensar né? Chamar uma ong ou voluntários que forneçam materiais também é assunto tabu né? Sair da sala de aula pra dar aula no patio, no museu, no teatro, sonho impossivel né?) Na verdade o que professor precisa ter é massa cinzenta no crânio, luz no olhar, entusiasmo na voz, consciência social, ciência da importancia do que ensina, crença nos alunos, conhecimento do passado e esperanças pro futuro! O resto vem por si só...

Quem não tem nada disso pode ir vender pipoca ou tapioca por que melhor falta de aula que aula mal dada!

Comentários

Giulia disse…
Mandou muito bem, XIPÓ! Estamos cansados de ler essas abobrinhas por aí. E é claro que isso deve refletir a opinião do jornal, porque nossa carta eles não publicaram, né??? Como já disse, nos churrasquitos familiares dos jornalistas nos finais de semana sempre aparece uma tiazinha ou cunhadinha que dá aula na rede pública confirmando o teor dessas cartinhas ridículas, portanto os jornalistas são altamente sensíveis às choramingas das professorinhas e dos sindicatos... O número de alunos por sala ainda é uma balela, pois se a média do Inep diz 35 por sala, pode-se deduzir pelo menos mais 20% de alunos-fantasmas, outro assunto "tabu" da rede pública. Além daqueles que abandonam a escola por ser UM SACO.
VOU CONTINUAR LANÇANDO DESAFIOS PARA O INEP, mas não vou fazê-lo mais diretamente, pois me enchi de mandar cartinhas para lá que que eles nunca respondem. Então, senhores e senhoras do INEP que costumam entrar neste blog (sabemos que entram para saber o que se fala de V.Sas....): FAÇAM O LEVANTAMENTO DOS ALUNOS-FANTASMAS na rede pública. E não se esqueçam do nosso pedido mais antigo, FAÇAM A PESQUISA SOBRE AULAS VAGAS, para que se entenda o principal motivo da desmotivação dos alunos. Senhores e senhoras do INEP, se esqueceram que pagamos seu salário, ora XIPÓ?

Ah! me perguntaram o que é "xipó". É uma espécie de código que criamos aqui no EducaFórum, um tipo de exclamação, por bem ou por mal. Fiquem com um pé atrás, senhores burRocratas da educação pública, a bronca é com vocês, sim!
Glória disse…
Ei, meninas, estou orgulhosa de vocês... Eu li a mensagem dessa professora no site da Cremilda e fiquei enojada. Depois li um artigo de um "catedrático" no jornal Estado de Minas dizendo que o Fundeb não vai mudar nada porque não vai atingir o essencial que é melhorar o salário dos professores. Que doença incurável, eles não têm outro assunto. Aí, como sempre, enviei uma carta ao jornal, que já sei que não vão publicar. Ainda bem que vocês me levantam o ânimo.
Glória disse…
Aí vai a carta que eles não vão publicar:

O cacoete da questão salarial dos professores

Sobre o artigo "Fundeb salvador?" do Padre Geraldo magela Teixeira ( 13/01), mais uma vez a imprensa presta um desserviço à educação centralizando o nosso fracasso educacional à questão salarial. Isso já virou cacoete na imprensa. Não se discute se tal afirmação é verdadeira ou não, as pessoas vão repetindo feito papagaios.
Numa época marcada pelo desemprego, quem exerce o magistério é um privilegiado: julho, dezembro e janeiro estão de férias, aula em fevereiro só depois do carnaval. Durante o ano emendam todos os feriados chegando alguns meses a não ter 15 dias de aulas. É a classe que mais falta ao trabalho, deixando os alunos na ilegal AULA VAGA, que tanto prejudica o cumprimento da carga horária do ano letivo.
Quem não quer um emprego desse? Diz Lauro de Oliveira Lima, em seu livro "Para que servem as escolas?" que "a imensa máquina da educação, sem controle, gerida aos trancos e barrancos por um sindicalismo classista, sem nenhuma sensibilidade para os reais objetivos do sistema, cuida exclusivamente dos seus interesses - reivindicação salarial - distanciando-se, progressivamente, de suas finalidades".
Outra falácia é dizer que os professores não disputam vagas, não há emprego mais disputado do que o magistério, pelas benesses que não existem em nenhuma outra profissão. Portanto, gente, vamos virar esse disco e ter a coragem de tocar nos verdadeiros entraves da educação: o corporativismo da classe, a falta de cobrança e fiscalização das autoridades competentes, o autoritarismo disciplinar nas escolas, a estabilidade do servidor público que não permite dispensar por incompetência e falta de resultados e, por fim, a falta de afeto na relação professor-aluno, entre outros.