Educação sem Escola?


Lendo no Blog da Glória parte do livro do Lauro Oliveira Lima me deu vontade de compartilhar esse pensador com vocês. É Ivan Illich e ando namorando as idéias dele pois para mim Repensar a Educação é URGENTE!
Para entender o novo paradigma que a escola tem que incorporar e não cair no discurso vazio e superficial de professores que só querem defender sua prática (sacrificada, triste, desvalorizada e mal remunerada...etc... etc... etc....) podemos examinar as idéias de Ivan Illich sobre a Não ESCOLA na Educação.

Em Educação sem Escola?, Ivan Illich faz uma análise crítica das instituições educativas atuais e das suas características e propõe a criação de um sistema alternativo que rebata a figura da escola na de uma aprendizagem não enquadrada institucionalmente.
Segundo Illich, o atual sistema educativo converteu-se num sistema burocrático, hierarquizado e manipulador, tendo como função primordial a reprodução e o controlo das relações económicas. “Por toda a parte, o aluno é levado a acreditar que só um aumento de produção é capaz de conduzir a uma vida melhor. Deste modo se instala o hábito do consumo dos bens e dos serviços, que nega a expressão individual, que aliena, que leva a reconhecer as classes e as hierarquias impostas pelas instituições”(Illich, 1974, pp.9). Os alunos estão sujeitos a currículos extensos e repetitivos, dados de forma demasiado rápida e superficial. Os professores, já habituados a esta rotina, não dão a possibilidade de aprofundar um ou outro tema que mais interesse os alunos, nem são capazes de atender às necessidades específicas de cada aluno. A escola passa assim a ser um local de desigualdades e de conflitos, uma vez que alguns se adaptarão melhor do que outros.
Segundo Illich, o facto de a escolaridade ser obrigatória só agrava a situação. Aqueles que não se conseguem adaptar aos temas curriculares obrigatórios e aos métodos de ensino vigentes, arrastam-se durante anos na escola, nada aprendem de válido, perdem a sua auto-estima. Quando finalmente deixam a escola, os alunos não estão preparados para ingressar no mundo do trabalho. Assim, deparamo-nos com jovens desanimados e desapontados, sem grandes perspectivas de futuro. Caso os alunos decidam abandonar a escola antes de terminarem a escolaridade obrigatória, deparam-se com problemas ainda mais graves, porque se, com a escolaridade mínima ainda têm a possibilidade de arranjar emprego mesmo sem formação específica, sem certificação escolar, ainda que mínima, o emprego torna-se quase impossível, ou então, sujeitam-se a empregos menos bons e mal remunerados.
Illich defende que, apesar de muitas pessoas terem já consciência da ineficácia e da injustiça patentes no sistema educativo moderno, não são ainda capazes de imaginar alternativas nem de conceber uma sociedade descolarizada. Daí que se torne necessário"criar entre o homem e aquilo que o rodeia novas relações que sejam fontes de educação, modificando simultaneamente as nossas reacções, a ideia que fazemos do desenvolvimento, os utensílios necessários para a educação e o estilo da vida quotidiana" (Illich, 1974, pp.6).
Para saber mais Ivan Illich

Comentários

Ricardo Rayol disse…
Nao sei se li aqui mas o modelo educacional segue o padrão da revolução industrial do século XIX já está na hora de alguem inventar outra cooisa.
Betto disse…
E exatamente esse tipo discurso, igual ao de Ivan Illich (confesso que nunca tinha ouvido falar dele), que estou estudando no meu curso de mestrado. Que efeito tem ou terá no comportamento dos jovens daqui para frente!? Será que realmente o mundo tem de se curvar diante das necessidades (leia-se caprichos, individualismos, etc)dos jovens modernos? Então, eu tenho de perguntar ao jovem o que ele quer, o que deseja, o que gosta de fazer e daí eu tenho de procurar saber/estudar sobre aquilo que corresponde à sua resposta e passar para ele tudo de mão-beijada? Até, se possível, me fantisiar de um personagem qualquer para que o estimule( uma vez que ainda não satisfeito com o meu estudo)para que eu possa usufrir de sua simpatia e,com isso, poder me sentir realizado como professor capaz de motivar o aluno que alí estava desencatado com a Escola e com minha pretensa intenção de que estudar(no caso ele) os princípios e parâmetros da linguagem verbal (sou professor de Língua Portuguesa)o ajudaria naquilo que ele pretende alcançar quando adulto (pesoal, profissional, etc)? Estou preocupado com o discurso de muita gente que sabe da escola mas que não vivencia a prática escolar no dia-a-dia. Geralmente são pessoas que não são professores ou que estão ausentes do ofício há anos. Não sei se tudo isso (essa chamada liberdade escolar ou pedagogia do afeto)não esconde uma intenção que é a de tornar a escola o espaço do oba-oba que leva a escola a educar os pobres no sentido de "ser bom" - para não se tornar bandido - e não ser inteligente. É preciso tomarmos cuidado com isso. Pode ser que todos esses discursos das chamadas liberdades não passem de pretexto o fim da escola pública, com qualidade ou não. Tenho medo desses discursos, é que procuro debater com os meus alunos. "Vamos devagar com o andor queo santo é de barro", já dizia um antigo diatado popular. É preciso discutir a educação, sim, mas de um jeito democrático e unilateral. Não apenas ridicularizando um dos lados. Até por que a expansão da escola pública, em especial no Brasil, é ainda muito recente e existe um preconceito tremendo de que pobres e negros ( a maior clientela dessa escola)precisem de escola de qualidade. Ainda não foi dito o principal papel da escola a essa gente, como sabem os bem crados do País. No dia que a gente pobre descobrir para que serve a escola, todos os professores que ainda a vê como "marginais" e "vagabundas" serão expulsos dela. Muito atenção que a coisa é séria.
Giulia disse…
Profesor Betto, de preconceitos o Brasil está cheio. Aliás, todos nós temos os nossos preconceitos e, se às vezes é difícil detectá-los, muito mais difícil é corrigi-los. Sugiro que se desarme e aceite discutir o assunto com a maior abertura possível. Muitos professores entram aqui, ficam "indignados" e simplesmente somem do mapa. Outros, porém, estão conosco até hoje. E são professores que atuam em sala de aula, que estão na lida do dia-a-dia. Veja, nós somos "leigos", somos apenas pais de alunos, e nosso objetivo não é "ensinar" nada ao professor, apenas repensar juntos algo que não está funcionando: o ensino deste País, principalmente O BÁSICO. Isso nos entristece muito, pois entendemos que para alfabetizar uma criança em letras e números não são necessárias teorias mirabolantes ou complexas. Também não fazemos pouco caso do ofício, temos o máximo respeito pelos professores compromissados e principalmente por aqueles que vestem a camisa com boa vontade e respeito ao aluno. E os nossos "modelos" de camisa estão desenhados no blog, são assim: "Aula vaga não!" e "Lugar de professor é na escola!". Isto é o mínimo que esperamos. Quanto ao afeto, não podemos exigir, mas gostaríamos que o professor tratasse nossos filhos como se fossem deles. É pedir muito? Parece, pois a maioria dos bons professores preferem separar seus filhos dos nossos, matriculando-os na rede particular... Esse papo vai longe, professor Betto. Mas veja: nós não estamos aqui para discutir teoria e sim as práticas em sala de aula. No entanto, como pós-graduando que é, você deve entender a importância de se conhecer as teorias educacionais. É por esse motivo que nós trazemos, de vez em quando, esses textos aqui para avaliar e discutir. E a discussão é aberta a todos.
Betto disse…
Sugiro, então, cara Giulia, que vocês, pais deste País, iníciem um movimento que vise regulamentar a profissão de professor. Pois, se todos dizem, que a educaçao é uma das coisas mais importantes para o progresso de uma nação, como não haver um órgão que regulamente a profissão de professor? É triste vê um bando de pessoas, com cursos superiores de má qualidade, apenas porque não conseguem emprego em outros campos de trabalho, ir para a sala de aula. É aí que a profissão perde o valor e torna-se desprestigiada junto à população. Normalmente, cara Giulia, a maioria dos pais também não ajudam, porque, e eu sou vítima disso, não se importa com a qualidade de profissionais que estão lidando com os filhos, mas com a aprovação destes, seja de que maneira for. Professor bom é aquele que aprova, de qualquer maneira. Não estou dizendo que fico feliz em reter um aluno, sofro com isso,mas vejo com preocupação os inúmeros casos de alunos na 3ª série do EM que não conseguem ler efetivamente um texto mais elaborado. Insisto: é preciso a criação de um órgão, ou de uma medida política qualquer, que regulamente a nossa profissão. A começar por, por exemplo, um professor não poder ter mais de um cargo público. Um absurdo: pedagogicamente isso é inviável. O interessante é que o professor tenha um bom salário para que possa se dedicar de forma exclusiva a uma escola. Como eu faço. Embora eu reconheça que muitos "pegam" o maior número de aulas possível a fim de ganhar um pouco melhor. Quando isso acontece, a qualidade certamente não acontece. Sou totalmente a favor da escola pública, cara Giulia. Estou do lado daqueles que querem uma escola pública de qualidade e não de quantidade. Mas penso que as razões para a escola pública de qualidade não existir não está exatamente no professor. Sabe por quê: os bons professores ( e tem muitos ), ao se sentirem desvalorizados, se cansam e abandonam a escola pública (conheço vários)e vão fazer outras coisas na vida, enquanto os pseudos professores ( alguns por necessidades outros por sacanagem mesmo)assumem o lugar dos bons professores levando a escola cada vez mais à mediocridade. Cara Giulia, como você mesma disse, o assunto é complicado. Mais insisto: é preciso salvar a profissão de professor neste país, a fim de que a escola pública não tenha fim. Acho que é isso que muita gente quer. Um abraço.
Vera Vaz disse…
Professor Betto, os pais e alunos são mais espertos do que o senhor pensa: querem que seus filhos sejam aprovados de qualquer maneira porque já perceberam que repetência não leva a nada!!!!!!!Que não adianta repetir com os mesmos métodos a mesma baboseira duas vezes!!!!(professor, até as piadinhas são iguais!)E pergunto: o que restou para os alunos do decoreba das matérias que os fizeram passar de ano? E pergunto mais: por que sua aluna na terceira série não sabe ler???????????????????? Se repetir vai aprender? (então porque não ensinaram antes?)
E, olha, mesmo os pais não querendo vocês vivem desse expediente: somente 4% dos alunos termina o primeiro grau sem ter repetido nenhum ano!
Betto disse…
Pode ter certeza que a maioria dos pais é mais esperta que muitos pseudos professores, cara Vera. Mas não quando pensam assim como a senhora afirma, com todo respeito.Dizer que as coisas que se ensina na Escola são "baboseiras". Tudo pode ser "baboseira", cara Vera, dependendo do modo como se faz. Aqueles pais que vêm à Escola, querem saber quem são os professores, procuram saber a formação do professor, vivenciam a vida escolar do filho, exigem do Estado (poder público) profissionais competentes e estruturas adequadas para os estudos dos filhos, estes sim são pais inteligentes. Mas pensar como a senhora diz, desculpe-me, é estar contribuindo cada vez mais para a derrocada da escola. Como professor, sou testemunha dos vários casos de "sacanagem" e de descaso que fazem com nossos jovens durante os anos de escola. Mas infelizmente não por parte apenas de profesores (concordo, boa parte age de má fé, ou por imcopetência ou po maldade mesmo),mas mais pelo sistema educacional que não regulamenta a nossa profissão - estabelecendo critérios para o exercício da profissão, valorização do profissional para poder lhe exigir compromisso. Some-se a isso,o valor social e cultural que se tem dado à Escola pública nos últimos 30 anos, quando esta passou a ser, por força da Lei(não por vontade da elites), um direito de todos. Virou uma bagunça geral. Todo mundo pode ser professor. Não era bem para ser assim. A Escola era para ser para todos e IGUAL para todos. Só para a senhora saber o tamanho da minha decepção: na última gestão municipal aqui em São Paulo, a prefeita Marta Suplicy, construiu 21 grandes escolas, todos em bairros da periferia, que tinham - além das salas de aula, é claro - piscina esportiva, ginásio esportivo, teatro e cinema, pista de skate, creche, ampla biblioteca, áreas de lazer no em torno, etc. Além disso, a prefeita instituiu o transporte gratuíto para as crianças que morassem longe das escolas, implementou o uniforme gratuíto a todas as crianças da rede municipal, entre outras coisas que contribuiram para a educação das crianças. De quebra reajustou (ainda que pouco) os salários dos professores, patrocinous cursos de pós-graduação e de pedagogia para centenas de professores. Sabe o que aconteceu? Ela não foi reeleita. E sabe por quê? A população de São Paulo (boa parte dos pobres beneficiados) rejeitou a necessidade de escolas tão caras para os pobres. Ou seja, os pobres pensam como os ricos deste País.Sabe o que aconteceu mais? agora tudo está voltando a ser como era antes, aos poucos, para que ninguém perceba. Portanto, cara Vera, é nesse sentido que (embora reconhecendo que muitos não têm compromisso com a educação)eu acho que a culpa não é apenas dos professores.
Giulia disse…
Prezado Prof. Betto, já que está falando de São Paulo, vou relatar minha experiência na única gestão que foi realmente "de primeiro mundo" na Prefeitura de São Paulo: foi a de Paulo Freire/Mário Sérgio Cortella, durante o governo de Luiza Erundina. Meus filhos foram alfabetizados nessa época. E sabe como foi? Nenhum luxo, nenhum desperdício, progressão continuada eficiente e gestão participativa. Só isso, professor. Luxo para os pobres?! Me desculpe, mas o que o Brasil inteiro precisa é de justiça social e não de luxo, precisa de mais austeridade, precisa colocar em prática o princípio de igualdade que está na Constituição. Sabe qual foi o efeito daquela gestão? As escolas incharam tanto que precisou criar o quarto turno, esse que chamam de "turno da fome", por ser no horário do almoço. E tem mais: nós pais fomos consultados, foi feita uma enquete para saber se concordávamos em abrir as escolas para mais alunos, já que a rede estadual naquela época era péssima e os pais queriam migrar para a rede municipal. Sabe o que nós pais respondemos? Sim, podem criar o quarto turno, não nos incomodamos que nossos filhos sejam prejudicados, desde que mais alunos possam usufruir de um ensino melhor. Isso é o que se chama princípio de igualdade, ou, se preferir, solidariedade. Mas, como tudo neste País, os bons projetos não têm continuidade. Maluf e Pitta destruíram a rede e Marta nada fez para melhorar a qualidade do ensino, nem mesmo substituiu as escolas "de lata" e implantou um projeto megalomaníaco de acordo com seus caprichos de "menina rica". Aliás, em sua gestão a AULA VAGA chegou ao cúmulo, pois ela permitiu que os professores tomassem licenças de até uma semana sem apresentarem certificado. Quanto a oferecer esporte e lazer para as periferias, isso é ótimo, mas não cabe à secretaria da educação. A secretaria municipal da educação é responsável pelo ensino até à oitava série e precisa garantir a ALFABETIZAÇÃO DOS ALUNOS em letras e números. Isso ela não faz, o que é grave. Portanto, caro Prof. Betto, não se trata de buscar culpados, aliás, ninguém aqui disse que a culpa "é apenas dos professores", como você coloca. A hora é de de encaminhar soluções efetivas, que, a meu ver, passam pela conscientização de todos, inclusive dos pais, que não exigem qualidade de ensino e aceitam a AULA VAGA em percentagens absurdas. Aliás, como falar em qualidade se os alunos não têm nem mesmo as aulas previstas, chegando a ter de 20% as 30% de AULAS VAGAS?
Betto disse…
Cara Giulia, em nenhum momento eu falei de "luxo". Falei de qualidade. Para mim,as escolas criadas pela prefeita Marta, significaram, ao menos em termos de estrutura, um passo importante para uma escola de qualidade. Daí, para a qualidade do ensino,o caminho estava preparado. Eu me lembro perfeitamente da época da Erundina. Participei, no bairro de Interlagos (Capela do Socorro), da equipe do MOVA (Mov. de Alfabetização de Adultos)de tanto que eu acreditei no Projeto político-pedagogico do Paulo Freire e do Cortella. Era o início da escola para todos que eu sempre sonhara. Portanto, também não me importei com as salas de aula lotadas, com o terceiro turno, etc. Era preciso que todos tivessem acesso a algo que era privilégio de poucos. Mas eu acreditava que, um dia, as coisas iriam mudar. Não foi o que aconteceu. O povo, assim como fizeram com a Marta, rejeitou o trabalho da Prefeitura na época. Diziam que pobre não precisava de escola.Foi o que eu ouvi muita gente dizer. Elegeram Maluf e Pitta nos anos seguintes. Oito anos depois, mas somente em seu segundo ano de mandato, por conta do boicote do Estado e do Governo Federal, Marta Suplicy pode dar nova esperança a melhora na educação. Mas, mas uma vez o povo reprovou um projeto para a educação de qualidade para os pobres. Eu disse de qualidade, não de "luxo". Que aliás foi o que eu ouvi de muitos professores pequenos-burgueses que trabalham na escola onde leciono."Pago caro para manter meu filho numa escola particular e ele não tem nada disso (numa referência aos equipamentos das escolas criadas por Marta), agora vem essa mulher e quer dar tudo para esses vagabundos", foram frases desse nível que eu ouvi de alguns pseudos professores."Meu filho precisa de trabalho e não de piscina, teatro, skate", foi o que eu ouvi de alguns pais nas reuniões pedagógicas. Santa ignorância! Para finalizar, cara Giulia: não sei quem foi que disse que professor bom é aquele que trabalha muito. Depende do que significa "trabalhar muito". Qunado se trata da ESCOLARIZAÇÃO de crianças e adolescentes (não gosto do termo alfabetização)quantidade é muito perigoso. Há professores que têm mais de um cargo ( isso equivale a mais de 40 aulas semanais). No meu modo de pensar isso é inviável. Trabalhar a escolarização de crianças e jovens não é como montar máquinas nas metalúgicas onde o que vale é a quantidade e a pressa. Em educação, a qualidade é que deve prevalecer. Só assim será possível um aprendizado contínuo. Para isso, é preciso que o professor ganhe um valor que lhe permita se aperfeiçoar cada vez mais, para poder ter menos salas de aulas e, com isso, poder dividir melhor sua atenção as necessidades de cada aluno. Cara Giulia, como professor,eu trablho pela qualidade na educação escolar dos meus alunos e não pelo "luxo". Mas procuro não enganá-los com palavras doces, meigas, afetivas, amigáveis somente. Exijo dos meus alunos compromisso com o estudar, com a sua vida escolar. Mesmo que, para a maioria deles, o que digo não tenha importância.
Giulia disse…
Olá, Betto, eu entendo seu ponto de vista. Mas acho que os professores como você, mais responsáveis do que a maioria (isso que você contou sobre o nível de seus colegas é o que nós pais de alunos sentimos na pele e a sociedade nem imagina que aconteça...) deveriam lutar não apenas por melhores salários, mas por uma proposta educacional mais séria e duradoura. Existe uma grande diferença entre a gestão da Erundina e a da Marta: a Erundina fez e a Marta criou primeiro um projeto megalomaníaco para depois fazer... (os políticos sempre acham que ficarão eternamente no governo!). E as escolas de lata que o Pitta construiu ficaram lá por mais quatro anos! Cadê o princípio de igualdade? E a proposta educacional? Além disso, cada coisa no seu lugar: as verbas da educação devem ir para O ENSINO e as verbas da cultura para A CULTURA. Está na hora de acabar com essa bagunça orçamentária. Mas não é isso que devemos discutir agora: o mais urgente é a questão da continuidade dos bons projetos. Veja o caso da diretora dos meus filhos na gestão Erundina: tão logo o Maluf entrou ela mudou-se imediatamente para o gabinete da Secretaria da Educação. Eu entrei em estado de choque! NUNCA teria pensado que ela era malufista, pois foi um exemplo de competência e dedicação ao trabalho durante a gestão anterior (alô, alô, Cidinha, por acaso seu ouvido começou a zumbir?...). Então veja como a coisa funciona: mesmo mexendo seus pauzinhos para a eleição do Maluf (coisa que ela nunca deu bandeira dentro da escola, ao contrário de professores com os quais tivemos que brigar, pois É PROIBIDO FAZER PROPAGANDA ELEITORAL DENTRO DAS ESCOLAS) pra pegar uma "boquinha" na Secretaria da Educação, ela foi uma excelente diretora de escola, dentro de uma administração partidária diferente. É isso que queremos: que os bons profissionais permaneçam e continuem seu trabalho. Mas a "dança das cadeiras" faz parte da perversão do sistema. Esse é um dos maiores problemas da rede pública de ensino e é o que mantém o status quo.
hey, psôr disse…
teu preconceito é fácil de detectar Giùlia: é contra todos os professores (tirando seus amigos, claro).
Giulia disse…
Hey, psôr, cê tá se entregando fácil demais...
Na Grécia antiga quando se queria ofender alguém bastava chama-lo de “Mestre Escola”, porque era a profissão mais mal paga e espinhosa que existia. Sócrates nominava a si mesmo um “parteiro”, porque não ensinava o individuo, mas o auxiliava a dar a luz aos saberes que trazia em si. A escola forma e conforma a opinião do individuo, e, apenas a rebeldia típica nos adolescentes impedem as instituições de amalgamar o beneficio da duvida presente na alma humana e proponha o porquê ao por que. O conhecimento por sua natureza se transformado num patrimônio do intelecto e tornado valor monetário fará cessar o processo evolutivo, pois é da natureza do pensar que uma ideia nasça ao apoiar-se numa anterior não constituindo isso um roubo ou plagio. Do punho fechado ao martelo assim como do soco proferido ao míssil tele guiado as diferenças não estão postas pelo uso de técnicas ou tecnologias, mas na matriz energética utilizada para se atingir um objetivo. A humanidade até agora não encontrou a cura da fome, não porque isso seja impossível e sim por conta de um modelo econômico imposto a todos sem plebiscito, em que opor ao homem o trabalho como única forma de o manter ocupado moral e intelectualmente a fim de conte-lo num padrão de comportamento social que o modela como aceitável, seja imprescindível para que atinjamos a ordem social. Temos medo do Caus. Através da internet nos comunicamos e trocamos saberes literalmente com todo mundo sem bloqueios e o Google é a mais nítida síntese de democracia na difusão do saber, os do bem e os do mal. A escola a mim no meu tempo de escola ensinou-me que por conta de adversidades financeiras eu não pude cursar a faculdade e ter um titulo acadêmico. (*). O ensino da língua natal, da matemática e da geometria, da geografia e da historia, devem sim ser mantido como matérias obrigatórias a ser dado como herança a todos os homens e mulheres neste mundo mesmo se as escolas como a conheceram deixem de existir. Ética é matéria que deve ser ministrada desde o berço enquanto a criança estiver nos peitos se aleitando. Enquanto formos regidos por uma política monetária que valorize mais o dinheiro que os bens, produtos e serviços, e que o dinheiro depositado nos bancos ao ser emprestado cresça exponencialmente sem um lastro real que o justifique, porque o dinheiro deve ser o produto da produção, e que a vida tenha mais valor do que a posse do poder, que a humanidade se humanize que haja um professor para no Maximo quinze alunos, com escola ou sem ela, formigas e baratas estão fadados a dominar a terra talvez antes que o próximo milênio nos alcance.

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