Ensino reprovado


Elisângela nos escreve:

Estive pesquisando e gostaria de tirar uma dúvida. Um amigo de meu filho ficou de recuperação final, fez as provas e de acordo com o resultado que a escola disponibilizou ele ficou reprovado. Ele pediu para ver as provas, porque não concorda com o resultado. A escola está enrolando. A minha pergunta é: ele tem direito de ver o resultado? Se tem, onde encontro a lei que comprova? A quem ele deve recorrer primeiro? Obrigada!!

Elisângela, é muito simples: crianças e adolescentes não costumam ser respeitados na escola, portanto o ideal é o pai, a mãe ou um responsável ir com ele na diretoria da escola, levando impresso o seguinte artigo do ECA:

53º A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes:
III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores.

Se mesmo assim o diretor recusar, informe que vai enviar uma queixa às seguintes autoridades:

Diretoria de Ensino; Secretaria da Educação (municipal ou estadual, dependendo da rede à qual a escola pertence); Ouvidoria da Educação; Comissão de Educação da Câmara Municipal (se a escola for municipal); Comissão de Educação da Assembléia Legislativa (se a escola for estadual).

O diretor deverá preferir atender, do que correr o risco de levar um processo administrativo. Mas, se ainda assim negar o pedido, envie a queixa! É muito fácil procurar o e-mail de cada uma dessas autoridades, pois praticamente todas têm site, a não ser em pequenos municípios. Envie a mensagem para a Diretoria de Ensino, com cópia para todas as outras, mas cuidado para que a cópia não seja “oculta”. Que todas fiquem sabendo do fato. Ligue depois para a Diretoria de Ensino e marque uma visita, com a cópia do e-mail em mãos.

Mesmo que a escola seja particular, o caminho é o mesmo. A lei é igual para todos (mesmo que no Brasil nem todos sejam iguais perante a lei...)

Boa sorte! E se precisar de mais ajuda, volte a entrar em contato.

Comentários

Regina disse…
Aconselho essa mãe a antes de qualquer coisa a ir à escola e conversar sobre o problema. Já vi muitas mães que reclamam e reclamam, mas quando questionadas ainda não foram à escola para entrar em um acordo. Pergunto-me se durante o ano (pois este aluno deve ter tido problemas durante os bimestres) alguém da família compareceu à escola, para tentar ouvir o que acontece com o aluno, e juntos tentar achar uma solução.
Reclamar, criticar e colocar culpa na escola é muito fácil.
Pensem bem.
Giulia disse…
Regina, não entendo porque tanta irritação. Aliás, até entendo: se no Brasil uma criança ou um adolescente fossem considerados seres pensantes e com todos os direitos dos adultos, não haveria problema nenhum de mostrar as provas aos alunos. Mas os diretores de escolas estão sempre muito "ocupados" para darem atenção a um simples aluno, não é mesmo? Aqui não está em jogo se o aluno mereceu a reprovação ou não(até porque nós entendemos que a reprovação é da escola e do professor...), mas o simples fato de a escola se recusar a mostrar as provas ou "enrolar". Veja, estamos quase em março e em muitas escolas as aulas já iniciaram. Portanto, a recusa já passou da fase de "enrolação"...
Blogiana disse…
Oi Giulia
Agradeço a visita no blog do David, aparece lá no meu também!
Já linkei o Educaforum.

Abraço
Adriana, a Blogiana
david disse…
Não entendi Regina:
- Qual o motivo de recusar ao garoto uma "vista" de suas provas?
- Qual o interesse que alguém teria em criticar a escola, se não por erro, seja de raciocínio, seja de atitude?
- Por quê a iritação?
Mauro disse…
Giulia,

Você viu a "satisfação" da professora quando reprova o aluno?

Não me admira que tenha um professor de ética e filosofia da USP fazendo apologia à tortura e à pena de morte... Na escola pública, o que manda é a lei do cão, ou melhor, a lei da diretora...

SP, 23/02/2007
Mauro A. Silva
Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública
www.geocities.com/coepdeolho
Vera Vaz disse…
Com mãe presente ou não este aluno tem o direito de ter sua prova revista e ainda de preferência por outro professor que não o que o reprovou!
Fora que todo aluno, mesmo reprovado, tem o direito de tentar ser reclassificado! Está na LEI!
Professora, a parte isso repetência não interessa a ninguém: nem ao governo, nem aos cidadãos que pagam os impostos, nem aos alunos... Repetência interessa a quem??????????? Só aos maus professores raivosos que a usam como arma para impor sua autoridade capenga que deveria estar embasada no respeito pelo seu Saber e não em notas, e a usam como vingança aos que não se submetem a métodos de ensino muitas vezes inadequados! É isso que infelizmente temos visto... (não vale dizer que não podem mais repetir pois pouquissímos alunos terminam o Ensino Fundamental regularmente)

Filhos de mães relapsas (não estou dizendo que é o caso desta mãe especificamente) também tem que ter seus direitos respeitados e a escola tem que se posicionar a seu favor com mais empenho ainda!!!!!!!!! Só assim vai funcionar!
A escola tem que parar de culpar as famílias por seus insucessos!!!!! São departamentos diferentes! Fico me perguntando quando os profissionais de ensino serão realmente PROFISSIONAIS e quando hão de cumprir com segurança e sem chiliques contra os alunos e suas famílias com seu dever de educar formalmente crianças e jovens, independente do posicionamento de cada família, independente da história pessoal de cada um, respeitando seus limites e não pasteurizando a todos como simples joguetes do decoreba. Criatividade, respeito, competência e coerência no que se ensina, pra quem se ensina e em como se avalia evitariam certamente que um aluno quisesse rever sua prova e dependesse disso pra prosseguir seus estudos com sua turma e na série adequada.
Santa disse…
Giulia, seu blog é de utilidade pública. Corretíssima a informação.

Tem um caso clássico de uma aluna reprovada em História (4ª série) por erros de escrita (português). Não fosse os pais recorrerem a revisão de provas estaria reprovada em todas as matérias do ano. No Conselho de Educação Estadual foi dado parecer contra a Escola que por força de Lei deu ganho a aluna recuperou a nota 8.83 em história.

Mais um Ponto para o EducaFórum
Ricardo Rayol disse…
Tirando que a Regina não soube se expressar bem pois sem dúvida muitos pais só se interessam pelo resultado do filho quando a vaca já foi pro brejo, tua indicação é muito a propósito. Você faz um trabalho muito maneiro aqui. E, desculpe o abuso, não esqueça da blogagem coletiva “Xô, Dirceu”, segunda dia 26/02/2007 maiores detalhes em http://movimento-evolucao.blogspot.com. Participe e divulgue. Contamos com você Giulia. Grande abraço.
Giulia disse…
Olá, Santa, Olá, Ricardo, Olá, Regina, às vezes a gente parece ATACAR o professor, como aliás no texto acima ("O custo do atraso") copiado da Revista Nova Escola. A expressão é do jornalista que escreveu a matéria e assim é vista em nossa sociedade a atitude de QUESTIONAR o comportamento de certos professores e diretores de escola contra o aluno. É uma pena a imprensa colocar lenha na fogueira nesse que é um grande preconceito da sociedade, mas é o que acontece todos os dias, desde que eu me dou por...mãe de alunos da rede pública de ensino (há mais de 15 anos). Pais de alunos têm o direito de questionar, sim! Aliás, os próprios alunos têm esse direito, senão QUE DIA ELES VÃO SE TORNAR PESSOAS CRÍTICAS? Ou queremos que eles virem todos vaquinhas de presépio? Mas, na verdade, sempre que os pais ou os alunos OUSAM questionar o comportamento de um profissional da classe docente, essa atitude é vista como ATACAR. E por que aqui no EducaFórum o ATAQUE parece maior? Por que ainda somos poucos! Muito poucos!!! Quantas vezes vocês leram na mídia (ou ouviram algum jornalista falar) a expressão "PROFESSOR ATACA ALUNO" (ou algo parecido)?... No entanto, a proporção de professores ATACANDO alunos é esmagadoramente maior que o inverso. Alguns professores mais corajosos falam disso abertamente e se indispõem com a classe, como a Glória Reis, a Marta Bellini e a Cristina Valero, só para ficar nos que aqui se manifestam. Mas estão aí o Lauro de Oliveira Lima ou o Rubem Alves para quem quiser uma opinião mais "abalizada". Mas por que buscar opiniões e não FATOS? Porque infelizmente os fatos são apagados por uma gigantesca OPERAÇÃO ABAFA. Isso eu posso dizer pela minha experiência de mãe de alunos e não pelo que li na mídia, como alguns insinuam. Quantas e quantas vezes meus filhos não foram agredidos - de formas variadas - pelos profissionais aos quais eu os "confiei"? São muitas histórias que eu e outros pais já contamos neste site, mas que ficaram por aqui, já que são fatos que não dão ibope, além de existir uma questão muito séria, que é a PERSEGUIÇÃO e a REPRESÁLIA contra o aluno que OUSA contar aos pais o que ele sofre dentro da escola. Se os pais tiverem a coragem de ir QUESTIONAR o que o filho contou em casa, esse aluno estará provavelmente marcado para sempre dentro da escola, além de ser chamado de mentiroso... Essa é a realidade que eu vivi e combati durante todo o tempo da vida escolar dos meus filhos. E não estou falando aqui apenas do direito de rever provas. Estou falando de coisas muito mais sérias, como professor rasgar o caderno de aluno, chamar a classe inteira de "merda" ou aluno de "cavalo" ou "bicha" (como no caso clássico da EE Octacílio), de professor colocar aluno na posição do "elástico" ou atirar objetos nele, de coordenador pedagógico tirar a mochila dos ombros de um adolescente e atirá-la ao chão, estou falando de diretor de escola chamar a polícia para impedir a entrada de alunos sem uniformes (este mês!) etc etc. Meu maior espanto é ver que fui apenas uma "andorinha" que não fez verão. Nosso "bando" ainda é pequeno e a maioria dos pais se dobra ao autoritarismo de uma rede pública que não quer a comunidade dentro da escola. Portanto, o que se questiona aqui é a inversão de valores que costuma dar ganho de causa aos mais fortes em detrimento dos mais fracos. Se existe uma "luta" entre pais e professores, são esses últimos que a promovem, considerando todo QUESTIONAMENTO como ataque e "defendendo-se" atrás da imagem de mártir sacrificado em causa pública, enquanto as marcas dos abusos contra as crianças e os adolescentes são tristemente abafadas.
Vera Vaz disse…
Caramba, Xupó! Rasgou o verbo! Adorei!
Anônimo disse…
Eu estou passando por isso, estou concluindo o ensino medio e perdi nas recuperações finais por decimos e acho q foi injusto só eu ser punida pois sempre fui uma boa aluna e sempre recebi elogios da escola e por ter 62 alunos na minha sala de terceiro ano, e existir nela alunos q não respeitam as normas da escola e tiram notas mais baixas do q as minhas, estou muito triste e meus pais chateados com a escola por eu ser a unica punida. Pois sempre q meus pais perguntavam sobre meu rendimento na escola sempre falavam q era otimo e blablabla, eu ate aceitaria melhor se mais alunos fosse punidos, teve aluno q perdeu em mais materias do que eu e a escola aprovou no conselho e eu não. poxa vei.. o aluno q aprovaram não fazia nda nem frequentava as aulas e é aprovado e eu não?.. agora vou ter de fazer dependencia e tenho q ouvir o povo rindo de minha cara isso não foi justo mesmo. e eles dizem q nom podem fazer nda e oq podiam fazer pra me ajudar não querem fazer. oq faço? to chateada meus amigos na facul e eu presa nas dependencias ate o fim do ano. meus pais me colocaram em varios cursos como prevestibular, inglês.. mesmo assim estou decepcionada com a justiça feita na escola.

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