
De alguns anos para cá, parece que o Brasil descobriu a importância da avaliação escolar.
DEMOROU!!!
Este meu post é dedicado àqueles que são contra a progressão continuada e, por pura ignorância, a chamam de “empurração automática”.
Quem me conhece sabe que eu nunca defendo uma teoria antes de conhecer a prática. E eu vou falar da progressão continuada como foi praticada na escola dos meus filhos. Ela foi implantada por Paulo Freire/Mário Sérgio Cortella na rede municipal de Sampa, no início da década de 90. Ela é fundamentada na avaliação contínua do aluno e se chama progressão CONTINUADA porque a avaliação também é contínua. E um terceiro fator é a recuperação contínua. Sem a avaliação e a recuperação, a progressão continuada NÃO FUNCIONA. É um tripé:
PROGRESSÃO CONTINUADA =
AVALIAÇÃO CONTINUADA + RECUPERAÇÃO CONTINUADA
Na escola dos meus filhos havia um projeto, muito bem implantado, de interdisciplinaridade. Digo muito bem implantado, porque sempre acompanhei de perto o estudo deles e via como funcionava. Além disso, a gestão era participativa e eu, mãe, participava do Conselho de Escola, com outros pais eleitos pelos seus pares e não escolhidos pela direção da escola, como virou “moda” depois. E a proposta educacional da escola era discutida no Conselho, com os pais dando opinião, sim senhor! É por isso que estou podendo explicar para vocês como funcionava.
Bem, a interdisciplinaridade exigia que os alunos fizessem muita pesquisa – isso nas primeiras séries do Ensino Fundamental! E não era na biblioteca, não. Eles tinham que pesquisar produtos na feira ou em supermercado, ler rótulos e levar embalagens para a escola. Tinham que entrevistar vizinhos ou parentes de diversas profissões. Tinham que procurar e visitar pessoas importantes no bairro, inclusive descobriram que o neto do desembargador que deu nome à escola morava por lá. Tinham que pesquisar quem eram as pessoas que davam nome às ruas vizinhas. Perto da escola tem o monumento “Borba Gato” e eles foram visitar o escultor Júlio Guerra, que ainda era vivo e morava no bairro. Os professores de ciência criaram uma horta e os alunos foram cultivando e aprendendo sobre plantas, bichos e meio ambiente. Foi também organizada a coleta seletiva do lixo, toda a escola participava e as classes de Oitava Série eram responsáveis pela venda de sucatas junto aos catadores do bairro. Isso é apenas o que me lembro de momento.
Bom, e onde entra a avaliação nisso tudo? A avaliação era QUINZENAL, feita através de provas. As crianças adoravam fazer as provas, porque os assuntos eram variados e do seu cotidiano. Então, por exemplo, a prova de português era uma redação sobre o Borba Gato, a de matemática era sobre as compras feitas na feira, a de história era sobre as personagens das ruas do bairro, a de geografia era sobre as regiões de onde vinha a madeira da qual era feito o papel que ia para a reciclagem, e assim por diante.
E as formas de avaliação também eram variadas: uma hora os próprios alunos faziam a auto-avaliação, dando o professor apenas a palavra final, outra hora o professor corrigia as provas, mas o ele NUNCA CORRIGIA A CANETA. Ele só podia usar lápis. Por que? Os coordenadores pedagógicos explicavam que riscar as provas ou os cadernos do aluno com caneta azul ou vermelha era psicologicamente negativo, ressaltava o erro e não o aprendizado. Os cadernos dos alunos eram bem organizados e eles tinham prazer em mostrá-los, depois de corrigirem os erros.
Mas a verdadeira apoteose da avaliação era a “feira” anual da escola, cujo tema era escolhido no início do ano pelo Conselho e que era trabalhada a partir de setembro. A “feira” era aberta ao público durante a última semana de aulas e consistia numa exposição que ocupava nada mais nada menos que a escola inteira. Cada classe trabalhava arduamente no tema de acordo com todos os recursos possíveis: cartazes, mapas, maquetes, fantoches, esculturas, engenhocas, encenação, show etc. Como a proposta da escola era a interdisciplinaridade, os trabalhos eram bastante variados e os convidados passavam horas indo de sala em sala admirando o trabalho dos alunos. O trabalho da feira fechava a avaliação dos alunos, já feita exaustivamente durante as provas quinzenais de todas as matérias. E os alunos davam o melhor de si, nem que fosse para mostrar seu trabalho à família e aos amigos.
Os professores? Muitos eram excelentes, outros nem tanto, mas todos recebiam orientação da coordenação pedagógica e até os mais inexperientes acabavam se saindo bem. Havia, na escola, uma homogeneidade que eu nunca mais vi depois daquela gestão.
Estou falando do que eu vivenciei e não de teoria. Quanto às avaliações governamentais que estão sendo desenvolvidas no País inteiro de alguns anos para cá, já dissemos aqui que são muito bem-vindas: Prova Brasil, Saresp, Saeb, Enem etc são ferramentas muito úteis de avaliação, mas não bastam. As provas governamentais servem para a avaliação DAS ESCOLAS e não dos alunos A avaliação do aluno precisa ser CONTÍNUA e o sistema de ensino ideal é a PROGRESSÃO CONTINUADA, pois permite que o aluno aprenda a matéria dentro do ano letivo, sendo avaliado constantemente e recebendo a recuperação imediata, quando necessário.
Dá trabalho? Sim, dá trabalho! E por que não deveria dar???
DEMOROU!!!
Este meu post é dedicado àqueles que são contra a progressão continuada e, por pura ignorância, a chamam de “empurração automática”.
Quem me conhece sabe que eu nunca defendo uma teoria antes de conhecer a prática. E eu vou falar da progressão continuada como foi praticada na escola dos meus filhos. Ela foi implantada por Paulo Freire/Mário Sérgio Cortella na rede municipal de Sampa, no início da década de 90. Ela é fundamentada na avaliação contínua do aluno e se chama progressão CONTINUADA porque a avaliação também é contínua. E um terceiro fator é a recuperação contínua. Sem a avaliação e a recuperação, a progressão continuada NÃO FUNCIONA. É um tripé:
PROGRESSÃO CONTINUADA =
AVALIAÇÃO CONTINUADA + RECUPERAÇÃO CONTINUADA
Na escola dos meus filhos havia um projeto, muito bem implantado, de interdisciplinaridade. Digo muito bem implantado, porque sempre acompanhei de perto o estudo deles e via como funcionava. Além disso, a gestão era participativa e eu, mãe, participava do Conselho de Escola, com outros pais eleitos pelos seus pares e não escolhidos pela direção da escola, como virou “moda” depois. E a proposta educacional da escola era discutida no Conselho, com os pais dando opinião, sim senhor! É por isso que estou podendo explicar para vocês como funcionava.
Bem, a interdisciplinaridade exigia que os alunos fizessem muita pesquisa – isso nas primeiras séries do Ensino Fundamental! E não era na biblioteca, não. Eles tinham que pesquisar produtos na feira ou em supermercado, ler rótulos e levar embalagens para a escola. Tinham que entrevistar vizinhos ou parentes de diversas profissões. Tinham que procurar e visitar pessoas importantes no bairro, inclusive descobriram que o neto do desembargador que deu nome à escola morava por lá. Tinham que pesquisar quem eram as pessoas que davam nome às ruas vizinhas. Perto da escola tem o monumento “Borba Gato” e eles foram visitar o escultor Júlio Guerra, que ainda era vivo e morava no bairro. Os professores de ciência criaram uma horta e os alunos foram cultivando e aprendendo sobre plantas, bichos e meio ambiente. Foi também organizada a coleta seletiva do lixo, toda a escola participava e as classes de Oitava Série eram responsáveis pela venda de sucatas junto aos catadores do bairro. Isso é apenas o que me lembro de momento.
Bom, e onde entra a avaliação nisso tudo? A avaliação era QUINZENAL, feita através de provas. As crianças adoravam fazer as provas, porque os assuntos eram variados e do seu cotidiano. Então, por exemplo, a prova de português era uma redação sobre o Borba Gato, a de matemática era sobre as compras feitas na feira, a de história era sobre as personagens das ruas do bairro, a de geografia era sobre as regiões de onde vinha a madeira da qual era feito o papel que ia para a reciclagem, e assim por diante.
E as formas de avaliação também eram variadas: uma hora os próprios alunos faziam a auto-avaliação, dando o professor apenas a palavra final, outra hora o professor corrigia as provas, mas o ele NUNCA CORRIGIA A CANETA. Ele só podia usar lápis. Por que? Os coordenadores pedagógicos explicavam que riscar as provas ou os cadernos do aluno com caneta azul ou vermelha era psicologicamente negativo, ressaltava o erro e não o aprendizado. Os cadernos dos alunos eram bem organizados e eles tinham prazer em mostrá-los, depois de corrigirem os erros.
Mas a verdadeira apoteose da avaliação era a “feira” anual da escola, cujo tema era escolhido no início do ano pelo Conselho e que era trabalhada a partir de setembro. A “feira” era aberta ao público durante a última semana de aulas e consistia numa exposição que ocupava nada mais nada menos que a escola inteira. Cada classe trabalhava arduamente no tema de acordo com todos os recursos possíveis: cartazes, mapas, maquetes, fantoches, esculturas, engenhocas, encenação, show etc. Como a proposta da escola era a interdisciplinaridade, os trabalhos eram bastante variados e os convidados passavam horas indo de sala em sala admirando o trabalho dos alunos. O trabalho da feira fechava a avaliação dos alunos, já feita exaustivamente durante as provas quinzenais de todas as matérias. E os alunos davam o melhor de si, nem que fosse para mostrar seu trabalho à família e aos amigos.
Os professores? Muitos eram excelentes, outros nem tanto, mas todos recebiam orientação da coordenação pedagógica e até os mais inexperientes acabavam se saindo bem. Havia, na escola, uma homogeneidade que eu nunca mais vi depois daquela gestão.
Estou falando do que eu vivenciei e não de teoria. Quanto às avaliações governamentais que estão sendo desenvolvidas no País inteiro de alguns anos para cá, já dissemos aqui que são muito bem-vindas: Prova Brasil, Saresp, Saeb, Enem etc são ferramentas muito úteis de avaliação, mas não bastam. As provas governamentais servem para a avaliação DAS ESCOLAS e não dos alunos A avaliação do aluno precisa ser CONTÍNUA e o sistema de ensino ideal é a PROGRESSÃO CONTINUADA, pois permite que o aluno aprenda a matéria dentro do ano letivo, sendo avaliado constantemente e recebendo a recuperação imediata, quando necessário.
Dá trabalho? Sim, dá trabalho! E por que não deveria dar???
O garoto da imagem (Revista Nova Escola), fotografado durante a recuperação, é aluno do "Superciep" de que falamos no post de 30/10/06.
Mais uma prova de que a progressão continuada é possível e é a solução para todo o Brasil.
Comentários
eu não sou a Cristina Lima da Cultura.
Mas tento ( e Deus sabe como) fazer cultura.
beijos
Você sabe bem que sou mais que adepto dos 'velhos e ultrapassados' modos pedagógicos e já expliquei porque.
Esse exemplo que você cita, pelo que vejo entre as escolas que conheço (filhos, sobrinhos e afins) nas quais o que acontece de fato é o 'empurra ou paga', foi um facho de luz na escuridão, mas a lamparina era de vidro e se quebrou.
O que conheço ( e minha visão é logicamente mais estreita que a sua, principalmente nesse assunto), é a formação de pessoas com uma bagagem minimamente absurda, com conhecimentos repassados, como vocês disseram acima.
Quando vou atender a um paciente, pergunto sobre seu estado e lhe forneço uma ficha breve e de múltipla escolha para ser preenchida.
Nem assim é preenchida de forma correta.
A ignorância ( em todos os níveis) está em alta.
Ah sim: não esqueça que moro no interior do Estado. Se você acredita que os problemas aí sejam piores, é porque não viu a quantidade de aulas vaga/ano por aqui...