Que 1º dia de aula!


Ontem, primeiro dia de aula na rede estadual de São Paulo, ocorreu um fato assustador. Assustador, para quem não conhece a EE Brasílio Machado, aquela escola onde em março do ano passado a polícia militar foi chamada para retirar da sala de aula duas alunas não uniformizadas. Otimistas que somos, pensamos que a escola tivesse sido orientada e que não tomaria novas medidas ilegais. Abaixo transcrevemos a mensagem impressionante que recebemos hoje do pai de uma aluna. Acabamos de encaminhá-la à Ouvidoria da Educação e à própria Secretária Maria Lúcia Vasconcelos pedindo, desta vez, intervenção na escola, que aparentemente apresenta muitas outras irregularidades. Parabéns para esse pai que, além de relatar os fatos de forma tão precisa, foi registrar o assunto no Livro de Ocorrências da escola. É para isso que ele serve!


A VEEELLLHHHAAA questão dos uniformes adquiriu, no Brasílio Machado,colégio da Vila Mariana, características realmente alarmantes: no primeiro dia de aula, não apenas os alunos sem uniforme foram barrados, mas por FORÇA POLICIAL com ameaças e spray de pimenta. Alguns alunos sem uniforme foram VIOLENTAMENTE retirados da escola pelos próprios prepostos (coordenadores e serventes), seguros em seus braços e retirados aos berros e humilhações. Até quando vamos conviver com isso? Não se trata nem mais de lei (que a lei, como vocês mesmo colocam no site, é clara: não pode haver a obrigatoriedade, por mais que um conselho de mães carentes e desinformadas considere que isso vai nos assegurar contra a violência). Acontece que a questão extrapola a lei, pois o uniforme visa justamente CONTER a discriminação e tirar o aluno de possíveis CONSTRANGIMENTOS (pela guerra das "grifes", por exemplo.) No entanto, o que estáacontecendo é uma brutal INVERSÃO DE VALORES que fere todo o bom senso, levando junto a LDB o Estatuto do Menor, leis estaduais e mesmo a resolução dos Promotores Para a Educação, conforme seu documento divulgado, condenando taxativamente a obrigatoriedade do uniforme (aliás, veja-se resoluções por todo o país, em processos movidos por pais ou responsáveis, que todos dão parecer contrário à obrigatoriedade). Isso é PURO CONSTRANGIMENTO, violência ao menor (lembremos que não podemos agarrar menores e constrangê-los a ir ou vir contra a vontade). Hoje irei à escola junto com a minha filha, com cópias da LDB, resolução dos Promotores e lei 3.919, bem como vou preencher o livro de ocorrências e protocolar denúncia contra os procedimentos com cópia para a Corregedoria da Educação. No entanto, como proteger minha filha disso? Como posso admitir que ela passará a maior parte de sua vida ativa deste ano submetida a tais pessoas? Eu não poderei estar presente sempre: e quando vier um spray de pimente ou uma cacetada que lhe deformará o corpo pelo resto da vida? Que indenização valeria a integridade da minha filha? Como prevenir esse tipo de situação? Esperar que o primeiro adolescente seja espancado? Senhores, estou realmente CHOCADO pela arbitrariedade, truculência, falta de visão e planejamento, discriminação. Para não abordar o ALARMANTE índice de falta de professores, a falta de um plano educacional, a jogadinha dos professores para fazer uma APM controlada por eles (através de “pais de aluguel”: um professor matricula um filho e pode burlar a lei, tornando-se tesoureiro ou presidente, o que lhe seria indevido), com aulas e aulas vagas sendo não mais a exceção, mas a regra de um corporativismos profissional que joga no lixo o conceito do que é ensinar. Ensina-se falando, é verdade, mas o que eu realmente APRENDI e que me fez o homem que sou veio do exemplo de velhos mestres: Pachequinho, Dona Celmira, Dona Clélia. Tais senhores e senhoras, mesmo sem leis, diretrizes ou qualquer outra coisa dignificavam o ensino, me fizeram sentir-me forte, cidadão, capaz... Me alertaram para o meus direitos e, através de suas sofridas vidas de professores, seus guarda-pós muitas vezes rotos e empoeirados de giz, deram exemplos que dignificam a educação. Que exemplo o poder público, a polícia, a direção da escola, seus serventes e prepostos estão nos dando? Agradeço a atenção dos senhores, e peço que façam eco (aliás, parece que sou eu a fazer o eco, pois o site de vocês foi realmente de grande ajuda). Apenas para terminar: isso foi NO PRIMEIRO DIA DE AULA, onde, supõe-se (mesmo os grupos e ginásios da época da ditadura) que os alunos estejam se ajustando, e inclusive providenciando uniformes... Mas nem prazo foi dado: a escola, senhores, foi FECHADA, com polícia ameaçando e coordenadores gritando e agarrando. Me ajudem!!!

Comentários

david disse…
Como você pode ver, não sou somente eu quem tem saudades dos velhos tempos.
Agora, umas perguntinhas básicas:

-Onde está o irritadinho Prefeito Sumiço de São Paulo numa hora dessas?
-Onde está o Senhor Governador José Serra, numa hora dessas?
-E, finalmente, o que faz ali pessoa como a diretora dessa escola? Creio eu que isso tenha partido dela (ou dele, sei lá)...
Giulia disse…
Exelentes perguntinhas!
O irritadinho prefeito vai dizer que não é com ele, pois a escola é estadual. (Há anos falamos aos ventos que aluno é aluno, ele não é "municipal", "estadual" nem "federal", mas quem se importa?)
Do Senhor Governador estou tentando descobrir o e-mail do gabinete, eu chego lá...
A diretora da escola está lá porque a corporação é assim mesmo. No ano passado a escola esteve na mídia com o caso das duas garotas que relatei...e daí?...
É por isso que elogiamos esses poucos pais que têm a coragem de vir a público, pois se todos registrassem essas irregularidades no livro de ocorrência, a situação mudaria rapidinho. Mas sabe por que a maioria dos pais têm medo de registrar a ocorrência? Porque se os filhos forem permanecer naquela escola, a corporação vai fazer da vida deles um inferno! O que tentamos mostrar aqui é o seguinte: a figura de GOVERNO E CORPORAÇÃO se confunde na educação, pois desde o secretário até o ouvidor, todos são professores. Por isso a nossa reivindicação de que a Ouvidoria da Educação seja independente da corporação. Havemos de chegar lá!
david disse…
Telefones:
(0xx11) 2193-8000
(0xx11) 2193-8344 (PABX)

Só tem isso no site...

Mas descubro isso já já.
Glória disse…
Outro dia liguei para o MEC, o "Fala, Brasil!" para relatar umas irregularidades da escola aqui na minha cidade (óbvio que depois de tentar nos órgãos competentes locais) e o atendente, muito entediado, talvez por eu interromper algum papo um sua sala "de serviço", me respondeu que a área Federal não tem nada a ver com o que acontece nos estados e municípios... Vocês acreditam? Que a gente faz com esse bando de parasita???
Giulia disse…
Paredón, rsrs
Ricardo Rayol disse…
Giulia, o próprio pai dá a receita para detonar com esse absurdo.. que o ECA sirva também para isso.

PS: Não gosto de fazer propaganda viu fofa mas o movimento evolução está preparando uma blogagem coletiva contra a anistia do |José Dirceu. Topa?
Giulia disse…
A "receita" do pai não é assim tão tranqüila, não sei se você percebeu a aflição dele... É o receio de que a própria filha venha a ser perseguida por causa de sua denúncia e eu te garanto que essa preocupação é muito válida.

Sobre o PS: Eu, Giulia, sou contra a anistia do JD, mas não posso comprometer o EducaFórum, como já te disse, pois tem gente aqui que pode ter opinião divergente e eu não discuto esse tipo de assunto neste blog. Conte comigo para os comentários no Evolução, sempre que eu esteja de acordo.
Glória disse…
Sem falar que, se temos que provocar alguma derrubada, seria a dos maus funcionários públicos, principalmente maus professores, porque, estes sim, provocam uma derrubada na vida de nossas crianças e jovens. Mas não adianta, no imaginário popular, eles sempre gostam de centralizar suas energias "revolucionárias" em certas figuras, de preferência, longe deles... Já viu alguém tentar derrubar "gente ruim" na escola, no seu bairro, na sua cidade?
Mauro disse…
Giulia,

O Grêmio SER sudeste fez a denúncia contra a EE Brasílio Machado na Assembléia Popular de 14/02/2007:

"CPI da criança
Mauro Alves da Silva, do Grêmio Ser Sudeste, cobrou da TV Assembléia a exibição da programação também aos sábados, domingos e feriados. Também informou sobre a realização da CPI da Criança na Câmara Municipal de São Paulo, instalada nesta quarta-feira. Disse que a CPI deverá investigar a prática de maus-tratos às crianças de escolas públicas. Silva criticou a edição de dois decretos (48.050 e 48.051), feita pelo prefeito Gilberto Kassab, que retira das crianças benefícios concedidos às famílias, sendo um deles o Bolsa-Escola, para pagar gratificações aos professores. Ele denunciou a ilegalidade da cobrança de uniformes das crianças por escolas públicas e citou o caso da Escola Brasílio Machado, “que está colocando crianças para fora porque não têm condições de comprar o uniforme”.
[Texto revisado]
Veja Também a lei estadual 3.913/83

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