P´sora burra



Você já ouviu uma história dessas inúmeras vezes. Ela é verdadeira e todos sabemos disto, mas “ninguém” acredita. Por “ninguém” entendem-se as autoridades responsáveis e – nem sempre, mas eventualmente - competentes.

Do que estou falando, afinal?... De algo que me deixa profundamente indignada, a ponto de não conseguir entrar diretamente no assunto. Calma, que chego lá!

A última me foi contada esta semana e estão sendo tomadas as providências possíveis, mas me pergunto o que pode remediar tanto estrago. Bem, trata-se de uma garota de sete anos, cursando a II Série. Não, não foi atingida por uma bala perdida, não foi arrastada por um carro, não foi estuprada pelo padrasto, nem seqüestrada. É só isso mesmo que consegue sensibilizar esta nossa sociedade, não é? O juízo está tão embotado por uma mistura de telenovelas com sensacionalismo a la bígui bróder, que problemas mais “sutis” acabam parecendo bobagens.

A menina não quer voltar para a escola. Não por não ter aprendido nada – e de fato nada aprendeu. Uma criança de sete anos não sabe se expressar direito, muitas vezes nem mesmo consegue entender o que sente. A mãe precisou de muita paciência e de longas conversas para tentar saber os motivos. Primeiro a menina começou a dizer que não gostava mais da professora. Depois ela confessou que a professora a chamava de “burra”. Finalmente, a mãe soube que a professora havia dito, na frente de toda a classe, que a menina tinha distúrbios e precisava ser tratada por um “médico da cabeça”. Em nenhum momento a mãe foi chamada na escola para conversar e resolveu ir falar com a diretora sobre o assunto. Um prêmio para quem adivinhar o posicionamento da diretora!
A resposta segue no próximo post. Mais suspense!

Até lá, Sr. Secretário Municipal da Educação, Alexandre Alves Schneider, saiba que a bronca é com o Sr. mesmo! Fique de olho nas suas Coordenadorias e procure saber qual delas recebeu uma denúncia desse tipo. Como já disse, essa situação acontece diariamente nas escolas públicas de todo o País (uma colher de chá para o Sr. Secretário...), mas é abafada por diretores corporativistas e coniventes com o CRIME, sim, crime de violação dos direitos básicos de nossas crianças.

Quanto a essa professora, ela não perde por esperar seu “prêmio”.
Por enquanto, levará o apelido de P´sora burra. Nada mais merecido!

Comentários

Ricardo Rayol disse…
caraca, se fosse comigo essa maldade não ficava barato não.
Giulia disse…
É, mas poucas pessoas pensam assim. A maioria não acha nada demais. Afinal, é apenas um xingamento, ora!... E a "pobre" professorinha deve ter "problemas" e precisa desabafar para cima de alguém, não é mesmo? Nada melhor do que uma criança de sete anos. Aliás, muito bom uma criança de sete anos já ir se acostumando a ser xingada, pois a vida é dura, não é mesmo?...
Blogiana disse…
Ai tia, conta, conta o que deu, tô super curiosa!!!
E tomara que não seja só aquela bronquinha polida. Se dissesse isso da minha filha, nao ficaria por isso nao. Quem planta vento, colhe tempestade.
Giulia disse…
Adriana, não seria nunca com a sua filha, nem com a minha... Gente arrogante sabe muito bem com quem faz essas maldades. E ainda tem muito chão pra manga até essa professora ser punida. Mas ela não perde por esperar!
Giulia disse…
Ah, errei! É chão pra manga e pano pela frente, rsrs
Santa disse…
Minha querida,


Confesso que fiquei emocionada ao leu o seu comentário pela Ju... Agradeço a vc e a todos que mais uma vez estiveram comigo nos momentos ruins que passei com doença encolvendo 3 pessoas da minha família. Duas hospitalizadas (ao mesmo tempo): minha filha e um dos meus irmãos. Vocês não fazem idéia o quanto é confortante contar com o carinho dos amigos - meus leitores queridos. Beijos.
Luisete disse…
Giulia,

Já vivi experiências difíceis quando meus filhos eram crianças. Imagino que, agora, esteja pior. Há professores despreparados. Sempre conto uma história em que um professor apelidou um aluno negro de branca de neve, humilhando-o diante da classe. E minha filha já foi alvo de racismo na escola particular. E é como você descreveu, a criança não tem repertório para identificar a agressão. Se os pais não estiverem atentos, passa batido e o prejuízo será irreparável.

A vigilância da família é muito importante.
Giulia disse…
Luisete, você não faz idéia como são importantes comentários como o seu. Pois a tendência das autoridades - diretores de escola, professores, supervisores e coordenadores de ensino - é NEGAR essa realidade. Muitas vezes a criança sofre uma violência psicológica ainda maior, ao ser chamada de mentirosa e confrontada com adultos que não merecem ser chamados de tais. Por isso são necessários depoimentos que possam mostrar como esse tipo de ocorrência é comum na rede pública (e também na particular, como você mesma coloca...). Inclusive fala-se tanto em "bulliying" como um fenômeno que se dá de aluno para aluno, mas a verdade é que se a escola souber lidar com o fenômeno, o problema acaba. Infelizmente, em muitos casos, são os próprios professores que dão o exemplo, chamando os alunos disso e daquilo. As crianças costumam imitar e...
Vera Vaz disse…
To com um caso aqui incrível,xipó! As crianças vieram de Maceió.... lá tá tudo em greve porque educação não é serviço essencial (claro que não, imagine!) E nem documentos eles entregam (pra que né) ...então uma senhora com três filhos adolescentes não consegue inscreve-los em nenhuma escola aqui em Sampa sem o "mardito" papel! Vão perder um ano...e daí?... Acho que ninguém se importa com o que estarão fazendo esses 365 dias sozinhos em casa na periferia de São Paulo...
Mas sem papel não dá né?... (será que não têm mesmo visão de nada? não percebem o quanto isso pode atrapalhar a vida dessas pessoinhas? dessa família? dessa cidade? desse país?)
Não sei se desisto ou insisto...
(acho que devia ser assim a conclusão do filosófo: Penso...logo desisto..
Descartes não pensou o bastante ou não imaginou esse país quando disse isso...)
Vera Vaz disse…
Ah!!!!!!!!!! vai ver que pra eles mães pobres da periferia e respectivos filhos NÃO PENSAM... LOGO NÃO EXISTEM!!!! rs....
Giulia disse…
Esse tipo de caso só se resolve com imprensa, xipó. Me manda os dados!