Lição de casa


Recebemos sempre tantas denúncias “cabeludas” de escolas públicas que muitas vezes não temos tempo de responder aos pais da rede particular, quando nos escrevem. A mensagem que segue é muito interessante e por isso a colocamos aqui como “lição de casa”. A situação é delicadíssima, pois se trata de uma mãe que tomou as dores de uma aluna da escola do filho e sua atitude poderia prejudicar o próprio garoto, que não tem nada a ver com a história. Mas, quem sabe, algum dos nossos criativos leitores possa dar uma dica para essa mãe!...

Meu filho tem 5 anos e cursa o 1º ano do ensino fundamental em uma escola particular. Um dia desses ele me disse que a professora do 2º ano o chamou para fazer algumas perguntas que uma aluna sua não sabia responder. Ela perguntava e ele respondia na classe do 2º ano, em frente à menina que não sabia a resposta. Quando acabou, a professora o agradeceu com um beijo e o mandou para a classe dele. Quando ia saindo, meu filho escutou os gritos da professora com a aluna: "...QUANTAS VEZES EU VOU TER QUE TE ENSINAR ISSO...ETC”. Meu filho contou que deu para escutar o choro da menina de onde ele estava. Bem, eu não suporto injustiças e sei que a maioria também não. Assim como não gostaria que acontecesse isso com meu filho, também me sinto no dever de fazer alguma coisa para que essa "professora" saiba honrar a missão a que se propôs. O que posso fazer? Já falei pra mãe da menina, mas essa parece mais ignorante que a professora.
Daniela
Não deixe de acompanhar os comentários que ajudaram a Daniela a tomar uma atitude junto à escola do filho. Este é o verdadeiro propósito do EducaFórum: criar um grupo de discussão que fuja ao lugar comum e à indignação barata, levando os pais e alunos a refletir sobre os problemas e agir de forma sensata e justa.
EDUCAFÓRUM: O BLOG QUE VIROU CHAT!

Comentários

Glória disse…
Giulia, a dica é óbvia: comunicar à diretora ou supervisora da escola. Quanto à questão de "prejudicar o próprio filho" não tem saída, todos que se propõem a modificar a ordem de crueldade vigente na escola ficam expostos a esse risco. Mas, neste caso, tratando-se de escola particular, o risco é bem menor, assim como há a possibilidade de obter bons resultados como, um deles, de conscientização da professora para que ela não pratique mais torturas como essa.
Giulia disse…
Glória, esta é uma discussão interessante: será mesmo que por ser na rede particular a professora não vai negar descaradamente, nem chamar o garoto de mentiroso? Pois na rede pública aconteceria exatamente isso: chamada à atenção, a professora diria que o aluno "não ouviu direito", que "não podia ter ouvido corretamente, por estar em outra classe", que "criança dessa idade tem uma fantasia exacerbada" etc. e tal.
Mas talvez você tenha razão: na rede particular o diretor da escola ouve mais os pais, por medo de perder alunos...
Seria bom ouvir outras opiniões, além do nosso grupo de "comadres", rsrs. Estou chegando à conclusão de que a Daniela está errada ao pensar que "a maioria não suporta injustiças"... Olá, Daniela, não quer entrar no papo?
Ricardo Rayol disse…
Mas que barbaridade.
Giulia disse…
Ah, Ricardo, você tem uma menina de cinco anos, que é a idade do filho da Daniela, não é? Digamos que a sua filha seja a aluna que a professora escolheu para dar uma "lição de moral" para a menina que não consegue entender a matéria. Essa outra deve ter sete ou oito anos, por estar na segunda série (e provavelmente não teve coragem de contar para os pais dela o vexame a que foi submetida. Aliás, a própria Daniela contou e a mãe não está nem aí).
O que você faria num caso desses?(Não vale "dar porrada", como você costuma sugerir, rsrsrs)
Daniela disse…
Olá. Lí os comentários, e confesso que passei o final de semana tentando não pensar no que pode acontecer com meu filho depois de eu ter falado para a mãe da menina,caso ela tome a atitude de falar com a professora.Porém o problema não é só a questão da humilhação da garota, mas também a professora ter usado meu filho para humilhá-la(mesmo sem ele saber o que estava fazendo).Não é essa educação que dou a ele em casa. Depois que ele me contou o que aconteceu eu tentei explicar a situação pra ele, sem que ele se sentisse culpado pelo o que havia acontecido. Senti que ele entendeu, porém ele repetia várias vezes "...mãe, mas era muito fácil..."Acho realmente que vou ter que falar com a diretora.
Giulia disse…
Olá, Daniela, acredito que se você colocar para a diretora a questão dessa forma, ou seja, questionando que não gostou que seu filho tenha sido "usado" pela professora, ela vai sim tomar uma atitude positiva, pois aí você não estará tomando as dores da outra criança, mas falando do seu filho. Certamente a professora escolheu seu filho a dedo, pois com cinco anos ele deve estar adiantado até para a "nova" primeira série. O argumento dela com a aluna deve ter sido o seguinte: como é que uma criança de cinco anos entende o que eu falo e você não?...
Quanta cegueira, quanto despreparo e talvez, quem sabe, quanta perversidade! Engraçado que a maioria das pessoas ficam indiferentes a esse tipo de comportamento dos professores, provavelmente porque repete o que os próprios pais fazem em casa com os filhos: está vendo como seu irmão entende, como ele sabe, como ele é melhor do que você?...
Luis Paulo disse…
Meus professore sempre foram assim. Resultado: hoje sou um advogado brilhante e tenho colegas juízes de direito. Os professores da rede pública não podem agir assim. Resultado: professores são desrespeitados, humilhados e rebaixados; alunos viram marginais ou criminosos! Pelo menos é bom pra minha classe que sempre terá clientes! Minha dica: Parem de encher o saco de quem educa!
Giulia disse…
Falou "A voz do Brasil".
Blogiana disse…
Giulia... uma barbaridade dessas e a mae nem pra reclamar? Nao sei quem eh mais estupida: a mae acomodada ou a professora ignorante.
Sou muito conhecedora dos meus direitos e deveres. Nao acomodo, especialmente com relacao a minha filha. O que falta eh a mae levantar a bunda da cadeira e fazer alguma coisa. Ou essa menina passara a vida toda a merce de idiotas, como a professora.
Vera Vaz disse…
Tem gente que ainda acredita que através da humilhação e da força as pessoas podem ser educadas... O que é uma grande incorerência: educar com falta de educação...
Pedro Block conta que sempre recebe agradecimentos de homens brilhantes que ele não conhece que ouviram dele quando eram garotos: "Você é bom, inteligente e capaz!". De alguma forma essas simples frase foi importante na vida desses homens e os fez seguir seu caminho acreditando em si e sendo vencedores... Mas tem gente que ainda acredita em mal-tratos pra criar vencedores... (serão mesmo vencedores? serão mesmo educados?.... tenho cá minhas dúvidas... Mas como dizem que os ignorantes são incapazes de perceber a própria ignorância acho que pensam que sim... e saem por aí escrevendo em blogs o quanto são felizes por terem sido puxados com cabresto curto e se achando brilhantes!!!!)
Mário disse…
Giulia, para não misturar as idéias, deixei de ler os demais comentários antes de postar este. Leio depois de mandar o meu. É uma situação complicada, minha querida. A mãe do menino não tem qualquer nível de responsabilidade em relação à menina ofendida. Juridicamente, a mãe do garoto não tem poder de representação em relação à garota.
Na medida em que alertou a genitora da criança e esta pouco se importou com o fato, significa dizer que talvez nem seja uma tão boa mãe assim.Significa, também, que não pretende levar a questão adiante, não quer "encrenca" para ela. Pouco se lhe dá se sua filha é ofendida por aquela que, no afã de educar, deseduca.
Juridicamente, falta poder de representação para a mãe do menino em relação à menina ofendida. Ou seja, de modo unilateral, na esfera privada, sem a mínima chance.
Questão diferente e capaz de suprir a ausência de correta representatividade, seria levar adiante através da Promotoria da Infância e Juventude, que tem o dever legal de apurar os fatos e, não necessariamente, através de uma ação processual mas, muitas vezes, convocando a professora para uma conversa informal, espécie de advertência verbal.
Agora veja, se a mãe da criança nega os fatos, demonstra desinteresse, quem estará exposta será a mãe do garoto e, como vc bem o sabe, aguente represália.
Situação delicada, amiga.
Fico pensando aqui com os meus botões: será que a menina tem pai vivo, aquele que não figura apenas na identidade? Qual seria a opinião dele? Soube desses fatos noticiados? Se soubesse, o que faria? Será que ele não teria atitude oposta àquela adotada pela genitora? Pode ser um caminho alternativo, menos invasivo. Se não tiver pai ou o pai for tal qual a mãe, hummmm.... sem chance.
A não ser que os fatos se repetissem em relação a outros alunos, então tentar-se-ia formar um grupo de mães para conversar na esfera administrativa com a Coordenadora e a Diretora do colégio, evitando a exposição de uma pessoa só. Se não se repetem, se é um caso isolado, torna-se impossível não expor o garoto.
Se bem que uma carta anônima para o Juízo da Infância e Juventude ou para o MP da infância e juventude, sem maiores detalhes quanto ao caso em si, porém noticiando que determinada professora constantemente trata de modo discriminatório determinada aluna, poderia ser uma alternativa, tipo "fiquem de olho que a coisa lá está feia e a mãe da garota não se importa com isso".
Meio radical, né?! Mas a situação não apresenta muitas alternativas.
É a minha opinião, Giulia.
Ou aguardam-se outros fatos; ou guarda-se o silêncio; ou denuncia-se anonimamente, tomando extremo cuidado para não ser identificada a pessoa que denunciou, a fim de serem evitadas possíveis represálias.
Espero ter contribuído de algum modo.
Abraços,
Mário.
Olá, Giulia!

Quem bom encontrá-la em meu novo blog. Espero vê-la com freqüência nesse blog que dá muito trabalho e, ao mesmo tempo, muita satisfação ao encontrar o som, a imagem e a poesia que se encaixam.

Quanto à escola pública, acho que vivo numa ilha. Minha filha estudou por sete anos numa escola municipal de Novo hamburgo. Excelente escola, ambiente, professores e estrutura. Claro que eu, como pai participante da associação de pais não deixava a bola cair.

Um abraço,

Sílvio
Giulia disse…
Bem, eu gostaria que houvesse mais opiniões, principalmente de pais com crianças nessa faixa etária, mas está difícil. Me parece que a solução da Daniela é muito correta: falar com a diretora e questionar a forma como seu filho foi "usado" pela professora. Neste caso, a professora não poderia negar descaradamente que chamou o garoto para outra classe e o interrogou, pois isso a criança não poderia ter inventado! E trata-se de um procedimento absolutamente fora de qualquer padrão: chamar um aluno de 1ª Série para ser interrogado na 2ª Série? A professora teria que explicar o motivo e dessa forma ela acabaria confessando que o objetivo era humilhar a aluna.
Daniela disse…
Obrigada, a todos por seus comentários e suas opiniões, (principalmente o comentário da Vera Vaz, foi ótimo!).Quero dizer a vocês que já falei com a diretora da escola e deixei claro que não gostei do meu filho ter sido usado para uma sessão de humilhação pública. Ela me prometeu que não iria acontecer de novo e iria tomar as devidas providências. Não sei se ela realmente vai fazer alguma coisa. Mas a minha parte como mãe, eu fiz.Infelizmente a "mãe" da menina não fez nada.
Giulia disse…
Daniela, a gente é que agradece a sua participação. Seja a escola pública ou particular, trata-se de educação. Você foi corajosa e ao mesmo tempo sensata, pois soube abordar o assunto com a diretora da escola de forma muito inteligente. Muitas pessoas colocam os pés pelas mãos e daí fica pior a emenda do que o soneto.
Quanto à Vera, ela é autora do livro "A escola do saber", cujo ícone você vai encontrar ao pé da página. Vale muito a pena você ler o livro, mesmo em formato virtual, pois mostra a sabedoria de uma mãe como você, crítica e atenta, que descobriu uma forma de ajudar não apenas seus próprios filhos, mas também outros alunos e seus pais. Acredite: o exemplo que você trouxe aqui vai mexer com a cabeça de muita gente que não teve oportunidade de discutir um pouco mais profundamente um assunto tão delicado quanto esse. Volte sempre e dê suas opiniões. Um abraço!
hugo disse…
Por que vocês não pedem uma opinião pra EDNA da SEE?
Giulia disse…
Hugo, gostaria, mas gostaria MUITO de ouvir a opinião dela. Tentei falar com ela há uns quinze dias, não consegui e desisti. Mas não era sobre isso. Era sobre um assunto muito cabeludo que nos levou a praticamente cortar as relações com a SEE.
Ricardo Rayol disse…
Giulia, tem prêmio para você lá em casa.
tunico disse…
Giulia, fale um pouco sobre o processo que o pessoal do COC moveu contra o site Escola sem partido.
Veja o post em http://blogscoligados.blogspot.com

Abs,
Tunico
Giulia disse…
Olá, Tunico, estou acompanhando o processo do COC contra o Escola sem partido. Uma grande piada. Não acredito que dê em nada e não compartilho da idéia de que o Brasil esteja correndo o risco de se tornar uma ditadura de esquerda. Mais uma bobagem. Talvez um dos problemas seja o Escola sem partido ter se tornado uma ong. Ongs são vistas com desconfiança e o fato de ter uma estrutura jurídica as coloca como alvos fáceis das grandes empresas e corporações que têm medo de moinhos de vento.
Dizer que existe escola "sem partido" no Brasil é mais uma piada. Este é o país dos privilégios, não apenas na prática, mas no desejo. Poucos querem seus filhos numa escola para todos, ou seja, uma escola que realmente poderia ser "sem partido". A rede pública já é rejeitada a priori, inclusive (a meu ver) porque muitos não querem seus filhos misturados com os da "ralé". Então existem aqui milhares de escolas, cada uma com sua "filosofia" (na maioria das vezes camuflando seu verdadeiro objetivo, o $$$$$) e os pais vão "enfiando" seus filhos numa ou noutra, sem acompanhar ou querer saber de fato o que acontece ali dentro e muito menos o que eles aprendem. Eles só perguntam com cara brava: fez "a lição"? Se não tiverem feito, pau neles. Mas, que lição é essa?... Quem quer saber?
Aqui no EducaFórum somos todos pessoas "físicas", não dá para atacar o site como uma organização. E o nosso objetivo é promover a escola pública, a única que poderá (se for possível...) tornar o Brasil uma verdadeira democracia. Tenho muita dificuldade em acreditar que uma criança acostumada a tratar como um ser inferior o filho do faxineiro do seu prédio possa se tornar um adulto democrático. E, quase com toda certeza, essas crianças não estudam na mesma escola. É nos bancos escolares que a democracia pode acontecer de fato. E no Brasil não acontece. Continuamos numa oligarquia onde meia dúzia mandam e o resto vai no embalo...
No mais, peço desculpas à meia dúzia de leitores do EducaFórum pela minha ausência por estes dias, devida a um acúmulo do trabalho profissional que me desvia para outro local. Assim é a vida de quem não recebe "jabá"...
Ricardo Rayol disse…
Giulia querida, eu jamais iria te passar um prêmio se não fosse merecdido, leia sobre o blog com tomates aqui e vai entender:

http://blogcomtomates.blogspot.com/