
Algumas mensagens não respondemos. Umas, por serem tão vagas que não conseguimos entender o conteúdo. Outras, por serem hipócritas ou mal intencionadas.
Elaine nos pergunta:
Gostaria de saber se há como um professor de nível superior ser punido por constranger aluno.
Não respondi o e-mail da Elaine porque o sangue subiu à cabeça. No entanto, comento o assunto aqui porque acho interessante discuti-lo publicamente. Essa frase tão curta mostra que talvez Elaine seja uma professora preocupada com uma possível punição por ter constrangido algum aluno.
Que punição, Elaine?! Professor que constrange aluno é o que mais existe na rede pública brasileira. E, além de não serem punidos, muitos saem premiados com licenças por “estresse” ou alguma promoção. Como diz a Cremilda, na educação brasileira foi descoberta a lei de gravidade ao contrário: ao invés de cair, o fruto podre sobe...
Mas a pergunta da Elaine contém um preconceito tão arraigado na cultura brasileira que foi traduzido em diversas leis: o de que determinados cidadãos merecem privilégios. Assim é, por exemplo, com as celas especiais para os detentos de nível universitário.
E assim deveria ser para o professor de nível superior?! Constranger alunos à vontade, que delícia! Bater o portão em sua cara, sempre que der na telha! Fazer a “brincadeira” do elástico a bel prazer! Rasgar suas provas na frente de toda a classe, quem dera! Chamar de burro, retardado, bicha, laranja podre, sem que nenhuma mãe pentelha pudesse denunciar!
Mas me surgiu uma outra hipótese: que Elaine não seja professora. Que ela seja uma mãe cujo filho sofreu algum constrangimento de um professor e que, ao reclamar com a direção da escola, tenha recebido a seguinte resposta: o professor tem nível superior e portanto goza de "imunidade". Alguém duvida que uma lorota dessas possa circular nas escolas públicas? Afinal, este é ou não é o país dos privilégios?...
Comentários
Saudamos a morte tardia. Viva a revolução bolivariana.