Responsabilidade por erro pedagógico


Este post é o resumo de uma conversa ocorrida em um grupo de Educadores sérios do qual faço parte.


No dia 10 de julho a Folha de São Paulo publicou o artigo de "Pedagogia deveria ter residência" de JULIO ABRAMCZYK. Diz o artigo:

"Na audiência pública da Comissão de Educação do Senado realizada terça-feira, o especialista em educação Célio da Cunha, da Unesco,considerou a residência médica como a melhor forma de treinamento e de encontro da teoria com a prática para a formação dos profissionais da medicina. A residência também permite ao médico recém-formado apreender conhecimentos desta área profissional em um a dois anos - o que de outra forma levaria aproximadamente dez anos para alcançar.

Nos países mais avançados na área da educação, nenhum professor em início de carreira entra em uma sala de aula sem antes passar por um bom treinamento. Por isso, o professor Célio da Cunha sugere a implantação de uma "residência pedagógica" no Brasil, aproveitando o princípio básico da residência médica.

Esta "residência pedagógica", segundo o especialista, poderia ser uma escola de referência onde o futuro professor, sob supervisão e orientação de docentes experientes, irá adquirir instrumental pedagógico e segurança para a sua atividade de ensino. Em nosso meio, o magistério foi muito desvalorizado e, com o tempo, foi se desqualificando, acrescentou.

As universidades e faculdades, com raras exceções, não conseguem formar um bom professor com pleno domínio técnico-pedagógico para assegurar o sucesso da aprendizagem básica. O que explica observar-se no Brasil o grande contingente de crianças que chegam à quarta série do ensino fundamental sem o domínio dos códigos elementares de escrita e leitura, concluiu. "


Poderíamos acrescentar a isso que além da residência deveria haver a responsabilidade por erro pedagógico como há responsabilidade por erro médico.

*Comentário de uma educadora: "Não haveriam cadeias suficientes para abriga-los"
... rs (*MEUS)


Talvez seja mesmo o caso de seguir ainda outras iniciativas da área de Saúde.

Em entrevista com o ministro da Saúde e matéria sobre mudanças que o ministério está propondo para a área vemos que muitas seriam ótimas para a Educacao também.

"A estabilidade leva à acomodação e cria a situação que ocorre hoje'

ENTREVISTA José Gomes Temporão, Ministro da Saúde,

O GLOBO: Qual a principal mudança no novo modelo de gestão dos hospitais federais ?

TEMPORÃO: Há várias, mas a grande mudança é na gestão de pessoal. Tem uma discussão de fundo. Um médico deve ter estabilidadeno emprego? Um juiz, com certeza. Um funcionário da Receita Federal, me parece razoável. O que são ações típicas de Estado que pressupõem estabilidade, pelas características do seu trabalho, e o que são outras atividades? Porque um médico servidor público deveria ter um status diferenciado do médico que trabalha no hospital privado e também presta serviço ao SUS. Não vejo nenhuma diferença.

O GLOBO: O senhor acha que o médico deve ter estabilidade?

TEMPORÃO: Acho que não. A estabilidade leva a acomodação e cria a situação que ocorre hoje, de que quem trabalha ganha o mesmo salário de quem não trabalha.

O GLOBO: Qual a razão de se mudar a maneira de gerir esses hospitais?

TEMPORÃO: É baixa a eficiência dos hospitais públicos, e parte do problema está na área de contratação de pessoal. O hospital é uma das organizações mais complexas. É uma instituição que é fortemente dependente de mão-de-obra especializada. Pode entupir um hospital de ressonância magnética e tecnologia que, se não tiver quem opere o doente ou analise os exames, não vai acontecer nada. Contratar hoje um especialista na administração direta demora meses ou anos.

O GLOBO: Como mudar isso?

TEMPORÃO: Para dar agilidade, primeiro tem que ter autonomia na direção do hospital para contratar funcionários. Tem que se pagar salários adequados, de mercado, e implantar um modelo que premie o desempenho dos funcionários. Vamos definir metas e indicadores.

O GLOBO: Como se vai medir a eficiência dos hospitais, desses gestores e dos médicos?TEMPORÃO: A fundação será obrigada a garantir e produzir um conjunto de ações, como um número determinado de internações, de consultas, de exames e de cirurgias. E com padrão de qualidade A, B ou C. O foco será o resultado, e o desempenho é coletivo. Se um diretor de hospital tiver um excepcional desempenho e conseguir cumprir as metas e economizar no orçamento, a diferença do recurso vai se reverter na compra de equipamentos, na melhoria das condições de trabalho e também na premiação financeirade seus funcionários.

O GLOBO:Entidades e movimentos sociais da área de saúde acusam esse modelo de ser privatista e de desvalorizar o profissional.

TEMPORÃO: É uma posição desqualificada técnica e politicamente. O argumento de que a mudança de regime estatutário para o celetista é privatista não se sustenta. O modelo é estatal. É uma crítica desprovida de sentido lógico. É simplesmente ideológico. Privatização é entregar patrimônio público para exploração econômica do setor privado. A estabilidade no emprego não garante mais aposentadoria integral. O último argumento desse pessoal foi por terra.

O GLOBO: O senhor acha que há uma resistência corporativa, então?

TEMPORÃO: Sim. E vou dizer mais. Essa posição não responde à posição da maioria dos funcionários"


Comenta um educador: "Essa peculiaridade da estabilidade é perniciosa, não só na saúde e na educação, mas determinante da baixa qualidade em muitos setores do serviço público brasileiro.Uma coisa interessante: em TODAS as repartições públicas, passaram a afixar um cartaz, em local bem visível, dizendo que a agressão ou desacato ao servidor público é crime, com ameaça de prisão e tudo!

Ora, em corporações privadas não existe semelhante aviso.Talvez pelo simples fato de que o atendimento de qualidade seja uma exigência nesses outros âmbitos - e a clientela não tenha motivos tão rotineiros para querer agredir o funcionário que o atende. Um aviso assim, de forma tão ostensiva, soa-me como se estivesse escrito: "Nós podemos atendê-lo mal, à vontade, sem nenhum ônus ou contrapartida, mas você tem que engolir isso, sem reclamar e sem perder a calma, sob o risco de ser preso"!"


Deveria mesmo ter uma lei que os enquadre quando não cumprem com a sua responsabilidade! Pra eles nem exoneração, nem punição administrativa... quanto mais prisão!!!!!!!!!!

Comentários

O Brasil saltou do século XIX para o XXI e trouxe de arrasto uma educação que visa a quantidade, não a qualidade. Passada a curva do baby boom na qual me incluo, é hora de refazer o modelo, acrescentando qualidade, principalmente estrutural, porque não adianta pedir curso superior para educadores que não tem salas de aulas adequadas e material para utilizar.
Glória disse…
Está tudo aí, Giulia, claríssimo, evidente, só que ninguém quer ver o rei nu. Tenho uma amiga que é médica coordenadora de um hospital público no Rio, e ela diz que o maior problema é a falta dos funcionários (médicos, que se esquecem que são funcionários públicos), que é raríssimo o dia em que toda a equipe comparece, e que, rotineiramente, falta uma média de três profissionais. A imprensa nunca informa corretamente quando há algum acidente por falta de atendimento, é como na educação: a "falta" recebe a conotação de falta de contratados.
Ricardo Rayol disse…
O pior é que sustentamos essa cambada com nosso imposto. E al´m disso pago tudo por fora. Estou promovendo com o daviD uma enorme e gigantesca blogagem coletiva. Passe lá no Indignatus e veja.
Mauro disse…
Agora a discussão começou a ficar boa.

Não vejo a hora em que começaremos a discutir "isonomia" e a herança feudal que reina nas escolas públicas, principalmente a famigerada "corporação de ofício"...
Já notaram que uma das desgraças das nossas escolas públicas é o "professor especialista"? Cada professor só pode "dar aula" da sua "especialidade... Não adianta dizer que um professor de matemática está plenamente capacitado para ensinar física e química, por exemplo...
As atuais corporações de ofício, hoje denominadas sindicatos, não aceitam que um bacharel de Direito ensine "lingua portuguesa" e "história" na mesma escola pública...
Será que vamos conseguir sair da Idade Média e entrar no Século 21?

S. Paulo, 15/06/2007
Mauro A. Silva
Movimento Comunidadede Olho na Escola Pública
Blogiana disse…
Oi Giulia

Tentei te mandar o link certinho do You tube, mas o haloscan bloqueou... me da seu email que te mando por ele, que tal?
Bjs
adriana
Giulia disse…
Lá vem a Giulia atirar uma bomba: eu sou aquela pessoa que acredita em soluções simples para problemas complexos. Quando meus filhos estavam na escola, cheguei a ir algumas vezes assistir as aulas, pois a proposta pedagógica da escola o permitia. E naquelas aulas os professores se comportavam direitinho, davam atenção às crianças, respondiam as perguntas, se esforçavam. E as aulas tinham começo, meio e fim, ou seja, eram planejadas. Me pergunto se isso só acontecia porque havia o "risco" de haver pais presentes...
Gente, o que pode haver de tão complicado em alfabetizar uma criança até à 4ª série? Até quando vão se discutir modelos e propostas, quando muitas vezes o que falta é o empenho e a boa vontade do professor? Essa "impunidade pedagógica" que a Vera coloca é uma coisa trágica no ensino público, pois quando uma criança chega aos dez anos sem ser alfabetizada e ninguém interferiu nesse processo, fica complicado recuperar o tempo perdido. E lá vem o "nosso" ministro da educação dizer que "de repente só falta uma coisinha" para retomar o caminho...
Então estou chegando à conclusão de que realmente falta um "big brother" na escola, ou seja, que AS AULAS sejam vistas, expostas publicamente, filmadas ou até televisionadas.Tenho certeza de que o professor relapso e descompromissado, esse que mais reclama de falta de salário e condições de trabalho, daria um jeito de melhorar seu desempenho, pois infelizmente o que move o ser humano é a vaidade e o medo. Isso não garantiria uma aula de qualidade, mas uma aula no mínimo decente. E essa "publicidade" teria um outro viés: impediria que o professor covarde (quantos existem, meu Deus!) descontasse seu mau humor, sua frustração e sua perversidade nos alunos.
Mais uma vez imagino meus desafetos me chamando de porra louca ou coisa pior. Mas o que vou propor é algo concreto e viável.

Vamos lá:
A TV cultura ou qualquer outra TV aberta poderia convidar professores de todo o Brasil a terem suas aulas televisionadas e transmitidas. Vai quem quer ou quem for selecionado dentro de um concurso sério. Já que foi provado por todos os índices oficiais que a escola brasileira, em média, NÃO ALFABETIZA, podem-se então procurar as ilhas de excelência e TELEVISIONAR AS AULAS. Mas não dentro daquele esquemão "globo" de mostrar cinco minutos e depois deixar o locutor falar montes de abobrinhas.
Será que os professores do CIEP de Trajano de Moraes, no Rio de Janeiro, não se habilitariam a "darem aula para todo o País" via TV? Ou os professores de qualquer outra escola do Brasil onde os índices forem de excelência?
Já imagino a corporação questionando que "o professor tem o direito de usar sua própria pedagogia" e não de ficar "imitando" a dos outros. Papo furado de quem quer esconder sua incompetência. Quem falou de imitar? O professor competente gosta de conhecer outros modelos e é para isso que existem os cursos de atualização, não é mesmo? O governo não gasta rios de dinheiro para "capacitar" os professores, sendo que a maioria desses cursos não funcionam??? Então, que esses "cursos" sejam práticos e públicos, através de AULAS PELA TV. Não esses mobrais da vida que nunca deram em nada:
AULAS VERDADEIRAS, aulas EM TEMPO REAL, dadas nas melhores escolas do País por professores em carne e osso para alunos presentes.
Já imagino os psicólogos de plantão dizer que isso vai ser ruim para a personalidade dos alunos televisionados, pois eles vão criar a "síndrome do pequeno herói" ou qualquer outra bobagem...
A verdade é que esse projeto não seria viável porque a mídia brasileira só pensa em $$$: a privada pensa em seus lucros baseados no ibope e a pública na "distribuição de verbas" feita de modo inconfessável. A preocupação com a educação, no Brasil, ainda é de pequenos grupos como o nosso. Mas está crescendo, está crescendo!...
Imagine, meu caro leitor: no dia seguinte à transmissão da aula, Joãozinho ensinando ao seu professor o que ele aprendeu na TV!... O professor ia ter que assistir ou se atualizar, hehehe.
Desenvolver um projeto como esse não seria difícil, com a intermediação e o apoio de personalidades como Gilberto Dimenstein, Viviane Senna, Milu Villela, José Mindlin, Júlio Groppa, Rosely Sayão e muitos outros, como o nosso "querido Jô", que porém parece ter ficado gagá...
Enfim, neste País cada um fica atirando a esmo e semeando migalhas, sem alterar nada substancialmente. Essas ongs que promovem educação de qualidade em alguns bolsões também contribuem apenas com migalhas, e não sou eu quem digo, a própria Viviane Senna expressou sua frustração nesse sentido!!!
Se esse compromisso "todos pela educação" fosse DE VERDADE, essas personalidades se uniriam para RESOLVER e não para distribuir migalhas...
Pensador RS disse…
Penso que a solução para a educação, não está em expôr o professor e suas aulas. Pois o professor necessita estabelecer um vínculo afetivo com o educando, tornando assim as aulas mais significativas para o mesmo. Com a participação da mídia na sala de aula, ao invés de haver uma melhoria no nível da educação, acarretaria em um retrocesso, uma educação mecânica onde o aluno apenas decodifica conteúdos e não aprende, os alunos constrangidos de perguntar não participariam da aula e o professor traria o saber pronto, sendo que, dar aulas não é como seguir uma receita de bolo. Que tipo de cidadãos estamos querendo formar? Já dizia Paulo Freire, que a educação se dá pela interação. Será que o aluno teria liberdade de se expressar e colocar suas idéias perante a rede nacional?
Não que o Projeto não fosse interessante, mas vejamos o contexto social que seria aplicado.
Tomem como exemplo, a escola Pública onde trabalho, numa vila muito pobre onde muitas vezes as crianças fazem a única refeição na escola. Imaginem as crianças sabendo que estarão aparecendo na televisão, em vez de interagirem com a aula, iriam interagir com as câmeras...
Quem nunca viu aquelas reportagens de rua onde crianças e adolescentes passam por trás da câmera dizendo coisas como: Mãe, tô na globo...
Pois é, no que se transformaria o processo de ensino/aprendizagem???
Pensem nisso....
Queridos leitores!!!
Ass: Alguém preocupado com todas as classes da educação brasileira
sem mais delongas, tchê...
Giulia disse…
Caro pensador gaúcho, tche! Que bom que você resolveu comentar minha sugestão maluca, pensei que ninguém se habilitaria. Veja, ela não foi "pensada" com rigor, foi fruto de um momento de desespero em que se procura uma saída. Eu comecei a batalhar pela educação pública há quase vinte anos, quando minha filha mais velha foi para a 1ª Série e desde então estou esperando...o futuro chegar! O que entendo por futuro? Já tive anseios muito maiores, como por exemplo o que você diz: que o professor quisesse construir um vínculo afetivo com seu aluno. Mas não saímos nem mesmo do básico do básico: alfabetizar os alunos em letras e números até o final do ensino fundamental! Então hoje eu luto pelo básico, pois não dá para você imaginar uma criança de dez anos sem saber escrever uma cartinha. Como ela vai chegar ao mercado de trabalho? Por favor, não venha com argumentos freireanos, pois esse mestre que muito respeito estaria arrancando os ralos cabelos um a um se estivesse vivendo estes anos de total incompetência pedagógica. Ele, que tanto batalhou pelo ensino de adultos, o que diria ao ver legiões de crianças chegarem ao ensino médio totalmente analfabetas?...
Mas a minha proposta não seria "expor à mídia" qualquer escola: seria selecionar as melhores ou as que se candidatassem, dentro do espírito de compartilhar seu êxito. Você leu nossa matéria sobre o CIEP de Trajano de Moraes em outubro passado? Show de bola!!! Uma escola onde reina a simplicidade, mas onde cada um se esforça ao máximo para que os alunos recebam o melhor possível. E onde os resultados são realmente bons. Crianças tratadas com respeito, crianças felizes e que aprendem! Os professores continuariam a dar aula como eles sempre dão, ou seja, de forma ética e competente, apenas tendo as câmeras presentes. Em compensação, os professores relapsos das outras escolas seriam questionados pelos próprios alunos que tivessem assistido as aulas pela TV! Você há de convir comigo que muito professor empurra o ensino com a barriga, e talvez o maior problema seja a falta de fiscalização. Com um mínimo de supervisão, aquele professor poderia dar uma aula no mínimo decente. Já pensou o Joãozinho discutir com ele o que o "professor da TV" ensinou? rsrs Ele vai ter que se atualizar, tche! Afinal, se não existe supervisão do trabalho do professor, E NÃO EXISTE, POIS NA ESCOLA DOS MEUS FILHOS NUNCA VI COORDENADOR PEDAGÓGICO INTERFERIR NAS AULAS, então quem sabe o aluno "ensinando" para o professor? rsrs
Eu sei que esta minha idéia é inviável, na verdade estou fazendo uma provocação para que outras idéias venham. Não é possível continuarmos neste marasmo!! Percebo que você é um professor muito dedicado, mas parece-me que não tem idéia do estrago que foi feito nas últimas décadas. Aqui no blog recebemos denúncias de todo tipo, que mostram o seguinte: não se trata da falta de melhoras. A educação PIOROU e muito, não apenas do ponto de vista pedagógico, mas também ético: expulsa-se alunos a bel prazer, impede-se que tenham acesso às aulas por qualquer motivo, os conselhos de escola tornaram-se tribunais para julgamento e "execução sumária" dos alunos. Talvez nessa linda região das pampas a educação esteja um pouco melhor. Aqui em São Paulo, em Minas Gerais e no Nordeste a situação está muito crítica.
Obrigada pela participação e desculpe as delongas. Um abraço, tche!
Adriano disse…
Olá pessoal!

A indignação frente a uma situação problemática é, somente no início, um motor para que a vontade possa ter ânimo de mudar esta situação. Mas após colocar o motor da vontade em andamento é necessário que assuma o controle a serenidade, pois somente esta permitirá uma análise mais acurada da realidade. Analisando bem as causas, pode-se chegar a soluções que de fato contemplem aquele problema e o resolva de maneira adequada.
Sem esta serenidade para examinar as causas e alcançar soluções, corremos o risco de aumentar o problema em vez de solucioná-lo.
No caso da educação, entendo que o primeiro passo a ser evitado é a generalização de situações. A educação brasileira vai mal, tudo bem, todos sabemos disso. Mas por quê? Por motivos de espaço, não apontarei todos os problemas que esta enfrenta e nem todas as soluções, pois este é um problema complexo e que pode ser olhado por diversos ângulos.
No meu caso, me baseio na situação do Distrito Federal. Mesmo no âmbito da nossa Secretaria de Educação que pode ser considerado como um todo ineficaz, existem boas escolas. Com excelentes diretores, apoios administrativos, professores ,orientadores educacionais e agentes de limpeza, com Associações de Pais e Mestres e Conselhos Escolares que funcionam em parceria com a escola.
Cito esta lista de funcionários, porque uma escola não funciona somente com professores, mas é necessário todo um sistema administrativo por trás. Se este sistema não funciona, o professor não conseguirá atingir um bom resultado em sala de aula.
Exemplos concretos retirados da realidade escolar do DF: como motivar estudantes e professores, com uma escola na qual as paredes são pichadas, os quadro-negros rachados, as cadeiras e mesas em estado lastimável? A Secretaria de Educação do DF avisa que não há dinheiro para reforma ou que há outras prioridades...
Existe o quadro da violência. Como garantir um bom trabalho na escola se estudantes e professores tem que lidar diariamente com traficantes nas suas portas? De acordo com a Polícia Militar não há efetivo suficiente para patrulhar todas as escolas.
Como ajudar um estudante repetente, que pode estar com um possível distúrbio de aprendizagem, se em várias escolas o gestor público não fornece os orientadores educacionais (obrigatórios em todas as escolas de acordo com a Lei Orgânica do DF) para todas as escolas? Afinal, eles têm um preparo melhor que os professores para averiguarem e encaminharem soluções.
Como ensinar bem um estudante, se há pressão pública - entenda-se política de estatística governamental e de diretorias - para aprovação total dos estudantes, mesmo se estes terem aprendido as competências e habilidades básicas exigidas para cada série?
Poderia citar outros exemplos, mas o texto já está longo. Creio que estes já bastam para pensarmos outros ângulos da questão.
Com relação à idéia de residência pedagógica esta é interessante, pois há um período no qual o professor novato precisa ser tutoreado para aprender bem seu ofício. E isso já é debatido nos meios acadêmicos.
Mas com relação a estabilidade, devemos ser prudentes, pois esta é uma faca de dois gumes. O ministro Temporão esquece que a estabilidade dificulta a saída do funcionário ruim, mas também facilita a permanência do bom funcionário.
No caso das escolas, é a estabilidade pública que permite que bons professores e agentes administrativos cobrem de sua diretorias e Gerências Regionais de Ensino infra-estrutura de trabalho para poderem exercer bem sua profissão e educar melhor os estudantes. Nos hospitais, pelos menos no DF, a situação é a mesma. É a estabilidade que permite a cobrança das chefias sem os funcionários correrem o risco de serem exonerados.
No mais, toda categoria profissional é composta por bons ou maus profissionais. Existem os diretores, professores, agentes administrativos e de limpeza ineficazes e contra estes deve-se abrir processos administrativos. Dispositivo este preconizado na lei 8.112/90. Mas, muitas vezes, os bons funcionários do setor da Educação e Saúde (o ministro da Saúde parecer esquecer disto),quando elaboram projetos de melhorias dos seus setores que vão além de suas funções primordiais nem sempre são elogiados e muito menos pagos por isso.
Este post já está longo e creio que está cansativo para quem o lê. Num outro post, continuarei. Me desculpem o tamanho do texto.

Abraços,
Adriano
Giulia disse…
Olá, Adriano, obrigada por mostrar a realidade de uma região "nova" para nós, pois até hoje ninguém do DF nos havia escrito ainda. Quanto ao tamanho dos textos, não se preocupe: este é um blog "chato", ou seja, acessado por quem realmente quer entender melhor e debater os assuntos em busca de soluções. Fique portanto à vontade! Um abraço.

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