A arte de perguntar


Quando uma professora do meu filho me convidou para assistir umas oficinas sobre PEI (leia aqui o resumo que fiz após minha participação http://educaforumtxt.blogspot.com/2006/09/sobre-o-pei-projeto-de-enriquecimento.html), ela definiu o projeto como "a arte de perguntar". Me lembrei disso quando li a matéria abaixo, copiada do site www.aprendiz.com.br e fiquei muito triste ao refletir sobre a situação das nossas escolas públicas, onde a boca das crianças costuma ser sumariamente tapada para matar sua curiosidade natural e assim manter a "pedagogia da decoreba" que assola a nossa educação.

Para especialistas, aprender é perguntar
Julia Dietrich

“Nós matamos os estudantes que chegam ao ensino regular”. A afirmação foi feita pelo professor do Departamento de Educação de Matemática, Ciência e Tecnologia da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, John Penick. O professor, que há 30 anos investiga o trabalho de profissionais da educação, participou do debate Estratégias Didáticas para a Educação Científica, na Semana Vitor Civita de Educação.
“Quando pequenos, os estudantes levantam as mãos ansiosamente e arriscam perguntar, tentar resolver problemas e propor soluções. Porém, ao dizer ‘está certo’ ou ‘está errado’, nós ensinamos que só existe uma solução possível. Aos poucos, mostramos aos nossos alunos que não se deve perguntar, que não há espaço para arriscar e para a criatividade”, explicou.
O professor falou com veemência que não são soluções prontas que formam um estudante criativo, com atitudes positivas e com alegria no aprender. “A pergunta é mais importante que a resposta. Para um cientista, a chave está em como perguntar e não na resposta. O aluno tem que estar estimulado pela sua curiosidade, só assim gostará de aprender”, observou.
Como exemplo, o coordenador do laboratório de Psicopedagogia da Universidade de São Paulo, Lino de Macedo, citou uma das professoras premiadas ontem no Prêmio Educador Nota 10. “Ela estimulou a curiosidade dos estudantes com o intuito de ensiná-los como pesquisar e qual o prazer disso”, pontuou, exaltando o trabalho desenvolvido pela educadora Bernadete Rocha da Silva. Ela desenvolveu um insetário e um livro de conhecimentos registrados, ambos construídos pela turma de crianças com apenas seis anos. O projeto, segundo Macedo, fez muito mais do que ensinar sobre formigas e piolhos. “A educadora os ensinou a assumir riscos, errar e começar de novo. Ensinou que pesquisar leva tempo e tem muitas paradas no meio do caminho”, contou.
Para o professor da USP, o trabalho ainda estimulou a curiosidade dos alunos, abriu um mundo de possibilidades novas para a investigação e estimulou o trabalho coletivo. Além das crianças que trabalhavam em grupos de pesquisa e aventuras para coletar os “bichos esquisitos”, a própria professora, que leciona na Educação Infantil, se uniu em parceria com a colega, professora de biologia, para também entender e pesquisar sobre os insetos e, dessa forma, apresentá-los, aos seus alunos. “As perguntas não são privilégio de uma pessoa. Elas devem estar no cotidiano da sala de aula. Não importa quem é, importa a sua pergunta”, observou Macedo.
Para ele, a professora soube fazer perguntas que fizeram sentido para aquele grupo e estimulou respostas a partir de um método desenvolvido coletivamente pelos estudantes. Penick, também pontuou que todos esses são pontos fundamentais nas tarefas de um educador da era contemporânea. “Precisamos aprender a ouvir nossos alunos, a dar espaço para que eles investiguem e proponham soluções. O professor não deve dizer certo ou errado e sim continuar a perguntar, a fim de estimular os estudantes a procurar suas próprias respostas”, disse.
Penick ainda insistiu que para trabalhar com os alunos, o professor deve descer do púlpito e se aproximar dos estudantes. “Ele deve estar junto ao jovem, no meio dos grupos que trabalham coletivamente e deve escutá-los para saber o que perguntar e como ajuda-los a avançar”, observou. Para ele, é preciso dar tempo para que os estudantes pensem sobre aquilo que estão desenvolvendo. “A ciência é feita de espera. É preciso permitir que o aluno possa tomar o tempo necessário para pensar”, ponderou.
Como forma de permitir que o aluno administre seu tempo e avance no aprendizado, o professor lembrou da importância da auto-avaliação e de reconhecer o aluno, ao invés de julgá-lo. “É fundamental estimular o desejo de aprender a partir de planejamento, pesquisa, método e avaliação daqueles que aprendem e não de quem ensina”, concluiu.

Comentários

Giulia disse…
É engraçado que quando se coloca uma proposta interessante, inclusive já testada e com o nome dos educadores que apresentam o trabalho, não há comentários!
O que move a Internet e a educação pública parece ser mesmo a baixaria! Basta dar uma olhadinha nas comunidades de professores do Orkut...
Jenice Correia disse…
é muito interessante este artigo e em muito contribuiu para alargamento do meu conhecimento.........
Jenice Correia disse…
gostei e tanto desse artigo, parabens.....

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