Duas caras


O texto a seguir é de autoria do amigo Mauro, publicado no site http://cremilda.blig.ig.com.br/

Na Escola Estadual Francisco Pavanello (Santo André-SP), uma aula de matemática foi transformada em "uma aula de tortura". A professora resolveu mostrar aos seus alunos de 8ª série (14 a 15 anos) uma cópia pirata do filme "Tropa de Elite" (uma ficção, em forma de documentário, que retrata maus policiais corruptos, torturadores e assassinos barbarizando os pobres e os favelados).

Conhecemos casos de professores que agridem moral e fisicamente seus alunos... e que os ameaçam de mandar para a Febem caso reclamem dos maus-tratos... Mas é a primeira vez que temos notícias de uma "Aula sobre tortura na escola pública". A Secretaria de Educação de SP disse que vai investigar o caso... Mas não será surpresa se as supervisoras de ensino novamente declararem que "é normal professor chamar aluno de bicha"... "que é normal dar aula sobre tortura"... "que é uma forma de cativar os alunos"... "que é uma brincadeirinha"..."que escola pode extorquir alunos cobrando taxas ilegais"..."que professor é sinônimo de santo e abnegado"..."que a lei não vale nas escolas públicas de SP"...

Leia a reportagem Aluna passa mal com ‘Tropa de Elite’ (Jornal do Grande ABC, 29/09/07)

Finalmente um jornal tratou um assunto da educação com boa vontade e inteligência. Um repórter do Jornal do Grande ABC ligou para a diretora da escola dizendo-se pai de um aluno e perguntou porque a fita foi passada em sala de aula. A diretora caiu das nuvens e respondeu que não sabia qual era o filme, nem que uma aluna havia passado mal. Se soubesse não teria permitido a exibição...
Pouco depois, outro repórter telefonou para ela e se identificou como jornalista. A diretora se mostrou surpresa com a exibição, disse que só sabia que a sala estava reservada, mas não sabia que filme era.

Foi assim desmascarado o descaso e a incompetência de uma diretora que não sabe nem quer saber o que se passa dentro de sua escola. Quanto à professora que exibiu o filme, ela aceitou a sugestão de um aluno que trouxe a fita pirata e - lógico! - achou ótimo não ter que "dar" sua aula - PASMEM! - de matemática...

Só falta agora - e falta pouco! - que mais uma vez os culpados sejam o aluno que deu a sugestão e a classe que concordou com a exibição.

Este é o retrato da educação no Brasil! Professores que aceitam qualquer sugestão para não ter que dar suas aulas medíocres, diretores que mentem e se omitem, Secretarias da Educação que limitam-se a colocar panos quentes nos desmandos da classe "docente". Aliás, a SEE foi rapidinha em focar na questão de o vídeo ser PIRATA, como se esse fosse o maior problema de toda a situação...

A educação pública brasileira tem duas caras: uma que só os pais e alunos conhecem, outra que é mostrada publicamente!

Leia também a carta do Mauro publicada na Folha de São Paulo de 05/10:

Somos solidários a todas as vítimas da violência. Mas não podemos deixar de registrar nossa indignação quando uma personalidade pública faz apologia à violência e à tortura. No artigo 'Pensamentos quase póstumos', o apresentador Luciano Huck pergunta: 'Onde está a polícia'? Onde está a 'Elite da Tropa'? Quem sabe até a 'Tropa de Elite'! 'Chamem o comandante Nascimento!'.
Ora, tanto o livro quanto o filme (ficção em forma de documentário) mostram uma polícia brasileira corrupta, torturadora e assassina. Mas, como todo grupo de fanáticos, que se dizem iluminados pela divindade, eles escolheram um lado: proteger a 'elite econômica', os 'mauricinhos' e as 'patricinhas' que financiam o tráfico de drogas. Para os outros (os pobres, os pretos, as prostitutas, os 'di menor', os favelados etc.), justamente aqueles que não têm direito à infância e à educação, a elite econômica apóia uma 'tropa de fanáticos' para jogar nossa juventude na Febem, na cadeia ou na vala comum dos cemitérios públicos.

MAURO ALVES DA SILVA, presidente do Grêmio SER Sudeste - Promoção da Cidadania e Defesa do Consumidor (São Paulo, SP)

Comentários

Anônimo disse…
Não ví o filme "Tropa de elite". Pelo que lí e ouvi a respeito, parece ser uma representação razoavelmente realista do que realmente ocorre (prefiro acreditar que o filme é um exagero, mas desconfio que não seja). Vejo dois problemas graves na atitude dessa professora:

1. Pelo que ouvi, o filme tem cenas violentíssimas, totalmente inadequadas para pessoas ainda em formação. Muitos alunos e alunas devem ter se sentido ofendidos por serem obrigados a assistir cenas violentas.

2. O que esse filme tem a ensinar sobre matemática???

Professorinha vagabunda! Professores não deviam inventar modas exdruxulas, mas apenas ensinar o assunto de sua disciplina. É para isso que são pagos.
Fernando disse…
Sobre a indignação pelo ocorrido, não que eu defenda a exibição de um filme
este tipo, mas quando pelas costas dos pais, foram apresentados para crianças da rede pública de 11 e 12 anos o "trabalho de orientação sexual", que mais parecia uma apologia ao sexo, qual o motivo do silêncio?
Giulia disse…
Fernando, muitos pais (eu diria a maioria) não sabem avaliar o que os filhos aprendem na escola. Aliás, sabe por que veio à tona essa história da exibição da Tropa de Elite? Só porque uma menina passou mal na escola do ABC e a mídia noticiou. Depois que o assunto foi divulgado, ficamos sabendo que o filme foi exibido em outras escolas e os pais só se tocaram porque o assunto deu na mídia.
Mauro disse…
Giulia,

Eu coloquei o artigo do Luciano Huck na internet.
Veja se não é muita cara-de-pau ele, o "pai da 'tiazibnha'", pedir polícia para as crianças e jovens pobres do Brasil.

Outra questão: você ainda não respondeu a questão sobre a sua participação na Conferência Estadual do Ensino Básico de SP (15 a 17 de novembro de 2007).

Mauro.
Lilian disse…
Esta professora foi infeliz ao passar este filme... ela errou e feio... eu como professora jamais passo um filme que não tem nada a acrescentar nos conteudos de minha disciplina e além disso avalio a faixa etária adequada para o filme... Foi bom a mídia ter noticiado isto porque outros professores vão se "tocar" no que se refere a filmes e estes tipos de casos que com certeza já aconteceram várias vezes tomara que diminuam... é necessário que o professor se utilize de diversos recursos para melhorar o processo de ensino-aprendizagem, o vídeo se bem selecionado e utilizado em muito ajuda...
Também não é nada de mais pelo menos uma vez no bimestre ou semestre passar um filme para o lazer das crianças, mas isto desde que seja um filme de acordo com a faixa etária delas...
Ricardo Rayol disse…
Não vi e não gostei.

Acho que vou estar em Sampa de terça pra quarta. Se der eu aviso a todos para um chopp.
Lilian disse…
Artigo interessante
folha de s.paulo
15/10/2007

A tragédia dos professores enlouquecidos


O choque de vítimas é visível quando uma professora agride um garoto que passou a vida sendo agredido



Depois de pegar um de seus estudantes mais indisciplinados e agressivos pela gola e rasgar sua camisa, Sirley Fernandes da Silva, professora de uma escola estadual na periferia de São Paulo, pediu licença médica e resolveu procurar um psiquiatra -já não sabia lidar com tanto desrespeito em sala de aula. "O aluno era terrível, mas depois fiquei com pena dele. Quando chamamos os pais e percebemos como são ausentes da vida dos filhos, vemos que o garoto também é uma vítima. O aluno fica em casa abandonado e, muitas vezes, vai para a escola só para comer."

Depois de um ano de terapia, Sirley não abandonou o magistério, apenas trocou de série. Passou a dar aulas no ensino médio, onde, segundo ela, havia uma "vantagem": "Os alunos do ensino médio podem ser mais agressivos verbalmente, mas os do fundamental partem para a agressão física".

Difícil saber o que é mais dramático: a professora descontrolada pedindo socorro ao psiquiatra ou a "vantagem" que ela encontrou ao dar aulas para estudantes mais velhos e apenas ser xingada.

O caso de Sirley faz parte de uma tragédia conhecida quase exclusivamente por especialistas: a epidemia de distúrbios mentais dos professores brasileiros, provocados, entre outros motivos, pela violência e pelas condições de trabalho ruins. Diante desse massacre psicológico, um minuto de silêncio seria uma forma apropriada de comemorar, amanhã, o Dia do Professor.

O cansaço psicológico de Sirley ajuda a explicar uma informação divulgada pela Folha na sexta-feira sobre o desempenho escolar em uma das regiões mais ricas do país. Segundo testes aplicados pelo governo estadual, 37% dos estudantes que concluem o ensino fundamental são totalmente analfabetos. Nada menos do que 72% das escolas nessa região estão em "estado de atenção", devido ao baixo aprendizado.Entende-se como as crianças se tornam adultos incapazes de compreender um texto simples.

O problema dos salários não é o maior dos males -o maior de todos são as condições de trabalho. Uma pesquisa realizada neste ano pela Apeoesp (sindicato dos professores estaduais) levantou, pela ordem, os seguintes problemas: superlotação em sala (73%), falta de material didático (67%), dificuldade de aprendizagem dos alunos (65%), jornada excessiva (64%), violência nas escolas (62%).

De acordo com essa pesquisa, 80% dos professores apresentam o cansaço como um sintoma freqüente, 61% sofrem de nervosismo, 54% padecem com dores de cabeça e 57% têm problemas com a voz. Cerca de 46% deles tiveram diagnóstico confirmado de estresse.

Devemos examinar esse dados com certa atenção porque, primeiro, vêm de um sindicato, que tende a exagerar seus dramas para exigir benefícios à categoria, e, segundo, porque existe uma indústria da licença médica, vista quase como um direito adquirido para compensar tantas adversidades.

Mas quem freqüenta escolas públicas, especialmente na periferia, sabe que, de fato, o professor é massacrado diariamente -assim como seus alunos são massacrados, vítimas de uma série de mazelas que acabam afetando seu aprendizado. O professor é obrigado a lidar com o aluno que não ouve direito porque não sabe limpar direito o ouvido, que sofre de dislexia nem ao menos diagnosticada ou que é vítima da violência ou do descaso doméstico.

O massacre é crônico, de tal forma que, dificilmente, se conseguiria atrair talentos para as escolas públicas -especialmente, para quem mais precisaria desses talentos, que são os mais pobres. Não atraindo, cria-se um círculo vicioso da miséria educacional. O que se nota, além de um absenteísmo enorme, com ou sem justificativa, é uma rotatividade incessante de professores e de diretores.
Pense numa das empresas mais sólidas do Brasil e imagine que os funcionários se comportem como se estivessem numa escola pública -estressados, desmotivados, nem punidos por seus erros, nem premiados por seus acertos. E tudo isso apoiado num forte corporativismo. E, em muitos casos, como mostrou a Folha na semana passada, com cargos de direção escolhidos por políticos. Em quanto tempo essa empresa quebraria?

Oferecer melhores salários certamente ajudaria, a longo prazo, a atrair talentos. Mas, a curto prazo, nesse massacre a que estão submetidos os professores, duvido que funcione. Faz mais sentido oferecer prêmios a escolas que demonstrem mais esforço e ir, aos poucos, criando exemplos, enquanto se melhoram as condições de trabalho, os currículos e os cursos de formação dos docentes.

Nessa briga, não há mocinhos nem bandidos. É, na verdade, um choque de vítimas, visível quando uma professora, desesperada, agride um garoto que passou a vida sendo agredido.

O que dá para dizer, com certeza, é que não se constrói uma nação civilizada com professores enlouquecidos.


PS - Preparei no site um dossiê sobre a saúde dos professores e dos alunos. Podem esquecer soluções mágicas para o problema da educação: se não mexermos na questão da saúde tanto de quem dá aula quanto de quem estuda, não vamos muito longe.

Coluna originalmente publicada na Folha de S.Paulo, editoria Cotidiano.
Giulia disse…
Eu já tenho uma "teoria" diferente sobre isso, pois os professores "enloquecem" somente na rede pública! Quando se viu professor da rede particular pegar alunos pela goela (e não vai dizer que eles são anjinhos...)?
Geralmente, o professor dá aula na mesma escola particular onde estudam seus filhos, por esse motivo TOMA MUITO CUIDADO para não ser demitido. Em segundo lugar, os pais da rede particular NÃO TOLERAM agressões e já vão trocando os filhos de escola, muito diferente dos pais da rede pública, que geralmente não têm outra opção. Meus filhos me contaram que certos professores falavam assim: "aqui eu falto mesmo, não posso faltar é na escola que educa meus filhos"...
Entendem porque sempre repito que existe um lado escuro da educação pública, um lado que só os pais e alunos conhecem?
Lilian disse…
Nossa, o pior é pensar que olhando a situação toda, tal como ela é, este professor que não falta na escola particular está é certo.
Esta minha afirmação parece vil, mas percebendo que um filho seu (que você tanto ama e quer sempre o melhor para ele, e eu nem tenho filhos ainda...rsrs) tenha que estudar em meio ao "caos" que é como está o ensino público, principalmente na rede estadual, é melhor manter o emprego na escola particular mesmo para garantir a educação do filho.
Mesmo os professores bem capacitados e mais esforçados da rede estadual não conseguem ter um bom desempenho no quesito ensino-aprendizagem pois NÃO HÁ CONDIÇÕES DE TRABALHO e para os alunos NÃO HÁ DEVERES SÓ DIREITOS.
Acho que se eu tivesse um filho, como já disse ainda não tenho, sairia mandando meu currículo para várias escolas particulares de renome só para conseguir a bolsa de estudos.
O que um professor de uma escola particular têm para conseguir melhor melhor rendimento de seus alunos do que os professores da escola pública?

Bom, como os pais pagam, e querem ver resultados a cobrança para que o filho estude e tenha bom rendimento escolar é muito maior. Nenhum pai ficaria satisfeito em pagar mensalidades se seu filho não tirar boas notas. Logo, o aluno raramente não fará as atividades ou não prestará atenção no que o professor explica. Na escola pública é o contrário, os alunos raramente fazem as atividades ou pesquisas que os professores passam e quase nunca prestam atenção no que o professor está lá na frente falando.

Sem contar que, se o professor pedir para comprar um livro na escola pública, meu Deus, ele está extorquindo o aluno, se pedir para tira xérox para as provas, aparece até no Jornal...rsrsrs E ainda é mal visto pela sociedade, pois os jornais não mostram a falta de material das escolas ou que o governo não manda este material (digo do conhecimento que tenho do Estado de São Paulo, pois outro dia vi outra reportagem só que do RJ, dizendo que a escola tinha os materiais e ainda cobrava dos alunos, isto é mais que um absurdo!)E quem se dá mal como sempre são professores e alunos.
Os alunos são as piores vítimas, pois os professores fazem só o que dá, o que as condições possibilitam...
Lilian disse…
Ah esqueci de comentar sobre os professores loucos, é verdade que na rede particular os pais jamais aceitarão uma agressão a seu filho, e na rede pública também deveria ser assim.
Duvido muito que um dono de escola particular deixe trabalhar nela um professor com problemas ou distúrbios psicológicos/mentais. Mas na rede estadual, há vários assim...
Em geral, depois de vários anos na carreira, principalmente os que trabalham dois ou três períodos, lidando com salas lotadas de crianças e adolescentes, vários deles também problemáticos, alguns profissionais sofrem com estes tipos de problemas (mentais).
E não é tão simples um professor da rede pública se afastar.
Tenho uma colega que trabalha comigo que a consulta ao psquiatra vai demorar uns 02 meses, e ela realmente não está boa, anda gritando histérica com os alunos por muito pouco. Com o grande salário que nos pagam, ter plano de saúde particular é luxo, e no HSPE (hospital do servidor) as consultas demoram, pois não conseguem atender a demanda.
Tem um outro que também conheço, que é de outra escola, que quando a inspetora de alunos escuta os gritos dele na sala de aula, ela vai para lá imediatamente, pois também está pertubado mentalmente e por pouco não agrediu um aluno da escola. (quanta loucura)Este mesmo já foi afastado uns tempos atrás por disturbios psicológicos. Já está na hora do mesmo procurar marcar uma nova consulta, antes que algo pior aconteça.
Mas voltando ao assunto, tem ainda aqui no Estado de SP, aqueles que trabalham doentes para ganhar os R$ 300 de bônus, sabem que não estão bem e continuam por causa do bônus oferecido pelo governo estadual.
Afastar um profissional e contratar outro é despesa a mais para o governo, os processos para conseguir afastamento médico estão cada vez mais difíceis.
Aqui em São Paulo, para conseguir este afastamento de forma mais rápida, porque marcando consulta pelo SUS termina o ano e nada; o professor teria que pagar um psiquiatra particular ou plano de saúde para a consulta, quando este profissional lhe der o afastamento, o professor tem que ir a escola e pegar uma "guia de afastamento" para depois ir á capital e passar pelo perito, que pode aceitar ou não o afastamento, para depois retornar a escola com o resultado que o perito lhe der, e não é que as vezes mesmo os professores estando "ruins da cabeça" o perito não aceita ou diminui os dias do afastamento!
E com essa história de Bônus, aqui em SP para os professores que não faltam, casos como este que saiu no jornal vão continuar acontecendo.
A professora já tinha problemas psicológicos meio graves e ainda estava dando aula! E o pior é que conheço alguns assim...

Por conhecer como o sistema de ensino público está, e todas estas coisas que acontecem é que jamais colocaria um filho meu na rede pública do estado de SP nos dias de hoje.
Giulia disse…
Lilian, mesmo você sendo uma pessoa mais jovem, certos argumentos seus mostram muita falta de maturidade. Em primeiro lugar, a escola pública é MUITO BEM PAGA, com o meu, o seu e o dinheiro de todos os contribuintes. Portanto TODOS NÓS já pagamos escola! E não se pode dizer que as verbas da educação sejam pequenas. Não são! Elas são mal geridas. Mas muito poucos cobram sua aplicação. Quando a mídia mostra a cobrança abusiva de taxas nas escolas públicas, é porque as escolas recebem essas verbas. E se elas não receberem, cabe também aos diretores e professores denunciarem! O Conselho de Escola é formado por pais alunos, PROFESSORES, FUNCIONÁRIOS e DIRETORES das escolas. Esses assuntos deveriam ser discutidos claramente no Conselho, mas isso não acontece! Sabe por que? Porque os professores, diretores e demais profissionais da educação pública não dão a mínima para seus alunos, já que seus próprios filhos estudam na rede particular. O que mais se discute nos Conselhos de Escola é a expulsão dos "alunos-problema". A corporação que domina a rede pública de ensino é imbatível. Enquanto o professor e o diretor não vestirem a camisa da escola e do aluno, o governo vai fazer o que quer! Esta semana mesmo cobramos da Secretaria Municipal da Educação um posicionamento quanto a professores "readaptados" (com problemas mentais) dando aula, mas não sentimos firmeza nenhuma. Sabe por que? Porque somos pais! Se os professores e a direção de uma escola cobrassem da Secretaria que esses professores não fossem tolerados dentro da escola, a situação poderia começar a mudar. Mas eles dizem amém! Você mesma fala de certos colegas seus despreparados ou descontrolados como se você não tivesse nada a ver com isso e não pudesse mexer uma palha para mudar essa situação. É por isso que eu acho que filho de professor da rede pública deveria estudar na própria rede, você me entende? Não porque eu ache que eles devam "sofrer". A gente quer o melhor para os nossos filhos, sim! Mas isso não significa dar-lhes privilégios e manter o apartheid que existe no Brasil. Em nenhum outro país civilizado do mundo a escola pública e a particular são o maior instrumento de separação social, como aqui.
Em suas palavras, percebe-se o desprezo e o preconceito que você sente em relação aos seus alunos, Lilian! Vá refletindo sobre isso, antes que você acabe de se tornar apenas mais uma peça do sistema de exclusão social no Brasil...
Lilian disse…
Para melhorar a educação da rede estadual seria necessário maior cobrança por parte dos pais e responsáveis dos alunos não só de materiais e verbas como também da aprendizagem de seus próprios filhos. Como os pais que tem filhos na escola particular cobram resultados, na escola pública também é necessária a cobrança.
Tenho alguns bons alunos e como já disse anteriormente, eu os oriento a não ficar só com o ensino da escola pública, até os informo sobre as inscrições nos vestibulares, cursinhos populares e ensino técnico.
Não tenho descaso algum com meus alunos, faço tudo que está dentro das condições que são impostas. Pelo contrário, tenho um ótimo relacionamento com eles, inclusive, moro no bairro em que leciono, tinha dois cargos até o ano passado e abandonei um deles para ter uma vida com menos dinheiro e mais tempo e também para não enlouquecer...rsrsrsr
Não posso fazer muita coisa também, com relação a colegas doentes, não sou médica, e se as consultas demoram, como eu agilizaria este processo? Cobrança é a única coisa que um cidadão pode fazer nestes casos. E isto já está sendo feito não só pelos servidores da educação como também outros servidores da segurança, saúde que passam pelo mesmo problema. Mas na educação é mais grave... Acho que esta minha afirmação de que na educação é mais grave é tendenciosa, os policiais também sofrem de vários disturbios psicológicos,emfim a situação é complicada em vários setores do funcionalismo público.
Preconceito de minha parte??? só não me conhecendo mesmo para fazer uma afirmação como esta...rsrs
Os conselhos de escola realmente não funcionam direito, e eu só os vi reunidos (pais, funcionários,representantes de sala, professores e equipe de gestão)para tentar expulsar (digo tranferir) alunos sim.
E estas reuniões de conselho só ocorrem quando realmente um aluno problemático, ou seja, a integridade física e moral de outros adolescentes está em risco precisa ser transferido...
Não existe expulsão na rede publica. O que diretores e coordenadores fazem é convencer pais/responsáveis que a transferência para outra escola é necessária e talvéz lá ele comece uma vida nova... A lei não permite expulsão, a escola é pública, e sendo assim aceita a todos, não importa se são L.A. (liberdade assistida) ou que sejam usuários de drogas e nem mesmo se tem disturbios psicológicos ou sejam agressivos...

Já vi muita coisa... mas afirmar que um bom aluno foi expulso da escola é demais para mim... Como já disse, só quando a coisa é muito grave, quando outros adolescentes estão em risco, que o conselho se reúne para tentar uma transferencia... que é diferente de expulsão...

Poucas vezes que presenciei e participei do conselho vi, que dependendo do caso, a transferencia é necessária, em uma escola que estive a dois anos atrás, houve uma briga, onde dois alunos quase se mataram no intervalo, foi preciso muita gente entrar no meio para separar aquilo, e cada um deles tinha um grupo de amigos que a partir daquele momento mais pareciam duas guangues querendo se enfrentar.
Conseguiu-se, por meio do conselho, transferi-los (os da briga e companheiros)para outras escolas, bem distantes uma da outra para evitar futuros confrontos dentro do ambiente escolar, porque eles mesmos disseram que a "treta permanece"...
Lilian disse…
Já presenciei problemas com alunos que usavam drogas, e uma vez pegos, causando problemas na escola, como passar droga dentro dela para outros jovens, o conselho tentou transferi-lo (isto porque o jovem já tinha sido preso pela polícia e solto pela justiça)e a escola era obrigada a aceitá-lo como L.A.
Já vi um caso de porte de armas também, este também L.A., sua mãe nem sabia mais o que fazer, pois até de denunciá-lo ela tinha medo, e esta linda criança já estava a influenciar alguns outros jovens da escola. A coordenadora conseguiu convencê-la de transferí-lo e a mãe fez melhor que isso, foi com ele visitar o pai (são separados) em Minas, mas o deixou por lá na roça em vez de voltar com ele. Embora a história seja triste, para os outros pais da escola e para os alunos foi, de certa forma, um alívio...
Lilian disse…
Nunca vi, um bom aluno, que não estivesse envolvido em agressões físicas graves, ou em outros problemas até mais sérios, ser expulso da escola.
Até para os casos graves, muitas vezes as escola terminar por tolerar, pois a lei os defende e a escola não quer ter problemas com a lei.
O bom aluno da escola pública é a maior vítima de todo o sistema pois conviver com toda sorte de colegas, professores mal formados e as vezes enlouquecidos, e outras tantas coisas mais, como a promoção automática, superlotação de salas, falta de materiais didáticos, tudo isto torna a aprendizagem quase um milagre divino. Onde estão os pais do estado de São Paulo que permitem que seus filhos passem por tudo isso?

porque, nós professores não queremos isto para nossos filhos e é preferível sim colocá-los em escolas particulares, de preferência as de ensino tradicional (conteudistas p/ que passem nos vestibulares), e que "não passem a mão na cabeça" de nossas crianças quando erram, porque sabemos que a vida não é cor-de-rosa, e queremos prepará-los para a vida...
E não é qualquer escola particular não, tem que ser escola rígida.

Um abraço a todos daqui do Educa-fórum, que permitem a mim e a muitos grandes reflexões.