Os médicos e os professores...e os políticos e os cantores...

Faz tempo que não posto nada. Entre o desânimo e a falta do que dizer porque parece que já falamos tudo e nada resolve, fico calada observando a cada dia mais e mais na figura do professor exatamente o que menos gostaríamos de encontrar: um profissional desacreditado por si mesmo, que fala de salário antes de falar de Educação, que se afunda na mesmice das meias verdades do ambiente escolar e que não abre nem uma frestinha de janela pra olhar pro mundo lá fora e que se ofende (por demais da conta, creio eu!) quando pessoas se reúnem para comentar suas atitudes e defender (é o que mais fazemos aqui!) crianças e adolescentes que foram injustiçados e mal-tratados pela escola (leia-se por um professor ou diretor). A empáfia é sempre enorme, mesmo que os resultados que a escola venha obtendo sejam sempre desastrosos, os errados somos nós que criticamos, que mostramos caminhos para que as pessoas possam ver cumpridos seus direitos!!!!!!! Os errados somos nós, "desocupados" segundo eles, que não temos o direito de falar de Educação porque isso é coisa pra "profissional"! Pelo amor de Deus!!!!! A quem querem continuar enganando??????? Seria ranço da ditadura ou puramente retórica de discurso pra desqualificar o interlocutor???????? E o pior: é assim que lidam com os pais em geral! Qualquer pessoa mesmo analfabeta pode falar da qualidade da escola sim!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Há mais de dez anos lidamos com Educação, somos leigas e daí? (não compramos diplomas como muitos professores o fazem em faculdades de fim de semana) mas nos sentimos plenamente a vontade pra falar o que quisermos sobre Educação com critério e fundamento. As pessoas podem até não concordar mas usem outros argumentos que não este pra derrubar a qualidade desse blog e sua serventia para pais e alunos das escolas públicas.
E ainda se comparam aos médicos!!!!(Oxalá pudéssemos enquadrar professor por erro pedagógico!)... Nunca ouviram falar dos Conselhos Comunitários nos postos de Saúde? Eu mesma já fui por três anos Conselheira da Saúde! O Paulo Maluf bem que tentou acabar com eles de tão eficientes que eram!
Acho que olhamos mesmo pra lados opostos: sonhamos com todo mundo falando e fazendo Educação e tem gente que se dá ao trabalho de vir aqui pra nos dar um cala-boca!!!!!!!!!! Com que moral, professores? Apresentando qual resultados em suas eficientes escolas? Este abaixo? As escolas que encontramos virando a mesa são as que se uniram à sociedade pra mudar de rumo!
PODEMOS TODOS NÓS CIDADÃOS FALAR, COMENTAR, DAR PITECOS, EXPOR A OPINIÃO, CRITICAR OS MÉDICOS, PROFESSORES, CANTORES, POLÍTICOS.... SEM NECESSARIAMENTE OPERAR, ESTAR EM SALA DE AULA, NO PALCO OU NO CONGRESSO!!!!!!!
Vejam na Folha dessa semana PORQUE PRECISAMOS CONTINUAR FALANDO E COBRANDO!
Alunos do 3º ano têm nota de 8ª série http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0110200701.htm
Em SP, no final do 2º grau, 43% dos estudantes mostram conhecimentos de leitura e escrita esperados da 8ª série
Na escola pública, a situação é ainda pior, segundo dados inéditos de um exame federal de avaliação de aprendizagem
FÁBIO TAKAHASHIDA REPORTAGEM LOCAL
Quase a metade dos estudantes do Estado de São Paulo termina o ensino médio (antigo colegial) com conhecimentos em escrita e leitura esperados para um aluno de oitava série.Dados inéditos extraídos do último Saeb -exame federal de avaliação de aprendizagem-, realizado em 2005, revelam que 43,1% dos alunos do terceiro ano tiveram notas inferiores a 250, patamar fixado como o mínimo para a oitava série pela secretária de Estado da Educação de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro.Ou seja, eles não conseguem, por exemplo, compreender o efeito de humor provocado por ambigüidade de palavras ou reconhecer diferentes opiniões em um mesmo texto.
Outros 15,2% dos alunos tiveram desempenho ainda pior, similar ao desejado para crianças da quarta série do ensino fundamental(antigo primário).O quadro seria ainda mais dramático se os alunos da rede privada fossem retirados da conta, uma vez que a média dos estudantes das escolas públicas estaduais é 21,2% inferior à dos alunos das particulares.
Talita Lima de Araújo, 18, que estudou em uma escola estadual na Pompéia (zona oeste de SP), reclama da precariedade do ensino público. "Quando você termina o ensino médio, só percebe um vazio. Não temos chance no vestibular."
Os dados no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) comprovam a impressão de Talita. A média da oitava série da rede privada (285,8) é maior que a do terceiro ano do ensino médio da rede estadual (253,6).Causas Dagmar Zibas, pesquisadora da Fundação Carlos Chagas e uma das maiores especialistas em ensino médio no país, diz que o péssimo desempenho é conseqüência das condições de trabalhados educadores."Não é possível que um professor, que já tem formação deficiente, dê aulas em duas ou três escolas. Ele não sabe nem o nome dos alunos. Chega, faz a chamada, dá algumas instruções e já tem de correr para a próxima aula", afirma.Segundo a Secretaria Estadual da Educação, 70% dos professores têm emprego em outra rede -ou seja, no mínimo dobram a jornada.O educador e filósofo Mario Sergio Cortella, secretário municipalde Educação de São Paulo entre 1991 e 1992 na gestão Luiza Erundina (então no PT), diz que o ensino médio cresce como nunca na história do país. "Nos últimos dez anos, quase triplicamos o número de alunos, muitos com atraso escolar. Se aumentamos imensamente o universo de alunos, houve inversamente uma degradação das condições de trabalho. Faltam professores".Cortella diz que essa "colisão" (mais alunos e menos professores) se agravou pela promoção automática nas escolas. "Estamos colhendo o que foi organizado há dez, 15 anos."O educador diz não ser contra a progressão continuada, mas afirma que ela foi mal implementada. Segundo ele, é necessário haver um sistema de recuperação eficiente, para que o aluno com dificuldade avance com as condições adequadas.
Já o professor da Faculdade de Educação da USP Romualdo Portela reclama da descontinuidade administrativa. "Apesar de o mesmo partido comandar o Estado, cada secretário teve uma agenda, o que causou uma descontinuidade", diz...."

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Pra quem se pergunta qual o nosso objetivo a resposta é: mudar esse quadro e trazer cada vez mais leigos para fiscalizar a Educação quebrando o pacto de mediocridade que fizemos com a escola desde há muito tempo!
Professores raivosos, por favor, não transformem este espaço em um bate-boca de baixo nível! Não envergonhem mais ainda os bons professores que existem e que também freqüentam esse blog! Manifestem-se pelo menos com postura e dignidade de EDUCADORES.
E outra coisinha: adoraríamos não ter razão mas todas as evidências correm a nosso favor!!!!!!!!!!!!!!.....
Vera Vaz

Comentários

Anônimo disse…
Por favor, comentem os artigos de Ali Kamel, mostrando, em livros didáticos, o despudorado elogio ao sistema soviético, maoismo e explícita propaganda partidária em favor do PT. Vergonhoso. A educação pública em grande parte das Américas é quase stalinista.
Giulia disse…
Aêêêêê, xipó!
Anônimo disse…
É verdade!
Vocês alcançam seus objetivos!
ESCULHAMBAR PROFESSORES E DEMAIS PROFISSIONAIS ENVOLVIDOS COM A EDUCAÇÃO.E é só isso que vocês fazem...

Parabéns.
Tomara que saibam mesmo "ler "porque o que temos visto aqui, não passa de uma leitura dinâmica muito da mal feita: da escola, dos alunos, dos pais de alunos, dos administradores de escolas e afins.

Estamos propagandeando esse blog.Muito! Exatamente da forma como ele está trajado: lobo em pele de cordeiro.
Estejam certas madames, que nós professores, não deixaremos de vir aqui malhar em ferro frio (ixi!e como tá frio), e não nos curvaremos em virtude de vocês, além de todo o restante dos participantes desse "negócio" aqui, contribuírem para a desvalorização do profissional da educação. Como podem querer que o professor respeite seus alunos se vocês são as primeiras a ensinar a desrespeitar?
Leia-se "PROFISSIONAL DA EDUCAÇÃO" porque vocês, por mais que queiram, nem qualificação para tal possuem, ou seja, continuam no senso comum e se auto-denominam: PITAQUEIRAS.
Não generalizem minhas caras...Assim como existem maus profissionais nas escolas, existem também maus profissionais em qualquer área, até na web, como administradores de blog, ok?!

Felicia Allouette
Professora, Santa Catarina.
Anônimo disse…
Olha só!
A escritorazinha falida veio se manifestar!
Vem cá dona Vera, quantos livros mesmo você vende em cada congresso de educação que você participa, discursando sobre a "Escola do Saber" ?
Afinal você entende "pacas" de educação né não? rsss...

Antânia Jujumenta Bucéfala
Giulia disse…
Oba! Parece que o professorado que infesta o Orkut resolveu se manifestar por aqui. Estou adorando, pois fica bem clara a falta de argumentos e, principalmente, a pobreza de espírito. Podem visitar este blog à vontade, deixem seus comentários, o que queremos fazer aqui é um retrato da educação.
Pais Online disse…
Giulia,
Vc viu que lindinho o carinha do sindicato(aquele que começou se chamando de Prof. Ana Maria de Minas)? Agora resolveu desfilar todos os nomes que ele inventou para os personagens da novela que está escrevendo (não as do Globo obviamente, aquelas bem fajutinhas, de bolso mesmo...:). Até agora temos o Prof. Olinto Guerra Cerqueira, Prof. Ana Maria Magalhães, Prof. Vera Lúcia Albuquerque, Prof. Décio Pimenta e agora a Prof. Felicia Allouette. Adivinha o nome do livro? Aos mestres com carinho...hehehe(coitado do verdadeiro professor E. R. Braithwaite inspirando um falsário desse tipo).
Giulia disse…
Pois é, Caroline, a educação no Brasil é mesmo um faz-de-conta. Sindicalista, especialmente da educação, se deu muito bem neste país, os sindicatos nadam em dinheiro e podem pagar os melhores advogados, aliás nem precisam deles, pois é a palavra do aluno contra a do professor...
E é ÓBVIO que filho de professor sindicalizado estuda na rede particular, bem longe dos nossos filhos. É uma pena, porque (modestamente) se eles tivessem a oportunidade de conhecer os nossos filhos poderiam talvez se tornar cidadãos melhores e fugir à influência maléfica de seus pais...
(salve-se quem puder desses sindicalistas que passam horas inventando professores fictícios e pensando que vão nos enganar!)
Só discordo de você quanto às novelas da Globo, que acho beeeeem fajutas. Elas poderiam ajudar, se houvesse qualquer interesse em mostrar a verdadeira realidade. Não assisto novelas, mas achei que essa que está começando poderia ser interessante, ao mostrar o Rio de Janeiro por dentro. Li porém uma entrevista do Aguinaldo Silva, deixando bem claro que se trata de um "folhetim", então prefiro muito mais usar meu pouco tempo livre para atender os pais do que ficar me anestesiando com as baboseiras dessas novelas. E é claro que não interessa para a Globo que a escola brasileira vire "finlandesa": o que fazer "depois" com o criança esperança?... E se a população começar a exigir mais qualidade na programação? Você não vê como o William Bonner adora se dirigir ao "Homer Simpson"?...
Anônimo disse…
"não transformem este espaço em um bate-boca de baixo nível! "
Mas quem faz isso são vocês, leiam o que está escrito nos comentários acima.
Bom nível?
Amélia ...A mulher de verdade
kakakakakakakakakakaka
Anônimo disse…
O principal motivo do péssimo ensino nas escolas brasileiras é a cabeça torta de grande parte dos educadores. Pouco aprendem de útil na faculdade, pouco entendem da alma dos alunos, pouco entendem da disciplina que ensinam.
Não digo que sejam todos assim. Mas muitos são.

A escola brasileira é praticamente um caso de molestamento infantil.
Giulia disse…
Anônimo logo acima, você inventou uma expressão muito adequada: um caso de molestamento infantil.
Algo lhe impede de se identificar?
Anônimo disse…
O que vocês acham da PROGRESSÂO CONTINUADA? Esta política de aprovar de qualquer jeito não foi idéia dos professores, e sim do governo. Qual a posição de vocês, mediadores do blog à respeito?
Giulia disse…
Anônimo da PROGRESSÃO CONTINUADA (gente, não custa nada vocês inventarem um nome, só pra não ficar difícil responder! rsrs), se você tiver tempo e vontade, vá procurando nos arquivos anteriores do blog e vai encontrar montes e montes de textos nossos sobre a progressão continuada. Infelizmente um blog não é um site, onde dá para organizar os textos por assunto. Mas vá com fé que você vai se divertir ao vasculhar nosso blog. São só dois aninhos de atividade! rsrs
Anônimo disse…
Nossa!
Tudo o que foi dito na "propaganda" desse blog é verdade!

Que lixo...
Que medíocre...
Que hipócrita!

E tenha certeza que cada professor que aparece por aqui, é professor mesmo, eu mesmo tratei de divulgar essa coisa aqui. Como vocês temem ao sindicato, sempre caem na armadilha né?


Luis Tadashi

P.S: vocês deveriam pensar em mudar o nome desse espaço: de educaforum para chá das 5...rs...
Lilian disse…
A culpa pelo fracasso escolar é também do professor mas não é só do professor... Se o professor é mal formado ele tem uma parcela de culpa mas a culpa também não é só dele... Sou estudante do mestrado e também professora da rede estadual, minha pesquisa para a dissertação de mestrado é justamente sobre a formação de professores... Um grande problema que tenho encontrado com esta pesquisa é que várias instituições de ensino superior de má qualidade são credenciadas pelo MEC, ou seja, o próprio Ministério da Educação autoriza o funcionamento destas instituições, há faculdades á distancia, outras com encontros de finais de semana, outras com aulas todos os dias mas com carga horária muito reduzida... Principalmente os professores que possuem baixa renda (porque poucos tem uma renda decente) terminam por fazer os cursos destas instituições "picaretas" pois os preços das mensalidades são menores...
Assim como a OAB faz um exame para que os advogados possam exercer sua profissão seria necessário que os professores também fizessem uma prova deste tipo porque a qualidade do ensino superior principalmente no que se refere as licenciaturas deixa muito a desejar...
Gostaria de ouvir a opinião do pessoal deste blog sobre isto...
Lilian disse…
Outra coisa que quero destacar é que há muito tempo os professores da rede estadual de São Paulo perderam sua autonomia na sala de aula... Os métodos de ensino, os recursos disponíveis, a aprovação ou retenção dos alunos raras vezes são decididos pelos professores...
O que acontece é que eles terminam "dançando conforme a música", ou seja, a Secretaria da Educação que pertence ao governo estadual dita as regras e a escola (diretores e professores)simplesmente obedecem, isto porque são simplesmente funcionários, encarregados é claro de um grade fardo, a educação de nossas crianças, embora a responsabilidade e a culpa pelo fracasso recaia sobre seus ombros (professores e diretores), pouco podem fazer para mudar, as mudanças necessitam de vontade política...
Vocês aqui do blog presenciaram reportagens desta semana em que uma mãe teve que entrar na justiça para que seu filho fosse reprovado na escola? A mãe, uma pessoa muito coerente sabia que seu filho não tinha atingido as competencias e habilidades necessárias para passar para a série seguinte, a professora também sabia disso mas diante da atual legislação sobre a educação estadual de SP o aluno não pode ser reprovado... Uma estrutura de recuperação para esta criança deveria ter sido montada desde o início do ano é claro, mas como a professora deste aluno faria isto? a professora é claro não tem poder para contratar para a criança um outro professor que lhe desse apoio fora do horário de aula (digo isto porque algumas crianças realmente demoram mais que outras para aprender, cada uma tem seu rítmo) na aula com a sala cheia é praticamente impossível uma professora dar uma assistencia especial para um só aluno... Em geral os professores dão aulas para o coletivo... O governo estadual oferece também aulas de reforço fora das aulas, o que acontece é que muitas crianças não gostam de assistir estas aulas no pós-aula... Muitas crinças vêem estas aulas de reforço como um "castigo" e não como uma "ajuda" e em geral os professores de reforço trabalham com um número grande de alunos também... o que estes professores podem fazer além de dar suas aulas?
quase nada, tentam inovar, tentam motivar os alunos mas para alguns isto ainda é pouco... Ha crinças que precisam de uma atenção maior e do acompanhamento de outros profissionais como psicólogos, fonoaudiólogos, etc O professor não tem poder para resolver estes problemas... muita coisa depende da política...
Por isso acho errado quando culpam os professores e também acho errado quando culpam os alunos, embora "alguns" alunos conhecendo a progressão continuada também não se preocupem em aprender e vão a escola só para brincar... A culpa deste caos que esta a educação no estado de São Paulo é sobretudo das ações de políticos que aprovam decretos que só prejudicam a educação brasileira...
Se alguém aqui tiver alguma dúvida posso citar os decretos e leis...
Giulia disse…
Prezada professora Lilian, obrigada pela sua colaboração e pelo alto nível da sua fala. Não se trata aqui de achar culpados, mas soluções. Você tocou num ponto importantíssimo: os cursos de formação são ruins e já abordamos isso aqui. Deveria haver mesmo provas para a admissão dos professores, mas os sindicatos são contra, aliás, todo esse rebuliço que estão fazendo ultimamente é por medo da avaliação dos profissionais. Quanto à política, você está coberta de razão: os gabinetes das secretarias são cabides de emprego lotados de burocratas que não têm compromisso com o aluno e querem deixar sua "marca", abandonando os bons projetos. A progressão continuada é um deles. Te garanto que bem implantada ela funciona! Meus filhos foram alfabetizados na gestão do Mário Sérgio Cortella e naquela época o sistema mostrou-se muito eficiente. Se a Secretaria da Educação realmente QUISESSE, ela fiscalizaria a avaliação contínua e a recuperação contínua dos alunos, ferramentas indispensáveis para o sucesso da progressão continuada. Bastaria que a supervisão de cada escola informasse os horários da recuperação, que houvesse uma campanha de incentivo à presença dos alunos nesses horários e que essa presença fosse conferida. Mas esses gabinetes têm muito mais que fazer, devem promover grandes discussões pedagógicas... E depois, o maior problema da rede pública é a AULA VAGA, se você é professora do Estado sabe disso muito bem. Ficaria constrangedor para a Secretaria conferir a presença dos alunos nas aulas de reforço e verificar que, na verdade, as faltas dos professores são tão ou mais freqüentes...
Mas o que eu não entendo é o seguinte: se o professor realmente está interessado em dar uma aula de qualidade, se ele se sente frustrado ou "boicotado" pela política educacional ineficiente, porque então não aproveita o seu canal de comunicação, o sindicato, para reivindicar tudo o que acha necessário? A gente não vê isso. A gente vê os sindicatos reivindicarem apenas melhores salários e falarem mal dos alunos...
Anônimo disse…
Giulia

Os professores que discordam da postura do sindicato não tentarão mudar a sua representação. Nunca ví um sindicato que representasse realmente o pensamente da maioria dos trabalhadores. Em qualquer categoria é assim, quem tem uma visão ideológica ou está em busca de poder ou grana, busca entrar no sindicato e fazer carreira lá. A maioria das pessoas quer apenas viver sua vida e ficar longe do sindicato, visto como lugar de política baixa e crimes (e é mesmo).

Desmistificador
Lilian disse…
"E depois, o maior problema da rede pública é a AULA VAGA"

Olá Giulia tudo bem? realmente na rede estadual há muitas aulas vagas, sou professora da rede estadual e sei disso, todos professores da rede estadual têm direito a 06 abonadas (faltas não descontadas em folha) estas seis abonadas se referem aos dias 31 que o Estado não paga aos funcionários. O Estado só paga 30 dias, como há 06 meses que possuem 31 dias, o professor e também todos os demais funcionários tem direito a descontar estes dias que são trabalhados e não pagos.
Como você deve saber, as condições de trabalho são realmente péssimas, e poucos conseguem passar por isso sem ficar doentes, então há também as faltas médicas, e há também as faltas por problemas pessoais, por exemplo, um professor que trabalha dois ou três períodos, em que horário resolverá seus problemas, então ele falta mesmo...
Se melhorassem as condições de trabalho desta categoria, as faltas diminuiriam, não haveria tantos professores doentes e estressados. E se o Estado pagasse os dias 31 não haveria mais a falta abonada, já que ele não paga, o professor tira em folga...
Como já disse anteriormente é necessário vontade política para resolver todos estes problemas.
Embora o professor tenha também uma parcela de culpa sobre o fracasso escolar, o maior culpado é a administração estadual que só atrapalha o bom andamento das escolas.
As reinvindicações de professores não pedem só salário, mas também melhores condições para o ensino, pena que a mídia abafa sempre o caso. Este ano houveram três manifestações dos professores estaduais e só vi a mídia comentar rapidamente sobre uma delas... Até parece que esta (a mídia) tem parceria com o governo estadual.
Giulia disse…
Mas veja, Lilian, eu entendo que o papel do sindicato não é sair por aí de carro de som e aparecer na mídia. Eu entendo que ele precisa ter uma firme NEGOCIAÇÃO com o governo. E pelo jeito a negociação gira apenas em torno de salário. Veja por exemplo que na última visita que fizemos à secretaria municipal de educação nos informaram que "quase teve greve", mas que no final de uma reunião com o sindicato (que foi até de madrugada) o secretário fez pé firme no sentido de "colocar o aluno como prioridade" (esta é a fala governamental, até parece! rsrs) e abortar a greve, ou seja, o governo capitulou na questão dos salários...
Eu vejo assim: os professores pagam os sindicatos, que nadam em dinheiro e nada fazem pela educação,mas não cobram dos sindicalistas, exatamente como a sociedade brasileira não cobra dos seus representantes governamentais...
Ah! Eu não te respondi quando você disse que fui corajosa ao colocar meus filhos na rede pública. Foi uma das coisas das quais não me arrependo na vida! Tive muito mais trabalho para dar-lhes apoio, mas em compensação eles aprenderam a conhecer seu país "por dentro" e não pelas novelas...
Muitas pessoas só enxergam a questão "futuro". Se for essa a preocupação - nunca foi a minha, pois só tenho o ensino médio e sempre consegui bons empregos - todos os meus filhos formaram-se em universidades públicas e são excelentes profissionais, cada um em sua área. Além disso, o fato de ter filhos na rede pública me levou a criar o EducaFórum e não parei até hoje. Muitos acham que é perda de tempo, mas você não calcula a satisfação quando a gente consegue reintegrar um aluno na escola ou mostrar uma face oculta da realidade. Aliás, saiba que os gabinetes da educação vivem antenados aqui... Quem não deve não teme, rsrs.
Lilian disse…
É Giulia, eu também formei-me em escola pública, e também em universidade pública... Tenho saudades daquela época.
Antigamente, as melhores escolas eram as públicas, pelo visto seus filhos não são mais crianças e não pegaram a fase atual de sucateamento em que a escola pública se encontra. Acredite, o nível de qualidade caiu e muito.
A qualidade da escola pública no Estado de São Paulo já foi muito melhor do que é hoje. Naquela época, a escola podia exigir mais estudos dos alunos, hoje a escola não pode exigir mais nada... Não há mais deveres, só direitos...
Vai passando o tempo e, só vejo a situação piorar... Há uns quinze anos atrás eu também colocaria meus filhos em escola pública... Hoje nem pensar, com a tal da "promoção automática", e outras políticas neoliberais na educação,como grande número de alunos por sala, preocupação só com quantidade de aprovados e não com qualidade, corte de gastos, professores estressados devido a alta carga horária, torna-se muito difícil para o bom aluno sair bem formado da escola pública. A maioria sai "analfabeto funcional".
Sempre incentivo meus bons alunos a procurarem por mais conhecimento por conta própria, fazerem cursinhos pré-vestibulares e a prestarem vestibulinhos no SENAI e outras escolas técnicas, algumas destas instituições ainda tem autonomia para gerir seu funcionamento e obtém melhores resultados.
Um abraço a todos do educa-fórum!
E parabéns aos professores!
Lilian disse…
Ah vi hoje nos jornais que nosso governador será candidato a presidente... será verdade? E vi também que outro governador, o de Minas, também será...
Estou dizendo isto, porque tenho amigas que trabalham em Minas Gerais e lá, a educação melhorou demais, graças a algumas medidas tomadas pelo governador de lá.
Vou citar algumas destas medidas aqui, quem sabe alguém do gabinete da educação leia e resolva implantar aqui em São Paulo também.
- fim da promoção automática,lá quem não estuda não se forma, diferente daqui;
- avaliação dos professores da rede, e demissão dos maus profissionais;
- materiais para escola pública, como máquina de xérox, lá os profs. não precisam tirar do próprio bolso como os daqui e nem pedir dinheiro p/ aluno correndo risco de perder o cargo;
- currículo mínimo comum igual em todo o estado, assim alunos que se transferem não tem problemas com tantos conteúdos diferentes e também as provas p/ avaliação governamental dos alunos são baseadas nestes conteúdos;
- regras de disciplina nas escolas, lá não tem essa de aluno só bagunçar na sala de aula.
Que Serra siga o exemplo de Aécio... (já que os dois querem se candidatar a presidência) e Aécio usará a qualidade da educação de Minas para se engrandecer na eleição e demoralizar o Serra e o Alckimim que quase nada fizeram pela educação de São Paulo no quesito qualidade.
Giulia disse…
Olá, Lilian, não é como você imagina. Meus filhos tiveram apenas TRÊS ANOS de ensino de qualidade, em seguida entrou o Maluf na prefeitura e tudo degringolou abruptamente, não houve nem mesmo uma fase de transição para que a rede pudesse acostumar-se às mudanças. Aliás, saiba que foi Mário Sérgio Cortella que implantou a progressão continuada na rede, muito bem implantada aliás, com avaliação e recuperação contínua dos alunos. Eu detesto frases do tipo "promoção automática" referindo-se à progressão continuada, pois correspondem a uma visão equivocada da proposta.
Quanto à rede estadual, aqui em São Paulo tem sido um caos, mas isso que você fala de Minas precisa ser conferido. A professora Glória, de Leopoldina, relata casos escabrosos de autoritarismo na rede pública e a sumária exclusão de alunos que não se enquadram nos requisitos normalmente desejados, ou seja, crianças bem cuidadas, vestidas e alimentadas, que correspondem ao ideal propalado na rede pública de todo o Brasil: "a educação vem de casa". Entendo que o Brasil é um país que não se pode dar ao luxo de fazer essa exigência, a não ser excluindo metade da população, justamente o que acontece, principalmente no ensino médio...
Um abraço para você e para os professores que realmente se empenham em seu trabalho.
Lilian disse…
Boa Tarde Giulia!

É por isso que não chamo o sistema de ensino do Estado de São Paulo de Progressão Continuada e sim de "promoção automática".

Conheço bem o significado da progressão continuada e, como sabemos, aqui eles implantaram uma coisa utilizando nome de outra.

Tudo para confundir...
Luiza disse…
QUE MENTIRA QUE LOROTA BOA, QUE MENTIRA QUE LOROTA BOA!
Essa Lilian é mais uma mal informada...quem falou que em Minas não há progressão automática?
Que mentira...Você conhece a tal da escola plural? Claro que não né?
Outra mentira: não há demissão de maus profissionais...há uma avaliação de desempenho, que é tão somente para benefícios, entendeu? Grana...dim dim...aumento de 5% a cada 3 anos...
Máquinas de xerox???? onde fiote? Onde? Aqui é mimeógrafo à álcool mesmo...
Que mentirada...credo!
Currículo mínimo,igual? Pirou? Aqui cada escola leva em consideração a LDB, o resto é por conta da administração e dos pedagogos...aff...quanta informação falsa...
Disciplina? Não há alunos só de bagunça...Olha Lílian, você deveria pedir desculpas por propagandear tanta mentira...Você acredita mesmo que o Aécio tá fazendo tudo isso? Ah...sim...ele tá falando que faz e você tá acreditanto né fiote? Pobrezinha!
Aqui temos diversos fenômenos tais como "bulling" que é pior que indisciplina...
Vai ler fiote...vai se informar melhor. Não fique detonando São Paulo, não faça isso. Minas Gerais tá igual ou pior. A diferença é que Aécio quer ser Presidente. Andou falando aqui até que "ele" resolveu "premiar" os professores com um salário de 850 reais. Caraca...isso é lei federal.
ah neim...que desânimo viu...
E o homem tá conseguindo o que quer...mascarar a realidade mineira.E a ingenuazinha da Lilian acredita e o que é pior, divulga como sendo verdade!!!!
Ô trem sô.

Luiza de Macedo - Professora de educação infantil MG