Natureza humana e hipocrisia

Em seu novo artigo na Veja, Gustavo Ioschpe vem com mais um assunto polêmico, muito bem amarrado ao problema educacional brasileiro. É a questão da ecologia, unanimidade absoluta no país. Responda rápido: o que é mais “bonitinho”, o mico-leão dourado ou aquela criança descalça e esfarrapada que você viu hoje passando no farol?...

A resposta tem a ver com seus valores. Bonito, feio, bom, ruim, interessante, indiferente, agradável, desagradável, são conceitos que indicam seus valores. E, já que estamos em clima de Páscoa, permita-me este plágio: Onde está teu tesouro, lá também está teu coração. Sim, os valores são coisas do coração...

O Brasil tem enormes problemas sociais e de desenvolvimento. Mas as soluções vão a passos de tartaruga, aliás, as metas não são claras e os métodos menos ainda. Pergunte a queima-roupa para alguém: como acabar com as favelas? como acabar com as secas no Nordeste? como resolver o problema do tráfico de drogas?... A resposta será provavelmente: Não sei. Mas talvez, no íntimo do coração, quem respondeu poderia complementar: Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe...
Essas perguntas não são ingênuas! Eu mesma presenciei a chegada de uma comissão vinda de Israel há uns trinta anos, trazendo a tecnologia que permitiu transformar o deserto em terra fértil, mas essas informações preciosas, que custaram muito $$$ aos cofres públicos, se perderam e o Nordeste continua como estava... Quanto ao tráfico de drogas, todos assistimos a solução em um filme de ficção pirateado no Brasil inteiro: bastaria que as classes média e alta parassem de sustentar esse negócio bilionário...

Pergunte agora para a mesma pessoa: como resolver o problema do efeito estufa? como impedir a destruição da camada de ozônio? como diminuir o desmatamento na Amazônia? É bem provável que venha uma enxurrada de respostas, pois o Jornal Nacional, o Globo Repórter e N outros programas se desdobram em veicular informações sobre o que se convenciona chamar de “natureza”. A mídia não é boba de divulgar o que não está no coração da população. Ela é sustentada pela propaganda empresarial e pela publicidade governamental. O que não toca o coração não vende. E o que move a mídia brasileira é o $ifrão$, que é talvez o maior VALOR da nossa sociedade...

Vamos acabar com a hipocrisia?

A solução dos problemas sociais não urge em nosso coração. Nós, classe média brasileira, damos graças a Deus de não termos problemas de “abastecimento”, de termos nossos filhos bem alimentados, agasalhados e instruídos. Daqui para frente, o sonho é mudar para uma casa com uma suíte para cada filho e depois construir uma casa de campo com piscina, ou então viajar pelo mundo.

A sociedade brasileira tem pouco apreço pela natureza... humana, que costuma dissociar do seu contexto. Por isso, se interessa mais pelas aves silvestres do que pelo pobre coitado que as caça para sustentar sua família... Nosso maior preconceito não é contra o negro, o homossexual ou o deficiente: é contra o pobre e o fraco, incluindo aí a criança. (Preconceito também é coisa do coração!...) Quem mandou “esses” favelados terem um monte de filhos e espalhá-los pelos faróis da cidade?... Quem mandou entupir as escolas públicas de crianças mal vestidas, mal alimentadas, provenientes de famílias não-estruturadas?... É bem por isso que, no Brasil, a questão "ambiental" é unanimidade e a questão social, que se preocupa com o ambiente humano, não goza do mesmo prestígio.

A solução para os problemas sociais brasileiros, aquela que vai impulsionar o desenvolvimento do país, não vai vir “de cima” - nem do governo, nem de Deus. Ela depende do pequeno esforço de cada um em ampliar seu campo de visão e sua escala de valores. Se conseguíssemos enxergar nessas crianças famintas e mal vestidas pessoas DE VALOR, não aceitaríamos que elas fossem deixadas no limbo do analfabetismo por professores que fazem da escola apenas seu meio de sustento, pois eles também, como nós, não prestigiam essas crianças e não acreditam que elas possam ter importância para o futuro da nação.
Não é do meu feitio, mas já que a Páscoa está chegando vou fazer outro plágio: Deixai vir a mim os pequeninos...

Um outro viés dessa questão: se entendêssemos a importância do dinheiro como meio de produzir desenvolvimento e progresso para o país, daríamos mais valor aos investimentos públicos, principalmente na educação. Por que não nos importamos que verbas polpudas, saídas do bolso de todos nós, sejam manipuladas e desviadas a bel prazer? Será que entendemos os órgãos públicos como loterias que distribuem riqueza para alguns privilegiados? Será que, no fundo, até invejamos aqueles que têm a coragem de colocá-las em seus próprios bolsos? Será que, se tivéssemos suficiente cara de pau, boa lábia e esperteza suficiente, não estaríamos também lá “em cima”?...

O futuro do Brasil depende de uma discussão mais profunda de suas prioridades. Se a nossa cegueira não nos permite enxergar além do prazer mais imediato e do interesse pessoal, pensemos ao menos em nossos filhos, que poderão herdar uma casa com piscina, mas estarão sujeitos a sofrer assaltos, seqüestros ou até a perder a vida nas mãos de quem não tem nada a perder.

Leia o novo artigo de Gustavo Ioschpe aqui http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/index_200308.shtml e discuta, discuta mesmo!

Comentários

Glória disse…
Querida Giulia, que bom entrar aqui e deparar com o seu coração em forma de texto...que bom que você existe para a gente ter esperança...(extensivo à Vera, que dá mais força para a nossa esperança) Feliz Páscoa, amigas!
Anônimo disse…
Não gosto destas comparações. Fico furiosa quando me questionam pq ajudo a SUIPA. No meu enteder o coração das pessoas deve ter espaço para todos. Crianças necessitadas, não esquecendo dos pais irresponsáveis, e cães abandonados,principalmente estes não possuem pais para acompanha-los e na maioria das vezes são abandonados pelos humanos. Acho que a nossa preocupação com a natureza deve caminhar paralela com as nossas questões sociais pois o homem é a própria natureza. De que adianta existir o homem sem e natureza. E de mais a mais, há muito que deixamos, por nossas más ações, de merecer o mundo maravilhoso que Deus nos deu. O mínimo que podemos fazer é tentar recuperar o pouco do muito que já destruímos. Cuidar das crianças sim, mas nunca compara-las com cães, micos-leões ou gatos. Todos necessitam de nós, que podemos fazer alguma coisa.
Feliz Páscoa
Danielle
Giulia disse…
Oi, Danielle, não quis comparar crianças com micos-leões...
Acho que coloquei o assunto de forma estabanada, pois na verdade eu estava "lincada" no artigo do Gustavo Ioschpe, sem ter me preocupado em traduzir a idéia dele. Se você ler o artigo vai entender. É muito bem sacado, pois cada coisa tem sua importância, mas as prioridades estão invertidas. O Brasil está dando prioridade às suas riquezas materiais e deixando de lado sua maior riqueza: o "material" humano. Os outros países que reviram essa posição estão agora numa fase de desenvolvimento muito melhor do que a nossa.
Boa Páscoa para você também e mais uma vez obrigada pela sua participação! Sem essas saudáveis discussões, nem vale a pena manter um blog.
Anônimo disse…
Eu li o artigo, muito embora discorde dele em muitas coisas eu sempre leio os artigos. Deste vez ele pegou pesado, mas o Brasil tá precisando mesmo de um sacode. Pena que nós somos tão poucas antenadas nestas questões.
Mais uma vez eu é que agradeço por poder fazer parte deste debastes tão geniais, Deus te abençoe.
beijos
Danielle
Aprendiz disse…
Giulia

Saindo do assunto:

Outro dia, no domingo, ví uma parte do pragrama "super nany". É impressionante a falta de senso e percepção de alguns pais. Creio que todo mundo conhece alguns pais que aão incapazes de lidar com seus filhos com um mínimo de bom senso e autoridade.
Fiquei pensando sobre isso. Tenho a nítida impressão de que grande parte dos professores não tem capacitação para lidar com crianças que receberam uma educação inadequada em casa. Já é dificil ensinar crianças que receberam boa educação em casa. E as que não receberam ...

Gostaria que este blog abordasse essa questão, da educação das crianças com problemas em casa. E também a questão da má formação dos professores.
Giulia disse…
Aprendiz, são assuntos bem interessantes, mas eu, pessoamente, tenho grandes dificuldades em definir o que são "problemas em casa". Por um lado é uma deficiência minha, mas pode ser também que estejamos vivendo em uma época onde se quer simplificar e classificar tudo. Eu sou de uma geração que considera o ser humano muito complexo e que prefere um minuto de silêncio antes de pensar em condenar alguém.
Famílias são "micro-sociedades" fechadas onde o que pode parecer absolutamente "perfeito" às vezes esconde enormes problemas camuflados pela hipocrisia ou mesmo pela ignorância. Só mesmo sendo membro de cada família para saber a extensão dos problemas. Ou vamos acreditar na família perfeita?...
Escolas são "mini-sociedades" abertas onde os problemas individuais se revelam com mais clareza. Não se exige do professor que ele resolva os problemas de comportamento de seus alunos, mas que ele aja com um mínimo de competência e respeito para não aprofundá-los. Quando o professor não tem esse mínimo de competência ou respeito, ele começa a ralhar que "a educação vem de casa", que "esse aluno é a laranja podre que contamina as outras", que "pau que nasce torto permanece torto" e outras pérolas que infestam o ambiente escolar. Alguns professores têm, intuitivamente, o bom senso que lhes permite lidar bem com seus alunos mais difíceis, mas a maioria precisaria de uma formação melhor nesse sentido. Eu já questionei isso em audiências com autoridades da educação, mas parece que a "ficha" ainda não caiu...
Anônimo disse…
Oi Giulia,
gostei dessa colocação da "Aprendiz". É claro que não existe a família perfeita, graças a Deus né. Contudo, eu chamaria de crianças com problemas em casa aquelas cujos pais não definem limites, não impõem regras e principalmente não estabelecem metas para estas crianças. Estas são nossos grandes problemas na escola, pois tudo o que tentamos organizar em sala é desorganizado em casa. Tarefas de casa: faz se quiser, uniforme: não gosta? não usa! As crianças mais novas resistem aos combinados de sala e os mais velhos geralmente nos confrontam com a liberdade que os pais lhes dão. Ouço muito dos meus alunos do 4o.ano " você não é a minha mãe, e ela nunca me proibiu nada". Acredito que além de melhores formações para professores talvez devessemos cada vez mais estimular a criação das chamadas "escolas de pais". Muitos também precisam ser melhor orientados sobre o seu papel de primeiros e mais importantes educadores na vida de uma criança.

um bj Danielle

p.s. Acho legal este debate crescer aqui. Precisamos unir forças.
Aprendiz disse…
Giulia

Não proponho a perfeita definição do que são "problemas em casa". Mas um professor capacitado sabe compreender quando os problemas disciplinares na escola tem fontes fora dela. Também não proponho a demonização de ninguém. Clamo é para que os professores recebam treinamento suficiente para serem capazes de ensinar a TODOS os seus alunos.


Danielle

Algumas décadas não existiam (ou era raríssimas) crianças que dissessem: "miha mão nunca me proibe nada". Então vieram alguns acadêmicos tentando corrigir o excesso de rigidez de ALGUMAS famílias. Fizeram isso com tal incompetencia (com apoio maciço da mídia), que conseguiram criar em grande parte da sociedade um estado de quase anomia, em que os pais tem medo de não concordar com seus filhos em tudo.

Não creio que o que se possa resolver, por forte intervenção na família (por parte da academia, da mídia e do estado), um problema que foi CRIADO justamente pela forte intervenção dos mesmos grupos que agora querem "resolver" o problema.

"Escola para pais" me cheira a mais intervenção indevida do estado e na vida das pessoas ideologização da sociedade. Gostaria apenas que o estado e as "ONGs do G" parassem de atrapalhar. Já estaria de bom tamanho. A sociedade, de forma natural, deve encontrar sua saída.
Giulia disse…
Aprendiz, você tocou num ponto muito importante: não se tem no Brasil estudos confiáveis sobre o comportamento da sociedade. Cadê os socióóóóólogos deste país?
Por que o Brasil está numa fase de desenvolvimento e de estagnação educacional há tantos anos e não há estudos que mostrem os caminhos tortos da sociedade? Concordo contigo quanto à profusão das Ongs que acabaram virando cabides de emprego ou fontes de corrupção. Como é que a sociedade vai encontrar uma saída "natural" sem estudos confiáveis? Há quarenta anos este é o país do "futuro", sem qualquer planejamento...
Anônimo disse…
Veja só Giulia,
Como é difícil ensinar. Muitas mães me procuram na porta da escola para pedir mais atenção aos seus filhos, pois estes têm dificuldades para aprender ou simplesmente para prestar a atenção. Outras já se queixam de que seus filhos chegam em casa contando que eu dou mais atenção aos que "fazem bagunça" e "não fazem as tarefas", enfim, aqueles que fogem dos chamados padrôes escolares. Eu fico no meio do fogo cruzado. De um lado quero ser a professora que sabe lidar com os que apresentam dificuldades e defasagem graves de aprendizagem e comportamento. Por outro lado sinto-me muito mal por ter que "roubar" tempo e atenção dos que não me solicitam tanto. Lembro-me da parábola do filho pródigo e me pergunto se o filho que ficou em casa trabalhando com o pai teve o tratamento merecido.
beijo
Danielle

p.s. A família perfeita não existe (repito Graças a Deus!). E a Sociologia da família é confusa, mas a vida em sociedade exige que nós tenhamos um mínimo de parâmetros senão estaremos sempre invadindo o terreno do vizinho e eles o nosso.
Anônimo disse…
ANDARTA
Bom dia...
A discussão está cada dia melhor por aqui, pois ainda acredito que é pensando, lendo e conversando que podemos ir formando soluções antes não vistas por nós.
Esta semana me aconteceu um fato inusitado,que tomou todo meu dia.
A escola que administro recebe alguns alunos do fórun local que estão com a famosa "liberdade assistida",que na verdade não é assistida por ninguém de lá, nós mandam o adolescente e ai começa o famoso "VIREM-SE".
Numa das aulas este adolescente -Mário investiu seriamente em cima de um colega de classe, Alfredo e se não fosse impedido pelo professor, só Deus sabe o que teria acontecido.
Encaminhado para diretoria, estava num estado mais do que alterado de nervoso, fui acalmando Mário até podermos convesar.
Após algumas horas(isso mesmo horas) consegui conversar e Mário guarda dentro dele toda mágoa do mundo e dos mal tratos que vem sofrendo.
Como o Alfredo foi grosseiro com o professor que Mário diz amar, resolveu que o colega merecia morrer...Isso mesmo morrer.
Ele não admitiu que o professor que o acolhe, o respeita, o trata bem fosse mal tratado pelo seu colega de classe.
___Este professor é massa, xingou ele, eu tenho vontade de matar mesmo.(Mário).
Não quero e nem vou aqui defender a atitude de Mário,mas ele só aprendeu a reagir com violência contra qualquer violência que assiste.
Deveria ser punido?
Deveria ser expulso da escola? Retornar para o fórun?
Preferi chamar o outro aluno, Alfredo e saber o motivo do desrespeito ao professor (que nem reclamou de nada).
Os dois acabaram conversando na minha sala e desculpas foram pedidas entre os dois( claro que Alfredo estava morrendo de medo de Mário e Mário pediu desculpas com a cara mais amarrada do mundo).
Bom, resumindo, Mário só se sentiu melhor e chorou muito, após nosso papo de "quero matar" e ver Alfredo pedindo desculpas ao professor pela grosseria feita a ele.(só ai Mário desamarrou o rosto)
Precisamos trabalhar com ele, com certeza,mas deveria eu puní-lo?
Sinto-me, muitas vezes tão perdida, com tão pouco recurso humano especializado dentro da escola, para auxiliar nestes casos complexos.
Bom, Mário está auxiliando na biblioteca, como "castigo" pela agressão ao colega, sob arientação do professor que ele adora e o Alfredo está auxiliando e assistindo um aluno surdo que temos aqui, pela agressão verbal ao profesor.
Ontem vi os dois alunos conversando na biblioteca e espero do fundo do meu coração que se tornem amigos, pois cada um deles tem muito a ensinar um ao outro.
Fico pensando muito, pois recebi algumas críticas de que posso estar fortalecendo o "instinto assassino" do Mário, outros me dizem que assim com calma ele vai aprendendo a reagir com calma também.
OLhe do fundo do meu coração só saberei se deu certo daqui a um tempo, até lá vou sofrendo, pois o medo de errar é muito grande e não me envergonho de confessar isso não.
Que todos tenham uma ótima semana
ANDARTA ...Diretora de escola

PS: Giulia se quiser posso te passar meu e-mail,mas publicá-lo aqui, no aberto, não gostaria.
Giulia disse…
Andarta, que felicidade ter a sua presença aqui! É tão difícil alguém (principalmente entre os profissinais da educação...) ter a coragem de se colocar com tanta sinceridade! Eu tenho certeza de que você está no caminho certo, que é o do diálogo. Instinto assassino?... Infelizmente vivemos numa época de "faz-de conta", onde a ficção tem mais peso e é mais valorizada do que a realidade. A alma humana é ainda muito sugestionável, a gente (todos nós, a não ser alguns "iluminados"...) costuma se deixar levar por emoções coletivas. Quantos filmes de ficção existem sobre "espírito assassino"? Montes e montes. Mas a nossa realidade não é essa! Mesmo assim, esses filmes fazem enorme sucesso e impressionam a população de forma tal que qualquer gesto do próximo, na vida real, já parece uma ameaça. Imagino o bafafá que esse fato deve ter provocado na sua escola! Poucos devem ter assistido a cena, mas isso deve ter provocado uma comoção generalizada e certamente muitos acrescentaram um ponto à história, mesmo sem tê-la presenciado...
Assim caminha a humanidade. E certamente a aproximação dos dois garotos, que você foi tão sábia e sensível de estimular, deixou muita gente desconfiada. Tomara que essas atitudes e comentários negativos não atrapalhem a aproximação dos meninos e que dessa história desagradável possa realmente nascer uma amizade. Seria muito bom se você os convidasse novamente para conversar, de repente oferecendo um sorvete ou algum doce e dizendo que é para comemorar o início de uma amizade...
Se você me mandar um e-mail para o educaforum@hotmail.com vou te colocar em contato com a professora Glória, de quem você deve ter lido aqui no blog. Ela é uma daquelas pessoas como você, que conseguem fazer milagres de relacionamento e é amante da poesia. Poderíamos pedir para ela escolher um poema sobre amizade que possa sensibilizar os dois meninos. A nossa escola é tão árida de cultura, poesia e literatura! Você poderia convidar novamente os dois garotos na sua sala, desta vez numa situação neutra, entregar um poema para os dois, lê-lo em voz alta, dizer algumas palavras, deixá-los falar também e terminar saboreando um docinho... Vamos curtir uma idéia como esta, ou qualquer outra que possa aproximar melhor esses meninos. Demonizar ou punir alguém sem que a própria pessoa se sinta responsável não adianta MESMO...
Por último eu diria: psicopatas existem, sim, mas são poucos, muito menos do que sugerem os filmes ou os seriados da moda sobre instinto assassino. Mas a maioria das pessoas gosta e torce pelo acontecimento de tragédias...
Eu, pessoalmente, acho menos "psicopatológico" alguém fazer uma ameaça de morte do que criar um monte de intrigas durante quase um ano e arrastar cinco jovens inocentes para um tribunal, como fez aquela diretora de escola de São João da Boa Vista, que, no final, saiu impune dessa "obra" maquiavélica. Todo mundo tem a coragem de punir uma criança ou um jovem, mesmo sem se preocupar em apurar os fatos, mas uma autoridade comprovadamente culpada de um estrago dessas proporções é considerada acima de qualquer suspeita...
Regina Milone disse…
Adorei ler todas essas msgs. Ótimo debate!
Também acredito no diálogo, na liberdade (com responsabilidade, claro) e na democracia, acima de tudo, e, por isso, já cansei de ser criticada na escola onde trabalho. Me acham "boazinha" demais e muitos acham que defendo o que defendo por não estar dentro de sala de aula com mais de 40 alunos (obs: já dei aula, agora atuo como orientadora educacional e também acho um absurdo esse número de alunos por turma, mas não acho que isso justifique tudo que os professores em geral dizem ao reclamar) e confesso que isso, muitas vezes, me fragiliza a ponto de realmente ficar me questionando sobre se deveria insistir tanto nessa prática - o diálogo - e nessas idéias - democracia e liberdade.
Limites são fundamentais, no sentido de se ter clareza deles e respeito diante dos seus e dos limites dos outros, mas também podem ser trabalhados com diálogo, espaço para reflexão e questionamentos!
Mesmo ficando insegura, muitas vezes, e vendo meu trabalho ser desvalorizado em muitos momentos, ainda insisto, até pelo mais óbvio motivo: não se educa para formarmos cidadãos críticos, autônomos, criativos e solidários com punições, ameaças e todo tipo de violência psicológica, como as que vemos nas escolas!! É o mesmo que falar contra a violência da sociedade com berros, xingamentos, socos e chutes!
A coragem de Andarta me fez querer me colocar sobre isso, mais uma vez.
Beijos para Giulia e Vera!
Anônimo disse…
HIPOCRISIA: será que existe alguém que fala só a verdade? o que é a hipocresia? será que o ser humano vive sem isso? quem de nós nao é hipocrita pelo menos três vezes ao dia? será que falando sempre a verdade posso construir um mundo melhoor? ou a mentira na maioria das vezes sustenta o relacionamento social? é paradoxal...