
A Folha de São Paulo realizou ontem um debate com a Secretária de Educação do Estado de São Paulo, Maria Helena de Castro. O mediador foi um cada vez mais deslumbrado Gilberto Dimenstein, que chegou a chamá-la de “estrela da educação”.
É óbvio que as perguntas foram “light” e que os pais de alunos vão continuar sem respostas.
Nosso amigo Mauro, do Coep, elaborou dez perguntinhas básicas que não teriam chance alguma de serem colocadas para a Secretária. Faço questão de reproduzi-las aqui, para mostrar como estamos longe de obter alguma transparência na educação:
- O PSDB está governando São Paulo há treze anos. Sendo você do PSDB, também se sente responsável pelo baixo nível educacional em São Paulo?
- Um ex-secretário, conhecido como “Alice no país das maravilhas”, que é seu colega no PSDB, chegou a confessar que havia cerca de duas mil denúncias anuais contra escolas que praticavam violências contra alunos, pais e comunidade. Mas ele acredita no mito de que professorinha é santa e abnegada, não merecendo nenhuma crítica. Você também acredita no mito da professorinha abnegada? Qual é o medo que você tem em divulgar dados sobre a violência das escolas e a solução de cada caso denunciado?
- Você concorda com o Relatório da SEE dizendo que “É normal professor chamar aluno de bicha”? Isso garante a promoção automática do professor a coordenador pedagógico? Quem vai, de fato, indicar os novos 12 mil coordenadores pedagógicos?
- Por que as escolas não estão sendo punidas por descumprir a Resolução SE nº80/2002, que determina a elaboração do registro mensal de violências?
- Por que você tem medo de que os alunos, pais e comunidade conheçam as notas individuais de cada escola? A nota do aluno não deveria ser a nota do professor?
- Existe um mito de que diretor de escola em SP é concursado. Como é possível, então, termos escolas em que passam 2, 3 ou mais diretores em um único ano? Quem indica esses diretores? Quem tem medo de eleição direta para diretor de escola?
- Qual é o seu medo em divulgar diariamente as faltas de cada professor por unidade escolar? Os alunos não têm direitos a 800 horas de aulas em 200 dias letivos?
- Em junho de 2007, várias escolas foram flagradas cobrando taxas ilegais dos alunos (prova, xerox, carteirinha, uniforme etc). O governador Serra falou em crime e chantagem. A Secretaria enviou questionários a todas as escolas pedindo informações sobre essas cobranças ilegais. Por que você não divulga as respostas dos questionários e nem pune as escolas que praticam estes atos criminosos e de chantagem contra nossas crianças?
- Nestes seus mais de 30 anos na área da educação, você sabe de algum professor que tenha sido demitido por baixo desempenho na educação básica?
- Não é falta de vergonha na cara dar bônus para professor que não ensina, para diretor que não cumpre a lei ou para supervisor de ensino que protege maus diretores, maus professores e maus funcionários das escolas públicas paulistas?
Mauro Alves da Silva
http://cremilda.blig.ig.com.br/
Para terminar e não perder o costume, a perguntinha básica que todo ano o Educafórum costuma fazer à SEE, à SME e ao MEC:
11. Por que a eleição dos Conselhos de Escola não é amplamente divulgada na rede e na comunidade? Por que seu site oficial não dá ao menos uma chamada sobre o assunto? Seu site é privativo da corporação, que quer a comunidade fora da escola?
Comentários
E eu já cansei de ver iniciativas de trazer a comunidade pra escola falirem pela falta de vontade dos próprios profissionais da escola de participar, embora o discurso seja outro... Mas para chamar os pais em busca de punição para os "alunos-problema", muitos deles se mobilizam.
Na escola onde trabalho isso tem melhorado, mas ainda acontece, infelizmente.
É preciso que vejamos os dois (ou mais) lados da história, em cada situação difícil que acontece nas escolas e, por isso, mais uma vez dou os parabéns a Giulia & Cia pelo excelente blog!!
Beijos...
Mas, quando é para massacrar alunos e pais de alunos denunciantes, é feita uma convocação em massa e aí, sim, até a coordenadora de S. Mateus aparece.
Mas, para falar de Conselho...pra quê? Não precisam de nós!