Ouvir o aluno


No post Gestão democrática na escola http://educaforum.blogspot.com/2008/03/gesto-democrtica-na-escola.html trouxemos o excelente exemplo do professor Braz Rodrigues, diretor da EMEF Campos Salles, na favela Heliópolis, São Paulo. Hoje trazemos o exemplo de outro diretor de escola em São Paulo, a EMEF Garcia d´Ávila. Trata-se do professor Waldir Romero, que em poucos anos conseguiu transformar uma escola popularmente chamada de “maloquinha” em referência para toda a rede municipal. O segredo do sucesso desse excelente diretor foi... OUVIR O ALUNO...

O secretário Alexandre Schneider deveria aproveitar esses dois exemplos de sucesso em sua rede para orientar os demais diretores e acabar com o autoritarismo que impera em escolas como a EMEF Imperatriz Dona Amélia, onde quem manda e desmanda é uma diretora incompetente e sem escrúpulos. A seguir, o texto parcial da revista Nova Escola que traz a informação. A matéria completa você pode ler aqui
http://revistaescola.abril.com.br/online/reportagem/repsemanal_273372.shtml
No bairro do Parque Peruche, na zona norte da capital paulista, o desafio do professor Waldir Romero parecia quase impossível quando ele assumiu a diretoria da Escola Municipal de Ensino Fundamental Comandante Garcia D´Avila. “A escola era conhecida pelo apelido de maloquinha. Daí vocês já podem imaginar a situação de violência, descuido e depredação que ela se encontrava”, relata Waldir.

Composta predominantemente por negros que migraram de bairros colonizados por estrangeiros, como o Bexiga, a população do Parque Peruche é marcada pelo descompasso entre os baixos índices de escolaridade e os alarmantes dados de deliqüência juvenil. Para ser aceito neste ambiente e começar a mudar a realidade que enxergava, o diretor Waldir resolveu fazer o que há muito tempo não se praticava na EMEF Garcia D´Avila: ouvir os alunos.

A partir das necessidades apresentadas pelos estudantes, Waldir começou a organizar eventos para integrar a escola com a comunidade e envolver todos em um projeto de ensino. “O primeiro pedido deles foi que organizássemos um baile na escola. Isso mesmo, um baile! Então fomos lá e fizemos, mesmo com um monte de gente falando que aquilo não ia dar em nada. O primeiro baile foi em 1996 e a tradição continua até hoje”, conta o diretor, orgulhoso.
A partir desse primeiro passo, Waldir conseguiu desarmar a agressividade e a revolta dos alunos e começou a envolver toda a comunidade do bairro em ações de formação continuada para professores, aulas sobre a história e os personagens da comunidade e diversas parcerias com instituições dentro e fora do bairro. “Trouxemos o samba para a sala de aula", conta o diretor. "Temos três escolas de samba no bairro e, todo ano, a escola se envolve com a fabricação de fantasias e as letras dos sambas-enredo são discutidas dentro do programa das aulas de português”, explica o diretor que já está há 12 anos à frente da Garcia D´Ávila.

A escola também passou a organizar a festa de aniversário do bairro, com direito a bolo comemorativo e desfile de carnaval. Também conseguiram patrocínio para editar um livro sobre a história da comunidade. “Começou a fazer sentido para as crianças morar no Peruche e estudar naquela escola. Deixou de ser uma vergonha para ser um orgulho. É assim que estamos transformando a maloquinha numa escola pública popular de qualidade”, orgulha-se Waldir.

Comentários

Sonia disse…
Enquanto uns têm amor pela profissão, outros tem descaso total com sua escola e seus alunos, veja o caso da EMEF IMPERATRIZ: Nessa escola, nossas cortinas estão caindo na cabeça de nossas crianças; os ventiladores estão todos desativados (após ter caido sobre um aluno), mesmo tendo sido aprovado pelo conselho a compra de novos; nossa biblioteca está desativada há muito tempo, pois a direção dessa unidade se nega a abrir inscrição pra rede; a merenda de nossas crianças são insuficiente para mantê-los alimentados durante as cinco horas de aula; nossas crianças estão se matando dentro da escola, se batem até tirar sangue um do outro; manipulação de alunos, jogando-os contra os filhos das mães que denunciaram-na...; isso sem contar com o autoritarismo descabido dessa direção, que proibi,terminantemente, a entrada das mães denunciantes dentro da escola, pois, afinal, as mesmas se atreveram a contestar a sua gestão.

Falta à essa direção humildade para reconhecer seus erros e aceitar que as mães estão certas nas suas reinividicações, que elas não querem nada além daquilo, que já é direito de seus filhos e tbm dos demais alunos. Direitos esses, que já estão impressos em Legislação, Portaria e no ECA, nada mais!

Quero aproveitar e parabenizar os professores Braz Rodrigues e Waldir Romero, pela dedicação e amor as crianças. De nada adiantaria se eles só tivessem um diploma, pois sem amor e dedicação nada acontece!
PARABÉNS!!!
Regina Milone disse…
Em 2007 tive a felicidade e o prazer de assistir uma palestra do professor Waldir Romero e fiquei encantada!
Quanta vibração, coragem, criatividade, idealismo e espírito de luta! Um verdadeiro líder, muito bem embasado intelectualmente e com uma prática maravilhosa.
Cheio de idéias e alegria de viver!!
Que bom vê-lo citado aqui!
Eu também gostaria muito que mais profissionais da Educação (e me incluo nisso; estou tentando...), levassem esses exemplos adiante.
QUE BOM QUE AINDA EXISTEM VERDADEIROS EDUCADORES EM NOSSO PAÍS!!!
PARABÉNS!!!!!