Professor é o ponto de mudança


Seguem abaixo dois comentários de professores bem educados (digo isso, pois a maioria dos comentários seguem o modelo “Cricardo”...) sobre o último texto de Gustavo Ioschpe em sua coluna na Veja
(http://veja.abril.com.br/gustavo_ioschpe/notas_210508.shtml).

"Parabéns pela objetividade da crítica aos professores. Concordo plenamente. Fui professora por 36 anos e sei quantos fazem pose de autoridade para encobrir preguiça, prepotência e superficialidade. O Brasil pode ser outro, se os professores começarem a trabalhar mais/melhor."
Ivete Kist

"Primeiramente gostaria de parabenizar pela forma arrojada e bem elaborada que escreve essa coluna... não concordo plenamente com todas as argumentações e pontos de vista, mas no principal sim: o Professor é o ponto de mudança e deve ter consciência disso. Se ele não agir, não serão nossos políticos de carteirinha...e no final, o principal prejudicado acaba sendo o aluno."
Marcelo Lessmann

Leia também a carta (não publicada) enviada pelo Movimento Coep à Folha de São Paulo, sobre o artigo de Antonio Ermírio de Moraes, que não teve coragem de estudar no Brasil e formou-se no Exterior, mas entende que a educação brasileira é boa para os filhos... dos outros e que o grande problema são os alunos.


Educação bandida

Lamentável o artigo do empresário Antonio Ermírio de Moraes na Folha de S. Paulo de 25/05/2008. Ele culpa os alunos pelo baixo desempenho das escolas do ensino médio, dizendo que "Na maioria das escolas, os alunos se organizam em bandos para ofender funcionários, professores e diretores e também para depredar as instalações". Com escolas de ensino médio com nota média de 1,4 em 10 pontos possíveis, o mais razoável seria concluir que são as próprias escolas (funcionários, professores e diretores) que se organizaram em “bandos” para gastar o dinheiro público sem cumprir sua obrigação constitucional de garantir uma educação pública de boa qualidade para nossas crianças. O que falta na educação pública é uma efetiva avaliação do desempenho dos profissionais, exigindo-se a reciclagem ou a demissão dos que apresentarem baixo desempenho.
NOVO!
Aleluia!!! Hoje (29/05) finalmente a Folha de São Paulo publicou a carta do COEP, mas para que isso acontecesse foi necessário apelar para o Ombudsman. Leia a resposta que o Mauro recebeu:
"Caro Sr. Mauro: Acho que o senhor está certo. Algum registro de quem não gostou da coluna deve ser feito pelo jornal. Eu não tenho poder de decisão, mas vou insistir para que isso ocorra. Um abraço, Carlos Eduardo Lins da Silva, Ombudsman - Folha de S.Paulo."

Comentários

Mário disse…
Giulia, esta atitude do Antonio Ermírio demonstra claramente como a elite não sabe de nada por absoluta falta de contato com as demais camadas da população. Sem radicalismos, mas eu vejo que este é o verdadeiro problema estampado pela opinião dele.
Giulia disse…
Mário, só se for falta de contato "seletivo", pois um presidente de empresa sempre pode "se dar ao luxo" de conversar com o vigia de sua empresa, ou com o ascensorista, ou mesmo com sua recepcionista, cujos filhos estudam certamente na rede pública. Eles até o fazem, pois trabalhei em grandes empresas e sei como é: durante a festa de confraternização, eles fazem uma cara de interesse e perguntam: "Como vai seu filho? Ele é bom aluno?". O que acha que o funcionário vai responder?... Acha que ele vai discutir com o patrão sobre o baixo nível da escola do filho?...
A minha teoria (infelizmente em quinze anos de luta ainda não vi nenhum sociólogo estudar a educação e abordar este assunto) é que a demonização do aluno começa mesmo nas "altas rodas", nos churrascos dominicais das famílias que mandam no Brasil, onde SEMPRE TEM ALGUMA PROFESSORA, DIRETORA OU SUPERVISORA DA REDE PÚBLICA (a classe A trabalha na rede pública e matricula seus filhos na particular...) que chora as mágoas por causa da "impossibilidade de dar aula para esses moleques mal educados"... Gostaria muito de estar enganada, mas até hoje ninguém me desmentiu. As secretarias da educação estão lotadas de madames, não agüento os desfiles de moda desses lugares que deveriam ser voltados para o aluno!
Anônimo disse…
É isso mesmo! as Diretorias de Ensino realmente estão lotadas de madames que raramente aparecem nas escolas para fiscalizar (pois trabalham na supervisão)...

É bom lembrar também que lidar com adolescentes não é tão fácil (não são demônios mas também não são anjinhos)...

E quando dá, eles aprontam mesmo, em geral são traquinagens típicas da idade, mas é sempre bom estabelecer limites não só para os funcionários da educação como também para os adolescentes.

O professor deve respeitar seus alunos,e o mesmo também deve ser respeitado. O que tenho visto ultimamente é que ambos se desrespeitam, alunos falam o que querem e professores também respondem o que querem, e sempre tem alguém que é humilhado no fim das contas (ou o professor ou o aluno).

Bom seria se a SEE estabelecesse algumas normas que valessem para todas as escolas envolvendo todos os funcionários e alunos... e envolvendo também punição para ambos que não cumprissem com as regras.

Sou contra massacrar aluno, mas também sou contra massacrar professor. Ensino-aprendizagem é uma via de mão dupla, depende dos dois lados e deveria haver regras, respeito e cobrança para ambos.

Estão corretíssimos em cobrar os professores, e ficarão mais corretos ainda quando começarem a cobrar que os alunos também estudem... pois em muitos casos, sabemos que alunos também deixam de fazer sua parte.

Um abraço a todos!
Ricardo Rayol disse…
culpar o aluno sempre será a saída mais fácil.
Anônimo disse…
Oi Ricardo,
Culpar só o aluno está erradíssimo!
E nunca cobrar do do aluno, colocando-o num papel passivo de quem não tem ingerência alguma sobre sua própria aprendizagem é um erro quase maior. Ao professor cabe trazer o conhecimento para a sala de aula, dinamiza-lo, torna-lo atraente para o aluno, inistir com os que têm mais dificuldades, não desistir nem permitir que aqueles que demoram mais para aprender desistam. Mas cabe ao aluno fazer um bom uso do seu professor e da sua escola. Cobrar aulas melhores, fazer as tarefas, estar atento, pesquisar, questionar, reclamar, participar, etc. Senão é pregar no deserto.
um abraço
Danielle
É isso mesmo Danielle,
O que mais me preocupa na escola hoje é que alguns alunos (não são todos graças a Deus) não querem estudar e muitos professores já não insistem tanto quanto deveriam com estes. Está havendo um jogo de empurra. Alunos fingem que estudam, professores fingem que dão aulas. Um tragédia. E como bem disse a colega ai do texto da Giulia, o maior prejudicado é o aluno.
Mauro disse…
Giulia,

Já imaginou se a "Ouvidoria da Educação" atuasse de forma parecida com a do ombudsman da Folha?
Já seria uma revolução!

Estamos aguardano que algum candidato comprometa-se com a criação da Ouvidoria do Alunos.

P.S.: Estamos nos agendando para acompanhar vocês na SEE na próxima 2ª feira.
Giulia Pierro disse…
Mauro, você não está abrindo meus e-mails! A reunião foi adiada para quarta-feira às 10h00. Começou o chá de canseira!!! Mas os pais confirmaram que vão mesmo assim. Vocês podem ir?
Anônimo disse…
Giullia
Pois é mandar email para o Mauro é broca...ele nunca abre
Aliás abre, quando eu começo já no título xingando a mãe dele (coitada...)
E você parece que também não está abrindo os seus ou não está respondendo
Quarta feira essa hora é hora de gravar o programa na Assembleia
Não sei se é melhor ir na Alesp e contar para todo mundo como foi a reunião
Ou melhor a gente liga antes do meio dia, a hora que vai começar a gravação e voces contam o resultado, assim a gente já fala na TV
O que acha?
Giulia disse…
Pois é, Cremilda, é bem possível que a SEE tenha remarcado a reunião para a quarta feira justamente para nos desmobilizar. Mas não faz mal: os pais continuam dispostos a ir e a gente está preparando uma surpresinha para a SEE...

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