Decorar o atlas???


Infelizmente nosso tema principal continua o autoritarismo, pois a escola brasileira é autoritária e fim de papo. Ah, como gostaríamos de falar de coisas mais amenas!... Mas não: a enxurrada de mensagens que nos chegam não fala mesmo de flores.

Uma escola autoritária nunca é uma boa escola. O autoritarismo exclui o diálogo, denota descaso e desinteresse pela pessoa do aluno, considerado apenas um número para a escola receber as “sagradas” verbas que somem misteriosamente, enquanto aumentam as goteiras e a merenda diminui. O desvio das verbas da educação não sensibiliza a “opinião pública” brasileira, formada por dez por cento da população cujos filhos estudam na rede particular. Há um consenso na sociedade, de que a escola não precisa alimentar os alunos. O que mais se ouve são frases como esta: “Escola tem que fornecer ensino, não comida”. Os filhos dos outros que se danem...
Até parece que o ensino é "fornecido" embaladinho e redondinho! Se não existe compaixão nem mesmo pela desnutrição que comprovadamente assola nossas crianças pobres, menos ainda há interesse que esses alunos aprendam na escola. Leiam abaixo a carta que recebemos de uma mãe do Rio de Janeiro, cuja filha recebeu advertências e ameaça de suspensão, caso não leve para a escola um atlas geográfico. Eu vou aqui repetir pela enésima vez que É CRIME a escola impedir ao aluno o acesso à sala de aula sob qualquer pretexto, seja por falta de uniforme, material didático ou por qualquer outro motivo.
Lei complementar 444 de 27 de dezembro de 1985 (Estatuto do Magistério)
Art. 63 - Parágrafo único – Constitui falta grave do integrante do Quadro do Magistério impedir que o aluno participe das atividades escolares em razão de qualquer carência material.
-.-
Mas quero também questionar o seguinte: para quê um professor de geografia, nos dias de hoje, exige de seus alunos a compra de um atlas? Será que ele não percebeu que o mundo gira??? Não percebeu que nos últimos trinta anos a configuração política da terra mudou demais e continua mudando? Existe hoje um atlas que esteja totalmente atualizado? E até quando essas informações serão confiáveis? Esse professor pretende que os alunos decorem o atlas rapidinho antes que ele fique desatualizado?... Ou será mero deboche da dificuldade de famílias pobres sustentarem seus filhos? A posse de um atlas geográfico vai aumentar a dignidade dessas famílias? Ou será que, no fundo, esse professor não sabe mesmo o que fazer com sua matéria e precisa do atlas para “mostrar serviço”?

Escola autoritária valoriza o papel, o carimbo, a burocracia: não o aluno. Uma aula de geografia, hoje, pode ser dada com informações de jornal, da Internet, do Globo Repórter, da revista Nova Escola e de muitas outras fontes. Se a escola faz questão de “enfiar” um atlas na cabeça do aluno, então que o forneça gratuitamente. Aliás, onde foram parar os livros que o Governo Federal distribui para as escolas?

Pedimos a essa mãe carioca que leve os nossos questionamentos à escola da sua filha, para que sejam discutidos em reunião do Conselho. Se a escola perseverar no CRIME de impedir o acesso dos alunos à sala de aula por falta de atlas ou por qualquer outro motivo, que seja imediatamente processada!

A carta da mãe carioca

“Minha filha estuda em escola pública na antiga 5ª Série ginasial, e na aula de geografia lhe foi cobrado um material que supostamente seria usado na aula seguinte. Nem todos os alunos conseguiram providenciar esse material (um atlas geográfico), que seria comprado pelo aluno e não fornecido pela escola. Na aula seguinte minha filha recebeu uma advertência e um recado: que se não levasse o tal material receberia outra advertência e em seguida uma suspensão. A pergunta é: em se tratando de escola pública, encontramos muitos alunos em condições precárias financeiramente, não podendo comprar o que lhe fora pedido a tempo de uso, ou permanentemente. Esses alunos têm que ser punidos e constrangidos?

Comentários

Mauro disse…
Giulia,

Já que as escola spública estão atuando como "penitenciárias", devemos usar instrumentos jurídicos para garantir o dirieto de nossas crianças. Que tal usarmos um "habeas corpus preventivo" para garantir o acesso e permanência na escola para dada criança ameaçada de suspensão ou punição?

É só por enquanto.

São Paulo, 01/06/2008
Mauro A. Silva
Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública
www.geocities.com/coepdeolho
coepdeolho@yahoo.com
Giulia disse…
Excelente idéia, Mauro! Se a mãe responder que foi ridicularizada pela direção da escola ou pelo Conselho após apresentar a prova do CRIME, vamos tomar essa providência!
cremilda disse…
Companheira...
Não quero defender o Mauro, já que nem sou advogada dele, mas você também não abre email?
O que acham da minha sugestão de ligar para você da Alesp para você me informar como está sendo a reunião?
Assim a gente divulga em tempo real como está sendo a reunião
Ou o Mauro fica com vocês e eu ligo de lá para saber.
O que acha?
Mas adianto, que não boto a menor fé no Dr Fernando Padula, e disse isso na rádio, talvez seja até por isso que ele tenha adiado a reunião
Amigos do Luiz Candido(Cogesp) e do Salmon....se comem no mesmo prato...
Sei lá...vocês estão dando um voto de confiança para a SEE, vamos acreditar.
Giulia disse…
Oi, Cremilda, não é questão de voto de confiança. A gente não pode deixar de COBRAR da Secretaria soluções para esses casos de extrema gravidade. Eles não ligam a mínima pelo que a gente fala deles nos blogs ou na mídia, mas se a gente começasse a ir pessoalmente e lotar os gabinetes de papel, do mesmo jeito que eles enchem de advertências e suspensões os alunos, eles ficariam mais incomodados. O pais desse aluno receberam um calhamaço do tamanho de um bonde sobre a "má educação" que dão ao filho. Isso, numa escola que levou nota zero no Idesp...
Não recebi e-mail seu. A não ser que tenha acabado de chegar. Já vou la ver. Se o Mauro puder vir junto, vai ser muito bom!
Anônimo disse…
Oi Giulia,
A mãe informou qual escola ou CRE?
A SME orientou todas as CREs para que as escolas não solicitassem material escolar além de caderno, lápis, borracha, ou seja, material individual do aluno. Esta mãe tem que encaminhar uma queixa a CRE que responde pelo bairro onde está a escola.Tanto a escola quanto a diretora e a professora ou professor podem ser advertidas.

Danielle
Anônimo disse…
Oi Giulia,

Tomei a liberdade de enviar uma cópia do sua publicação (deste absurdo) para a SME.

Danielle
Giulia disse…
Oi, Danielle, não acredito que podemos contar com a sua ajuda!!!
É a primeira vez que um professor se dispõe a encaminhar uma denúncia nossa às autoridades! Você merece o "Troféu OH!" que a nossa querida Vera Vaz está elaborando e que vamos dar aos professores realmente compromissados com o aluno.
VOCÊ É A PRIMEIRA!!!
Parabéns!!!

O nome da ecola é
"escola municipal Pastor Miranda Pinto, localizada no bairro de Todos os Santos, praça Hawaii."
Glória disse…
Aqui na minha cidade eu loto é o Ministério Público, o promotor da Infãncia e da Juventude, e tem dado algum resultado. Eles têm um intrumento poderoso que são as medidas extrajudiciais do art. 201,VIII do ECA. Pelo menos, dos promotores, as escolas têm medo. O resto, ficar enviando pra secretarias, é pura perda de tempo, elas não estão nem aí, só querem saber de papel e proteger a corporação. Se o promotor não tomar medidas cabíveis, enviem para o Ministério Público Estadual e até Federal, eles cobram dos promotores. Descobri isso recentemente ao receber do promotor de justiça uma conclusão de apuração de uma denúncia que fiz e ele me disse que recebem ordem superiores para responder a cada denúncia feita, seja qual for a conclusão.
Zé Costa disse…
Concordo. Nem Atlas, nem livros, nem aula! Deixemos que os alunos, vocês, sempre cheios de boas intenções, mães e pais atenciosos, decidam o que e como se deve ensinar.

Com essa postura democrática, em breve, teremos o melhor e mais original ensino do planeta.

Eu, por exemplo, na 8a série, fui obrigado pela minha professora de geografia, a DECORAR todos os países da Europa e suas respectivas capitais para uma prova oral. 6 meses depois, houve o colapso da URSS e tudo o que eu sabia, não valia nada.

O Atlas é uma perda de tempo. O atlas é autoritário. O bom é aprender o que se quer, sem livros, sem Atlas, sem escola, sem professor!

Parabéns! Esse blog um dia vai ganhar um prêmio por defender tão bem a nossa educação.
Zé Costa disse…
Tá vendo Giulia o que dá não estudar direito? Você não soube nem escrever a palavra atlas, querida! Não tem acento não, viu? Só se acentuam as paroxítonas terminadas em... ah, você provavelmente também acha a gramática inútil. Tirando seu lapso ortográfico, vamos à sua lógica:

"para quê um professor de geografia, nos dias de hoje, exige de seus alunos a compra de um atlas?"

Talvez você achasse normal que um atlas fosse pedido, quem sabe, por um professor de português. Aliás, por que não perguntar também, nos dias de hoje, se é lícito exigir uma gramática nas aulas de língua portuguesa? Afinal, em breve, teremos uma reforma ortográfica, não?

Será que além de desconhecer a forma de escrever a palavra atlas você não sabe que um atlas geográfico não é só político? Ou será que você considera que o aquecimento global mudou o relevo e a hidrografia do planeta?

"Será que ele não percebeu que o mundo gira???"

O mudo gira, é? Sério? E o que isso tem a ver com a questão? Então, o Atlas só seria útil se o mundo não girasse? É com essa lógica que você pretende questionar o uso do atlas numa aula de geografia?

"Não percebeu que nos últimos trinta anos a configuração política da terra mudou demais e continua mudando?"

A Terra tem configuração política? A configuração política, no máximo, só pode ser dos continentes; não, da Terra, ok?

"Existe hoje um átlas que esteja totalmente atualizado? E até quando essas informações serão confiáveis?"

Sua lógica, aqui, vale tanto quanto sua ortografia. Será que nos últimos 30 anos o conhecimento em biologia, história, física, medicina, artes, é o mesmo? Se um atlas é inútil porque o "mundo gira" ou porque as informações são obsoletas ou não confiáveis, o que você me diz das outras áreas do conhecimento que também tiveram nos últimos 30 anos muitas correções e/ou atualizaçãos?

Hoje, metade dos brasileiros, olhando um mapa-múndi, não sabe localizar o Brasil. Você saberia?
Giulia disse…
Caro Zé Costa, concordo contigo em algumas coisas, mas você não entendeu o espírito das minhas colocações. Em primeiro lugar, eu posso me dar o direito de não saber que a palavra atlas não tem acento, pois não estudei português, apenas aprendi...
Em segundo lugar, logo que cheguei ao Brasil achei que todos os acentos deveriam ser banidos desta língua tão difícil, mas vamos e convenhamos: você acha mesmo que o importante em uma língua são os acentos? Não me decepcione!
Eu não quis dizer que um atlas pode ser totalmente inútil. Se o governo quiser dar aos alunos um atlas por ano (já que eles ficam desatualizados rapidinho), tudo bem. O meu e o seu dinheiro seria melhor gasto dessa forma do que indo para o ralo... O que não pode é obrigar aluno pobre a onerar a família com esse gasto, visto que o professor pode mudo bem pegar informações na internet e repassar para o aluno.
Temos visões muito diferentes da escola e do ensino. Você não entendeu o que eu quis dizer com "o mundo gira" e se eu começar a te explicar vou perder um tempo que não tenho, além de que não sei se você vai entender. Eu não gosto do seu jeito rançoso e rancoroso e você não gosta do meu jeito "improvisado". OK, somos cidadãos do mesmo país, vamos discordar, mas nos respeitar.
Giulia disse…
Ufa, Zé Costa, acabei de corrigir todos os "átlas". Que mão de obra!
Vou te confessar uma coisa: se eu tivesse sido obrigada a estudar português na escola e a decorar aquele tralalá das óxitonas, paroxítonas, proparoxítonas, proproproparoxítonas etc. e tal, teria me suicidado e você estaria livre dos meus textos, rsrs.
Mauro disse…
A Falácia do Espantalho.
Ao ler a reposta do professor “Zé da Costa”, nossa primeira reação foi destacar a “Falácia do Espantalho”. Explico: “A falácia do espantalho ocorre quando você deturpa a posição de alguém. Pode-se, então, atacar mais facilmente e derrubar essa posição deturpada, concluindo [falsamente] que a posição original foi demolida. Isso é uma falácia porque falha em lidar com o argumento atual que foi feito”. O professor Zé da Costa ataca a grafia da palavra “atlas” originalmente escrita “átlas”, e também distorce a questão essencial do artigo, ou seja: que a exigência da compra de um Atlas é uma forma de excluir das escolas as crianças das famílias pobres. Refreando a nossa intuição inicial em simplesmente desqualificar o artigo do professor, tivemos a paciência de consultar o seu blog (http://zecostajr.blogspot.com/), onde encontramos vários artigos interessantes. Dois artigos chamaram-nos a atenção: “Professores ignorantes” e “Professores ignorantes 2”, os quais tratam da questão da reprovação de 96% dos professores que prestaram um concurso público para o cargo de professor. Vejamos o que escreveu o professor em 18/05/2008: “A educação no Brasil é ruim porque ela é um engodo do começo ao fim. Vivemos a era do fingimento. Finge-se que ensina. Finge-se que aprende. Nossa escola básica, seja a pública ou a privada, já não formam como deveriam. Os pais, em sua maioria, querem boas notas e sequer se preocupam se aquele 10 significa mesmo aprendizado. O aluno que chega ao 3° ano do ensino médio e não sabe escrever, ler e interpretar um texto, será o mesmo que chegará a um curso superior e dificilmente terá essas deficiências corrigidas. Pior: essas dificiências (sic) não o impedirão de concluir o curso”. Faltou acrescentar mais um item: estas “deficiências” não impedirão de concluir o curso e exercer a profissão de professor nas escolas públicas brasileiras, reproduzindo um círculo vicioso sem fim. Sabe, professor “Zé da Costa”, os pais dos alunos querem que as escolas tenham profissionais bem capacitados e bem pagos, mas que estes profissionais sejam periodicamente avaliados: o bom desempenho deve ser incentivado e premiado, mas o mau desempenho deve levar à exigência de que este profissional seja reciclado ou demitido. Quanto aos eventuais erros gramaticais, reconhecemos a importância do domínio da língua portuguesa, mas de nada adianta ter uma redação perfeita se os textos não servirem para motivar alunos, pais e comunidade no sentido de exercerem um efetivo controle social sobre o serviço público Educação. Por último, destacamos que mesmo escrevendo “corrijidas” e “dificiências”, o professor “Zé da Costa” merece nossos parabéns pelo excelente artigo “Professores ignorantes”.

São Paulo, 07/06/2008
Mauro A. Silva
Movimento comunidade de Olho na Escola Pública
www.geocities.com/coepdeolho
Zé Costa disse…
O professor Mauro me honrou com sua visita. Fez mais: destacou meus erros de digitação. Sim, Sr. Mauro. Foram erros de digitação. Basta reler o artigo com atenção e perceberá o engano. Não foi erro por ignorar a maneira correta de escrever, acredite. Não cometo erros? Sim. Infelizmente. As vírgulas, por exemplo, o senhor deve saber, é meu maior crime contra "a última flor do Lácio". Devo, com sinceridade, agradecê-lo por destacar meus erros de digitação nos referidos posts.

Eu não distorci o texto da Sra. Giulia. Li o que estava escrito. Ela, nos comentários, deixou claro o que quis dizer. Mas, repito, não foi isso o que ela escreveu no post. Ela questionou a validade de se usar um atlas na aula de Geografia, nos dias de hoje. Se, no post, ela tivesse se limitado a dizer o que está em negrito, tudo bem. Sem problema. Mas, a atenta blogueira decidiu estender sua reflexão para a validade, nos dias hoje, de se usar um atlas numa aula de geografia. Aí, penso, ela está equivocada.

Acho que a "falácia do espantalho" serve mais para o senhor do que para mim.

Como bem observou a Sra Giulia, temos visões diferentes de escola e de ensino.
Giulia disse…
Zé Costa, digamos que eu quis fazer uma provocação. Espero que você me entenda desta vez. Quem freqüenta (coloquei o trema certinho ou já "caiu"? rsrs) este blog há algum tempo sabe que eu não faço outra coisa, para mexer no marasmo que é a educação pública. Um bom professor que dê uma boa aula com atlas (sem acento, né?) será sempre bem-vindo (será que benvindo é melhor? rsrs), desde que não suspenda o aluno que não pode comprar o tal atlas. Da suspensão para a expulsão é um pulo. E o que mais me aflige neste país do apartheid disfarçado é a exclusão de milhares e milhares (são mesmo milhares e milhares, pois a percentagem de alunos que conseguem terminar o ensino médio cai pela metade!) de cidadãos. São milhares de cérebros oferecidos, de bandeja, para a criminalidade.
O que você acha disso?
Vera Vaz disse…
Bom, Giu, se ele não entender assim só desenhando mesmo ....rs
Zé Costa disse…
Esquecer o trema é tolerável. Usá-lo no lugar indevido, seria o fim.

Não existe a forma "benvindo", a não ser que seja nome próprio. No sentido de boas-vindas, escreve-se "bem-vindo". Não se trata de melhor ou pior. Não é questão de gosto!

Meu principal ponto foi esclarecido, Sra Giulia. A senhora condenou, com razão, a punição que a aluna sofreria se não trouxesse o atlas. No post, e agora a senhora afirma que foi por provocação, a crítica, clara - menos para a senhora Vera - julgava a validade do atlas em uma aula de geografia.

Quanto à sua questão. O que dizer? Aqui m Brasília, não é raro filhos de classe média alta, com bons livros e bons professores, até com atlas, veja só, cometerem delitos vergonhosos. Acreditar que pobre fora da escola vai virar criminoso, é preconceito seu, acredite. Criminoso pode ser pobre ou rico, letrado ou iletrado. Não acho que a menina em questão corra risco de expulsão pelo motivo aventado, a ilação é sua.

Um ponto me deixou feliz. A senhora, finalmente, reconheceu que o atlas, mesmo nos dias de hoje, não é assim tão dispensável.

Muito bem!
Giulia disse…
Zé Costa, temos um problema muito sério de comunicação. Eu não disse que pobre fora da escola vai virar criminoso, essa interpretação é sua. Eu disse que "são milhares de cérebros oferecidos, de bandeja, para a criminalidade". Em primeiro lugar, fiz questão de caracterizar esses alunos excluídos como inteligentes, o que é inusitado, pois dentro da escola eles costumam ser chamados de "burro", "retardado", "qi de ameba", hábito que se intensificou depois que o Gilberto Dimenstein lançou a teoria de que é a família que faz o aluno. Em segundo lugar, a criminalidade está sempre atenta aos cérebros "disponíveis", ao contrário da escola, que prefere os alunos quietinhos e maria-vai-com-as outras (agora te peguei, Zé Costa, vai explicar se são marias-vão...., rsrs), aqueles que facilitam o "trabalho" do professor.
Quanto ao perigo de expulsão, trata-se de uma realidade muito mais real do que você imagina, pois nem todos os métodos são "diretos". Um dia o aluno é suspenso porque está sem uniforme, outro dia porque está sem atlas, um terceiro dia porque brigou no pátio e aí ele já virou "aluno problema", a laranja podre que contamina as outras...
A gente não publica muito esses fatos porque na maioria dos casos de expulsão estamos conseguindo reverter a situação, graças à clareza da legislação, mas o fenômeno é muito freqüente. Tudo é motivo para esvaziar as escolas e diminuir o trabalho de diretores e demais profissionais, principalmente os diretores, que raramente se encontram em sua sala e muito menos à disposição dos alunos e dos pais.
Giulia disse…
Ops! Realidade real é o bicho, rsrs.
Anônimo disse…
´SÓ MAIS UMA COISINHA GENTE! ESSE TAL DE ESTATUTO DO MAGISTÉRIO QUE ESTÁ SENDO CITADO É DO ESTADO DE SÃO PAULO!!!!!!!!! NO RIO DE JANEIRO TAMBÉM TEM ESSA LEI???
Giulia disse…
Anônimo, desculpe o atraso, só vi seu comentário hoje. No Rio também tem essa lei, mas você me colocou a pulga atrás da orelha: será que o teor é igual? Alguém sabe responder?

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