O esquema V – Tudo por dinheiro e poder


Você não entende por que seu filho não aprende nada na escola? Não entende por que ele é perseguido? Também não entende por que a escola do seu filho costuma expulsar alunos? Está difícil entender por que a escola exige a compra de uniforme, taxa para carteirinha, para papel, para a APM?

Tudo muito fácil de explicar, mas não pense que a TV Globo ou outra mídia vá esclarecer suas dúvidas. O esquema é poderoso e os tentáculos chegam aonde você nem imagina...

A educação é o negócio mais rentável deste país. Não estamos falando apenas de $$$, mas também de poder e dividendos eleitorais.

Recebemos notícias do Brasil inteiro, mas vamos nos limitar ao nosso estado, o de São Paulo, pois temos dados mais concretos e contatos mais diretos com pais, alunos, diretores de escola e outros profissionais da educação.

Repare bem: o presidente do Conselho de Escola, na rede estadual de São Paulo, é SEMPRE O DIRETOR. Entenda agora por que a eleição dos Conselhos de Escola e das APMs não é feita de forma aberta e transparente. As escolas recebem muitas verbas, estaduais e federais, que chegam às contas da APM. As normas exigem que a prestação de contas seja feita de forma muito rígida, por exemplo, verba para jardinagem não pode ser utilizada para troca de fechaduras etc.

Os pais que participam de Conselho e APM são geralmente escolhidos a dedo pelos diretores de escola e não recebem qualquer instrução ou treinamento sobre como administrar as verbas. Então a impressão que eles têm é que se trata de tarefa muito difícil e vão fazendo tudo o que os diretores pedem, desde assinar cheques em branco, até aceitar manobras do tipo: a jardinagem pode esperar, pois surgiu a emergência de precisar trocar as válvulas de todos os banheiros. Mas para isso não veio verba! As válvulas dos banheiros podem estar em perfeito estado, mas, na boa fé, os pais acatam a idéia do diretor e assim se faz uma reunião da APM para resolver o “problema”. Já que a verba é destinada a outra despesa, a solução não é simples. Mas profissionais sem ética tiram o assunto de letra! Alguém da comunidade certamente conhece um encanador, alguém que possa fazer esse serviço sem exigir nota, não é mesmo? Ele vai receber pelo serviço, mas a prestação de contas vai ser feita de outra forma. “Alguém” vai fornecer uma nota de serviços de “jardinagem”, mas é claro que o valor será maior, pois essa nota tem um “custo”. Trata-se da famosa “nota fria”. Esse valor a maior vai provavelmente ser dividido entre diversas pessoas, pois quem constrói um esquema arruma cúmplices para amarrar seu “rabo”. Está bem claro o português?... Se isso acontece com verbas públicas, pagas com o dinheiro suado dos seus impostos, imagine então o que acontece com as taxas da APM e as demais que as escolas exigem que você pague, sem recibo nem prestação de contas...

Segundo as informações que nos chegaram, o escândalo de Araraquara, relatado nos últimos posts, funcionou mais ou menos dessa forma, durante dez anos. 90% das escolas da cidade teriam aderido ao esquema, ou seja, os diretores faziam manobras desse tipo, as notas frias eram fornecidas por um escritório de contabilidade e uma parte do lucro era repassado à dirigente de ensino, que, óbvio, não era burra a ponto de declarar que embolsava aquele dinheiro. Ela alegava que “uma outra escola” da região estava necessitada de algum conserto ou equipamento, mas que não havia verba. Ou então, a mentira era de que a própria diretoria de ensino estava desprovida disso ou daquilo...

O esquema era poderoso e não podia tolerar diretores dissidentes ou caguetas. A cidade tem mais de 50 escolas estaduais e apenas alguns diretores se negaram a participar. Aconteceu com eles exatamente o que acontece com os pais de alunos que percebem alguma irregularidade na escola de seus filhos e resolvem reclamar ou denunciar: esses diretores começaram a ser perseguidos e prejudicados. Como?

A dirigente de ensino armou diversas situações que você, mãe e pai de aluno, conhece de sobra, mas nunca pensou que estivessem ligadas ao desvio de dinheiro da educação: através de supervisores, professores e outros profissionais que participavam do esquema, ela criou uma rede de calúnias contra esses diretores, para que toda a comunidade se voltasse contra eles. Isso é muito fácil para um dirigente de ensino: basta fazer algumas trocas de professor nas escolas, colocando seus aliados em pontos estratégicos. Esses se encarregam de jogar “lama” em quem não participa do esquema e os pais, alunos e membros da comunidade acreditam piamente. Assim, os poucos diretores honestos na cidade acabaram sendo processados com base em calúnias. O “feitiço”, porém, se voltou contra o feiticeiro. O esquema foi denunciado e a própria dirigente de ensino está sendo processada, junto com mais de 20 diretores de escola. No país da “pizza”, porém, isso não significa nada, a não ser que a corda costuma arrebentar do lado mais fraco. Até hoje, apenas dois diretores foram exonerados, os demais vão provavelmente ser livrados de pena e os restantes 30, que também estavam envolvidos no esquema, não foram sequer chamuscados pelo escândalo!

O mais grave de toda essa história é que NENHUM SUPERVISOR DE ENSINO foi processado, sendo que PRATICAMENTE TODOS estavam envolvidos no esquema. Quanto à dirigente de ensino de Araraquara, temos quase certeza de que a Secretaria da Educação vai deixar prescrever o processo administrativo, como é de praxe.

Para que fosse feita JUSTIÇA, seriam necessárias duas ações:

Que os deputados estaduais investigassem o esquema e exigissem a punição de todos os culpados. Duvidamos que isso aconteça, pois os primeiros processos abertos em Araraquara datam do ano de 2003 e estão próximos da prescrição. Provavelmente, alguns políticos influentes estão acobertando o esquema. Entendeu agora por que falamos de dividendos eleitorais? A educação é a maior “fábrica” de cabos eleitorais do país!

Que a mídia divulgasse esse escândado com isenção e detalhamento. Os jornais locais têm dado alguma cobertura, mas o escândalo é abafado em rede nacional. A própria TV Globo local registrou os fatos, mas eles não foram divulgados nem no Jornal Nacional e muito menos no Fantástico, que virou o porta-voz do "pobre" profissional da educação. Exatamente o que ocorre com as agressões de alunos pela PM. As Secretarias da Educação deste país são as instituições mais poderosas!

Bem, mãe ou pai da APM: agora você entendeu o que ocorre com as verbas da educação quando você assina cheques em branco ou entra na conversa da diretora da escola dos seus filhos, que manda lavar a caixa d´água todos os meses, por exemplo. Também entendeu por que na escola dos seus filhos falta papel higiênico, material de limpeza etc. etc.

Mas você ainda não entende o que isso tem a ver com ensino ruim, com perseguição e expulsão de alunos. Tudo a ver! As escolas são “nota zero” porque não há interesse algum em ensinar aos seus filhos. Diretores e professores corruptos matriculam seus filhos na escola particular e querem mais que os filhos “dos outros” permaneçam na ignorância! Tem mais: você que é do Conselho de Escola e é chamado para expulsar algum aluno, saiba que provavelmente se trata de alguma criança filha de pais que perceberam e se atreveram a denunciar o esquema. Se for algum adolescente, provavelmente é um aluno mais inteligente do que a média. Esses são muito perigosos para o esquema, por isso precisam ser “eliminados”.

Pai e mãe de alunos, cuidado para não se envolverem no esquema! A vítima será seu próprio filho!!

Para finalizar, uma adivinha: se 90% das escolas de Araraquara estavam envolvidas em um esquema que foi revelado por um escândalo, mas que periga acabar em pizza, qual a percentagem de diretores corruptos na sua cidade?...

Comentários

Maria José Mello disse…
Tem que ter muita coragem para colocar em pauta um assunto que envolve poderosos, corruptos,vaidosos,que conseguem cometer o ilicito e sair na impunidade.
Que mais pessoas corajosas imbuidas de espirito da justiça e solidariedade pressionem as autoridades politicos-educacionais do estado de São Paulo para que a liderança da diretoria de ensino de Araraquara receba um julgamento a altura e digno do que ela plantou de corrupção, perseguição e injustiça.
Amém.
Anônimo disse…
Olá,
convido a todos a conhecer a Livraria Omnisciência:
dia 06 de dezembro um programa infantil cultural:
Parábolas de Jesus
A Série Heróis da Verdade apresenta cantos e histórias dos grandes mestres para as crianças.
Vamos conhecer alguns ensinos sobre amor e paz atraves de uma contação lúdica das Parábolas de Jesus.

Convide sua família e amigos,
entrada franca.
Confirme sua presença:
11 - 36761997

Local: Livraria Omnisciência
Endereço: Rua Ibiraçu, 226 próx. a estação Vila Madalena de Metrô
Telefone: 11 - 36761997
E−mail: imprensa@omnisciencia.com.br
Site: www.omnisciencia.com.br
Horário: 11h
Cidade: São Paulo
Estado: SP
saudações de harmonia,
grato

Edu
Mauro A. Silva disse…
Giulia,

Veja a reportagem:
"Relatório da APM da escola Angelina Lia Rolfsen (Araraquara-SP) mostra valor diferente para nota fiscal supostamente emitida pela empresa Roberto Fernando Magrini - o valor subiu de R$ 75 para R$ 3.386,99
("Auditoria vai apurar denúncia de desvio em escolas estaduais", Tribuna Impressa, 8/12/2005)

Tem cópia da nota fiscal e da prestação de contas...

coloquei lá no site da Cremilda:
http://cremilda.blig.ig.com.br/
Paula disse…
CONTAS DAS ASSOCIAÇÕES DE PAIS E MESTRES (APM) PODERIAM ESTAR ON LINE, MAS A ESPECIALIDADE DE JOSÉ SERRA É A MAQUIAGEM

Governador de São Paulo está se especializando em maquiagem
O escândalo das Associações de Pais e Mestres (APMs) de Araraquara (interior de São Paulo) é mais uma explicação do subdesenvolvimento do Brasil. Medidas simples poderiam evitar ou diminuir esse tipo de corrupção, como a implantação de um portal da transparência paulista, no qual as APMs fossem obrigadas a lançar gastos on line, de forma que qualquer pai de aluno pudesse acompanhar os gastos da escola do seu filho, além do próprio governo estadual, deputados e a população em geral.

Mas tem muita gente que ganha com a corrupçao. Se não, seria fácil.

Desde os escândalos dos cartões corporativos, em que se verificou que o governo do PSDB de São Paulo havia gastado mais do que o governo federal no mesmo período (2007), nada foi feito pelo governo de José Serra. Mas tentou fazer uma maquiagem. O governador paulista colocou alguns gastos no Sigeo – Sistema de Informações Gerenciais da Execução Orçamentária do Estado de São Paulo -, mas somente os deputados têm acesso. Que consideração com a população, heim!

Além disso, informações são restritas em relação às prestadas pelo governo federal (veja matéria da Folha). É a transparência do PSDB e que poderá ser do Brasil em 2010.

Nesses dois anos de governo, além de tentar vender estatais para fazer caixa, o que mais o governo Serra fez? Boa pergunta. Enquanto isso, as APMs de Araraquara ferviam…

Outra forma de controlar as APMs pode ser tomada pelos governos municipais. Através de parcerias, as APMs que se prontificarem a declarar e prestar contas do gasto, além de aplicar bem o dinheiro, poderiam receber mais recursos do município.

Assim, sem gastar muito e fiscalizando, os prefeitos podem dar uma grande contribuição para os estudantes do município, mesmo os matriculados em escolas estaduais.

Tem muita gente vivendo da corrupção, então fica difícil combatê-la.

Leia também no Educação Política:

OLHA A DECLARAÇÃO DA SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO
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EDUCAÇÃO: NOSSA UTOPIA

Esta entrada foi publicada em 1 Dezembro, 2008 às 2:08 pm e é arquivado em EDUCAÇÃO POLÍTICA. Tagged: APM, corrupção, ensino, escola, José Serra, Política, Transparência. Você pode seguir qualquer respostas para esta entrada através de RSS 2.0 feed. Você pode deixe uma resposta, ou trackback do seu próprio site.
Valter Macedo disse…
O escândalo
Escola Estadual Padre Francisco Sales Colturato –Araraquara:
Ocorre que a diretora Sonia Fernandes Silva enfrenta um processo de aproximadamente duas mil páginas sendo que os fatos são bem diversificados, tais como desvio de verba pública, e prejuízos que chega a R$ 1.800.000,00 (um milhão e oitocentos mil reais) referentes desvios de verbas com repasse de notas fiscais frias a FDE e Secretaria da Educação do estado de SP, casos esses abafados por seus superiores. A diretora usava notas frias para justificar suas falcatruas, o que surpreende a inércia da Secretaria de Educação do Estado de SP o senhor José Serra que ainda não encerrou o processo da diretora.
A referida diretora ainda usa nomes de políticos que segundo ela, estão ajudando abafar o caso, políticos como o deputado federal, deputado estadual eleitos por Araraquara e região. O processo se encontra na secretaria da educação 2ª comissão processante nº55/2005.
Segundo informações obtidas, tem dinheiro da APM (Associação de Pais, Mestres ) envolvidos nestes esquemas, a dirigente de ensino Sandra Maria de Camargo Rossato que também responde a um processo pelos mesmos ilícitos e outros gravíssimos envolvendo todas as escolas de Araraquara e região nº 95/2006 e que também eram coniventes, pois dividiam a o Dinheiro desviado
Notas fiscais frias para dar o calote no governo do estado, a cópia da notas fiscais de numeração seqüenciadas das supostas empresas: Valéria Placeres Pereira, no local funciona uma oficina de moto, Rodrigo Fernando Magrini, Rafael Ceschi Garcia, Luis Teixeira filho (casa de ração) e as notas frias apresentadas eram de Papelaria, valores diferenciados em cada nota e sem constar qualquer aceite de recebimento. O telefone indicado na própria nota, não era o mesmo. O ato contínuo, a própria Diretora da Escola, senhora Sonia, ocorreu no fechamento desta escola o sumiço de talões de cheques da APM, que depois foram descontados em supermercados, lojas de materiais de construção.
Outra nota fiscal fria, N.s 85, datada de 25/05/2004, emitida pela empresa Luiz Teixeira Filho Ltda., no valor de R$ 3.095,00 (três mil e noventa e cinco reais) e sem qualquer aceite de recebimento. Indagado ao proprietário a respeito do suposto serviço prestado, , além de manifestar temor de sofrer eventuais represarias, afirma categoricamente que tal produto nunca foi entregue. Mas Sonia Fernandes e Sandra Rossato, aliadas afirmam para colegas de trabalho que, políticos estão do lado delas e por isto, ela não serão penalizadas.


Valter Macedo - Araraquara