Beth, A professora!


Na rede pública de ensino o aluno costuma ser tratado por seus pseudo-educadores como um pivete, imagem que a mídia ajuda a reforçar diariamente. Isso vemos e lemos todos os dias em vários veículos, já que em toda família de jornalista, de político e formador de opinião sempre há alguma professora ou diretora de escola pública, que ajuda a demonizar a figura do aluno, esse mal-educado, bagunceiro, essa laranja podre que vem de família desestruturada, etc.

Nessa situação tão generalizada existe uma exceção que mostra o que falta na rede pública brasileira, além de uma séria política educacional: amor e dedicação ao trabalho. Essa exceção é a Beth, uma professora primária que implantou o projeto EJA, de educação de jovens e adultos, na cadeia de Cataguazes.

Uma professora que não apenas respeita seus alunos regulares, mas que também ESCOLHEU trabalhar com pessoas já julgadas em tribunal, tendo portanto efetivamente cometido crimes. Ela mostra assim que o verdadeiro educador respeita e valoriza seu aluno, seja quem for. E a Beth é a pessoa mais amada e admirada por seus alunos! As aulas acontecem no pátio da cadeia, sem a mínima infraestrutura para um projeto educacional. Mas é ali que a professora Beth realiza o maior projeto educacional deste país. Ali o dever de casa é "para cela" e é feito no chão ou em cima dos beliches, pois não há uma mesa para apoiar cadernos e livros. Ali, onde professora e alunos convivem com grades por todos os lados e com a insegurança que paira nesses lugares.

Professora Beth, receba do EducaFórum essas flores simbólicas, como reconhecimento do grande trabalho que está desenvolvendo. Um trabalho que, indiretamente, mostra o preconceito e o descaso da maioria dos profissionais da educação que atuam na rede pública, aqueles que tratam seus alunos como criminosos em potencial e fazem questão de segregar seus próprios filhos, matriculados na rede particular.

Leia toda a matéria no Blog da Glória, essa outra grande educadora cujo trabalho temos a honra de poder acompanhar.

Comentários

Beth disse…
Que linda homenagem, fiquei abobada, e chorei muito. Que benção ter o trabalho da gente reconhecido por pessoas tão cidadãs, isso aumenta o meu compromisso de continuar, e mais expandir o projeto envolvendo outras pessoas.
Anônimo disse…
Faz algum tempo tenho acompanhado as mais diversas opiniões.
O post Beth, A professora incorre no mesmo erro que pretende denunciar no momento em que generaliza de modo injustificado os professores como pseudoeducadores. Deveria ter falado "alguns", mas preferiu generalizar. Se já não sabe, queira saber que, diariamente a grande maioria dos professores paulistas dão o melhor de si para os seus alunos e isso nas piores condições e com os piores salários. Portanto há muitos PROFESSORES BETH, muito mais do que imaginam...
Espero uma ressalva...
Giulia disse…
Caro anônimo, em que planeta você vive?... A grande maioria dos professores paulistas formam alunos... analfabetos. A professora Beth consegue alfabetizar pessoas que não tiveram oportunidade na idade certa, ou seja, que foram vítimas da má vontade e da incompetência da maioria de pseudoeducadores que infestam a rede pública de ensino. Exceções existem, sim, mas a maioria só está preocupada com seus salários e benésses. Você vai bater novamente na tecla do professor coitadinho???
Tem mais: coloque seu nome, por favor! Não costumo responder para anônimos. A maioria dos professores são, sim, anônimos, principalmente quando se trata de defender seus alunos das garras de outro professor.
Renato disse…
Prezado anônimo

Trabalhei (pouco tempo) como professor. E já conversei com professores amigos meus. Há muitos professores que não dão o melhor de sí.

E há uma outra questão, talvez mais importante. O "melhor de si" pode não ser o suficiente. Muitos professores não tem a vocação necessária. E a maioria tem uma formação deficiente, as faculdades não preparam corretamente os profissionais, falta-lhes conteúdo e método adequado. O sucesso estrondoso de alguns, evidencia a inaptidão de muitos.

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