A educação, sem discussão


Outro dia recebi e-mail de um repórter do Valor Econômico, pedindo para comentar uma matéria que ele estava elaborando sobre política educacional. Tive um trabalhão para comentar o texto, depois recebi uma resposta dizendo que minhas colocações eram amplas demais e não poderia publicá-las. Pois é, no Brasil não se discute educação, a mídia fica sempre no mesmo lero-lero...

Entre os poucos que discutem educação - porque conhecem os bastidores - está nossa amiga Cremilda, que costuma surpreender com seus posts inteligentes. Veja no texto abaixo suas colocações sobre o "pistolão" no sistema educacional brasileiro. Pois é, se você achar que esse termo é antiquado, leia com atenção e comente depois. Aliás, o maior exemplo de "pistolão" que se conhece é o tal professor que promoveu o bullying contra um aluno que chamou de "bicha", não foi punido e acabou sendo promovido a coordenador em outra escola.

PREMIANDO A NULIDADE
Cremilda Estella Teixeira

Vem de fora o especialista dizer que não adianta avaliar a qualidade do ensino no Brasil, se não for para tomar nenhuma medida. Isso a gente sabe…

O Prof. Santiago Cueto é especialista em educação na América Latina. Pior que fazer avaliação é pagar por uma avaliação da qual todos sabem o resultado. Os alunos em todo o Brasil não aprendem o mínimo. Estamos muito mal em relação aos outros países também, mal aqui e lá fora. Em qualquer medida comparativa o Brasil perde longe…

O especialista comete um erro grave, quando declara que salário não resolve problema da má qualidade do ensino, mas que um bom salário atrai os melhores profissionais. Acho que não contaram para ele que aqui em São Paulo o melhor sálário pode até provocar o interesse de bons profissionais, mas que existe um sistema de pistolão para se contratar um professor, diretor ou supervisor de ensino. Ele é contratado com o QUEM INDICA, depois faz um concurso e, de forma misteriosa, só os indicados é que ficam. Os profissionais de fora, e bons, continuam de fora. Não tendo um QI forte, nada feito. Temos a volta triunfal do pistolão na escola pública. Os Dirigentes Regionais são cabos eleitorais dos políticos e recebem verbas que distribuem como querem…

Fiscalização nenhuma. Fiscalização teria que ser feita por quem paga a conta. Os pais. Exatamente os pais são alijados do processo. Um pais onde a verba é suficiente para uma escola de primeiro mundo, tem uma escola falida e mergulhada na corrupção. Tanta verba que sobram bilhões, que o governo divide entre os profissionais. Uma escola miserável, verdadeiros escombros, e sobra um bilhão de verba... Essa espetacular “sobra” vira premio com o nome de bônus.

Uma gratificação…. Agradecendo o quê ???
PREMIANDO A NULIDADE

Comentários

cremilda disse…
Eu também fui entrevistada pelo tal repórter, ainda bem que não perdi quase nada e nem fiz qrande esforço.
Ele me procurou na Alesp e no dia da gravação.
Ele não divulgou uma linha do que eu disse e nem mencionou nenhum nome
Fez uma reportagem bem superficial e enxuta.
Mas que sabe o que acontece, sabe...
Pelo menos isso.
Menos um para dizer que não sabe de nada.
Que tem muito jornalista, que vem de familia rica e sempre estudou em boas escolas particulares, e não sabem mesmo o que acontece na escola pública
A maioria é sem vergonha mesmo.
A maioria é safadeza, estão comprometidos com a corporação, que além de ser a mais rica do pais ainda tem o poder político nas mãos...
Obrigada pelo elogio, vindo de você é mais gostoso ainda...
Anônimo disse…
gente, ninguem dá importancia para o que ocorre dentro das escolas públicas , principalmente, de são paulo.

os orgão centrais, quase todos os dias , recebem reclamações dos diversos descasos e das faltas de respeito que ocorrem dentro de nossas escolas

o ccordenador da COGSP, pelo amor de Deus, não está nem ai
ele defende tudo isto e não toma nenhuam providência

o pior de tudo é que nós temos: os dirigentes regionais que são indicados por vereadores, são intocáveis
diretores que não são investigados
etccc
Infelizmente, a escola pública não está em nenhuma ordem de prioridade. E por quê? Porque os filhos da classe média estão - ainda - na escola particular. Quando chegar a tocar nesta classe aí sim haverá a preocupação com a escola pública. Até lá...

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